{"id":109459,"date":"2018-07-02T16:32:32","date_gmt":"2018-07-02T15:32:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=109459"},"modified":"2018-07-02T16:35:42","modified_gmt":"2018-07-02T15:35:42","slug":"homilia-do-bispo-de-lamego-na-ordenacao-sacerdotal-do-diacono-vitor-manuel-teixeira-carreira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-de-lamego-na-ordenacao-sacerdotal-do-diacono-vitor-manuel-teixeira-carreira\/","title":{"rendered":"Homilia do Bispo de Lamego na Ordena\u00e7\u00e3o Sacerdotal do Di\u00e1cono Vitor Manuel Teixeira Carreira"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><\/p>\n<ol>\n<li>Refere uma indica\u00e7\u00e3o do Pontifical Romano acerca da Ordena\u00e7\u00e3o dos Presb\u00edteros que o Bispo faz a homilia, dirigindo-se ao povo e aos Eleitos, falando-lhes do minist\u00e9rio dos presb\u00edteros, a partir do texto das leituras lidas na liturgia da palavra (n.os 123 e 155). \u00c9 o que vou tentar fazer, amados irm\u00e3os e irm\u00e3s, car\u00edssimo Eleito V\u00edtor Manuel, car\u00edssimos sacerdotes e di\u00e1cono, car\u00edssimos ac\u00f3litos, leitores, cantores.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li>O bocadinho do Evangelho de S. Marcos, que tivemos hoje a gra\u00e7a de escutar nos nossos ouvidos e no nosso cora\u00e7\u00e3o, n\u00e3o pode deixar de mexer connosco at\u00e9 ao osso. Bem vistes que o Evangelho nos oferece duas cenas sublimes, dois milagres de Jesus relatados de forma entrela\u00e7ada, um dentro do outro: o relato da cura de uma mulher que h\u00e1 doze anos sofria de uma hemorragia (Marcos 5,25-34), dentro do relato da chamada \u00abressuscita\u00e7\u00e3o\u00bb da filhinha de Jairo (Marcos 5,22-24.35-43).<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li>Habitualmente, ouvindo estes epis\u00f3dios de milagres realizados por Jesus, real\u00e7amos a subst\u00e2ncia, fazendo ver a din\u00e2mica, o dinamismo extraordin\u00e1rio que h\u00e1 em Jesus, e que opera maravilhas. De resto, o pr\u00f3prio Jesus faz saber, na cena da mulher que sofria de uma hemorragia incur\u00e1vel, e que \u00e0s escondidas toca no seu manto, que sentiu uma for\u00e7a (o texto grego diz d\u00fdnamis), portanto, um dinamismo, que saiu dele (Marcos 5,30). Mas hoje, como quer o Pontifical Romano, importa conduzir a levada da liturgia da palavra para dentro do minist\u00e9rio dos presb\u00edteros. \u00c9 o que vou tentar fazer, esfor\u00e7ando-me por conduzir o dinamismo da palavra de Deus para dentro da minha vida, da vida do V\u00edtor, da vida dos sacerdotes, da nossa vida, amados irm\u00e3os e irm\u00e3s, povo de Deus todo sacerdotal e santo.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"4\">\n<li>Neste contexto, fa\u00e7o notar em primeiro lugar que Jesus est\u00e1 rodeado e literalmente comprimido e apertado pelos seus disc\u00edpulos e por uma grande multid\u00e3o. Do meio desta roda cerrada de pessoas, v\u00ea-se melhor quem vem de fora. Vem Jairo, um homem importante e conhecido. Consegue rasgar a multid\u00e3o, vem prostrar-se aos p\u00e9s de Jesus, e diz e diz e volta a dizer que a sua filhinha (tyg\u00e1trion: diminutivo de tyg\u00e1t\u00ear) est\u00e1 a morrer, e pede e pede e volta a pedir a Jesus que lhe v\u00e1 impor as m\u00e3os para a curar. \u00c0 vista de todos fica o muito carinho e a grande afli\u00e7\u00e3o que movem este pai por causa da sua filhinha gravemente doente. Mas fica tamb\u00e9m a humildade de pedinte que arrasta este homem ilustre at\u00e9 Jesus, em quem deposita toda a sua f\u00e9 e confian\u00e7a! Jesus n\u00e3o diz nada. Mas faz muito. Foi com ele (met\u2019 auto\u00fb) (Marcos 5,24). Companheiro silencioso e atento no meio de n\u00f3s. Primeira li\u00e7\u00e3o importante para os meus irm\u00e3os no sacerd\u00f3cio ministerial, para este Eleito, e para o povo de Deus, todo sacerdotal e santo: silencioso e atento, Jesus acolhe as nossas s\u00faplicas, p\u00f5e a sua m\u00e3o no nosso ombro, est\u00e1 no meio de n\u00f3s sempre, vai connosco sempre, est\u00e1 l\u00e1 sempre, est\u00e1 c\u00e1 sempre!<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"5\">\n<li>P\u00f5e-se esta multid\u00e3o cerrada em movimento, acompanhando Jesus e Jairo. Vem uma mulher an\u00f3nima, que discretamente se vai metendo por entre aquela multid\u00e3o cerrada. Sofria de uma hemorragia incur\u00e1vel. Era uma mulher impura. N\u00e3o queria nem podia dar nas vistas, n\u00e3o podia tocar em ningu\u00e9m. Sendo impura por causa da hemorragia, tudo o que tocasse ficava impuro. Tinha ouvido falar de Jesus, e sabia que lhe podia confiar o seu problema. Pensava mesmo que nem era preciso dizer-lhe; sabia que se lhe conseguisse tocar, ainda que s\u00f3 na orla do manto, ficaria curada. E nada melhor do que uma multid\u00e3o cerrada, para poder tocar no manto de Jesus, aproximando-se por tr\u00e1s, enrolada na sua dor, sem ser notada. Assim pensava, e assim o fez. Segundo ponto alto e implicativo para n\u00f3s, amados irm\u00e3os no sacerd\u00f3cio, amado Eleito, povo sacerdotal e santo, amado por Deus: ouve-se pela primeira vez a voz de Jesus, que pergunta: \u00abQuem me tocou no manto?\u00bb (Marcos 5,30). Resposta \u00f3bvia e r\u00e1pida dos disc\u00edpulos de Jesus: \u00abRepara na multid\u00e3o que te rodeia e aperta, e ainda perguntas: \u201cQuem me tocou no manto?\u201d\u00bb (Marcos 5,31). Salta \u00e0 vista a banalidade desta interven\u00e7\u00e3o desajeitada dos disc\u00edpulos de Jesus neste momento alto em que Ele fala pela primeira vez no relato! Por isso tamb\u00e9m, Jesus n\u00e3o deu qualquer aten\u00e7\u00e3o ao dizer banal daqueles disc\u00edpulos, que s\u00f3 veem por fora, e continuou a olhar \u00e0 volta, porque quer salientar, isso sim, a grande f\u00e9 daquela pobre mulher. \u00c9 verdade, car\u00edssimos irm\u00e3os no sacerd\u00f3cio, car\u00edssimo Eleito, amados irm\u00e3os e irm\u00e3s, povo sacerdotal e santo: quantas vezes n\u00f3s tamb\u00e9m s\u00f3 vemos por fora e dizemos, n\u00e3o o Evangelho, mas banalidades!<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"6\">\n<li>Quanto \u00e0quela pobre mulher an\u00f3nima, mas descoberta e amada por Jesus, descoberta porque amada, ela veio prostrar-se diante d\u2019Ele, disse-lhe a verdade, e ouviu de Jesus uma palavra \u00fanica, \u00fanica vez dita no feminino em todos os Evangelhos: \u00abMinha filha!\u00bb, e acrescentou: \u00aba tua f\u00e9 te salvou, vai em paz!\u00bb (Marcos 5,34). A\u00ed est\u00e1, amigos, outra vez a provoca\u00e7\u00e3o: a n\u00f3s s\u00e3o-nos pedidas, n\u00e3o umas palavras quaisquer, vulgares e superficiais, banais, mas palavras \u00fanicas, inauditas, divinas! Carregadas de ternura, de salva\u00e7\u00e3o, de esperan\u00e7a, de perd\u00e3o, de caminhos novos!<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"7\">\n<li>Vem logo algu\u00e9m da casa de Jairo para dizer outra banalidade: \u00abA tua filha morreu; n\u00e3o importunes mais o Mestre\u00bb (Marcos 5,35). Reparai bem, irm\u00e3os e irm\u00e3s, se isto \u00e9 coisa que se diga a um pai, que acaba de perder a sua filhinha! Outra vez, \u00e9 Jesus que diz a Jairo a palavra inaudita a rebentar de ternura e de esperan\u00e7a: \u00abN\u00e3o tenhas medo! Cr\u00ea somente!\u00bb (Marcos 5,36). Chegados \u00e0 casa de Jairo, o que se ouve e v\u00ea s\u00e3o choros e lamenta\u00e7\u00f5es. \u00c9 muitas vezes s\u00f3 o que sabemos fazer face \u00e0 morte! Mas Jesus reprova este comportamento meramente exterior, e diz-nos que h\u00e1 mais para fazer e para dizer. Entra na casa, pega na m\u00e3o da menina, fala para ela, e levanta-a da morte! E diz-nos a n\u00f3s para n\u00e3o dizermos agora nada (Marcos 5,43). Como quem diz, como quem nos diz, que a seu tempo vir\u00e1 o tempo e o modo de falar da vida eterna e plena da sua e nossa Ressurrei\u00e7\u00e3o! Ser\u00e1 ent\u00e3o o tempo e o modo novo do Esp\u00edrito a falar em n\u00f3s (Marcos 13,11), e a abrir em n\u00f3s novos e insuspeitados caminhos. E n\u00f3s todos, que aqui estamos hoje reunidos, somos todos desse tempo e desse modo! O tempo e o modo da miss\u00e3o da Evangeliza\u00e7\u00e3o. A\u00ed est\u00e1, meus irm\u00e3os no sacerd\u00f3cio, car\u00edssimo Eleito, amados irm\u00e3os e irm\u00e3s, povo sacerdotal e santo, o inaudito e o divino que devemos dizer e fazer acontecer. E neste tempo e modo da miss\u00e3o, com Jesus e o Esp\u00edrito Santo, devemos estar bem atentos e saber bem que cada passo conta, cada gesto conta, cada palavra conta, cada copo de \u00e1gua por amor dado conta! Assim Deus nos ajude! Am\u00e9m!<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Lamego, 1 de julho de 2018<\/p>\n<p><em>D. Ant\u00f3nio Couto, bispo de Lamego<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":2,"featured_media":109445,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-109459","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/109459","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=109459"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/109459\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/109445"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=109459"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=109459"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=109459"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}