{"id":112495,"date":"2018-08-10T15:29:15","date_gmt":"2018-08-10T14:29:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=112495"},"modified":"2018-08-10T15:30:07","modified_gmt":"2018-08-10T14:30:07","slug":"o-descanso-e-um-caminho-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-descanso-e-um-caminho-2\/","title":{"rendered":"O descanso \u00e9 um caminho"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nas margens do rio C\u00e1vado o mote era o descanso para uma conversa que se adivinhava serena e profunda. As conversas s\u00e3o como as cerejas e o c\u00f3nego Jo\u00e3o Aguiar \u00e9 mestre na acrobacia das palavras. Do descanso ao lazer, da m\u00fasica \u00e0 literatura, das mem\u00f3rias aos sonhos\u2026 Uma entrevista para ler e reler em tempo de f\u00e9rias.<!--more--><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-112222 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/p.JoaoIII-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/p.JoaoIII-300x225.jpg 300w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/p.JoaoIII-768x576.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/p.JoaoIII-510x382.jpg 510w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/p.JoaoIII.jpg 960w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por Lu\u00eds Filipe Santos<\/em><\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia ECCLESIA<\/strong> \u2013 O verbo \u201cdescansar\u201d tem outro significado nesta \u00e9poca do ano?<\/p>\n<p><strong>C\u00f3nego Jo\u00e3o Aguiar<\/strong> \u2013 Tem outro significado, embora n\u00e3o podemos esquecer o verbo descansar ao longo do outro tempo do ano.<\/p>\n<p>Muitas vezes, no ver\u00e3o, aquilo a que chamamos descanso \u00e9 uma grande canseira. \u00c9 canseira das malas, da escolha, de quem vai e de quem fica\u2026 \u00c9 canseira do que se leva e do s\u00edtio. E depois, a canseira de ter chegado. Ali\u00e1s, tenho muito medo que as pessoas regressem depois das f\u00e9rias, mais cansadas do que estavam quando partiram. At\u00e9 porque esquecendo os hor\u00e1rios, esquecem que existe uma noite.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> \u2013 E uma manh\u00e3\u2026<\/p>\n<p><strong>JA<\/strong> \u2013 Verdade\u2026 E uma manh\u00e3 durante as f\u00e9rias. Esquecem-se de adormecer e depois, porventura, esquecem-se tamb\u00e9m de acordar a horas. Mas, de qualquer modo, agora durante o ver\u00e3o \u00e9 mais oportuno o verbo descansar. N\u00e3o apenas porque muitas pessoas escolhem esta \u00e9poca do ano para as f\u00e9rias\u2026 at\u00e9 porque muitas empresas se organizam para as f\u00e9rias de ver\u00e3o e a pr\u00f3pria industria hoteleira est\u00e1 muito mais centrada nesta \u00e9poca, at\u00e9 por causa do nosso pr\u00f3prio clima.<\/p>\n<p>\u00c9 importante que o verbo descansar seja conjugado em todos os tempos e modos ao longo do ano porque descansar \u00e9 uma afirma\u00e7\u00e3o de soberania. Soberania sobre a cria\u00e7\u00e3o. Soberania sobre n\u00f3s e soberania sobre a tenta\u00e7\u00e3o do ter, possuir, fazer e acumular. \u00c9 preciso afirmar a soberania do ser para o outro, para mim e para Deus.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> \u2013 Essa soberania sobre o ser \u00e9 ofuscada em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 soberania sobre o ter.<\/p>\n<p><strong>J\u00c1 <\/strong>\u2013 N\u00f3s vivemos na civiliza\u00e7\u00e3o do possuir, do fazer, do conseguir e do arranjar. O \u00eaxito mede-se, muitas vezes, pela marca do autom\u00f3vel, pela qualidade da casa, pelos s\u00edtios onde podemos ir passar f\u00e9rias. Para isso \u00e9 preciso ter\u2026 \u00c9 verdade que precisamos de ter o m\u00ednimo para ser. Para sermos livres e afirmativos. Para n\u00e3o sermos escravos, \u00e0s vezes at\u00e9 das pr\u00f3prias condi\u00e7\u00f5es de trabalho ou da forma como nos tratam no trabalho.<\/p>\n<p>Todavia, numa perspetiva crente\u2026 O acumular\u2026 Acumular \u00e9 dar muito trabalho \u00e0 tra\u00e7a.<\/p>\n<p>Um dia encontrei, no Chiado (Lisboa), numas escadas que d\u00e3o para a Rua do Almada, esta frase: \u00abPassamos o tempo a trabalhar para ter dinheiro, para comprar coisas de que n\u00e3o precisamos\u00bb. \u00c9, realmente, este sentido de tralha de que nos devemos libertar no tempo do descanso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> \u2013 \u00c9 na inf\u00e2ncia que vivemos a vida de forma mais honesta?<\/p>\n<p><strong>JA<\/strong> \u2013 E mais descansada\u2026 Sim. E mais honesta. Exigimos na inf\u00e2ncia \u2013 \u00e9 pena que, atualmente, a exig\u00eancia n\u00e3o seja muito correspondida pelos pais e educadores \u2013 porque, muitas vezes, os tempos livres das crian\u00e7as s\u00e3o ocupados com outras atividades. Vejo av\u00f4s e netos que n\u00e3o t\u00eam tempos livres porque esses tempos passam pela nata\u00e7\u00e3o, ballet\u2026 Com essas atividades pouco tempo existe para o recreio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> \u2013 Para brincar\u2026<\/p>\n<p><strong>JA<\/strong> \u2013 Ou seja para serem crian\u00e7as\u2026 Muitas vezes, fazemos do tempo livre, uma jarra bonita que n\u00e3o deixamos estar vazia. Fico sempre com o drama quando compro uma pe\u00e7a \u2013 uma jarra de cristal \u2013 e algu\u00e9m acha que esta deve ter umas flores. E a jarra era t\u00e3o linda sem estar ocupada com as flores\u2026<\/p>\n<p>Ao colocarem as flores\u2026 parte da jarra fica escondida. Aparece um e toca nas flores. Outro desvia a flor para outro lado. At\u00e9 nas pr\u00f3prias tribunas \u2013 em Braga existe a santa tradi\u00e7\u00e3o dos lausperenes diocesanos onde se exp\u00f5e solenemente o Sant\u00edssimo \u2013 mas, no meio de tantas jarras, velas e flores, esse arranjo esconde a riqueza art\u00edstica e o pr\u00f3prio Sant\u00edssimo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> \u2013 A chamada polui\u00e7\u00e3o visual\u2026<\/p>\n<p><strong>JA<\/strong> \u2013 Autenticamente. Este descanso entendido como alguma valoriza\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m da dita inutilidade (daquilo que parece in\u00fatil, mas ao mesmo tempo nos enche). \u00c9 importante que durante o tempo de descanso aprendamos a divertirmo-nos. A fazer coisas diversas daquilo que fazemos durante o nosso dia-a-dia. Descansar \u00e9 tamb\u00e9m ser a jarra vazia onde somos capazes de fechar os olhos e dizer. \u00abQue est\u00e1s a fazer?\u00bb.<\/p>\n<p>E quando dizemos \u00abN\u00e3o estou a fazer nada\u2026\u00bb, estamos a fazer um conjunto de coisas. Estamos a assistir a uma esp\u00e9cie de degelo no nosso polo norte \u2013 que \u00e9 a cabe\u00e7a \u2013 que escorre de n\u00f3s. Ali brincam uma s\u00e9rie de ideias e pensamentos. Uma s\u00e9rie de arrependimentos ou perspetivas. Que est\u00e1s a fazer? Estou a conversar comigo. Estou a encontrar-me e a reencontrar-me.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"j1wOJKYPEm\"><p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-significado-do-verbo-descansar-com-o-conego-joao-aguiar-emissao-06-08-2018\/\">O significado do verbo descansar com o c\u00f3nego Jo\u00e3o Aguiar &#8211; Emiss\u00e3o 06-08-2018<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;O significado do verbo descansar com o c\u00f3nego Jo\u00e3o Aguiar &#8211; Emiss\u00e3o 06-08-2018&#8221; &#8212; Ag\u00eancia ECCLESIA\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-significado-do-verbo-descansar-com-o-conego-joao-aguiar-emissao-06-08-2018\/embed\/#?secret=fpYbL7ZVuO#?secret=j1wOJKYPEm\" data-secret=\"j1wOJKYPEm\" width=\"500\" height=\"282\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> \u2013 Descanso e lazer s\u00e3o sin\u00f3nimos?<\/p>\n<p><strong>JA<\/strong> \u2013 Na minha perspetiva, o lazer \u00e9 menos rico do que o descanso. O lazer tem esta ideia muito colada ao n\u00e3o fazer nada. Em rela\u00e7\u00e3o ao descanso, mesmo quando n\u00e3o fazemos nada, a estudar a Teologia da inutilidade, este \u00e9 ativo. Em rela\u00e7\u00e3o ao lazer, este, muitas vezes, \u00e9 um vaguear.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> \u2013 Lazer \u00e9 estar estendido\u2026 Descansar \u00e9 caminhar?<\/p>\n<p><strong>JA<\/strong> \u2013 O descanso \u00e9 um caminho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> \u2013 Com passos longos ou curtos?<\/p>\n<p><strong>JA <\/strong>\u2013 Depende porque \u00e0s vezes temos pressa de chegar. Outras vezes \u00e9 um passo miudinho \u2013 na minha cultura rural diria: \u00c9 o passo miudinho da folha do codesso \/ o meu amor \u00e9 pequenino, eu pelo andar o conhe\u00e7o \/ Tenho o passo miudinho como a folha do codesso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE <\/strong>\u2013 Isso \u00e9 poesia\u2026<\/p>\n<p><strong>JA<\/strong> \u2013 Poesia popular.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> \u2013 Brota e sai da viv\u00eancia\u2026<\/p>\n<p><strong>JA <\/strong>&#8211; Sai da viv\u00eancia deste olhar tranquilo at\u00e9 porque se o passo for muito r\u00e1pido, ent\u00e3o haveria momentos da vida que eu n\u00e3o podendo andar\u2026 Estava dispensado ou proibido de ir. Andar \u00e9 uma coisa\u2026 Ir \u00e9 outra. Eu vou ou estamos neste mapa interior que n\u00e3o se confunde com o territ\u00f3rio que calcamos. Muitos entregam o lazer \u00e0 pregui\u00e7a. Eu gosto mais do descanso ativo do que o lazer pendurado da pregui\u00e7a que baloi\u00e7a num ramo qualquer da \u00e1rvore.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> \u2013 Descansar e lazer s\u00e3o termos parecidos, todavia n\u00e3o podemos consider\u00e1-los como sin\u00f3nimos. Enquanto, que o lazer quase implica passividade\u2026 O descanso \u00e9 algo mais ativo.<\/p>\n<p><strong>JA<\/strong> \u2013 Eu quando descanso\u2026 Preparo-me. O descanso \u00e9 uma prepara\u00e7\u00e3o. O descanso \u00e9 atividade. Na perspetiva de que estou a fazer uma coisa diferente que me relaxa. Mas n\u00e3o estou ali simplesmente numa atitude de lazer passivo e fechado sobre mim.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"gLxcfSMcyS\"><p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-descanso-ou-o-lazer-nas-ferias-com-o-conego-joao-aguiar-emissao-07-08-2018\/\">O descanso ou o lazer nas f\u00e9rias?, com o c\u00f3nego Jo\u00e3o Aguiar &#8211; Emiss\u00e3o 07-08-2018<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;O descanso ou o lazer nas f\u00e9rias?, com o c\u00f3nego Jo\u00e3o Aguiar &#8211; Emiss\u00e3o 07-08-2018&#8221; &#8212; Ag\u00eancia ECCLESIA\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-descanso-ou-o-lazer-nas-ferias-com-o-conego-joao-aguiar-emissao-07-08-2018\/embed\/#?secret=8Zyzmpsuh9#?secret=gLxcfSMcyS\" data-secret=\"gLxcfSMcyS\" width=\"500\" height=\"282\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> \u2013 Como s\u00e3o os seus momentos de lazer e de descanso?<\/p>\n<p><strong>JA<\/strong> \u2013 O meu momento de lazer \u00e9, essencialmente, olhar. N\u00e3o me apetece\u2026 \u00c9 aquele cansa\u00e7o absoluto em que quero estar quieto e calado. E se algu\u00e9m disser o teu nome ou chamar por ti ficas zangado. Apetece-te desligar do mundo.<\/p>\n<p>O problema do descanso \u00e9 outra coisa\u2026\u00c9 como uma prepara\u00e7\u00e3o para logo. \u00c9 como um limpar. Como engraxo os sapatos com que caminhei\u2026.Como revejo o caminho. \u00a0O descanso \u00e9 uma enorme dose de futuro. Eu descanso\u2026 Sento-me para retomar a caminhada. Na entrada da gruta do meu descanso, existe algu\u00e9m que cose uns p\u00e3es e diz: \u00abAlimenta-te porque o teu caminho vai ser longo\u00bb. Este ir\u2026 Este amanh\u00e3\u2026 Este outro lado do horizonte ou do s\u00edtio onde estou. Sinto que neste sil\u00eancio ou momento de paragem me chama ao s\u00edtio<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> \u2013 \u00c9 como um amassar o p\u00e3o? E depois coloca-lo no forno?<\/p>\n<p><strong>JA<\/strong> \u2013 Tamb\u00e9m\u2026 \u00c9 um cozinhar o amanh\u00e3. H\u00e1 muitas pessoas que dizem: \u00abN\u00e3o sou capaz de mais nada e preciso de descansar\u00bb. Um necessitar de estar quieto. No fundo precisa de recuperar para o caminho. Nesse momento, precisa de sentir n\u00e3o um desistente, mas um peregrino que, momentaneamente, est\u00e1 quieto, mas \u00e9 insistente. Ele quer \u00e9 voltar \u00e0 estrada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE <\/strong>\u2013 No fundo, o descanso tamb\u00e9m tem momentos de paragem\u2026<\/p>\n<p><strong>JA<\/strong> \u2013 Claro\u2026 O descanso tem momentos de paragem. Ali\u00e1s, se n\u00e3o pararmos, o pr\u00f3prio amanh\u00e3 e o pr\u00f3prio trabalho v\u00e3o ser desorganizados e muitas vezes in\u00fateis. O descanso permite-nos refazer e confirmar objetivos e, se poss\u00edvel, corrigir esses objetivos.<\/p>\n<p>Basta ver no futebol\u2026 Quando existe uma mudan\u00e7a de campo ou no prolongamento \u2013 os jogadores deslocam-se \u00e0 lateral e o \u00e1rbitro aceita que existam umas garrafas de \u00e1gua e um ou dois minutos \u2013 ele percebe que para os jogadores se entregarem ao jogo com o mesmo entusiamo precisam de organismo. Eles necessitam de recuperar\u2026Este descanso. Esta paragem \u00e9 o momento de dizer: \u00abOk\u2026 Louvado seja Deus, e eu tamb\u00e9m pelo meu esfor\u00e7o e pelo caminho percorrido\u00bb. Vamos l\u00e1 que se faz tarde e voltamos ao caminho\u2026<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> \u2013 Qual \u00e9 o seu momento de descanso predileto?<\/p>\n<p><strong>JA<\/strong> \u2013 O meu momento de descanso predileto \u00e9 a aldeia. O meu s\u00edtio e o meu momento. Porque foi o s\u00edtio dos sonhos. Foi o s\u00edtio dos alicerces\u2026 N\u00f3s temos de fazer uma esp\u00e9cie de peregrina\u00e7\u00e3o aos s\u00edtios onde sonhamos. A\u00ed revisitamos as ra\u00edzes\u2026 Dizermos: \u201cAh\u2026 Venho dali e vou para acol\u00e1\u00bb. Esse \u00e9 um s\u00edtio, absolutamente, indispens\u00e1vel quando eu visito a minha aldeia e os meus familiares.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> \u2013 Rebolar na relva\u2026<\/p>\n<p><strong>JA<\/strong> \u2013 Sim. Sujar-me\u2026 Sinto necessidade de, pelo menos semanalmente, sujar-me. Se tal n\u00e3o acontecer sinto-me demasiado pasteurizado. Obrigado ao politicamente correto\u2026 N\u00e3o. Vou ali e j\u00e1 venho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> \u2013 E costuma ir ao rio da sua inf\u00e2ncia\u2026<\/p>\n<p><strong>JA<\/strong> \u2013 Todos n\u00f3s temos um rio da inf\u00e2ncia. O meu era um ribeirito. O da aldeia\u2026 Porque eu tamb\u00e9m vivi dois anos em Chaves e a\u00ed t\u00ednhamos o T\u00e2mega\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE <\/strong>\u2013 E agora temos o Rio C\u00e1vado\u2026<\/p>\n<p><strong>JA<\/strong> \u2013 Agora temos o C\u00e1vado aqui \u00e0 porta de casa, em Braga. S\u00e3o dimens\u00f5es diferentes. Mas o engra\u00e7ado \u00e9 que o ribeirito, o Rodas da minha terra\u2026 Depois vai mudando de nome pelo caminho\u2026 Passa a Rio Homem\u2026 Depois a C\u00e1vado e quando chega ao mar ainda continua s ser C\u00e1vado. E l\u00e1 no mar\u2026 \u00e9 mar. E s\u00f3 ele sabe que na minha terra era um fio de \u00e1gua.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE <\/strong>\u2013 No fundo, o rio tamb\u00e9m descansa\u2026 Depois de fazer aquele trajeto da nascente at\u00e9 \u00e0 foz.<\/p>\n<p><strong>JA<\/strong> \u2013 O rio descansa\u2026 Embora n\u00e3o descanse como desejava o estudante de Coimbra que um dia na ponte, olhando o Mondego, dizia: \u00abAi rio, como eu gostava de ser como tu. Segues o teu curso sem sair do leito\u00bb. (Risos\u2026). O rio descansa\u2026 Mas \u00e0s vezes empurra as margens na sua impertin\u00eancia de chegar mais depressa. Outras vezes, sente a fragilidade do caminho. N\u00f3s, no rio, encontramos muito a nossa hist\u00f3ria\u2026 Umas vezes encontramos aquele entusiasmo que \u00e9 capaz de tudo e de todos\u2026 Que leva carrascos e salta pedra\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> \u2013 O chamado rasgo\u2026<\/p>\n<p><strong>JA<\/strong> \u2013 Exato. Mas outras vezes somos aquele fio de \u00e1gua que vai rastejando at\u00e9 encontrar uma corrente maior. A quem pede que lhe d\u00ea o bra\u00e7o\u2026 E quando chega ao mar \u00e9 uma gota de azul limpo.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"VEBxgTGA1e\"><p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/onde-se-pode-descansar-com-o-conego-joao-aguiar-emissao-08-08-2018\/\">Onde se pode descansar&#8230; com o c\u00f3nego Jo\u00e3o Aguiar &#8211; Emiss\u00e3o 08-08-2018<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;Onde se pode descansar&#8230; com o c\u00f3nego Jo\u00e3o Aguiar &#8211; Emiss\u00e3o 08-08-2018&#8221; &#8212; Ag\u00eancia ECCLESIA\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/onde-se-pode-descansar-com-o-conego-joao-aguiar-emissao-08-08-2018\/embed\/#?secret=jaRLg0HKvs#?secret=VEBxgTGA1e\" data-secret=\"VEBxgTGA1e\" width=\"500\" height=\"282\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> \u2013 Prefere a nascente de um rio ou a foz dessa mesma corrente?<\/p>\n<p><strong>JA<\/strong> \u2013 As duas coisas t\u00eam sentido\u2026 Eu prefiro, no seu sonho e na sua esperan\u00e7a, a nascente\u2026 A nascente nasce limpa. Ainda n\u00e3o recebeu nenhum contributo que no caminho, eventualmente, a provoque\u2026 Que a suje. Ou as pr\u00f3prias \u00e1rvores que v\u00e3o caindo para o rio. A nascente \u00e9 sempre o s\u00edtio l\u00edmpido de um come\u00e7o.<\/p>\n<p>A foz \u00e9 a voca\u00e7\u00e3o\u2026 \u00c9 para onde caminhamos. Cada rio, na sua nascente mais pequenina sente um grande, um enorme e inabal\u00e1vel chamamento do mar. Como n\u00f3s, pequenos, diz a Sagrada Escritura: \u201cpequenos pardaizinhos\u201d. Mas sentimos o chamamento do mar que \u00e9 esta realiza\u00e7\u00e3o da nossa humanidade quando chega ao momento de lavar o espelho das nossas indecis\u00f5es e encontrarmo-nos com o Deus que se mostra. Temos a voca\u00e7\u00e3o deste colo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> \u2013 Nesse caminho tamb\u00e9m costuma sentar-se e ouvir os passarinhos a cantar\u2026<\/p>\n<p><strong>JA<\/strong> \u2013 Tudo. Ali\u00e1s, \u00e9 atrav\u00e9s das Escrituras que chegamos ao Criador. Sentirmos a beleza do mundo\u2026 Sentirmo-nos gratos pela heran\u00e7a que recebemos. Sentirmo-nos respons\u00e1veis pelo legado que temos pelas novas gera\u00e7\u00f5es. \u00c9 cuidar das \u00e1guas\u2026 Cuidar da qualidade do ar. Cuidar do ambiente\u2026 a ponto de podermos dizer: \u00abLouvado sejas meu Senhor\u00bb.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> \u2013 Um esp\u00edrito um pouco franciscano\u2026<\/p>\n<p><strong>JA<\/strong> \u2013 Sim. Espirito franciscano e tamb\u00e9m \u00e9 o esp\u00edrito da \u00abLaudato Si\u00bb [NDR: Enc\u00edclica do Papa Francisco]<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> \u2013 Um documento que falta colocar em pr\u00e1tica\u2026 A quest\u00e3o da cidadania\u2026 Do ambiente. Olhar para a natureza e consider\u00e1-la nossa irm\u00e3.<\/p>\n<p><strong>JA \u2013 <\/strong>Falta muito porque n\u00f3s olhamos para os recursos da natureza, como algo a explorar. Muitas vezes na explora\u00e7\u00e3o esquecemos a preserva\u00e7\u00e3o. H\u00e1 um abuso\u2026 Na vontade do lucro imediato n\u00e3o nos apercebemos da perda futura e, em tantas circunst\u00e2ncias, absolutamente irrevers\u00edvel. Este abuso \u00e9 imoral.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> \u2013 O descanso \u00e9 uma forma de obliterar o cansa\u00e7o acumulado ao longo de meses. O descanso \u00e9 a constru\u00e7\u00e3o de uma obra de arte.<\/p>\n<p><strong>JA<\/strong> \u2013 Sim. Estamos a construir porque o descanso tem este olhar para tr\u00e1s e este olhar para a frente no presente em que estamos. H\u00e1 dois tempos que podem fazer-nos muito mal se nos fixarmos neles\u2026 Um tempo \u00e9 o passado. Se nos fixarmos no passado ficamos presos. Mesmo que o nosso passado tenha sido brilhante. Mas se nos prendermos a ele, por mais brilhante que seja n\u00e3o passa de algemas. E algemas s\u00e3o algemas, mesmo que sejam de ouro. Se aparecer um pol\u00edcia e me algemar com algemas de ouro eu n\u00e3o me sentiria menos preso.<\/p>\n<p>Outro tempo que nos faz muito mal \u00e9 a impertin\u00eancia do futuro. Esta, impede-nos a experi\u00eancia do ontem que se vive hoje para construir o amanh\u00e3 que se chama presente. Eu gosto muito da palavra presente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> \u2013 Mas o presente n\u00e3o existe\u2026 No momento que o pronuncio ele passou a passado\u2026<\/p>\n<p><strong>JA<\/strong> \u2013 Isso \u00e9 muito c\u00f3modo, todavia vou responder de outra forma. Tu fazes anos e \u00e0s vezes damos uma prenda\u2026 A prenda parece que prende. Eu prefiro chamar-lhe um presente. Este agora que te homenageia e te agradece agora. Chamar \u00e0 prenda presente faz do presente\u2026 Deste presente cronol\u00f3gico, temporal\u2026 Desta circunst\u00e2ncia uma prenda.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> \u2013 Uma doa\u00e7\u00e3o\u2026<\/p>\n<p><strong>JA <\/strong>\u2013 Uma doa\u00e7\u00e3o\u2026 \u00c9 isto que eu tenho para te dar agora.<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> \u2013 Esse presente que tanto gosta tem de ser em dose qb\u2026 Porque temos de olhar para o futuro e recordar a nossa inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p><strong>JA \u2013 <\/strong>Claro. Eu digo muitas vezes que as mem\u00f3rias s\u00e3o aquela parte que me empurra para amanh\u00e3. Nas mem\u00f3rias eu encontro os sonhos e hoje, no presente, eu digo: \u201cQue parte deste sonho \u00e9 que abandonaste\u2026 que j\u00e1 constru\u00edste ou que te falta construir\u201d. O passado que nos empurra para a frente.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso percebermos que aquilo que idealizamos, \u00e9 fundamental quere-lo muito. Muitas pessoas n\u00e3o chegam ao amanh\u00e3 porque se auto boicota. Muitas vezes queixamo-nos dos outros e esquecemos o auto boicote. O auto boicote acontece quando eu quero ser algo e n\u00e3o ponho meio nenhum para o ser. Vivem numa situa\u00e7\u00e3o de queixume permanente. S\u00e3o uns infelizes permanentes e n\u00e3o descobrem que, eles pr\u00f3prios podiam ser fonte de felicidade.<\/p>\n<p>Nunca responderam, fundamentalmente, a esta pergunta: \u00abQuanto \u00e9 que eu quero, o que quero?\u00bb. Quando \u00e9 que queres isso\u2026 Se eu quero muito o que quero\u2026 a for\u00e7a de vontade, a ajuda, o esfor\u00e7o, o sacrif\u00edcio, o investimento\u2026 Agora se quero pouco, na primeira dificuldade pare\u00e7o a raposa debaixo da vinha. Ela disse: \u201cEst\u00e3o verdes\u201d. As uvas at\u00e9 estavam boas\u2026 mas ela declarou que estavam verdes para n\u00e3o sentir o fracasso da sua incapacidade de chegar \u00e0 ramada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> \u2013 Mas a raposa \u00e9 astuta\u2026<\/p>\n<p><strong>JA<\/strong> \u2013 \u00c9 astuta\u2026 Mas, \u00e0s tantas, vai buscar um coelho e desiste das uvas, portanto muda de objetivo. Este querer hoje e querer chegar\u2026 E n\u00e3o ficarmos traumatizados s\u00f3 porque n\u00e3o conseguimos a perfei\u00e7\u00e3o da chegada. Muita gente \u00e9 traumatizada com o evangelho porque este diz: \u00abSede perfeitos como o Pai do C\u00e9u\u00bb. Isso n\u00e3o poss\u00edvel. Temos de ser, impertinentemente, buscadores da perfei\u00e7\u00e3o poss\u00edvel. E depois aceitemos os nossos limites.<\/p>\n<p>Hoje, toda a gente sabe \u2013 os que me conhecem \u2013 que n\u00e3o posso correr. Voltamos ao passo miudinho. Mas posso andar devagar ou ent\u00e3o posso viajar\u2026 com o cora\u00e7\u00e3o, com a imagina\u00e7\u00e3o. Posso viajar num livro. Posso viajar num mapa. H\u00e1 muitas formas de chegar, todavia s\u00f3 h\u00e1 uma de desistir. Dizer: \u00abN\u00e3o sou capaz\u00bb.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE \u2013 <\/strong>Essa resigna\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 no seu cora\u00e7\u00e3o porque est\u00e1 sempre a viajar\u2026<\/p>\n<p><strong>JA \u2013 <\/strong>N\u00e3o \u00e9 uma resigna\u00e7\u00e3o\u2026 H\u00e1 uma quest\u00e3o que \u00e9 a aceita\u00e7\u00e3o e outra coisa que \u00e9 a resigna\u00e7\u00e3o. Eu na resigna\u00e7\u00e3o digo: \u00abEstou t\u00e3o zangado\u00bb.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> \u2013 Mas o padre Jo\u00e3o Aguiar n\u00e3o se zanga\u2026<\/p>\n<p><strong>JA <\/strong>\u2013 (Risos)\u2026 Preciso de preparar o almo\u00e7o\u2026 Fui \u00e0 pra\u00e7a e nela n\u00e3o havia aquilo que me levou ao s\u00edtio. Tem de haver uma alegre aceita\u00e7\u00e3o dos momentos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE <\/strong>\u2013 Esses momentos de descanso s\u00e3o prop\u00edcios para nos abrirmos ao horizonte mais largo<\/p>\n<p><strong>JA<\/strong> \u2013 Reorienta\u00e7\u00e3o\u2026. Andamos neste jogo de orienta\u00e7\u00e3o e, \u00e0s vezes, precisamos de olhar para os apontamentos e pousar a b\u00fassola. Pous\u00e1-la de uma forma que lhe demos sossego. Ela pousada\u2026 que nos aponte os pontos cardeais. \u00c9 como os vinhos\u2026 Se abanamos muito a garrafa corremos o risco de n\u00e3o apanhar a limpidez que estava.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> \u2013 O odor verdadeiro do vinho.<\/p>\n<p><strong>JA<\/strong> \u2013 E vem com muita borra\u2026 N\u00f3s andamos com muita borra dentro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-112217 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/p.joaoII-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/p.joaoII-300x200.jpg 300w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/p.joaoII-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/p.joaoII-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/p.joaoII-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/p.joaoII.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>AE <\/strong>\u2013 Qual o evangelista que proporciona mais os momentos de descanso?<\/p>\n<p><strong>JA <\/strong>\u2013 Para mim, o Lucas. A miseric\u00f3rdia. As Par\u00e1bolas da Miseric\u00f3rdia. Recordo a Par\u00e1bola do Filho Pr\u00f3digo. Aquele mi\u00fado que levado por um idealismo\u2026 E em determinado momento descobre que, em nenhum dos s\u00edtios era ele. Ele deixou de ser ele para ser escravo. Naquele momento em que diz: \u00abEntrou em si\u2026 Levantou-se e foi ter com o pai\u00bb.<\/p>\n<p>\u2026.<\/p>\n<p>O pai disse-lhe: \u00abN\u00e3o tens mais fome do p\u00e3o da casa do que o teu pai de um abra\u00e7o teu\u00bb. Isto deixa-me\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> \u2013 Como \u00e9 que o deixa?<\/p>\n<p><strong>JA<\/strong> \u2013 Deixa-me quase de l\u00e1grimas nos olhos\u2026 Perante um Deus a quem n\u00f3s podemos procurar com grandes discursos\u2026 Ele diz: \u00abV\u00ea l\u00e1 se te calas\u2026 Estou cheio de saudade tuas e tu vens fazer-me um discurso\u00bb. Est\u00e1 l\u00e1 dentro o banquete a arrefecer\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE <\/strong>\u2013 Primeiro o lado afetivo\u2026<\/p>\n<p><strong>JA<\/strong> \u2013 Deus \u00e9 um abra\u00e7o\u2026 E em Lucas, no Evangelho da Miseric\u00f3rdia, encontramos tudo isso\u2026 o cora\u00e7\u00e3o \u00e9 o s\u00edtio onde Deus se encontra.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>AE \u2013 <\/strong>Essas palavras que escreve e d\u00e1 a conhecer aos seus leitores s\u00e3o fruto dos momentos de descanso?<\/p>\n<p><strong>JA<\/strong> \u2013 Infelizmente, durmo pouco\u2026 E, \u00e0s vezes, acordo de noite. Como n\u00e3o gosto da inutilidade de estar acordado sou capaz de pensar\u2026 Se me surge um pensamento tomo nota dele. Tenho um bloco na mesa-de-cabeceira e tamb\u00e9m existe as notas do iphone e tomo nota daquele pensamento e depois, eventualmente, vou desenvolv\u00ea-lo. N\u00e3o sou uma pessoa que se sente no parto dif\u00edcil de escrever. Para mim escrever n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil. Porque penso e passo para o papel com o absoluto desprendimento e absoluta tranquilidade. N\u00e3o sou um elaborado na escrita. Por isso, digo que n\u00e3o \u00e9 um parto dif\u00edcil, nasce com espontaneidade.<\/p>\n<p>Tenho uma riqueza interior que trago\u2026 Pelo fato de ser um serrano e um alde\u00e3o. Esta circunst\u00e2ncia ajudou-me e as met\u00e1foras nascem com frequ\u00eancia e com razo\u00e1vel naturalidade.<\/p>\n<p>Hoje, tenho mais tempo para esse sil\u00eancio construtivo e refletivo. Tenho mais tempo para a leitura. Tenho mais tempo para o tal degelo interior de encontrar uma circunst\u00e2ncia\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> \u2013 Para que essas met\u00e1foras possam nascer com outra fluidez\u2026<\/p>\n<p><strong>JA<\/strong> \u2013 Sim. Sejam fluentes. N\u00e3o estou interessado em fazer poesia, nem fazer prosa. Estou interessado em pensar. Em cima, desta toalha da escrita, do caderno ou do facebook ou, eventualmente, de um livro pousar aquilo que trago para o merendeiro. Pode ser um pastel de bacalhau\u2026 Um bocado de chouri\u00e7o\u2026 Pode ser um bocado de presunto. Ou pode ser simplesmente a broa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE <\/strong>\u2013 Essas palavras que nascem do seu cora\u00e7\u00e3o\u2026 brotam com mais frequ\u00eancia nos momentos noturnos ou diurnos?<\/p>\n<p><strong>JA <\/strong>\u2013 Nascem muito no momento de espera do pequeno-almo\u00e7o. Tenho um amigo que, \u00e0s vezes, vai tomar o que pequeno-almo\u00e7o ao mesmo caf\u00e9 que eu\u2026 Quando tenho trabalho na igreja e n\u00e3o o tomo em casa. E, umas vezes, chega l\u00e1 e encontra-me a escrever no telem\u00f3vel e, outras vezes, encontra-me a estragar guardanapos. Ele diz: \u00abO que est\u00e1s a fazer\u2026\u00bb. E eu respondo: \u00abAcabei de escrever isto\u2026\u00bb. Enquanto espero n\u00e3o estou como um boi a olhar para um pal\u00e1cio. Estou com um olhar que quero sens\u00edvel a ver as coisas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> \u2013 Um olhar est\u00e9tico\u2026<\/p>\n<p><strong>JA<\/strong> \u2013 Verdade. \u00c0s vezes vemos coisas espantosas\u2026 Lembro-me de uma coisa que vi\u2026 Estava um bocadinho no Inverno\u2026 Olhei para a montra, para os vidros do caf\u00e9, e o embaciado com o frio exterior tinha uma s\u00e9rie de desenhos que ningu\u00e9m pensou, mas estavam l\u00e1\u2026Se n\u00e3o olhasse para eles, \u00e0s tantas n\u00e3o tinham sido fixados numa fotografia ou n\u00e3o tinham sido vistos.<\/p>\n<p>Estou cada vez mais sens\u00edvel, \u00e0s tais coisas\u2026 \u00e0s inutilidades. \u00c0 pequenina flor\u2026 Como ela nasceu ali no interst\u00edcio daquele socalco. Parece que n\u00e3o tem terra. Mas naquele momento est\u00e1 ali um riso t\u00e3o lindo\u2026 T\u00e3o lindo que vou guardar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> \u2013 Isso nasceu com a idade?<\/p>\n<p><strong>JA<\/strong> \u2013 Eu tive a sorte de um pai \u2013 sabendo pouco de agricultura \u2013 ensinava a ler. Eu, com cinco\u2026 seis anos, tinha de fazer palavras cruzadas do jornal \u00abPrimeiro de Janeiro\u00bb e ver a banda desenhada \u00abCalisto\u00bb, \u00abDona Gira\u00bb e o \u00abPr\u00edncipe Valente\u00bb. E ficou-me a ternura do meu pai. \u00c9 engra\u00e7ado que l\u00e1 em casa \u2013 a minha m\u00e3e era terna, feminina, mas governava o dia-a-dia \u2013 mas o pai era capaz de vir do quartel da fronteira e chegava cheio de saudades. Era capaz de estar nas tintas para alguma impertin\u00eancia\u2026 Ele vinha cheio de ternura. Vinha cheio das aus\u00eancias dos abra\u00e7os que queria dos filhos. Ele a mim chamava-me Joni\u2026 E perguntava se eu j\u00e1 tinha escrito. Eu dizia: \u00abTenho aqui uma reda\u00e7\u00e3o\u00bb.<\/p>\n<p>Eu preciso de escrever, n\u00e3o no sentido de publicar\u2026 Mas agarrar uma ideia e fix\u00e1-la. Amanh\u00e3 pode ir para o cesto dos pap\u00e9is ou n\u00e3o ir\u2026<\/p>\n<p><strong><img decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-112365 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/p.JoaoI_.jpg\" alt=\"\" width=\"2048\" height=\"1536\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/p.JoaoI_.jpg 2048w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/p.JoaoI_-300x225.jpg 300w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/p.JoaoI_-768x576.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/p.JoaoI_-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/p.JoaoI_-510x382.jpg 510w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/p.JoaoI_-1080x810.jpg 1080w\" sizes=\"(max-width: 2048px) 100vw, 2048px\" \/><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><!--more--><strong>AE <\/strong>\u2013 Na escrita tira o seu panejamento?<\/p>\n<p><strong>JA<\/strong> \u2013 Eu, normalmente, sou sempre eu\u2026 N\u00e3o uso v\u00e9us\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> \u2013 Fica nu. Despe-se atrav\u00e9s das palavras.<\/p>\n<p><strong>JA<\/strong> \u2013 Eu sou assim. Se me querem de outra maneira procurem outro. N\u00e3o sou insubstitu\u00edvel. Sou \u00fanico e irrepet\u00edvel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE &#8211;<\/strong> Voltando \u00e0 tem\u00e1tica da escrita\u2026 Qual o escritor que o influenciou mais?<\/p>\n<p><strong>\u00a0JA<\/strong> \u2013 Gosto imenso de Pessoa. Agora vou escandalizar muita gente\u2026 Gosto imenso de Cam\u00f5es e dos Lus\u00edadas. Esta obra, que para muita gente, era uma tortura\u2026 Para mim s\u00e3o um espanto de cultura e de est\u00e9tica. De tudo. E depois h\u00e1 Torga\u2026 Com as suas montanhas, penedos, desabafos, contos e com o seu di\u00e1rio.<\/p>\n<p>Este homem que vai passando aqui, ali e acol\u00e1. Hoje est\u00e1 em Coimbra e amanh\u00e3 noutro local. E depois lamenta esta p\u00e1tria que n\u00e3o encontra. E depois vai buscar um bocado de Unamuno e sente todos aqueles dramas de querer crer, mas ainda n\u00e3o ser capaz desse salto. Querer regressar a casa, mas achar que a estatura \u00e9 muito grande e que Deus fez as portas com uma padieira muito baixa. (Risos)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> \u2013 E o lado tel\u00farico de Torga?<\/p>\n<p><strong>JA<\/strong> \u2013 O lado tel\u00farico de Torga influenciou-me imenso. Tive a gra\u00e7a de um dia o ter visto l\u00e1 em casa, a comer presunto com a sua boina quase basca\u2026 O Torga puxou-me para o joelho e recordo o meu av\u00f4 me ter falado\u2026 \u00abSabes filho\u2026 este senhor \u00e9 um escritor. N\u00e3o acredita em Deus, mas daqui a pouco quer estar a olhar para o p\u00f4r-do-sol e a chorar\u00bb.<\/p>\n<p>Depois quis saber mais sobre este homem e este m\u00e9dico transmontano. Sobre este buscador de ess\u00eancias e de transcend\u00eancias. Hoje, vou muito a Torga tamb\u00e9m para descansar. A C\u00e2mara Municipal de Terras de Bouro fez uma coisa espantosa. Do Di\u00e1rio de Torga foi buscar os pensamentos dele sobre o Ger\u00eas e compilou-os num pequeno livro.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"btsCB7TZwS\"><p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-descanso-na-literatura-com-o-conego-joao-aguiar-emissao-09-08-2018\/\">O descanso na literatura, com o c\u00f3nego Jo\u00e3o Aguiar &#8211; Emiss\u00e3o 09-08-2018<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;O descanso na literatura, com o c\u00f3nego Jo\u00e3o Aguiar &#8211; Emiss\u00e3o 09-08-2018&#8221; &#8212; Ag\u00eancia ECCLESIA\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-descanso-na-literatura-com-o-conego-joao-aguiar-emissao-09-08-2018\/embed\/#?secret=NKrT8D3QZS#?secret=btsCB7TZwS\" data-secret=\"btsCB7TZwS\" width=\"500\" height=\"282\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &#8211; Miguel Torga escreveu esta frase \u00abEscrever para a posteridade n\u00e3o consola nem estimula ningu\u00e9m\u00bb. Concorda?<\/p>\n<p><strong>JA<\/strong> \u2013 Eu concordo porque \u00e9 a tal contempla\u00e7\u00e3o do presente que eu ofere\u00e7o, depois n\u00e3o sei o que vai ser feito\u2026 n\u00e3o escrevo para deixar nada para amanh\u00e3, escrevo agora, este momento, este sonho, este riso, escrevo esta dor ou a vontade de subir ao monte porque tenho a curiosidade de saber o que l\u00e1 est\u00e1&#8230; Amanh\u00e3 n\u00e3o sei. N\u00e3o escrevo numa perspectiva de uma heran\u00e7a mas para dizer estive aqui, tremi de ternura e n\u00e3o tive medo de o dizer. Se te acontecer o mesmo, di-lo por favor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> \u2013 O padre Jo\u00e3o escreveu o livro \u201cRio abaixo, mem\u00f3rias de uma aldeia\u201d, Miguel Torga escreveu \u201cpela rua abaixo s\u00f3 falava o vento\u201d. Tamb\u00e9m costuma falar com o vento?<\/p>\n<p><strong>JA<\/strong> \u2013 Falar e ouvir, ali\u00e1s tenho mem\u00f3rias do vento e do cheiro. Engra\u00e7adas estas mem\u00f3rias olfactivas e ac\u00fasticas. A mem\u00f3ria do vento que se anunciava na eira e havia duas ou tr\u00eas folhas em redemoinho era o vento que se anunciava. O mesmo que se infiltrava nas telhas v\u00e3s de uma casa pobre, a nossa cozinha n\u00e3o tinha forro e o nosso quarto dos rapazes, que \u00e9ramos seis, n\u00e3o tinha telhas, o vento assobiava nas janelas e at\u00e9 nos taipais e debaixo da porta. Esta mem\u00f3ria do vento, como tamb\u00e9m fala Fernando Pessoa \u201cs\u00f3 de ter ouvido o vento j\u00e1 valeu a pena ter vivido\u201d. A mem\u00f3ria dos cheiros, a porta aberta e o cheiro das panelas chegava c\u00e1 fora, um chouri\u00e7o a cozer, por exemplo. O cheiro da rua e das pessoas. O cheiro do sab\u00e3o rosa, quando a m\u00e3e mudava a roupa de cama ou at\u00e9 da sua pr\u00f3pria blusa, o cheiro do lavado e que bem que cheira a ternura!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> \u2013 Isso s\u00e3o momentos de descanso?<\/p>\n<p><strong>JA<\/strong> \u2013 S\u00e3o momentos de descanso e uma saudade que nos levam a outros cheiros, hoje h\u00e1 outros odores e outros abra\u00e7os. At\u00e9 outras formas de estar de amigos, amizades virtuais e que virtuosas tem pouco, a n\u00e3o ser que o que temos seja uma forma de prolongar e manifestar a presen\u00e7a. Um pouco como a fotografia: mostra o que foi mas gost\u00e1vamos que fosse permanente e a fotografia serve para registar. Os outros que por ali andam podem ser interessantes s\u00f3 para quem gosta das estat\u00edsticas do \u201clike\u201d n\u00e3o para quem gosta da comunh\u00e3o, do toque, do cheiro, da afetividade, do olhar e do ombro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE \u2013 <\/strong>A m\u00fasica que lugar tem na sua vida?<\/p>\n<p><strong>JA<\/strong> \u2013 Aprecio m\u00fasica, quanto menos barulhenta, melhor. Gosto de m\u00fasica instrumental, n\u00e3o gosto que o ru\u00eddo se sobreponha \u00e0 palavra. Admiro-me de quem canta bem, eu sempre cantei mal, a minha m\u00e3e mandava-me calar. Vou contar uma coisa: o meu av\u00f4 materno dizia-me que se se zangasse com um vizinho, colocava-me \u00e0 porta dele a cantar\u2026 (risos) S\u00f3 para imaginarem como eu canto mal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &#8211; Qual o m\u00fasico que lhe enche as medidas?<\/p>\n<p><strong>JA<\/strong> &#8211; Gosto do Rui Veloso, por causa do cheiro a rural, por causa do \u201cbaile da par\u00f3quia\u201d, da \u201cmenina do shopping\u201d, aquelas letras do Carlos T\u00ea. Sabemos que era assim, aquilo que est\u00e1 ali na letra, acontecia!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Nas margens do rio C\u00e1vado o mote era o descanso para uma conversa que se adivinhava serena e profunda. As conversas s\u00e3o como as cerejas e o c\u00f3nego Jo\u00e3o Aguiar \u00e9 mestre na acrobacia das palavras. Do descanso ao lazer, da m\u00fasica \u00e0 literatura, das mem\u00f3rias aos sonhos\u2026 Uma entrevista para ler e reler [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":112222,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[211],"class_list":["post-112495","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","tag-ferias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/112495","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=112495"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/112495\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/112222"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=112495"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=112495"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=112495"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}