{"id":10944,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/agua-potavel-para-todos-2\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"agua-potavel-para-todos-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/agua-potavel-para-todos-2\/","title":{"rendered":"\u00c1gua pot\u00e1vel para todos"},"content":{"rendered":"<p>Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO) e a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS) h\u00e1 1100 milh\u00f5es de pessoas que n\u00e3o t\u00eam acesso a \u00e1gua pot\u00e1vel. S\u00e3o um sexto da popula\u00e7\u00e3o mundial. A popula\u00e7\u00e3o global triplicou nos \u00faltimos 70 anos e o consumo de \u00e1gua cresceu seis vezes como resultado do desenvolvimento industrial e do aumento da irriga\u00e7\u00e3o. Mas a quantidade de \u00e1gua doce dispon\u00edvel mant\u00e9m-se. Para dificultar o cen\u00e1rio, apenas 2,5 por cento de toda a \u00e1gua no planeta \u00e9 doce e, dessa, s\u00f3 0,5 por cento est\u00e1 acess\u00edvel. E apenas 0,007% da \u00e1gua que cobre a Terra assegura a sobreviv\u00eancia da humanidade. As Na\u00e7\u00f5es Unidas consideram a gest\u00e3o de t\u00e3o escasso recurso um desafio vital para o mundo. De acordo com um relat\u00f3rio do Conselho Econ\u00f3mico para a Europa das Na\u00e7\u00f5es Unidas (CEE-ONU), lan\u00e7ado em Mar\u00e7o de 2002, 120 milh\u00f5es de europeus (um em cada sete) n\u00e3o t\u00eam acesso a \u00e1gua pot\u00e1vel. Cerca de 460 milh\u00f5es de pessoas vivem em zonas de uma forma ou outra afectadas pela escassez de \u00e1gua. Em 2025 dois ter\u00e7os dos habitantes do planeta poder\u00e3o ter de lidar com problemas de falta de \u00e1gua.  \u00c1gua bem comum e universal Os homens do mundo inteiro sempre consideraram a \u00e1gua como um bem comum, gerido tradicionalmente segundo os princ\u00edpios comunit\u00e1rios, e sobre o qual eles det\u00eam um direito leg\u00edtimo. Mais de 1200 representantes de 150 organiza\u00e7\u00f5es e movimentos dos cinco continentes participaram, de 17 a 20 de Mar\u00e7o, no II F\u00f3rum Alternativo Mundial da \u00c1gua (FAME), em Genebra. Exigiram que a \u00e1gua seja considerada como bem comum da humanidade e, portanto, exclu\u00edda da esfera do com\u00e9rcio e das regras do mercado. A declara\u00e7\u00e3o final do F\u00f3rum destacou os pilares program\u00e1ticos de conte\u00fado que orientaram os debates: o acesso \u00e0 \u00e1gua como direito humano inegoci\u00e1vel, o vital l\u00edquido como bem comum e o financiamento colectivo do acesso \u00e0 \u00e1gua. O Comit\u00e9 das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os direitos econ\u00f3micos, sociais e culturais, a 26 de Novembro de 2002 afirmou: \u201co direito \u00e0 \u00e1gua garante a cada ser humano o direito de dispor, para seu uso pessoal e dom\u00e9stico, de \u00e1gua em quantidade suficiente e de qualidade aceit\u00e1vel, \u00e0 qual ele possa facilmente aceder\u201d. O sub-comit\u00e9 das Na\u00e7\u00f5es Unidas lembra \u00e0 comunidade internacional que o direito \u00e0 \u00e1gua est\u00e1 consagrado na Declara\u00e7\u00e3o Internacional dos direitos do homem, e que \u00e9 dever do Estado garantir um acesso equitativo, acess\u00edvel e n\u00e3o discriminat\u00f3rio \u00e0 \u00e1gua, sobretudo aos grupos sociais desfavorecidos. No contexto africano actual 29,5% da popula\u00e7\u00e3o vive abaixo do n\u00edvel do limiar da pobreza. Sem \u00e1gua pot\u00e1vel suficiente, a vida torna-se imposs\u00edvel! O acesso de todos aos servi\u00e7os de \u00e1gua e saneamento \u00e9 um bem certamente complexo, mas as solu\u00e7\u00f5es devem sempre ter em conta o bem-estar dos cidad\u00e3os. A vida n\u00e3o \u00e9 uma mercadoria, que qualquer um possa comercializar. A \u00e1gua n\u00e3o pode ser objecto de lucro. No ano 2000, 84 milh\u00f5es de litros de \u00e1gua engarrafada foram vendidos por 22 milh\u00f5es de d\u00f3lares.  A \u00e1gua foi sempre considerada um \u201cbem p\u00fablico\u201d porque \u00e9 direito e patrim\u00f3nio de todos os seres vivos: seres humanos, animais e plantas. A \u00e1gua est\u00e1 directamente ligada \u00e0 vida. Sem \u00e1gua o cen\u00e1rio \u00e9 de morte.  Falta de \u00e1gua pot\u00e1vel A \u00e1gua \u00e9 considerada no seu valor biol\u00f3gico, como fonte de vida; no seu valor social, como bem para todos; no seu valor simb\u00f3lico e espiritual, como elemento cultural e religioso; na sua dimens\u00e3o ecol\u00f3gica, no contexto da biodiversidade e da preserva\u00e7\u00e3o do ambiente. O controle sobre a \u00e1gua n\u00e3o deve ser feito pelos mecanismos de mercado, mas por organismos p\u00fablicos e democr\u00e1ticos. Dois mil milh\u00f5es de pessoas, um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o mundial, dependem de fontes de \u00e1gua subterr\u00e2neas. No entanto, em algumas partes da \u00cdndia, China, Estados Unidos e Pen\u00ednsula Ar\u00e1bica, os n\u00edveis de \u00e1gua subterr\u00e2nea est\u00e3o a diminuir em resultado do consumo desenfreado.  Quando se fala de \u201ccrise de \u00e1gua\u201d n\u00e3o \u00e9 apenas de uma car\u00eancia quantitativa, mas tamb\u00e9m qualitativa. Causas: destrui\u00e7\u00e3o dos mananciais pela contamina\u00e7\u00e3o com produtos agroqu\u00edmicos, res\u00edduos industriais, esgotos urbanos e hospitalares, aumento do consumo na agricultura, na pecu\u00e1ria, na ind\u00fastria e no consumo humano. Em 2015, um maior n\u00famero de pessoas ter\u00e1, sem d\u00favida, acesso \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel e aos servi\u00e7os de saneamento. Todavia, a situa\u00e7\u00e3o dos habitantes das zonas rurais afastadas, dos bairros de lata, e das zonas perif\u00e9ricas \u2013 ou seja, dos pobres \u2013 ser\u00e1 sempre demasiado cr\u00edtica. Estimativas da ONU indicam ainda que mais de 2,5 mil milh\u00f5es de pessoas, quase metade da popula\u00e7\u00e3o mundial, v\u00e3o enfrentar a falta de \u00e1gua em 2025, se o consumo se mantiver como actualmente. Pobreza e doen\u00e7as Devido sobretudo \u00e0 pobreza, um quinto da popula\u00e7\u00e3o mundial n\u00e3o tem acesso a \u00e1gua pot\u00e1vel e metade n\u00e3o disp\u00f5e de saneamento. Por isso, in\u00fameras pessoas sofrem de doen\u00e7as relacionadas com as m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es do que bebem e do que comem, originadas por infec\u00e7\u00f5es ou por organismos que se reproduzem na \u00e1gua. Dados da ONU, indicam que 80% das doen\u00e7as no mundo resultam da falta de \u00e1gua pot\u00e1vel. A \u00e1gua pot\u00e1vel \u00e9 um bem escasso, dramaticamente escasso. Segundo previs\u00e3o da ONU, cinco dos dez mil milh\u00f5es de pessoas que povoar\u00e3o o planeta, em 2050, ser\u00e3o afectadas pela falta de \u00e1gua. Os mais atingidos ser\u00e3o os dois mil milh\u00f5es dos 49 pa\u00edses menos desenvolvidos que nem sequer dispor\u00e3o dos 50 litros por pessoa. Assim a ONU lembra: \u201ca \u00e1gua tem de ser encarada como um dos maiores desafios que o mundo enfrenta.\u201d E o desafio a\u00ed est\u00e1 lan\u00e7ado em Quioto e na Cimeira de Joanesburgo, com programa destinado a assegurar a 1,5 mil milh\u00f5es de pessoas, at\u00e9 2015, o acesso \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel e a um saneamento b\u00e1sico adequado. Al\u00e9m disso, 2400 milh\u00f5es de pessoas, a maior parte das quais em \u00c1frica e na \u00c1sia, n\u00e3o t\u00eam acesso a qualquer tipo de condi\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias. Para mais \u201cmetade dos rios do mundo est\u00e3o gravemente degradados e polu\u00eddos\u201d e \u201c60 por cento dos 227 maiores rios do mundo foram severamente fragmentados por barragens e outras infraes-truturas\u201d. Como consequ\u00eancia, entre 40 a 80 milh\u00f5es de pessoas foram deslo-cadas e ecossistemas prejudicados de forma irrevers\u00edvel. Segundo as Na\u00e7\u00f5es Unidas, o n\u00famero de habitantes que vivem em situa\u00e7\u00e3o de pobreza extrema, nos pa\u00edses menos avan\u00e7ados, duplicou a partir dos anos sessenta. O Banco Mundial\u00a0considera que uma pessoa \u00e9 pobre quando o seu n\u00edvel de receitas \u00e9 inferior a 2\/3 da receita nacional m\u00e9dia por habitante. Na \u00c1frica subsaariana, no ano 2000, 45% da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o dispunha de qualquer acesso \u00e0 rede de \u00e1gua e saneamento.  Situa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as Segundo relat\u00f3rio da UNICEF sobre a \u201cSitua\u00e7\u00e3o Mundial da Inf\u00e2ncia\u201d em 2005, mais de quatro mil crian\u00e7as morrem todos os dias por falta de \u00e1gua pot\u00e1vel ou saneamento. O mesmo relat\u00f3rio indica que cada crian\u00e7a necessita de um m\u00ednimo di\u00e1rio de 20 litros de \u00e1gua para beber, lavar as m\u00e3os da sujidade portadora de micr\u00f3bios e preparar uma refei\u00e7\u00e3o simples. Em todo o Mundo 400 milh\u00f5es de crian\u00e7as, um quinto da popula\u00e7\u00e3o infantil, n\u00e3o disp\u00f5em do m\u00ednimo de \u00e1gua pot\u00e1vel necess\u00e1rio para viver. Mais de 20 por cento das crian\u00e7as dos pa\u00edses em desenvolvimento sofrem \u201cgraves\u201d priva\u00e7\u00f5es de \u00e1gua e vivem em locais onde, para chegar \u00e0 fonte de \u00e1gua pot\u00e1vel mais pr\u00f3xima, \u00e9 preciso caminhar mais de 15 minutos.  F\u00f3rum Mundial da \u00c1gua Estamos na d\u00e9cada \u201c\u00c1gua para a Vida\u201d, em que a ONU pretende reduzir para metade o n\u00famero de habitantes do planeta que n\u00e3o t\u00eam acesso \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel nem a saneamento b\u00e1sico. No F\u00f3rum Mundial da \u00c1gua &#8211; FAME 2005 &#8211; na Sui\u00e7a, prop\u00f4s-se constituir uma Assembleia Mundial da \u00e1gua, estrutura que deveria reunir representantes de movimentos cidad\u00e3os, autoridades eleitas, sindicatos, organiza\u00e7\u00f5es de mulheres e outros grupos comprometidos na defesa da \u00e1gua como bem comum. Uma das conclus\u00f5es foi envolver as mulheres na tomada de decis\u00f5es ligadas ao fornecimento de \u00e1gua pot\u00e1vel, j\u00e1 que nos pa\u00edses pobres, as mulheres e as meninas s\u00e3o as que passam grande parte dos seus dias no carregamento de \u00e1gua, muitas vezes percorrendo longas dist\u00e2ncias. Contamina\u00e7\u00e3o de rios e aqu\u00edferos, seca, excessos de consumo e chuvas \u00e1cidas s\u00e3o as cargas que a \u00e1gua doce do planeta carrega. A satisfa\u00e7\u00e3o de uma necessidade b\u00e1sica \u00e9 uma tortura di\u00e1ria para os mais de mil milh\u00f5es de pessoas que chegaram ao s\u00e9culo XXI ainda sem acesso a \u00e1gua pot\u00e1vel.  Armando Soares Mission\u00e1rio Boa Nova<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO) e a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS) h\u00e1 1100 milh\u00f5es de pessoas que n\u00e3o t\u00eam acesso a \u00e1gua pot\u00e1vel. S\u00e3o um sexto da popula\u00e7\u00e3o mundial. 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