{"id":11238,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/a-matriz-cultural-do-nosso-pais\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"a-matriz-cultural-do-nosso-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-matriz-cultural-do-nosso-pais\/","title":{"rendered":"A matriz cultural do nosso pa\u00eds"},"content":{"rendered":"<p>Homilia de D. Ant\u00f3nio Vitalino na Peregrina\u00e7\u00e3o de Grupos e Ranchos de Folclore Portugu\u00eas a F\u00e1tima <!--more--> \u00abIrm\u00e3os Peregrinos, 1. Vindos de perto e de longe, juntamo-nos aqui em F\u00e1tima, lugar que Nossa Senhora escolheu para recordar a um mundo dividido e em guerra aquilo que Jesus disse e fez na plenitude dos tempos, h\u00e1 dois mil anos, na cidade santa de Jerusal\u00e9m. Foi por n\u00f3s e nossa salva\u00e7\u00e3o que Ele se fez um de n\u00f3s, viveu e entregou a vida, para que todos tenhamos a vida e em abund\u00e2ncia. Por isso cant\u00e1mos no Salmo responsorial: Mostrai-me, Senhor, o caminho da vida. S\u00e3o os caminhos da vida que n\u00f3s percorremos e buscamos desde que nascemos. Todos queremos a vida e uma vida feliz. Mas defrontamo-nos com muitos limites, obst\u00e1culos, sendo a morte o inimigo radical. Acab\u00e1mos de fazer essa experi\u00eancia com a morte do nosso Santo Padre, o Papa Jo\u00e3o Paulo II, que por v\u00e1rias vezes tamb\u00e9m foi peregrino deste santu\u00e1rio, precisamente para agradecer o milagre da sua vida ao servi\u00e7o da Igreja e da humanidade. Aqui reunidos, sentimos tamb\u00e9m n\u00f3s, como os dois disc\u00edpulos de Ema\u00fas, o nosso cora\u00e7\u00e3o a aquecer e os nossos olhos a abrir-se, para confessarmos e aceitarmos que a morte foi vencida pela vida, o pecado e \u00f3dio pelo amor, a separa\u00e7\u00e3o, a solid\u00e3o e a divis\u00e3o pela comunh\u00e3o, pois Jesus ressuscitou, est\u00e1 vivo, e Jo\u00e3o Paulo II j\u00e1 est\u00e1 a participar dessa vida plena no cora\u00e7\u00e3o e na eternidade de Deus Todos n\u00f3s sentimos aqui a presen\u00e7a de Jesus ressuscitado e o amor e intercess\u00e3o de Jo\u00e3o Paulo II por esta Igreja e este mundo, a quem ele serviu com a dedica\u00e7\u00e3o total da sua vida.  2: Irm\u00e3os peregrinos, paira na nossa sociedade e no nosso mundo um certo sentimento de desilus\u00e3o, de pessimismo, de fracasso com a tend\u00eancia para a desagrega\u00e7\u00e3o das pessoas e das institui\u00e7\u00f5es, a come\u00e7ar pela fam\u00edlia e outras formas de associa\u00e7\u00e3o. Muitos resignam e deixam de lutar pela vida ou ent\u00e3o entregam-se a um estilo de vida de consumo desenfreado, tentando aproveitar egoisticamente todas as oportunidades, sem aten\u00e7\u00e3o aos seus semelhantes, contempor\u00e2neos e futuros. Como os disc\u00edpulos de Ema\u00fas, muitos abandonam os seus grupos e afrouxam compromissos, afastam-se da fam\u00edlia natural e da comunidade humana e crist\u00e3, deixam o local de encontro e de reuni\u00e3o e caminham por becos e veredas para sub\u00farbios \u00e0 beira do abismo. Todos constatamos o aumento de div\u00f3rcios, de crian\u00e7as abandonadas, de assembleias dominicais reduzidas, envelhecidas, sem juventude.  3: Irm\u00e3os peregrinos, temos necessidade de caminhar juntos, acolher no nosso caminho os nossos semelhantes, escut\u00e1-los e dialogar com eles sobre as raz\u00f5es dos nossos e dos seus des\u00e2nimos, mas tamb\u00e9m da nossa esperan\u00e7a, convid\u00e1-los a entrar nas nossas casas, partilhar com eles as nossas vidas, para que o nosso cora\u00e7\u00e3o aque\u00e7a, recobremos \u00e2nimo, descubramos o sentido da vida e trilhemos o caminho de retorno a Jerusal\u00e9m, onde poderemos celebrar a festa da comunh\u00e3o, na certeza de que o Senhor da vida l\u00e1 est\u00e1 e chama por n\u00f3s. Isto aconteceu com os disc\u00edpulos de Ema\u00fas h\u00e1 cerca de dois mil anos. Isto tamb\u00e9m pode acontecer connosco hoje, se escutarmos e meditarmos mais a Palavra das Escrituras, a sua proclama\u00e7\u00e3o e explica\u00e7\u00e3o na assembleia dos crist\u00e3os, sobretudo ao domingo, se formos capazes de confrontar os nossos caminhos, experi\u00eancias e ideias com a luz da Palavra de Deus, dita e explicada na assembleia eclesial, se nos abrirmos aos irm\u00e3os e os convidarmos a ficar connosco, muito especialmente Aquele que quis ficar connosco at\u00e9 ao fim dos tempos e que est\u00e1 presente sempre que dois ou tr\u00eas se re\u00fanem em seu nome, realmente presente na celebra\u00e7\u00e3o da Missa. Por isso, conscientes da necessidade que temos d&#8217; Ele, exclamamos: Ficai connosco, Senhor.  4. Est\u00e3o hoje entre n\u00f3s numerosos grupos e ranchos folcl\u00f3ricos em peregrina\u00e7\u00e3o nacional a este santu\u00e1rio. A sua presen\u00e7a aviva entre n\u00f3s a matriz cultural do nosso pa\u00eds, a muitos faz recordar momentos festivos e de grande coes\u00e3o social da sua inf\u00e2ncia. Est\u00e3o de parab\u00e9ns os organizadores desta peregrina\u00e7\u00e3o, a Federa\u00e7\u00e3o nacional dos grupos folcl\u00f3ricos, mas tamb\u00e9m todos os dirigentes e participantes nos grupos espalhados pelo pa\u00eds. \u00c9 importante manter vivas as nossas tradi\u00e7\u00f5es, pois elas fazem-nos compreender melhor aquilo que somos, a nossa cultura, a nossa identidade. N\u00e3o queremos ser robots da moderna civiliza\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, mas pessoas com um passado comunit\u00e1rio e religioso, que o nosso folclore bem documenta. Muitas m\u00fasicas, dan\u00e7as, trajes e costumes nasceram no dia a dia da vida do nosso povo, mas sobretudo nas festas religiosas, nas romarias e peregrina\u00e7\u00f5es que tanto marcam a nossa hist\u00f3ria. Somos um povo peregrino, solid\u00e1rio, que partilha as suas alegrias e tristezas e as confia aos santos padroeiros das nossas terras, mas as leva sobretudo aos grandes santu\u00e1rios da devo\u00e7\u00e3o popular. Quem canta o seu mal espanta, diz o nosso povo. J\u00e1 o povo b\u00edblico peregrinava para Jerusal\u00e9m nas grandes festas, \u00e0 volta das quais se compuseram e entoaram os mais belos hinos e salmos, acompanhados de dan\u00e7as e com instrumentos musicais. Depois da festa o \u00e2nimo pessoal e comunit\u00e1rio ficava mais forte e coeso, a luta pela vida ganhava em dinamismo, cor e esperan\u00e7a. Por isso, amados membros dos grupos folcl\u00f3ricos, continuai a manter vivas as nossas tradi\u00e7\u00f5es, cantai e dan\u00e7ai, louvai a Deus com arte e com alma, alegrai as vossas e as nossas vidas. 5. Aqui estamos, irm\u00e3os peregrinos, neste local bendito, para reavivar a nossa comunh\u00e3o com o Senhor e uns com os outros, para nos apoiarmos mutuamente nos caminhos da nossa vida, contando sempre com Jesus, que encontrou esta maneira maravilhosa de ficar connosco, na Eucaristia, contando tamb\u00e9m com a intercess\u00e3o daquela que Ele nos deu como nossa m\u00e3e, precisamente quando na cruz entregava a sua vida por n\u00f3s, e que aqui em F\u00e1tima mostrou verdadeiramente ser m\u00e3e atenta aos filhos em crise. Vai come\u00e7ar um Conclave dos Cardeais da Igreja para escolher um novo Papa. Invoquemos o Esp\u00edrito Santo e Nossa Senhora, para que o legado de Jesus e dos Ap\u00f3stolos continue a fermentar o nosso mundo, para a uni\u00e3o e salva\u00e7\u00e3o de todo o g\u00e9nero humano. Maria, M\u00e3e de Jesus e nossa M\u00e3e, Senhora de F\u00e1tima e de tantos outros t\u00edtulos com que sois invocada pelo mundo fora, confiamos em V\u00f3s, rogai por n\u00f3s, agora e na hora da nossa morte. \u00c1men\u00bb. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia de D. Ant\u00f3nio Vitalino na Peregrina\u00e7\u00e3o de Grupos e Ranchos de Folclore Portugu\u00eas a F\u00e1tima<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[145,154,206,207,237,303],"class_list":["post-11238","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-conclave","tag-crianca","tag-familia","tag-fatima","tag-joao-paulo-ii","tag-santuarios"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11238","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11238"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11238\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11238"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11238"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11238"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}