{"id":11071,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/historia-dos-cardeais-2\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"historia-dos-cardeais-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/historia-dos-cardeais-2\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria dos Cardeais"},"content":{"rendered":"<p>A Hist\u00f3ria dos Cardeais come\u00e7a por estar ligar ao clero de Roma e j\u00e1 vem de longe: o t\u00edtulo de Cardeal foi reconhecido pela primeira vez durante o pontificado de Silvestre I (314-335). O termo vem da palavra latina cardo\/cardinis, que significa &#8220;eixo&#8221; e inicialmente o t\u00edtulo de Cardeal era atribu\u00eddo genericamente a pessoas ao servi\u00e7o de uma igreja ou diaconia, reservando-se mais tarde aos respons\u00e1veis das igrejas titulares de Roma e das igrejas mais importantes da It\u00e1lia e do mundo. Os Cardeais nascem, assim, dos presb\u00edteros dos 25 t\u00edtulos ou igrejas paroquiais de Roma, dos 7 (posteriormente 14) di\u00e1conos regionais, 6 di\u00e1conos palatinos e dos 7 (6 no s\u00e9culo XII) bispos suburbic\u00e1rios, todos eles conselheiros e colaboradores do Papa. Segundo as notas hist\u00f3ricas do \u201cAnu\u00e1rio Pontif\u00edcio\u201d, a partir do ano 1150 formaram o Col\u00e9gio Cardinal\u00edcio com um Decano, que \u00e9 o bispo de Ostia, e um Camerlengo, na qualidade de administrador dos bens. O Decano \u00e9 eleito, como se refere no C\u00f3digo de Direito Can\u00f3nico (CDC, C\u00e2n. 352, \u00a7 2), pelos Cardeais com o t\u00edtulo de uma Igreja suburbic\u00e1ria &#8211; as sete dioceses mais pr\u00f3ximas de Roma (Albano, Frascati, Ostia, Palestrina, Porto-Santa Ruffina e Velletri-Segni). O nome \u00e9 posteriormente apresentado ao Papa, que o deve aprovar.  <b>Elei\u00e7\u00e3o do Papa e universaliza\u00e7\u00e3o do Col\u00e9gio Cardinal\u00edcio<\/b> Desde o ano 1059, os Cardeais s\u00e3o eleitores exclusivos do Papa. Apesar de, como vimos, haver refer\u00eancias anteriores ao t\u00edtulo, \u00e9 no s\u00e9culo XI que os Cardeais passam a ter uma fun\u00e7\u00e3o mais pr\u00f3xima do que s\u00e3o hoje.  Em 1050, para contrariar as disputas entre v\u00e1rias fam\u00edlias de Roma que queriam dominar o papado, o Papa Le\u00e3o IX (1049-54) chama v\u00e1rios homens que considera capazes de o ajudar a reformar a Igreja. Nove anos depois, Nicolau II decide que o Papa passa a ser eleito apenas pelos Cardeais, abandonando a tradi\u00e7\u00e3o de serem o clero e os fi\u00e9is a escolherem o seu Bispo. No s\u00e9culo XII, come\u00e7aram a ser nomeados Cardeais tamb\u00e9m os prelados que residiam fora de Roma: primeiro os Bispos e Arcebispos; desde o s\u00e9culo XV, tamb\u00e9m os Patriarcas (Bula \u201cNon mediocri\u201d de Eug\u00e9nio IV, ano 1439); mesmo quando eram padres, os Cardeais tinham voto nos Conc\u00edlios. O n\u00famero de Cardeais, que por norma nos s\u00e9culos XIII-XV n\u00e3o era superior a 30, foi fixado em 70 por Sixto V: 6 Cardeais Bispos, 50 Cardeais Presb\u00edteros, 14 Cardeais Di\u00e1conos (Constitui\u00e7\u00e3o \u201cPostquam verus\u201d, de 3 de Dezembro de 1586). Ainda hoje os Cardeais se distribuem por tr\u00eas ordens (episcopal, presbiteral e diaconal). A inscri\u00e7\u00e3o dos Cardeais a uma ordem \u00e9 feita pelo Papa. Os Cardeais procedentes de dioceses do mundo s\u00e3o inscritos na ordem presbiteral e recebem um t\u00edtulo ou igreja da cidade de Roma. Os nomeados na C\u00faria Romana s\u00e3o inscritos na ordem diaconal. Aos Cardeais da ordem episcopal \u00e9 designada uma diocese sufrag\u00e2nea de Roma. O C\u00e2non 350, \u00a7 1 do CDC afirma: &#8220;o Col\u00e9gio cardinal\u00edcio divide-se em tr\u00eas ordens: a episcopal, a que pertencem os Cardeais a quem \u00e9 atribu\u00eddo pelo Romano Pont\u00edfice o t\u00edtulo uma Igreja suburbic\u00e1ria e bem assim os Patriarcas orientais que forem inclu\u00eddos no Col\u00e9gio dos Cardeais; a ordem presbiteral e a ordem diaconal&#8221;. No Consist\u00f3rio secreto de 15 de Dezembro de 1958, Jo\u00e3o XXIII derrogou o n\u00famero de cardeais estabelecidos por Sixto V e confirmado pelo C\u00f3digo de Direito Can\u00f3nico de 1917 (C\u00e2n. 231). Tamb\u00e9m Jo\u00e3o XXIII, com o Motu Pr\u00f3prio \u201cCum gravissima\u201d, de 15 de Abril de 1962, estabeleceu que todos os Cardeais fossem \u201chonrados com a dignidade episcopal\u201d. Paulo VI, com o Motu Pr\u00f3prio \u201cAd Purpuratorum Patrum\u201d, de 11 de Fevereiro de 1965, determinou o lugar dos Patriarcas Orientais no Col\u00e9gio Cardinal\u00edcio.  O mesmo Papa, com o Motu Pr\u00f3prio \u201cIngravescentem aetatem\u201d, de 21 de Novembro de 1970, disp\u00f4s que com o cumprimento dos 80 anos de idade os cardeais cessam de ser membros dos Dicast\u00e9rios da C\u00faria Romana e de todos os Organismos Permanentes da Santa S\u00e9 e do Estado da Cidade do Vaticano. Al\u00e9m disso perdem o direito de eleger o Romano Pont\u00edfice e, portanto, tamb\u00e9m o direito de entrar em Conclave. No Consist\u00f3rio Secreto de 5 de Novembro de 1973, Paulo VI estabeleceu que o n\u00famero m\u00e1ximo de Cardeais que t\u00eam a faculdade de eleger o Romano Pont\u00edfice se fixaria em 120; Jo\u00e3o Paulo II, na Constitui\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica \u201cUniversi Dominici Gregis\u201d, de 22 de Fevereiro de 1996, reiterou estas disposi\u00e7\u00f5es. O Col\u00e9gio Cardinal\u00edcio tem-se internacionalizado notavelmente nos \u00faltimos anos, muito por for\u00e7a da ac\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o Paulo II. Os requisitos para serem eleitos s\u00e3o, basicamente, os mesmos que estabeleceu o Conc\u00edlio de Trento na sua sess\u00e3o XXIV de 11 de Novembro de 1563: homens que receberam a ordena\u00e7\u00e3o sacerdotal e se distinguem pela sua doutrina, piedade e prud\u00eancia no desempenho dos seus deveres.  <b>Responsabilidades<\/b> Hoje, os Cardeais &#8220;constituem um col\u00e9gio peculiar, ao qual compete providenciar \u00e0 elei\u00e7\u00e3o do Romano Pont\u00edfice&#8221;, como refere o CDC (c\u00e2none 349). As fun\u00e7\u00f5es dos membros do Col\u00e9gio Cardinal\u00edcio v\u00e3o, contudo, para al\u00e9m da elei\u00e7\u00e3o do Papa.  Qualquer Cardeal \u00e9, acima de tudo, um conselheiro espec\u00edfico que pode ser consultado em determinados assuntos quando o Papa o desejar, pessoal ou colegialmente.  Como conselheiros do Papa, os Cardeais actuam colegialmente com ele atrav\u00e9s dos Consist\u00f3rios, que o Bispo de Roma convoca.  Os Consist\u00f3rios podem ser ordin\u00e1rios ou extraordin\u00e1rios. No Consist\u00f3rio ordin\u00e1rio re\u00fanem-se os Cardeais presentes em Roma, outros Bispos, sacerdotes e convidados especiais. O Papa convoca estes Consist\u00f3rios para fazer alguma consulta sobre quest\u00f5es importantes ou para dar solenidade especial a algumas celebra\u00e7\u00f5es. Ao Consist\u00f3rio extraordin\u00e1rio s\u00e3o chamados todos os Cardeais e celebra-se quando o requerem algumas necessidades especiais da Igreja ou assuntos de maior gravidade. Durante o per\u00edodo de &#8220;S\u00e9 vacante&#8221;, ap\u00f3s a morte do Papa, o Col\u00e9gio Cardinal\u00edcio desempenha uma importante fun\u00e7\u00e3o no governo geral da Igreja e, depois dos Pactos Lateranenses de 1929, tamb\u00e9m no governo do Estado da Cidade do Vaticano. Na vac\u00e2ncia da S\u00e9 Apost\u00f3lica tem a autoridade prevista pela Constitui\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica \u201cUniversi Dominici Gregis\u201d: ss Cardeais, ao tratarem da vida da Igreja, re\u00fanem-se em Congrega\u00e7\u00e3o geral (todos os Cardeais) e Congrega\u00e7\u00e3o particular.  A primeira \u00e9 presidida pelo Cardeal Decano e resolve as quest\u00f5es mais importantes; a segunda \u00e9 formada pelo Cardeal Camerlengo e por tr\u00eas Cardeais, um de cada uma das ordens, sendo renovados de 3 em 3 dias, tendo como compet\u00eancia os assuntos ordin\u00e1rios.  <i>Oct\u00e1vio Carmo<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Hist\u00f3ria dos Cardeais come\u00e7a por estar ligar ao clero de Roma e j\u00e1 vem de longe: o t\u00edtulo de Cardeal foi reconhecido pela primeira vez durante o pontificado de Silvestre I (314-335). 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