{"id":10969,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/igreja-exige-valorizacao-da-condicao-migrante\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"igreja-exige-valorizacao-da-condicao-migrante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/igreja-exige-valorizacao-da-condicao-migrante\/","title":{"rendered":"Igreja exige valoriza\u00e7\u00e3o da condi\u00e7\u00e3o migrante"},"content":{"rendered":"<p>Novas formas de acompanhamento e integra\u00e7\u00e3o social e eclesial  s\u00e3o indispens\u00e1veis <!--more--> A Igreja Cat\u00f3lica em Portugal exige que o nosso pa\u00eds valorize a \u201ccondi\u00e7\u00e3o migrante\u201d, criando \u201cestruturas de participa\u00e7\u00e3o, solidariedade e integra\u00e7\u00e3o\u201d. \u201cA perman\u00eancia e a intensifica\u00e7\u00e3o da mobilidade humana constitui um elemento marcante da sociedade contempor\u00e2nea que exige uma reconceptualiza\u00e7\u00e3o da condi\u00e7\u00e3o migrante\u201d, refere o documento conclusivo do I Encontro Mundial das Comunidades Portuguesas, promovido de 29 a 31 de Mar\u00e7o no Porto pela Comiss\u00e3o Episcopal de Migra\u00e7\u00f5es e Turismo, com o apoio da Obra Cat\u00f3lica Portuguesa de Migra\u00e7\u00f5es, e subordinado ao tema \u201cOusar a Mem\u00f3ria \u2013 Fortalecer a Cidadania\u201d. O Encontro contou com a presen\u00e7a de 150 participantes, delegados das Comunidades Cat\u00f3licas Portuguesas de 18 pa\u00edses. Presidiu aos trabalhos o Cardeal Stephen Fumio Hamao, presidente do Conselho Pontif\u00edcio para a Pastoral dos Migrantes (CPPMI). Este respons\u00e1vel manifestou-se convicto de que \u201cgra\u00e7as a uma chave de leitura especial da pr\u00f3pria Hist\u00f3ria, e conscientes da sua pr\u00f3pria identidade cultural, num mundo diferenciado por um forte processo de homologa\u00e7\u00e3o e nivelamento cultural, os portugueses no mundo s\u00e3o chamados a redescobrir a voca\u00e7\u00e3o para o di\u00e1logo com outras culturas, bem como a amadurecer a sua disponibilidade para a colabora\u00e7\u00e3o e a co-responsabilidade, para dessa forma continuarem a sentir-se protagonistas do projecto comum de uma Igreja que n\u00e3o considera ningu\u00e9m estrangeiro\u201d. Defendendo novas formas de acompanhamento e integra\u00e7\u00e3o social e eclesial para os migrantes, os participantes no Encontro destacaram que \u201co fen\u00f3meno emigrat\u00f3rio continua a ser uma significativa realidade social em Portugal, mesmo se ainda muito ignorado e demasiadamente desconhecido pelo pa\u00eds\u201d. Nesse sentido, chamaram a aten\u00e7\u00e3o para a \u201cdesinforma\u00e7\u00e3o, isolamento, e, de forma preocupante, novas formas de explora\u00e7\u00e3o e de desigualdade de tratamento\u201d aos novos emigrantes. \u201cTemos de voltar a p\u00f4r a emigra\u00e7\u00e3o no centro das preocupa\u00e7\u00f5es da Igreja e do Governo. Com este encontro, pretendemos n\u00e3o s\u00f3 reafirmar isto como tamb\u00e9m rever todos o seu trabalho e a sua presen\u00e7a junto da emigra\u00e7\u00e3o, porque hoje h\u00e1 novos fluxos, novos problemas e novas inquieta\u00e7\u00f5es\u201d, afirma ao programa ECCLESIA o Pe. Rui Pedro, director da OCPM. Portugal, apesar dos recentes fluxos imigrat\u00f3rios, continua a ser um pa\u00eds de emigra\u00e7\u00e3o e a cada ano partem cerca de 30 mil portugueses. Assim, a Igreja em Portugal considera essencial \u201cvalorizar as duplas e m\u00faltiplas perten\u00e7as a n\u00edvel cultural, familiar e de cidadania\u201d e \u201capoiar a fam\u00edlia nas suas fun\u00e7\u00f5es de educa\u00e7\u00e3o, despertar dos valores, aprendizagem afectiva da l\u00edngua e transmiss\u00e3o da cultura portuguesa\u201d. O documento conclusivo do Encontro aponta para a necessidade de \u201cprocurar parcerias na sociedade civil (comunica\u00e7\u00e3o social, sindicatos, associa\u00e7\u00f5es, movimentos eclesiais, consulados, conselho das comunidades e outros organismos) para, em conson\u00e2ncia, desenvolver estrat\u00e9gias e boas pr\u00e1ticas de defesa da vida e dignifica\u00e7\u00e3o do trabalhador migrante\u201d. Ana Paula Beja Horta, do Centro de Estudos das Migra\u00e7\u00f5es e das Rela\u00e7\u00f5es Interculturais (CEMRI) da Universidade Aberta, explica \u00e0 ECCLESIA que a mobilidade humana gera \u201cnovas formas de cidadania\u201d, com repercuss\u00f5es no tipo de direitos que s\u00e3o concedidos. \u201cAs formas de integra\u00e7\u00e3o s\u00e3o muito diferentes e respondem a modelos nacionais muito diversos, do assimilacionismo \u00e0s pol\u00edticas multiculturais\u201d, aponta. As consequ\u00eancias negativas dos atentados do 11 de Setembro s\u00e3o apontadas por esta especialista, que fala em \u201cretrocesso\u201d na concep\u00e7\u00e3o da diversidade cultural, agora vista como um facto de divis\u00e3o e de potencial conflito.  <b>Novos desafios para a Igreja<\/b> A Igreja Cat\u00f3lica em Portugal est\u00e1 apostada em n\u00e3o deixar o pa\u00eds perder a \u201cmem\u00f3ria da emigra\u00e7\u00e3o\u201d que marcou toda a sua hist\u00f3ria. A ideia marcou a prepara\u00e7\u00e3o e o desenrolar do I Encontro Mundial das Comunidades Portuguesas. \u201cA Igreja tem tido um papel pioneiro e fundamental no acompanhamento dos migrantes e suas fam\u00edlias no processo de integra\u00e7\u00e3o nas sociedades de acolhimento\u201d, constata o documento conclusivo. A OCPM promoveu esta iniciativa como uma forma de \u201cidentificar as mudan\u00e7as psicosociais nas comunidades portuguesas\u201d, \u201cassumir a \u2018mem\u00f3ria sofrida\u2019 da emigra\u00e7\u00e3o\u201d, \u201cdecidir novas formas de acompanhamento e inser\u00e7\u00e3o eclesial\u201d e \u201cresponsabilizar e envolver as estruturas da Igreja em Portugal. \u201cOs emigrantes, independentemente das suas viv\u00eancias religiosas encontraram na igreja uma voz prof\u00e9tica na defesa dos seus direitos e valores, um ambiente estruturante da pr\u00f3pria identidade e um espa\u00e7o de reconhecimento da cidadania\u201d, consideraram os participantes no Encontro. Assumindo que enfrenta dificuldades tanto em Portugal como nas dioceses das sociedades de acolhimento, a Igreja sublinha a import\u00e2ncia de uma \u201cre-estrutura\u00e7\u00e3o dos modelos pastorais\u201d. \u201cA interven\u00e7\u00e3o dos leigos e leigas na vida das comunidades deve ser facilitada e valorizada, pelo que urge continuar a apostar na sua forma\u00e7\u00e3o e capacita\u00e7\u00e3o pastoral. \u00b7 Os actuais modelos de acompanhamento, alguns em profunda crise, t\u00eam que evoluir na consci\u00eancia de que as comunidades de l\u00edngua materna s\u00e3o parte integrante da Igreja local (n\u00e3o h\u00e1 Igrejas nacionais) e devem manter e intensificar com esta o di\u00e1logo e colabora\u00e7\u00e3o\u201d, refere-se nas conclus\u00f5es do Encontro. Os participantes pedem que a Igreja em Portugal reavive \u201co contacto e proximidade com as Comunidades migrantes, e seus mission\u00e1rios, servindo de interlocutora permanente entre estas e a Igreja local\u201d. Para os cerca de 5 milh\u00f5es de portugueses dispersos por 121 Na\u00e7\u00f5es, a Igreja Cat\u00f3lica \u2013 em estreita concerta\u00e7\u00e3o bilateral entre a Igreja em Portugal e as Igrejas de acolhimento &#8211; mant\u00e9m a continuidade de estruturas pr\u00f3prias para os \u201cportugueses no mundo\u201d, desde h\u00e1 mais de 50 anos. A Igreja encontra-se hoje presente em 21 na\u00e7\u00f5es, com 242 evangelizadores, segundo os dados da OCPM. O Pe. Rui Pedro alerta para a urg\u00eancia de \u201credefinir o modelo pastoral da miss\u00e3o cat\u00f3lica portuguesa, que em alguns pa\u00edses j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 a dar respostas nem a acompanhar as mudan\u00e7as\u201d. \u201cTeremos de aumentar um tipo de miss\u00e3o mais m\u00f3vel, junto dos trabalhadores tempor\u00e1rios, em acordo com as Igrejas desses pa\u00edses. A ideia seria fazer visitas, porque as pessoas n\u00e3o v\u00e3o para fixar resid\u00eancia\u201d, acrescenta. O Cardeal Hamao, na sua interven\u00e7\u00e3o, apontou para o papel de Portugal na hist\u00f3ria da emigra\u00e7\u00e3o, salientando que, ao longo dos s\u00e9culos, foi pioneiro na distribui\u00e7\u00e3o dos seus \u201cfilhos\u201d pelo mundo, num quadro de \u201cunidade pastoral\u201d e \u201cdisposi\u00e7\u00e3o generosa\u201d de todos para acolher cidad\u00e3os de \u201ctodas as etnias, nacionalidades, culturas e religi\u00f5es\u201d. O director da OCPM insiste neste ponto, esclarecendo que \u201cas miss\u00f5es t\u00eam de ser trabalhadas tamb\u00e9m numa perspectiva ecum\u00e9nica e inter-religiosa\u201d.  <b>Pelos direitos dos migrantes<\/b> A quest\u00e3o dos direitos dos migrantes marcou os tr\u00eas dias de trabalho, com uma chamada de aten\u00e7\u00e3o para a import\u00e2ncia da \u201cintegra\u00e7\u00e3o\u201d na mobilidade humana, considerando que \u201co pa\u00eds tem que decididamente entender a Emigra\u00e7\u00e3o e a Imigra\u00e7\u00e3o como facetas duma mesma mobilidade\u201d. Por isso, os participantes \u201cunem-se solidariamente aos imigrantes em Portugal na exig\u00eancia de que Portugal ratifique a Conven\u00e7\u00e3o da ONU para a Protec\u00e7\u00e3o dos Direitos dos Trabalhadores Migrantes e Membros de Suas Fam\u00edlias\u201d. \u201cHoje a mobilidade humana p\u00f5e em perigo os direitos e os deveres, porque a pessoa em situa\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria pode cair na exclus\u00e3o social e, por isso, n\u00f3s queremos reafirmar uns aos outros a necessidade de a Igreja se mobilizar na defesa da dignidade humana, dos trabalhadores migrantes e fam\u00edlias\u201d, refere o director da OCPM. Mariette Grange, do Internacional Catholic Migration Comission (ICMC), explica a import\u00e2ncia desta Conven\u00e7\u00e3o da ONU. \u201cA migra\u00e7\u00e3o implica atravessar a fronteira e quando algu\u00e9m o faz fica fora da protec\u00e7\u00e3o do seu pr\u00f3prio pa\u00eds. Por isso mesmo s\u00e3o necess\u00e1rias conven\u00e7\u00f5es que protejam os n\u00e3o nacionais\u201d, aponta. A especialista assinala as contradi\u00e7\u00f5es no discurso pol\u00edtico sobre os migrantes, criticando de forma especial a recusa em assinar esta conven\u00e7\u00e3o. Mariette Grange diz que, a este respeito, \u201ca Igreja tem uma posi\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica e avan\u00e7ada, porque h\u00e1 muitos anos est\u00e1 a favor dos direitos dos migrantes\u201d.   <B>Not\u00edcias relacionadas<\/B> <a href=\"noticia.asp?noticiaid=17320\">\u2022 Novos olhares sobre as Migra\u00e7\u00f5es Portuguesas<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Novas formas de acompanhamento e integra\u00e7\u00e3o social e eclesial s\u00e3o indispens\u00e1veis<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[171,187,193,206,258,261,269,314,320],"class_list":["post-10969","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-diocese-de-beja","tag-diocese-do-porto","tag-educacao","tag-familia","tag-migracoes","tag-missoes","tag-ocpm","tag-solidariedade","tag-turismo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10969","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10969"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10969\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10969"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10969"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10969"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}