{"id":10947,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/referendo-ii\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"referendo-ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/referendo-ii\/","title":{"rendered":"Referendo II"},"content":{"rendered":"<p>Em chegando Abril, reaviva-se em n\u00f3s a mem\u00f3ria festiva da liberdade conquistada. Coadas as fal\u00e1cias de alguns her\u00f3is, ningu\u00e9m pode retirar ao povo a autoria desse bem maior, desvanecido durante d\u00e9cadas entre sombras e brumas. A liberdade tem o pre\u00e7o incomensur\u00e1vel da dignidade de um povo. O povo foi fazendo diferentes escolhas pol\u00edticas para o poder local, aut\u00e1rquico, legislativo, presidencial. N\u00e3o consta, ao longo destes trinta anos, qualquer reclama\u00e7\u00e3o substantiva ou qualquer viciamento significativo no manejo das urnas. Aconteceu tamb\u00e9m um referendo sobre o aborto. Perguntava assim: \u201dConcorda com a despenaliza\u00e7\u00e3o da interrup\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria da gravidez, se realizada, por op\u00e7\u00e3o da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de sa\u00fade legalmente autorizado?\u201d Mais de cinquenta por cento disse \u201cn\u00e3o\u201d. Nem contentes nem descontentes questionaram a legalidade ou a autenticidade da resposta.  Do segundo referendo, sobre regionaliza\u00e7\u00e3o, ningu\u00e9m fala. Paulatinamente se foi lan\u00e7ando a ideia de revogar a decis\u00e3o popular do primeiro referendo porque o seu resultado n\u00e3o agradava a alguns. Feriados, muito sol nesse Junho de 1998, tem sido algumas das raz\u00f5es apresentadas para tal. Nunca foi nem \u00e9 explicado o que aconteceria a tal referendo se o resultado fosse o oposto. H\u00e1 uma converg\u00eancia curiosa de subtilezas: discursos de aqu\u00e9m e al\u00e9m &#8211; mar chamando est\u00fapido e subdesenvolvido ao povo, barcos que quiseram remir as aniquiladas mulheres portugueses com um \u201cmaternalismo\u201d colonizador; an\u00fancios p\u00fablicos em televis\u00e3o de medicamentos abortivos; cenas de pavor rid\u00edculo com olhar sobranceiro sobre a mulher de ber\u00e7o luso, como a mais vilipendiada das filhas de Eva. Tudo isto se tolerou com pusilanimidade cobarde, em nome da liberdade&#8230; que prezamos. N\u00e3o nos parece t\u00e3o claro que o actual governo, eleito quase por aclama\u00e7\u00e3o &#8211; e reclama\u00e7\u00e3o &#8211; d\u00ea a entender que o referendo II sobre o aborto ocupa uma prioridade de fundo. Na Assembleia da Rep\u00fablica, j\u00e1 passa \u00e0 frente dos muitos problemas que verdadeiramente atormentam os portugueses: a recess\u00e3o econ\u00f3mica, a fome real; as dezenas de empresas falidas; os muitos milhares de desempregados; os doentes que continuam na eterna lista de espera; os analfabetos que n\u00e3o diminu\u00edram com a liberdade; os velhos e doentes que apodrecem se lhes faltar a caridade alheia; as aldeias que se transformam em desertos com casas fantasma; a inseguran\u00e7a alarmante em cidades e aldeias&#8230; E um rol de urg\u00eancias que o povo sente e reclama. E que projectou na escolha deste governo.  Por isso, a pressa do novo referendo sobre o mesmo tema, pedindo ao povo uma resposta que ele j\u00e1 deu \u00e9, no m\u00ednimo, bizarra. Para n\u00e3o dizer afrontosa. O povo que aclamou e reclamou \u00e9 o mesmo. E n\u00e3o \u00e9 amn\u00e9sico.  Ant\u00f3nio Rego <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em chegando Abril, reaviva-se em n\u00f3s a mem\u00f3ria festiva da liberdade conquistada. Coadas as fal\u00e1cias de alguns her\u00f3is, ningu\u00e9m pode retirar ao povo a autoria desse bem maior, desvanecido durante d\u00e9cadas entre sombras e brumas. A liberdade tem o pre\u00e7o incomensur\u00e1vel da dignidade de um povo. O povo foi fazendo diferentes escolhas pol\u00edticas para o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[93],"class_list":["post-10947","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-editorial","tag-aborto"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10947","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10947"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10947\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10947"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10947"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10947"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}