{"id":11275,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/historias-do-conclave\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"historias-do-conclave","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/historias-do-conclave\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3rias do Conclave"},"content":{"rendered":"<p>A elei\u00e7\u00e3o de um Papa obedece a rituais muito simples e precisos, cheios de uma solenidade muito pr\u00f3pria pelo gesto e pelo peso das decis\u00f5es tomadas pelo Conclave. O pr\u00f3ximo inicia-se a 18 de Abril, com os Cardeais a tomarem Deus e os Evangelhos como sua testemunha num juramento de \u201csegredo absoluto\u201d sobre todos os procedimentos que ali ir\u00e3o ter lugar. Apenas dois dos Cardeais Eleitores foram criados por Paulo VI e participaram em anteriores Conclaves: o Cardeal alem\u00e3o Joseph Ratziner e o Cardeal norte-americano William W. Baum. A inexperi\u00eancia n\u00e3o servir\u00e1 como entrave ao processo, previsto at\u00e9 ao m\u00ednimo pormenor na Constitui\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica \u201cUniversi Dominici Gregis\u201d, assinada por Jo\u00e3o Paulo II em 1996. Ap\u00f3s a ordem \u201cExtra Omnes\u201d (todos fora), dada \u00e0s pessoas exteriores ao conclave, os Cardeais encontram-se a s\u00f3s, na Capela Sixtina, com os seus pares. Todos os meios de comunica\u00e7\u00e3o com o exterior s\u00e3o proibidos. Nos Conclaves anteriores, os Cardeais ficavam alojados na Capela Sixtina, sem as comodidades necess\u00e1rias para um acto destes, mas Jo\u00e3o Paulo II quis melhorar as condi\u00e7\u00f5es e mandou construir a Casa de Santa Marta. O espa\u00e7o do Conclave dos Cardeais \u00e9 assim alargado, pela primeira vez na hist\u00f3ria, a todo o complexo do Vaticano. Os Cardeais continuam a estar submetidos \u00e0 interdi\u00e7\u00e3o de qualquer contacto com o exterior, mas n\u00e3o ficar\u00e3o encerrados num \u00fanico local. Desde as primeiras assembleias crist\u00e3s romanas aos Cardeais, em 1179, a elei\u00e7\u00e3o de um novo Papa aconteceu quase sempre em Roma e, desde 1492, na Capela Sixtina. Nem todos os Conclaves, contudo, tiveram lugar no Vaticano: cinco aconteceram no Quirinal, actual pal\u00e1cio da presid\u00eancia da Rep\u00fablica Italiana; 16 decorreram noutras cidades italianas e sete em Fran\u00e7a, no per\u00edodo de Avinh\u00e3o. Os Conclaves do s\u00e9culo XX tiveram uma dura\u00e7\u00e3o sempre inferior a cinco dias e 14 vota\u00e7\u00f5es. A vota\u00e7\u00e3o acontece com o preenchimento de um boletim rectangular, que apenas traz impressa a men\u00e7\u00e3o &#8220;Eligo in Summum Pontificem&#8221; (elejo como Sumo Pont\u00edfice) na parte superior. O boletim \u00e9 dobrado e \u00e9 levado ao altar, onde est\u00e1 colocada uma urna, onde os Cardeais pronunciam o juramento: \u201cInvoco como testemunha Cristo Senhor, o qual me h\u00e1-de julgar, que o meu voto \u00e9 dado \u00e0quele que, segundo Deus, julgo deve ser eleito\u201d. Para que surja um novo Papa requerem-se dois ter\u00e7os dos votos, com vota\u00e7\u00f5es de manh\u00e3 e \u00e0 tarde, que s\u00e3o sempre a dobrar quando n\u00e3o se obt\u00e9m esse resultado. Se as vota\u00e7\u00f5es n\u00e3o tiverem \u00eaxito, ap\u00f3s um per\u00edodo m\u00e1ximo de 9 dias de escrut\u00ednios e \u201cpausas de ora\u00e7\u00e3o e livre col\u00f3quio\u201d descrito na Constitui\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica, os Cardeais eleitores ser\u00e3o convidados pelo Camerlengo a darem a sua opini\u00e3o sobre o modo de proceder.  O documento de Jo\u00e3o Paulo II abre a hip\u00f3tese de a elei\u00e7\u00e3o ser feita \u201cou com a maioria absoluta dos sufr\u00e1gios ou votando somente os dois nomes que, no escrut\u00ednio imediatamente anterior, obtiveram a maior parte dos votos, exigindo-se, tamb\u00e9m nesta segunda hip\u00f3tese, somente a maioria absoluta.\u201d Depois de cada sess\u00e3o, as fichas dos votos e \u201cos escritos de qualquer esp\u00e9cie relacionados com o resultado de cada escrut\u00ednio\u201d s\u00e3o queimados com uma mistura de qu\u00edmicos: se o fumo que sai da chamin\u00e9 da Capela Sistina for negro, significa que n\u00e3o houve acordo entre os Cardeais; se for branco, que foi escolhido o novo Papa. Neste caso, apenas resta ao novo eleito responder a duas quest\u00f5es do Cardeal Decano: &#8221;Acceptasne eletionem de te canonice factam in Summum Pontificem?\u201d (aceitas a tua elei\u00e7\u00e3o, canonicamente feita, para Sumo Pont\u00edfice?) e &#8221;Quo nomine vis vocari? (Como queres ser chamado?), naquele que \u00e9 o \u00faltimo acto formal do Conclave.  No in\u00edcio do Cristianismo n\u00e3o era assim: o eleito usava o seu nome \u2013 Lino, Clemente, Telesf\u00f3ro, Eleut\u00e9rio, Aniceto, conforme a proced\u00eancia dos Papas. A partir de 532 a tradi\u00e7\u00e3o de mudar o nome instalou-se: o eleito chamava-se Merc\u00fario, nome de uma divindade pag\u00e3, e adoptou o nome de um dos ap\u00f3stolos, passando a chamar-se Jo\u00e3o II. Este uso consolidou-se e os Papas come\u00e7aram a escolher nomes de Ap\u00f3stolos, de m\u00e1rtires ou outros Papas, muitas vezes para invocar algumas das suas caracter\u00edsticas. Nenhum, contudo, voltou a utilizar o nome de Pedro, o primeiro Papa, porque este n\u00e3o foi eleito por outros homens \u2013 em 983 o romano Pedro, eleito para o pontificado, mudou o nome para Jo\u00e3o. Ap\u00f3s a escolha do nome, um a um os Cardeais prestam homenagem e apresentam a sua obedi\u00eancia ao novo Papa. O an\u00fancio \u00e9 feito, em seguida, aos fi\u00e9is: &#8220;Habemus papam&#8221;.  <B>S\u00e9 Vacante, Igreja em espera<\/b> O per\u00edodo da S\u00e9 Apost\u00f3lica Vacante, que a Igreja Cat\u00f3lica vive desde a morte de Jo\u00e3o Paulo II at\u00e9 \u00e0 elei\u00e7\u00e3o de um novo Papa, \u00e9 marcado por uma s\u00e9rie de acontecimentos, ritos e actos que t\u00eam lugar neste per\u00edodo de tempo. Os mais medi\u00e1ticos relacionam-se com as ex\u00e9quias do Papa defunto e o Conclave para a elei\u00e7\u00e3o de um novo chefe da Igreja, mas h\u00e1 muito mais a levar em linha de conta durante o \u201cinterregno\u201d. Ao longo dos s\u00e9culos, v\u00e1rios Papas t\u00eam colocado por escrito as regras a observar durante a S\u00e9 Vacante, procurando responder \u00e0s exig\u00eancias particulares de cada momento hist\u00f3rico. O mesmo fez Jo\u00e3o Paulo II, quando promulgou em 1996 a Constitui\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica \u201cUniversi Dominici Gregis\u201d (UDG), estabelecendo novas normas sobre a vagatura da S\u00e9 Apost\u00f3lica e a elei\u00e7\u00e3o do Romano Pont\u00edfice. Durante o tempo em que estiver vacante a S\u00e9 Apost\u00f3lica, o governo da Igreja est\u00e1 confiado ao Col\u00e9gio dos Cardeais, mas somente para o despacho dos assuntos ordin\u00e1rios ou inadi\u00e1veis e para a prepara\u00e7\u00e3o daquilo que \u00e9 necess\u00e1rio para a elei\u00e7\u00e3o do novo Papa. Os Cardeais, ao tratarem da vida da Igreja, re\u00fanem-se em Congrega\u00e7\u00e3o geral (todos os Cardeais) e Congrega\u00e7\u00e3o particular. A primeira \u00e9 presidida pelo Cardeal Decano e resolve as quest\u00f5es mais importantes; a segunda \u00e9 formada pelo Cardeal Camerlengo e por tr\u00eas Cardeais, um de cada uma das ordens, sendo renovados de 3 em 3 dias, tendo como compet\u00eancia os assuntos ordin\u00e1rios. Em s\u00edntese, pode-se dizer que a UDG confia as decis\u00f5es a tomar, sobre a vida da Igreja Cat\u00f3lica, ao Col\u00e9gio de Cardeais, que representam a universalidade da mesma. Os dois momentos fundamentais da S\u00e9 Vacante seguem fielmente dois rituais recentemente escritos: a Ordo Exsequiarum Pontificis e a Ordo Rituum Conclavis. Ambos procuram deixar de lado uma perspectiva considerada ritualista e complicada, baseada em gestos pesados e redundantes, apresentando ritos caracterizados por \u201cnobre simplicidade e beleza\u201d, de forma a responder \u00e0s exig\u00eancias do tempo actual e ao esp\u00edrito do II Conc\u00edlio do Vaticano. O significado espiritual e eclesial destes momentos \u00e9, assim, colocado num plano de destaque, como \u00e9 poss\u00edvel ver nas premissas do Rito do Conclave: \u201cEnquanto se celebra a elei\u00e7\u00e3o do sucesso de Pedro, a Igreja est\u00e1 particularmente unida aos sagrados Pastores e, sobretudo, com os Cardeais eleitores, implorando a Deus um novo Sumo Pont\u00edfice, como dom da sua bondade e provid\u00eancia\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A elei\u00e7\u00e3o de um Papa obedece a rituais muito simples e precisos, cheios de uma solenidade muito pr\u00f3pria pelo gesto e pelo peso das decis\u00f5es tomadas pelo Conclave. 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