{"id":10932,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/historias-da-viagem-da-humanidade\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"historias-da-viagem-da-humanidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/historias-da-viagem-da-humanidade\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3rias da viagem da humanidade"},"content":{"rendered":"<p>Tr\u00eas realizadores de renome internacional juntam-se em \u201cTickets\u201d para contar tr\u00eas hist\u00f3rias diferentes, todas passadas num comboio. \u00c9 a viagem da humanidade e a descoberta do pr\u00f3ximo, sobre as notas das mem\u00f3rias, das solid\u00f5es e da juventude sem esperan\u00e7a, como a descreve a R\u00e1dio Vaticano. A viagem vai do centro da Europa at\u00e9 Roma. Do comboio saem e entram pessoas, levando consigo recorda\u00e7\u00f5es, ang\u00fastias, solid\u00f5es, desejos de amor, dilemas morais, exist\u00eancias diversas \u2013 muitas das quais \u00e0 margem. Os tr\u00eas realizadores apresentam-nos tr\u00eas bilhetes, mas um \u00fanico comboio, met\u00e1fora de uma humanidade em viagem. A obra mostra-se, naturalmente, com tr\u00eas estilos cinematogr\u00e1ficos diferentes, mas numa narra\u00e7\u00e3o coerente, n\u00e3o concebida em cap\u00edtulos, mas em epis\u00f3dios, de uma esta\u00e7\u00e3o \u00e0 outra. O filme esteve em destaque na 55.\u00aa edi\u00e7\u00e3o da Berlinale. O italiano Ermanno Olmi, dos \u00faltimos representantes do neo-realismo, segue um vagaroso professor \u00e0s voltas com uma descoberta inesperada: o imprevisto sentimento de amor e com ele a felicidade de uma long\u00ednqua recorda\u00e7\u00e3o da inf\u00e2ncia, que ameniza a aridez do presente. O realizador de \u201cL\u2019albero degli zoccoli\u201d e \u201cIl mestiere delle armi\u201d afirma que \u201c\u00e9 mesmo na \u00faltima esta\u00e7\u00e3o da vida que se percebe melhor a import\u00e2ncia de certos sentimentos e que se podem viver com a s\u00e1bia plenitude de uma maravilhosa aventura do esp\u00edrito\u201d.  No seu compartimento repleto de v\u00e1rias humanidades, o professor acaba por perceber que os outros que passam e vivem a seu lado n\u00e3o mais s\u00e3o o \u201cestranho\u201d, mas o \u201cpr\u00f3ximo\u201d, a amar como a si pr\u00f3prio. O realizador iraniano Abbas Kiarostami coloca-se, por sua vez, lado a lado com um passageiro diferente: uma vi\u00fava, anci\u00e3, que a vida tornou arrogante e rezingona, inspira no final da sua vida um sentimento de piedade por uma velhice que chega sem alegria nem amor. Finalmente, o ingl\u00eas Ken Loach mostra-se muito mais atento \u00e0s quest\u00f5es sociais, apresentando uma divertida alian\u00e7a de refugiados pol\u00edticos e torcedores de futebol como solu\u00e7\u00e3o poss\u00edvel para os problemas da humanidade: tr\u00eas jovens adeptos do Cletic de Glasgow, em viagem rumo a Roma, revelam o seu lado bom e muito escondido no encontro-desencontro com uma fam\u00edlia de refugiados albaneses. Neste caso, a chegada \u00e0 esta\u00e7\u00e3o terminal de Roma conclui-se com uma nota positiva: a viol\u00eancia e intoler\u00e2ncia associada \u00e0s claques d\u00e1 lugar a um acto de generosidade e de altru\u00edsmo. Uma viagem de comboio pode mudar uma exist\u00eancia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tr\u00eas realizadores de renome internacional juntam-se em \u201cTickets\u201d para contar tr\u00eas hist\u00f3rias diferentes, todas passadas num comboio. \u00c9 a viagem da humanidade e a descoberta do pr\u00f3ximo, sobre as notas das mem\u00f3rias, das solid\u00f5es e da juventude sem esperan\u00e7a, como a descreve a R\u00e1dio Vaticano. A viagem vai do centro da Europa at\u00e9 Roma. 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