{"id":11149,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/o-bispo-e-aquele-que-tudo-integra-e-faz-convergir-para-a-unidade\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"o-bispo-e-aquele-que-tudo-integra-e-faz-convergir-para-a-unidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-bispo-e-aquele-que-tudo-integra-e-faz-convergir-para-a-unidade\/","title":{"rendered":"O Bispo \u00e9 aquele que tudo integra e faz convergir para a unidade"},"content":{"rendered":"<p>Homilia da Ordena\u00e7\u00e3o Episcopal de D. Carlos Azevedo <!--more--> A Igreja da Trindade, no Porto, foi pequena para acolher as cerca de duas mil pessoas que participaram na celebra\u00e7\u00e3o da ordena\u00e7\u00e3o episcopal de D. Carlos Azevedo, ocorrida, no s\u00e1bado, 2 de Abril. Foram bispos ordenantes D. Jos\u00e9 da Cruz Policarpo, Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. Armindo Lopes Coelho, Bispo do Porto, e D. Jo\u00e3o Miranda, Bispo Auxiliar do Porto. Concelebraram a quase totalidade do episcopado portugu\u00eas, o Dom Abade de Singeverga e mais de uma centena de presb\u00edteros e di\u00e1conos. Presentes estiveram, tamb\u00e9m, v\u00e1rias personalidades dos mundo da pol\u00edtica, cultura, acad\u00e9mico, e representantes das Igrejas Lusitana e Metodista, na pessoa dos seus bispos, respectivamente D. Fernando Soares e D. Sifredo Teixeira. No in\u00edcio da celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica, tomou a palavra o Bispo do Porto, D. Armindo Lopes Coelho, que manifestou a sua satisfa\u00e7\u00e3o pela presen\u00e7a do Presidente da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa, D. Jos\u00e9 Policarpo, e pelo relacionamento fraterno entre as Igrejas do Porto e de Lisboa.  A homilia foi proferida pelo Cardeal-Patriarca de Lisboa, que salientou as qualidades e a responsabilidade do minist\u00e9rio episcopal. D. Jos\u00e9 Policarpo afirmou que no \u00abminist\u00e9rio episcopal exprime-se a plenitude do minist\u00e9rio da Igreja\u00bb. Continuou, dizendo que ser bispo \u00e9 exercer um \u00abminist\u00e9rio ao servi\u00e7o da verdade e da f\u00e9 da Igreja\u00bb. O presidente da celebra\u00e7\u00e3o focou que o \u00abprimeiro efeito da ordena\u00e7\u00e3o episcopal \u00e9 tornar-nos membros do col\u00e9gio episcopal, sucessor do col\u00e9gio apost\u00f3lico\u00bb, e que \u00abo bispo precisa de escutar, compreender, perdoar, abrir cada um para que saia da sua perspectiva pessoal e deixe brilhar o mist\u00e9rio da Igreja. O bispo n\u00e3o pertence a grupos ou tend\u00eancias, n\u00e3o alimenta dimens\u00f5es ou disputas, n\u00e3o se identifica com carismas, com exclus\u00e3o dos outros. Na imensa variedade dos carismas na Igreja de hoje, o bispo \u00e9 aquele que tudo integra e faz convergir para a unidade\u00bb. (S\u00e9rgio Carvalho)  Em seguida, transcrevemos a alocu\u00e7\u00e3o que o novo bispo proferiu, no final, da celebra\u00e7\u00e3o.  1. Ser bispo torna-se mais f\u00e1cil quando temos bem diante de n\u00f3s o testemunho modelar do Bispo de Roma. Acontece esta ordena\u00e7\u00e3o em clima de ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as a Deus pelo dom de Jo\u00e3o Paulo II, at\u00e9 ao fim irradiante da proximidade crist\u00e3 a todos os povos, culturas e situa\u00e7\u00f5es como pastor peregrino. Como n\u00e3o ser envolvido pela vida comunicativa da for\u00e7a redentora de Cristo anunciada com determina\u00e7\u00e3o e coragem, como profeta do absoluto, vida transparente de uma f\u00e9 vigorosa e de uma piedade profunda, como mestre espiritual. \u00c9 em comunh\u00e3o muito viva e gratid\u00e3o imensa ao Santo Padre que aqui estamos.  A presen\u00e7a de tantos bispos \u00e9 mais uma express\u00e3o concreta da nossa fraternidade sacramental. Estou sensibilizado com o vosso acolhimento t\u00e3o caloroso, as provas de estima e as v\u00e1rias\u201ddelicadezas de caridade\u201d, segundo express\u00e3o do Papa. Assim, com esta colegialidade afectiva e efectiva sinto-me animado para o servi\u00e7o novo em comunh\u00e3o hier\u00e1rquica. Que a unidade na verdade e na caridade seja a base de uma ousada, fecunda e criativa vida apost\u00f3lica, de irradiante evangeliza\u00e7\u00e3o, alimentada na Eucaristia.  2. Escolhi o apelo de Cristo: \u201cQuem Me serve, siga-Me!\u201d (Jo 12, 26), como lema da miss\u00e3o presbiteral e renovo-a no in\u00edcio desta dimens\u00e3o pastoral. Eis-me aqui para servir, seguindo o estilo do Belo Pastor, com desejo humilde e determinado a pautar os meus passos no seguimento de Cristo, princ\u00edpio, centro e fim do pensar e do agir em Igreja. Quero come\u00e7ar por dizer-vos que nunca como hoje entrego a Deus, Pastor da humanidade, a minha vida toda. Ainda n\u00e3o consigo dar-lhe gra\u00e7as, com o cora\u00e7\u00e3o todo, pela nova miss\u00e3o a que a Igreja me chama&#8230;, mas pela for\u00e7a do seu Esp\u00edrito entrego-me totalmente ao seu querer para que me fa\u00e7a sinal da sua bondade misericordiosa, tudo para todos, sobretudo para os atingidos pela maldade do mundo, para que me fa\u00e7a defensor da verdade e da justi\u00e7a perante as pot\u00eancias contr\u00e1rias, para que me fa\u00e7a ponte e elo de comunh\u00e3o que o Esp\u00edrito quer construir dentro da Igreja cat\u00f3lica, entre as Igrejas, entre os crentes, na sociedade. Desejo profundamente ser anunciador do Deus de Jesus, que tanto nos ama. Com crescente maturidade apost\u00f3lica, deixe passar pelo cora\u00e7\u00e3o e pela vida: um Deus pobre e humilde, que nos respeita na nossa liberdade com amor criador e materno; um Deus que nos espera sempre, nos aguarda com paci\u00eancia e \u00e9 garantia absoluta da esperan\u00e7a humana; um Deus que vive na plenitude da caridade e rompe as dist\u00e2ncias e as seguran\u00e7as aparentes porque firme no amor verdadeiro; um Deus de uma alegria nova, que n\u00e3o olha do alto o sofrimento mas passa por ele, fundado na compaix\u00e3o, porque v\u00ea os filhos passar mal a andar perdidos e oferece-lhes sa\u00eddas de metan\u00f3ia e liberta\u00e7\u00e3o. Estou pronto para seguir Jesus, na coragem de homem livre para um amor maior, livre de si mesmo, livre dos bens, livre dos outros em obedi\u00eancia total ao Pai. Seguir Jesus que, servo incondicionado da miss\u00e3o, se aproximou de todos, n\u00e3o para os possuir ou instrumentalizar, mas para os servir tal como s\u00e3o, atento \u00e0s situa\u00e7\u00f5es de cada um, sem preconceitos ou temores, com a forte exig\u00eancia e a ternura suave do amor. Servir por amor \u00e9 aut\u00eantica fonte de sentido, motor da unidade e raz\u00e3o da for\u00e7a da vida pastoral na Igreja. A todos imploro: n\u00e3o permitais que o ser constitu\u00eddo para estar perante v\u00f3s, me dispense de ser fiel disc\u00edpulo de Cristo, em confiante abandono \u00e0 ac\u00e7\u00e3o interior do Esp\u00edrito. N\u00e3o deixeis que ao ser para v\u00f3s, me desenra\u00edze do estar convosco, de partilhar a dureza e o encanto da realidade e de ser a\u00ed sentinela vigilante. Proporcionai formas de corresponsabilidade, que sou chamado a animar e a guiar como manifesta\u00e7\u00e3o de sermos um povo sacerdotal, sem nunca perder a circularidade da participa\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria.  3. \u201cA minha alma \u00e9 pequena para gritar \/ o nome dos navios \/ o nome de todos os navios \/ o nome dos navios o nome \/ dos meus amigos\u201d (Casa dos ceifeiros, 30), como escreveu o maior amigo de todos, o Daniel Faria que tanto sabia do c\u00e9u que cedo para l\u00e1 foi. Assim, tamb\u00e9m de alma pequena, n\u00e3o consigo gritar o nome dos amigos todos. Cada um conhece o lugar que tem na viagem da minha vida. Mas n\u00e3o posso deixar de enumerar e agradecer muito sumariamente, mas de modo fortemente fraternal, a alguns companheiros da travessia.  N\u00e3o esque\u00e7o os meus conterr\u00e2neos de Milheir\u00f3s de Poiares, terra de D. Sebasti\u00e3o Soares de Resende, das Terras de Santa Maria da Feira e tenho no cora\u00e7\u00e3o os meus, felizmente muitos, familiares, por t\u00e3o \u00edntima simpatia e por sempre entenderem a largueza da fam\u00edlia eclesial que deles me priva. Recordo os Semin\u00e1rios do Porto, lugar da minha forma\u00e7\u00e3o &#8211; desde o primeiro Reitor, Senhor D. Jo\u00e3o Miranda, ao \u00faltimo, Senhor D. Armindo &#8211; por constitu\u00edrem o espa\u00e7o essencial onde, depois, como padre espiritual percebi por dentro as inquieta\u00e7\u00f5es e expectativas da vida dos padres. Ao Senhor D. Armindo estou grato pelas m\u00faltiplas provas de confian\u00e7a e amizade que desde o Semin\u00e1rio me soube dar at\u00e9 ao gesto de conceder a presid\u00eancia desta ordena\u00e7\u00e3o ao Bispo com o qual imediatamente irei trabalhar. Atravessa-me a mem\u00f3ria a par\u00f3quia da Senhora da Concei\u00e7\u00e3o, onde vivi a pr\u00e1tica da vida pastoral, pela mestria com que receberam o aprendiz de p\u00e1roco. Tenho presente a Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa: a equipa da Reitoria e o querido Centro de Estudos de Hist\u00f3ria Religiosa, pela leal amizade das horas todas. Garanto-lhes o empenho por uma liga\u00e7\u00e3o cada vez mais forte entre o seu projecto e as prioridades da Igreja e da sociedade portuguesa. Permitam-me uma sauda\u00e7\u00e3o muito fraterna aos jovens: do Movimento O\u00e1sis que acompanhei nestes trinta e tal anos, da Universidade, dos animadores de jovens do Patriarcado de Lisboa e a todos os que a gra\u00e7a da vida permitiu encontrar. Criai, meus caros, disponibilidade para serdes seguidores de Cristo na constru\u00e7\u00e3o do mundo novo. Se algum de v\u00f3s sente o apelo para ser oper\u00e1rio-ministro da Igreja em constru\u00e7\u00e3o, como animador de comunidades, n\u00e3o tema, entregue-se \u00e0 miss\u00e3o mais inovadora e atraente, mais contagiante e libertadora, mais \u00e1rdua e necess\u00e1ria: ser profeta de Deus, \u00e0 maneira de Jesus. A todos os grupos desde o ilustre Cabido aos professores e alunos da Faculdade de Teologia, aos di\u00e1conos permanentes, \u00e0s comunidades religiosas, ao Centro catecumenal, \u00e0s Equipas de Nossa Senhora, \u00e0s Auxiliares do Apostolado, ao Santu\u00e1rio de F\u00e1tima, aos envolvidos em iniciativas culturais, enfim a todos aqueles e aquelas com quem partilhei o exerc\u00edcio de ser padre e me demonstraram os caminhos exigentes do Evangelho pelas suas interpela\u00e7\u00f5es e deram consist\u00eancia \u00e0 gra\u00e7a de vivermos em Igreja, bem hajam. Aos que n\u00e3o dei testemunho de vida segundo dos crit\u00e9rios do Evangelho e cujas arestas dos meus limites criaram obst\u00e1culo \u00e0 circula\u00e7\u00e3o do bem, o meu pedido de perd\u00e3o. S\u00f3 lhes pe\u00e7o e garanto a certeza da comunh\u00e3o orante.  Ao presbit\u00e9rio do Porto, que deixo agora, vai o reconhecimento pela profunda e sincera rela\u00e7\u00e3o fraterna que entre n\u00f3s se criou ao longo destes 28 anos. Lisboa n\u00e3o me levar\u00e1 a mal que ainda tenha saudades do Porto. H\u00e1 nesta cidade um peda\u00e7o de mim e em mim uma marca deste estilo de ser gente. Vou partilh\u00e1-lo na simplicidade e acolher as riquezas da din\u00e2mica e s\u00f3lida experi\u00eancia da Igreja que est\u00e1 em Lisboa, em unidade fiel \u00e0 orienta\u00e7\u00e3o do seu Bispo. Senhor Cardeal Patriarca e seus mais pr\u00f3ximos colaboradores: bispos, ilustr\u00edssimo Cabido, padres, di\u00e1conos, religiosos e religiosas, leigos empenhados em movimentos apost\u00f3licos, nas comunidades crist\u00e3s e na transforma\u00e7\u00e3o do mundo, jovens e crian\u00e7as, homens e mulheres que manifestam inquieta\u00e7\u00e3o espiritual: expresso o desejo de vos conhecer, a disponibilidade para vos servir com todo o meu ser, o apre\u00e7o pelo trabalho de evangeliza\u00e7\u00e3o em activo desenvolvimento, a alegria de aprender convosco a dif\u00edcil arte de ser pastor decidido e sereno, neste novo mil\u00e9nio.  Resta a gratid\u00e3o a todos os que contribu\u00edram para a beleza da festa: as m\u00e3os da escultora Irene Vilar que desenharam as ins\u00edgnias episcopais com especial carinho e os que deram os seus bens para a sua execu\u00e7\u00e3o, \u00e0 Celestial Ordem Terceira da Sant\u00edssima Trindade, seu provedor e mes\u00e1rios, seu Reitor, P. Gon\u00e7alves Moreira, e funcion\u00e1rios pela ced\u00eancia e arranjo do espa\u00e7o que nos acolhe; \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o do programa festivo; \u00e0 direc\u00e7\u00e3o da assembleia, ao servi\u00e7o dos coros de Milheir\u00f3s de Poiares e Senhora da Concei\u00e7\u00e3o e \u00e0 participa\u00e7\u00e3o dos m\u00fasicos, \u00e0 orienta\u00e7\u00e3o dos ritos da celebra\u00e7\u00e3o e equipas de ac\u00f3litos e de acolhimento. O Esp\u00edrito de Cristo Ressuscitado vos encha a todos de paz. \u00c0 comunica\u00e7\u00e3o social, como lugar de amplifica\u00e7\u00e3o do testemunho da f\u00e9 e como confronto com as linguagens e express\u00f5es do nosso tempo, agrade\u00e7o a presen\u00e7a e louvo o respeito pela verdade e a defesa de valores de um humanismo integral.  4. Come\u00e7a agora um itiner\u00e1rio, marcado pela P\u00e1scoa. Assim descreveu o Daniel os quatro tra\u00e7os da cruz:  \u201cA primeira linha abre o sil\u00eancio como os bra\u00e7os de Cristo na cruz. A segunda linha abra\u00e7a-te at\u00e9 que a voz que te fala respire no interior da tua escuta. A terceira linha \u00e9 a sombra do cajado que conduz, o fio de \u00e1gua para que nunca esque\u00e7as a \u00fanica fonte. A quarta linha \u00e9 o pr\u00f3prio rastro Daquele que se apaga entre os quatro pontos cardeais da luz\u201d.  Sei e sinto que aos p\u00e9s desta cruz est\u00e1 Maria, a M\u00e3e de Jesus que aprendi a invocar como Senhora do Carmo, Senhora da Concei\u00e7\u00e3o, Senhora do Sim, Sede de Sabedoria, os muitos nomes lindos da sua companhia \u00e0 nossa vida. Muito amados irm\u00e3os e irm\u00e3s aqui convocados, s\u00f3is testemunhas desta hora. Seguir Cristo no servi\u00e7o episcopal \u00e9 tarefa pesada que todos vos comprometeis a tornar mais leve, sem desvios, mas em comunh\u00e3o de santos. A alegria e a fortaleza interior atravessem as provas, na paci\u00eancia resistente para coesos ultrapassarmos as coisas adiadas, n\u00e3o temermos as vozes plurais, bebermos da \u00fanica fonte, escutarmos a voz interior, testemunharmos a esperan\u00e7a, a fecunda esperan\u00e7a, a poderosa esperan\u00e7a que Cristo ressuscitado nos abriu.  Carlos Azevedo Bispo auxiliar de Lisboa    <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia da Ordena\u00e7\u00e3o Episcopal de D. 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