{"id":11018,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/novo-bispo-para-lisboa-chega-para-criar-comunhao\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"novo-bispo-para-lisboa-chega-para-criar-comunhao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/novo-bispo-para-lisboa-chega-para-criar-comunhao\/","title":{"rendered":"Novo Bispo para Lisboa chega para criar comunh\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>D. Carlos Azevedo, nomeado Bispo  Auxiliar do Patriarcado de Lisboa, revela os seus objectivos e a sua forma de estar em Igreja <!--more--> D. Carlos Azevedo, nomeado Bispo Titular de Belali e Auxiliar do Patriarcado de Lisboa a 4 de Fevereiro de 2005, prepara-se para a ordena\u00e7\u00e3o episcopal que ter\u00e1 lugar amanh\u00e3, 2 de Abril, na Igreja da Trindade, Porto. Em entrevista ao programa ECCLESIA revela os seus objectivos e a sua forma de estar em Igreja  <i>ECCLESIA \u2013 Com que predisposi\u00e7\u00e3o assume esta nova responsabilidade pastoral? D. Carlos Azevedo &#8211;<\/i> A atitude fundamental \u00e9 de servi\u00e7o. \u00c9 essa a atitude que eu escolhi como lema para esta fun\u00e7\u00e3o na Igreja e vou querer exerc\u00ea-la numa atitude de disponibilidade, de criador de comunh\u00e3o entre todos, de favorecer a participa\u00e7\u00e3o de todos nas decis\u00f5es comuns e, sobretudo, acolher como uma oportunidade a disponibilidade que esta hora exige. H\u00e1 muitos problemas dif\u00edceis na vida da Igreja, na vida do mundo, que tornam o desafio ainda maior, mas as ocasi\u00f5es dos problemas s\u00e3o momentos para que n\u00f3s demos o melhor de n\u00f3s mesmos, iluminados pelo esp\u00edrito.  <i>E \u2013 O facto de ser Bispo acarreta outra responsabilidade na resolu\u00e7\u00e3o desses problemas? DCA &#8211;<\/i> Com certeza que agora a tarefa \u00e9 mais pesada, mas como \u00e9 mais pesada haver\u00e1 mais espa\u00e7o para acolher a for\u00e7a de Deus e para ouvir o mais poss\u00edvel a for\u00e7a do Esp\u00edrito ecoar nos crentes. H\u00e1 que estar muito atento, muito vigilante \u2013 ali\u00e1s, a origem da palavra \u201cBispo\u201d \u00e9 vigilante -, ser o sentinela para depois com coragem \u2013 e \u00e9 preciso ter essa coragem de Pastor \u2013 ir \u00e0 frente, apontar caminhos, sobretudo na atitude desse servi\u00e7o, dessa disponibilidade que Deus nos pede hoje nesta hora da Hist\u00f3ria.  <i>E \u2013 \u00c9 f\u00e1cil passar de uma vida acad\u00e9mica para uma vida pastoral, numa Diocese? DCA &#8211;<\/i> \u00c9 fac\u00edlimo, porque sempre adoptei uma atitude pastoral naquilo que fiz. Nunca fui professor como aspecto burocr\u00e1tico, de mero funcionalismo. Tentei sempre nos lugares onde estive, quer como director espiritual do semin\u00e1rio, quer como p\u00e1roco, quer agora numa fun\u00e7\u00e3o mais dedicada \u00e0 universidade, ser pastor a\u00ed. Nada me dava mais alegria como quando, no fim de uma aula, um aluno queria falar comigo, porque isso era sinal de que eu estava ali numa fun\u00e7\u00e3o que n\u00e3o era meramente acad\u00e9mica, mas que sendo mais o competente poss\u00edvel na fun\u00e7\u00e3o acad\u00e9mica e cient\u00edfica, era pastor.  Muitos contactos pastorais que tive, tive-os gra\u00e7as ao exerc\u00edcio da fun\u00e7\u00e3o cient\u00edfica: era ao organizar uma exposi\u00e7\u00e3o, no final de uma confer\u00eancia, que vinha uma pergunta, um contacto, a necessidade de uma conversa mais profunda que depois abria caminho para a vida pastoral. Penso que n\u00e3o h\u00e1 divis\u00e3o e procurei nunca criar essa dicotomia, sempre a atitude pastoral deve ser a de um padre e, tamb\u00e9m muito mais, a de um Bispo.  <i>E \u2013 Essa dicotomia existe entre uma cidade como o Porto, de onde \u00e9 natural, e Lisboa? DCA &#8211;<\/i> Aqui h\u00e1 mais diferen\u00e7as, as cidades portuguesas s\u00e3o todas muito diferentes e Lisboa tem a sua idiossincrasia natural, mas h\u00e1 que adaptar-se e uma capacidade de adapta\u00e7\u00e3o vai havendo. J\u00e1 l\u00e1 estive tamb\u00e9m, embora o contacto pastoral n\u00e3o fosse muito frequente. H\u00e1 uma energia pastoral bem vincada que me agrada, h\u00e1 horizontes pastorais bem delineados, que tamb\u00e9m vai de acordo com o meu gosto de trabalhar. Os leigos empenhados s\u00e3o-no de alma e cora\u00e7\u00e3o, h\u00e1 talvez mais clareza de quem anda na Igreja e quem n\u00e3o anda, o que tamb\u00e9m \u00e9 bom para a miss\u00e3o que \u00e9 necess\u00e1rio fazer de evangeliza\u00e7\u00e3o e de consci\u00eancia bem viva de que \u00e9 preciso anunciar aos outros o que nos aquece o cora\u00e7\u00e3o.  <i>E \u2013 J\u00e1 foi responsabilizado por algumas tarefas pastorais em concreto no Patriarcado? DCA &#8211;<\/i> Isso ainda ser\u00e1 para a pr\u00f3xima semana, depois da assembleia da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa (CEP), mas em princ\u00edpio ficarei com a zona do termo da cidade de Lisboa \u2013 Amadora, Sintra, Cascais, Estoril, Oeiras, etc. Quanto a tarefas, talvez os jovens, &#8211; o Cardeal-Patriarca j\u00e1 deu algumas indica\u00e7\u00f5es nesse sentido, o sector dos jovens de toda a Diocese -, mas ainda depender\u00e1 das elei\u00e7\u00f5es da CEP.  <i>E \u2013 Tamb\u00e9m a\u00ed poder\u00e1 haver novidades? DCA &#8211;<\/i> Em princ\u00edpio um dos Bispos Auxiliares de Lisboa dever\u00e1 ser o pr\u00f3ximo secret\u00e1rio-geral da CEP e \u00e9 natural que um dos novos assuma essa fun\u00e7\u00e3o, ou D. Anacleto ou eu. Quem o fizer, ficar\u00e1 mais livre de tarefas na Diocese de Lisboa para poder servir no secretariado.  <i>E \u2013 D. Carlos fazia uma grande ponte, no Porto e em todo o pa\u00eds, com a cultura, com os homens e mulheres da cultura. Ser\u00e1 f\u00e1cil manter essa rela\u00e7\u00e3o no Patriarcado? DCA &#8211;<\/i> Curiosamente, sempre tive bons contactos culturais, sobretudo a n\u00edvel da arte, com gente de Lisboa, at\u00e9 com directores de museus, com gente ligada \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o e restauro, com esse mundo ligado \u00e0 arte. Por isso, n\u00e3o \u00e9 um terreno estranho, tenho l\u00e1 muito bons amigos e \u00e9 um campo que est\u00e1 aberto para poss\u00edveis iniciativas comuns, de colabora\u00e7\u00e3o. Ali\u00e1s, tenho recebido cartas e as pessoas ao felicitarem, desejam que haja uma continuidade, na nova miss\u00e3o, com esse trabalho pr\u00e9vio.  <i>E \u2013 Tamb\u00e9m \u00e9 um desejo de D. Carlos? DCA &#8211;<\/i> \u00c9 evidente. Se puder vir a estar implicado no sector do Patrim\u00f3nio, darei o meu contributo para que haja pontes f\u00e1ceis com este mundo onde t\u00e3o urgente se torna estar presente.  <i>E \u2013 E na vida acad\u00e9mica, permanecer\u00e1? DCA &#8211;<\/i> Sim, o director da Faculdade de Teologia, Pe. Peter Stilwell, j\u00e1 me convidou para no pr\u00f3ximo ano dar uma cadeira , que ser\u00e1 por certo algo de leve, mas terei todo o gosto em continuar o contacto com os alunos e a investiga\u00e7\u00e3o.  <i>E \u2013 Qual \u00e9 a atitude que a Igreja deve promover para conseguir dialogar com o mundo da cultura e com a sociedade de hoje? DCA &#8211;<\/i> \u00c9 uma atitude de di\u00e1logo e de escuta, porque geralmente o mundo da cultura e o da arte \u00e9 muito sens\u00edvel ao tempo. Se n\u00f3s conseguirmos captar a forma como esse mundo vai vivendo, conseguimos perceber melhor quais s\u00e3o os tempos pr\u00f3ximos, porque geralmente v\u00e3o um pouco \u00e0 frente. Para a Igreja \u00e9 fundamental conviver com as pessoas e as \u00e1reas da cultura para poder perceber o tempo em que estamos e responder com linguagens e express\u00f5es que condigam e sejam captadas por este mundo, por esta nova cultura, porque estas novas culturas s\u00e3o muito r\u00e1pidas. \u00c9 preciso encontrar sempre as formas e as linguagens para que a mensagem possam ser transmitidas e a mensagem \u00e9 transmitida pela beleza \u2013 isso tem sido esquecido -, n\u00e3o apenas pela verdade da palavra nem pelo bem, a bondade. A beleza \u00e9 a da forma, n\u00e3o s\u00f3 das express\u00f5es art\u00edsticas, mas tamb\u00e9m liter\u00e1rias, e \u00e9 preciso cuidar muito da forma \u2013 n\u00e3o o formalismo &#8211; porque a beleza da forma tamb\u00e9m fala de Deus e fala hoje pela est\u00e9tica.  <i>E \u2013 \u00c9 esse o segredo da Nova Evangeliza\u00e7\u00e3o de que se fala? DCA &#8211;<\/i> \u00c9 preciso estar presente, usando esses recursos das linguagens e das express\u00f5es, para marcar pela diferen\u00e7a. \u00c0s vezes hoje pode dizer-se que h\u00e1 uma certa indiferen\u00e7a perante  Deus ou o sentido de Deus, mas se h\u00e1 indiferen\u00e7a \u00e9 porque se perdeu a diferen\u00e7a. Quando formos diferentes, n\u00e3o por gosto do contratempo, mas pelo assumir cred\u00edvel do testemunho, isso n\u00e3o deixar\u00e1 as pessoas indiferentes, haver\u00e1 evangeliza\u00e7\u00e3o, haver\u00e1 quem nos venha perguntar as raz\u00f5es da nossa esperan\u00e7a, da nossa alegria, da nossa paz.  Ent\u00e3o podemos comunicar e passar o testemunho da nossa f\u00e9. \u00c9 necess\u00e1rio sermos construtores, cada um a seu n\u00edvel, segundo as diferentes sensibilidades. Ao longo da hist\u00f3ria da Igreja, aquilo que fez gerar crist\u00e3os foi o testemunho, n\u00e3o foi outra forma, n\u00e3o \u00e9 nem a import\u00e2ncia nem o peso aparente, mas \u00e9 a realidade do testemunho. As formas de vida das comunidades crist\u00e3s \u00e9 que ser\u00e3o o grande apelo para que se formem novas gera\u00e7\u00f5es, no nosso tempo.  <i>Extractos desta entrevista ser\u00e3o apresentados no programa ECCLESIA, da :2, no pr\u00f3ximo dia 5 de Abril, pelas 18h00<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. 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