{"id":11154,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/o-papa-e-a-comunicacao-social\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"o-papa-e-a-comunicacao-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-papa-e-a-comunicacao-social\/","title":{"rendered":"O Papa e a comunica\u00e7\u00e3o social"},"content":{"rendered":"<p>Nos \u00faltimos dias, quando se previu ou presumiu que Jo\u00e3o Paulo II estava \u00e0s portas da morte, verificou-se uma interessante (ia a escrever curiosa, imprevis\u00edvel, talvez estranha) mobiliza\u00e7\u00e3o da comunica\u00e7\u00e3o social e da sociedade em geral, em torno do previs\u00edvel desfecho. A programa\u00e7\u00e3o encheu-se com a perman\u00eancia do mesmo tema: a vida e a morte do Papa. \u00c9 certo que Jo\u00e3o Paulo II, entre as m\u00faltiplas val\u00eancias do seu pontificado, foi um Papa medi\u00e1tico: a humanidade e a grandiosidade da sua figura, a capacidade de comunica\u00e7\u00e3o, a expressividade da voz poderosamente timbrada, aquela mistura de misticismo e corporeidade, de espiritualidade e beleza est\u00e9tica chamavam a aten\u00e7\u00e3o, atra\u00edam como \u00edman o olhar tanto dos crist\u00e3os como dos jornalistas, cuja capacidade de fasc\u00ednio tanto bebe nos apelos corporais como nesta indiz\u00edvel capacidade da alma humana e do esp\u00edrito forte de se exprimir mesmo por um corpo debilitado. Era sabido que todos os jornais, todas as televis\u00f5es, todas as r\u00e1dios tinham de h\u00e1 muito preparada esta hora emocionante para a humanidade inteira.  Mas \u00e9 indispens\u00e1vel que salientemos alguns aspectos vis\u00edveis neste tratamento medi\u00e1tico, que s\u00f3 se poder\u00e1 considerar inesperado pela extraordin\u00e1ria dimens\u00e3o que adquiriu e pela elevada qualidade do tratamento que lhe foi dado O primeiro aspecto a evidenciar \u00e9 o da aplica\u00e7\u00e3o de uma caracter\u00edstica da mediatiza\u00e7\u00e3o: a comunica\u00e7\u00e3o social \u00e9 monotem\u00e1tica: quando agarra um assunto, seja ele euf\u00f3rico ou disf\u00f3rico, din\u00e2mico ou apagado, espiritual ou material, trata-o a prop\u00f3sito e a desprop\u00f3sito, oportuna ou importunamente. Em consequ\u00eancia, \u00e9 repetitiva e compulsiva: n\u00e3o pode deixar de falar do mesmo tema, e como os dados novos s\u00e3o poucos, ou o dom\u00ednio te\u00f3rico \u00e9 d\u00e9bil, afirma-se pela repeti\u00e7\u00e3o do j\u00e1 visto ou dito. Foi o que aconteceu at\u00e9 \u00e0 exaust\u00e3o nas sucessivas interven\u00e7\u00f5es: quantas vezes se ouviram as mesmas frases, os mesmos factos, os mesmos dados, as mesmas suposi\u00e7\u00f5es&#8230; Outro aspecto foi o da visibilidade da igreja institucional, e a manifesta\u00e7\u00e3o da sensibilidade crist\u00e3 de muita gente que na correnteza dos dias n\u00e3o o manifesta, ou n\u00e3o deixam que se manifeste.  \u00c9 sabido como os acontecimentos eclesiais passam ao lado da aten\u00e7\u00e3o da grande comunica\u00e7\u00e3o social. No entanto, de repente, como por magia, parecia que nada mais acontecia no mundo que n\u00e3o fosse a expectativa da morte do Papa. Chegou a parecer que haveria a\u00ed alguma coisa de doentio: a morte e a vida s\u00e3o sempre temas pol\u00e9micos. Certamente nunca tanta gente da Igreja institucional foi ouvida, nunca tantos Bispos e padres tiveram oportunidade de se manifestar, de adquirir a visibilidade que habitualmente lhes \u00e9 negada Um terceiro aspecto foi o do respeito e da emo\u00e7\u00e3o, mesmo o sentido universal da ora\u00e7\u00e3o, com que pol\u00edticos, jornalistas e cidad\u00e3os exaltaram a figura grandiosa do Papa, fazendo emergir de repente a pertin\u00eancia da sua ac\u00e7\u00e3o, a convic\u00e7\u00e3o da sua f\u00e9, a lucidez das suas tomadas de posi\u00e7\u00e3o, a direc\u00e7\u00e3o exacta dos raios de luz que dimanavam da palavra e do gesto. Neste sentido, levando at\u00e9 ao fim a plenitude da vida humana envolta na vida divina, a morte do Papa foi um estranho e talvez sublime sinal de evangeliza\u00e7\u00e3o. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos \u00faltimos dias, quando se previu ou presumiu que Jo\u00e3o Paulo II estava \u00e0s portas da morte, verificou-se uma interessante (ia a escrever curiosa, imprevis\u00edvel, talvez estranha) mobiliza\u00e7\u00e3o da comunica\u00e7\u00e3o social e da sociedade em geral, em torno do previs\u00edvel desfecho. 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