{"id":110921,"date":"2018-07-20T18:29:25","date_gmt":"2018-07-20T17:29:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=110921"},"modified":"2018-07-20T18:30:39","modified_gmt":"2018-07-20T17:30:39","slug":"o-mal-espreita-a-cada-minuto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-mal-espreita-a-cada-minuto\/","title":{"rendered":"O mal espreita a cada minuto"},"content":{"rendered":"<p><em>Jos\u00e9 Lu\u00eds Nunes Martins<\/em><!--more--><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-110922 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/omalespreita.jpg\" alt=\"\" width=\"456\" height=\"304\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/omalespreita.jpg 900w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/omalespreita-300x200.jpg 300w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/omalespreita-768x512.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 456px) 100vw, 456px\" \/>Uma grande parte de n\u00f3s gosta de se expor. Bastam alguns minutos de simpatia para que logo se comece a revelar segredos que deveriam continuar a s\u00ea-lo. Isto acaba por ser um bom sinal, uma prova de que confiamos nos outros, apesar das imensas desilus\u00f5es que j\u00e1 experiment\u00e1mos. Acreditamos sempre que desta vez ser\u00e1 diferente. Mas ser\u00e1 que \u00e9 o mais inteligente?<\/p>\n<p>H\u00e1 quem se exponha de tal forma que parece ter perdido a no\u00e7\u00e3o do que n\u00e3o \u00e9 suposto partilhar, a n\u00e3o ser a um n\u00edvel \u00edntimo. Por um lado, esvazia-se, no sentido de perder subst\u00e2ncia interior, por outro, quase que convida os outros a violent\u00e1-lo.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma dec\u00eancia exterior e uma dec\u00eancia interior. A verdadeira \u00e9 a interior.<\/p>\n<p>\u00c9 errado julgar que quem n\u00e3o faz nada de mal n\u00e3o tem nada a esconder. A verdade \u00e9 que todos temos o dever de guardar para n\u00f3s o que n\u00e3o acrescenta nada de bom e \u00fatil \u00e0 rela\u00e7\u00e3o com desconhecidos. Por que raz\u00e3o as nossas insignific\u00e2ncias devem ser anunciadas? Ser\u00e3o mais importantes do que as dos outros?<\/p>\n<p>Somos exterior e interior. A nossa apar\u00eancia \u00e9 e ser\u00e1 sempre apenas isso mesmo, uma camada superficial com que nos apresentamos e defendemos do mundo. Aqui, a transpar\u00eancia nem sempre ser\u00e1 uma boa op\u00e7\u00e3o, pois os outros t\u00eam o direito de ser preservados de conhecer o que n\u00e3o lhes diz respeito.<\/p>\n<p>Como carregamos o nosso interior? Connosco mesmos? Com os que nos s\u00e3o pr\u00f3ximos? Ou atrav\u00e9s das intera\u00e7\u00f5es com desconhecidos?<\/p>\n<p>Quando abrimos as nossas portas todas, \u00e9 bom ter consci\u00eancia de que ao fazer da casa da nossa intimidade um espa\u00e7o p\u00fablico, ficamos sem ela enquanto lugar protegido e de descanso.<\/p>\n<p>Quase todas as burlas assentam no abuso simples da confian\u00e7a!<\/p>\n<p>O fundo do cora\u00e7\u00e3o, os nossos sonhos e pesadelos, devem ser como um jardim secreto, um pilar da nossa identidade, que, de t\u00e3o importante, se deve manter assim mesmo, longe do olhar e do conhecimento p\u00fablicos.<\/p>\n<p>Hoje \u00e9 f\u00e1cil aceder aos documentos digitais de qualquer pessoa, a todos os registos guardados no seu computador, ao seu telefone e aos s\u00edtios por onde andou, digitais e f\u00edsicos. A todas as suas conversas, mesmo \u00e0quelas que j\u00e1 nem o pr\u00f3prio se lembra. Hoje, como nunca antes, h\u00e1 milhares de registos de quase tudo o que fazemos. At\u00e9 \u00e9 poss\u00edvel que os telefones estejam sempre a ouvir o que se passa \u00e0 nossa volta! Mas a maior parte de n\u00f3s continua a pensar que nada tem a ocultar, pelo que n\u00e3o tem de se preocupar. Devia ser assim, mas n\u00e3o \u00e9.<\/p>\n<p>Todos temos o dever de reserva e recato. A mod\u00e9stia e o pudor s\u00e3o armas de defesa, muros que nos preservam de hostilidades. \u00a0O mal espreita a cada minuto.<\/p>\n<p>Chamar a aten\u00e7\u00e3o sobre si, fomentando familiaridade com desconhecidos, \u00e9 algo temer\u00e1rio. N\u00e3o \u00e9 coragem, \u00e9 falta de elementar bom senso.<\/p>\n<p>Importa definirmos a linha clara que deve separar o que, em n\u00f3s, \u00e9 superficial e pode ser p\u00fablico, do que deve ser conservado intacto, por ser parte do nosso tesouro mais \u00edntimo.<\/p>\n<p>A pureza \u00e9 inocente, n\u00e3o aprende o mal, mas sabe resistir-lhe, se estiver atenta e for prudente, evitando fraquezas e descuidos.<\/p>\n<p>Contra o mal, o sil\u00eancio \u00e9 uma excelente arma.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Lu\u00eds Nunes Martins<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":103305,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-110921","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/110921","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=110921"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/110921\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/103305"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=110921"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=110921"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=110921"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}