{"id":11106,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/etica-pessoal-e-familiar-no-magisterio-de-joao-paulo-ii\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"etica-pessoal-e-familiar-no-magisterio-de-joao-paulo-ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/etica-pessoal-e-familiar-no-magisterio-de-joao-paulo-ii\/","title":{"rendered":"\u00c9tica Pessoal e Familiar no Magist\u00e9rio de Jo\u00e3o Paulo II"},"content":{"rendered":"<p>Ao longo dos seus anos de servi\u00e7o de Pedro, Jo\u00e3o Paulo II ocupou-se, por diversas vezes, de temas de moral pessoal e familiar. Entre as publica\u00e7\u00f5es mais importantes, lembraria a exorta\u00e7\u00e3o p\u00f3s-sinodal \u201cFamiliaris Consortio\u201d (1981), da enc\u00edclica \u201cEvangelium Vitae\u201d (1995), da carta apost\u00f3lica sobre a condi\u00e7\u00e3o feminina \u201cMulieris Dignitatem\u201d (1988). A estes momentos principais, haveria que juntar a instru\u00e7\u00e3o da Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9 \u201cDonum Vitae\u201d (1987) sobre a procria\u00e7\u00e3o com ajuda m\u00e9dica e, pelo menos, a carta da mesma Congrega\u00e7\u00e3o sobre a pastoral das pessoas homossexuais \u201cHomosexualitas Problema\u201d (1986). Se quis\u00e9ssemos p\u00f4r em evid\u00eancia as preocupa\u00e7\u00f5es mais importantes destes documentos, poder\u00edamos ter em conta tr\u00eas aspectos: o di\u00e1logo com a cultura p\u00f3s-moderna, a solidez doutrinal, o horizonte pastoral. Quanto ao primeiro aspecto, ressalta do pontificado moral de Jo\u00e3o Paulo II um embate muito musculado com a debilidade \u00e9tica do ambiente chamado p\u00f3s-moderno. Ao contrato d\u00e9bil op\u00f5e uma vis\u00e3o muito robusta do matrim\u00f3nio; \u00e0 \u00e9tica de bens, op\u00f5e uma moral do respeito pela norma como caminho da felicidade. Isto est\u00e1 patente em mat\u00e9rias como a sexualidade, o aborto, a fecundidade humana. Quanto ao segundo ponto, v\u00ea-se que Jo\u00e3o Paulo II manteve sempre uma coerente preocupa\u00e7\u00e3o por pregar a doutrina imut\u00e1vel da Igreja, deixando de lado qualquer possibilidade de inova\u00e7\u00e3o, mesmo nalguns aspectos em que parece justo fazer alguma inova\u00e7\u00e3o da norma moral. Compreende-se que, no fundo, o Papa que conheceu o grande desprezo das ideologias pela humanidade, queria, atrav\u00e9s do seu Magist\u00e9rio pastoral, defender aqueles que ningu\u00e9m defende: as crian\u00e7as que n\u00e3o chegam a nascer, as multid\u00f5es manipuladas pela cultura massificada. A uma cultura de morte, como chamou com grande dramatismo \u00e0 nossa cultura, quis propor uma cultura da vida. Muitos gostavam que a sua linguagem fosse mais matizada em rela\u00e7\u00e3o ao ambiente em que vivemos. Mas esse n\u00e3o era o estilo dele. De uma coisa n\u00e3o pode ser acusado: \u00e9 de apoucar a consci\u00eancia da responsabilidade pastoral por defender de todos os modos a multid\u00e3o humana que lhe foi confiada. Algumas quest\u00f5es ficam por resolver para quem vier a seguir. Entre essas, aludiria a duas: a sorte dos divorciados que voltaram a casar e a revis\u00e3o da norma da \u201cHumanae Vitae\u201d sobre a regula\u00e7\u00e3o da fecundidade no contexto da paternidade\/maternidade respons\u00e1vel. A primeira quest\u00e3o \u00e9 muito importante para muita gente que sofre por causa da sua comunh\u00e3o imperfeita com a Igreja. Seria necess\u00e1rio encontrar uma forma de integrar na comunh\u00e3o todos(as) os(as) que, por circunst\u00e2ncias alheias \u00e0s possibilidades da sua liberdade, n\u00e3o perseveraram num primeiro matrim\u00f3nio. Quanto ao segundo ponto, n\u00e3o parece imposs\u00edvel pensar a norma moral da abertura \u00e0 vida dentro do casal, incluindo nessa fidelidade alguma interven\u00e7\u00e3o artificial. O pior que pode acontecer a uma norma moral, pior mesmo do que ser combatida, \u00e9 ser olhada com indiferen\u00e7a. Por isso \u00e9 que seria melhor dar uma orienta\u00e7\u00e3o diferente ao povo de Deus. O Papa Jo\u00e3o Paulo II conseguiu uma extraordin\u00e1ria empatia com o mundo que vai ter de continuar a hist\u00f3ria sem a presen\u00e7a f\u00edsica dele. Poder-se-ia aproveitar essa empatia para propor um caminho messi\u00e2nico de felicidade. A moral da Igreja deveria arrolar-se a esse programa.  Jorge Teixeira da Cunha <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao longo dos seus anos de servi\u00e7o de Pedro, Jo\u00e3o Paulo II ocupou-se, por diversas vezes, de temas de moral pessoal e familiar. Entre as publica\u00e7\u00f5es mais importantes, lembraria a exorta\u00e7\u00e3o p\u00f3s-sinodal \u201cFamiliaris Consortio\u201d (1981), da enc\u00edclica \u201cEvangelium Vitae\u201d (1995), da carta apost\u00f3lica sobre a condi\u00e7\u00e3o feminina \u201cMulieris Dignitatem\u201d (1988). 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