{"id":109283,"date":"2018-06-29T22:47:40","date_gmt":"2018-06-29T21:47:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=109283"},"modified":"2018-06-30T17:27:42","modified_gmt":"2018-06-30T16:27:42","slug":"sociedade-ate-2050-a-maioria-das-pessoas-vai-nascer-em-paises-onde-ja-ha-fome","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/sociedade-ate-2050-a-maioria-das-pessoas-vai-nascer-em-paises-onde-ja-ha-fome\/","title":{"rendered":"Sociedade: At\u00e9 2050, a maioria das pessoas vai nascer em pa\u00edses \u00abonde j\u00e1 h\u00e1 fome\u00bb"},"content":{"rendered":"<p><em>Funda\u00e7\u00e3o F\u00e9 e Coopera\u00e7\u00e3o promoveu um semin\u00e1rio sobre \u00abDesenvolvimento Global\u00bb para desafiar \u00e0 mudan\u00e7a de comportamentos<\/em><!--more--><\/p>\n<p>Lisboa, 29 jun 2018 (Ecclesia) \u2013 O professor do Instituto Superior Agronomia (ISA) Manuel Correia afirmou hoje no semin\u00e1rio promovido pela Funda\u00e7\u00e3o F\u00e9 e Coopera\u00e7\u00e3o sobre \u00abDesenvolvimento Global\u00bb que, at\u00e9 2050, a maioria das pessoas vai nascer em pa\u00edses \u201conde j\u00e1 h\u00e1 fome\u201d.<\/p>\n<p>Numa interven\u00e7\u00e3o a partir da quest\u00e3o \u201cSer\u00e1 que vamos conseguir produzir alimentos para humanidade da forma que vai crescendo?\u201d, o professor do ISA lembrou que num planeta que vai ser de 9,3 mil milh\u00f5es de pessoas, 70% \u00e9 urbana.<\/p>\n<p>Manuel Correia real\u00e7ou que, \u201cpela primeira vez, em 2016\u201d subiu o n\u00famero de famintos e h\u00e1 \u201ccada vez mais pessoas e cada vez menos comida para distribuir\u201d.<\/p>\n<p>O docente do ISA referiu que os \u201calimentos que se perdem entre colheita e consumo d\u00e1 para 2 mil milh\u00f5es de pessoas\u201d, e que \u00e9 necess\u00e1rio \u201cdeixar de produzir alimentos onde n\u00e3o s\u00e3o precisos\u201d.<\/p>\n<p>Durante esta sexta-feira, a Funda\u00e7\u00e3o F\u00e9 e Coopera\u00e7\u00e3o (FEC) e o Instituto Marqu\u00eas de Valle Fl\u00f4r promoveram um semin\u00e1rio dedicado ao Desenvolvimento Global, desafiando \u00e0 reflex\u00e3o sobre soberania alimentar, migra\u00e7\u00f5es e altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, desafiando depois os participantes \u00e0 a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<figure id=\"attachment_109285\" aria-describedby=\"caption-attachment-109285\" style=\"width: 1200px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/FEC_Desenvolvimento-Global_tema.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-109285 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/FEC_Desenvolvimento-Global_tema.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/FEC_Desenvolvimento-Global_tema.jpg 1200w, 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Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa, alertou para o \u201cdiscurso pessimista que, por vezes, n\u00e3o tem raz\u00e3o de ser\u201d.<\/p>\n<p>A professora da UCP salientou que o desenvolvimento tem estado a aumentar, mas nos \u00faltimos anos tamb\u00e9m a decrescer: \u201cdesde a d\u00e9cada de 90 a disponibilidade media do PIB tem diminu\u00eddo lentamente\u201d.<\/p>\n<p>Para a investigadora, os indicadores podem \u201cn\u00e3o ser t\u00e3o positivos\u201d porque nas duas \u00faltimas d\u00e9cadas s\u00e3o \u201cmenos generosos\u201d, mas pode ser lido na perspetiva que essa diminui\u00e7\u00e3o do montante dispon\u00edvel tem sido \u201ca evolu\u00e7\u00e3o nessas mat\u00e9rias\u201d, os pa\u00edses que t\u00eam precisado no \u00faltimo s\u00e9culo de apoio ao desenvolvimento tem diminu\u00eddo.<\/p>\n<p>Como \u00faltimo ponto, a professor L\u00edvia Franco explicou que considera necess\u00e1rio o \u201capoio para consenso popular\u201d, afinal a maneira como \u201cos recursos s\u00e3o alocados n\u00e3o depende apenas de lideran\u00e7as pol\u00edticas\u201d mas da legitimidade das opini\u00f5es publicas fazem.<\/p>\n<p>J\u00e1 Ana Santos Pinto, do Departamento de Estudos Pol\u00edticos, Universidade Nova de Lisboa, que trabalha essencialmente sobre conflitos e n\u00e3o desenvolvimento, em pa\u00edses do Norte de \u00c1frica e M\u00e9dio Oriente, afirmou que \u201ch\u00e1 20 anos\u201d que ouve \u201co mesmo discurso\u201d, mudam os conceitos mas \u201ca estrutura, objetivos e metas s\u00e3o os mesmos\u201d.<\/p>\n<p>Acabada de chegar da Arg\u00e9lia, a docente considera que a pergunta \u201c\u00e9 sempre a mesma\u201d, quando \u201cn\u00e3o h\u00e1 seguran\u00e7a sanit\u00e1ria, seguran\u00e7a alimentar, o pre\u00e7o da garrafa de \u00e1gua \u00e9 extraordin\u00e1rio\u201d: \u201cQue desenvolvimento est\u00e1 a ser promovido?\u201d e como \u201c\u00e9 poss\u00edvel avaliar projetos numa base administrativa, tecnocrata e burocrata\u201d.<\/p>\n<p>Ana Santos Pinto explicou que cabe \u00e0 sociedade civil \u201ca no\u00e7\u00e3o da responsabiliza\u00e7\u00e3o, da monitoriza\u00e7\u00e3o\u201d, de pedir responsabilidades sobre \u201cdeterminadas mat\u00e9rias\u201d e avaliar a exporta\u00e7\u00e3o de modelos.<\/p>\n<figure id=\"attachment_109286\" aria-describedby=\"caption-attachment-109286\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/FEC_Desenvolvimento-Global_seminario2.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-109286 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/FEC_Desenvolvimento-Global_seminario2-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/FEC_Desenvolvimento-Global_seminario2-300x200.jpg 300w, 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cooperativa integral que tenta abordar o \u201cbem comum\u201d que tem de \u201cservir muitas pessoas\u201d e tem de se potenciar e ser mais produtivo onde h\u00e1 problemas de \u201cdiferentes tipos de utilizadores e interesses\u201d num \u201cespa\u00e7o de di\u00e1logo\u201d.<\/p>\n<p>Neste contexto, Alfredo Sendim defendeu um investimento em atitude que s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel em termos coletivos, em comunidade, numa l\u00f3gica de \u201cajudar e n\u00e3o estar sozinho\u201d.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cIndependentemente de pol\u00edticas e trabalhos \u00e9 poss\u00edvel atuar rapidamente organizados em comunidades focados na comida, parcerias com agricultores\u201d.<\/p><\/blockquote>\n<p>\u2018Migra\u00e7\u00f5es e Desenvolvimento\u2019 juntou o diretor do Servi\u00e7o Jesu\u00edta aos Refugiados\u00a0em Portugal (JRS Portugal) e o Alto-comiss\u00e1rio para as Migra\u00e7\u00f5es que a partir do tema do semin\u00e1rio disse que \u201ca\u00e7\u00e3o\u201d \u00e9 um verbo que \u201ctanta falta tem feito nos \u00faltimos tempos\u201d.<\/p>\n<p>Segundo Pedro Calado para perceber o tema das migra\u00e7\u00f5es e refugiados, \u201ccom solu\u00e7\u00f5es duradouras\u201d, importa \u201cperceber como os indicadores se interligam em diversas zonas do planeta\u201d.<\/p>\n<p>Neste contexto, real\u00e7ou que a Europa e Portugal est\u00e3o envelhecidos e vive-se o \u201cparadoxo do planeta em expans\u00e3o demogr\u00e1fica\u201d, num \u201cmundo a duas velocidades\u201d.<\/p>\n<p>Na hora e meia do painel, referiu os n\u00fameros que apontam para 12 crian\u00e7as que nascem em Portugal, mas morrem 15 pessoas, enquanto na China iam ser 3 mil e 600 nascimento e \u00cdndia 5665.<\/p>\n<p>A partir dos dados, o Alto-comiss\u00e1rio para as Migra\u00e7\u00f5es explicou que a \u201cmaioria\u201d dos 7 mil milh\u00f5es de habitantes \u201cn\u00e3o migra\u201d, \u201c97% vive dentro das suas fronteiras\u201d e os fluxos sul-sul \u201cforam os que mais aumentaram\u201d, sendo, na \u00faltima d\u00e9cada, a maior mulheres.<\/p>\n<p>Pedro Calado, h\u00e1 4 anos no cargo, real\u00e7ou a import\u00e2ncia da \u201cmem\u00f3ria\u201d como \u201cant\u00eddoto\u201d e contabilizou que por cada estrangeiro em Portugal h\u00e1 \u201c10 portugueses pelo mundo\u201d.<\/p>\n<p>\u201cTentamos construir uma narrativa baseada em factos, na perce\u00e7\u00e3o dos n\u00fameros e n\u00e3o das pessoas; O \u00faltimo relat\u00f3rio anual mostra que migrantes n\u00e3o consomem a nossa Seguran\u00e7a Social, contribuem positivamente, n\u00e3o tiram trabalho, e a cria\u00e7\u00e3o de neg\u00f3cio \u00e9 6 vezes superior\u201d.<\/p>\n<p>J\u00e1 Andr\u00e9 Costa Jorge, diretor JRS Portugal, real\u00e7ou que as migra\u00e7\u00f5es \u201cs\u00e3o mat\u00e9ria de grande complexidade\u201d.<\/p>\n<blockquote><p>\u201c\u00c9 preciso olhar para as migra\u00e7\u00f5es como um dado da humanidade incontorn\u00e1vel do presente e do futuro e \u00e9 preciso olhar como realidade cada vez mais presente. Somos chamados a ter op\u00e7\u00f5es que promovam a dignidade da pessoa humana e olhar de forma positiva\u201d.<\/p><\/blockquote>\n<p>Neste contexto, alertando para a \u201cdistor\u00e7\u00e3o sobre realidade migrat\u00f3ria\u201d afirmou que se pode \u201cfazer muito mais do que os 11% de capacidade de acolhimento que a Europa tem\u201d.<\/p>\n<figure id=\"attachment_109287\" aria-describedby=\"caption-attachment-109287\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/FEC_Desenvolvimento-Global.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-109287 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/FEC_Desenvolvimento-Global-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/FEC_Desenvolvimento-Global-300x200.jpg 300w, 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trouxeram a Portugal a italiana Giulia Bondi que pediu \u201cpoliticas ambiciosas\u201d porque \u00e9 \u201curgente agir\u201d.<\/p>\n<p>A Climate Justice and Energy Officer da CIDSE, a rede internacional de organiza\u00e7\u00f5es cat\u00f3licas para o desenvolvimento, afirmou que \u00e9 preciso um \u201cfinanciamento para pa\u00edses em desenvolvimento\u201d que s\u00e3o os que \u201cmenos contribuem para a crise\u201d, e real\u00e7ou a import\u00e2ncia de haver \u201cmudan\u00e7a no setor da agricultura\u201d.<\/p>\n<p>Alertando e elencando diversos impactos originados pelas altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, segundo Giulia Bondi, a CIDSE espera e incentiva a um alinhamento dos Acordos de Paris com a Agenda 2030 dos objetivos de desenvolvimento sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>O presidente do Conselho Nacional do Ambiente e do Desenvolvimento Sustent\u00e1vel afirmou que \u00e9 poss\u00edvel fazer uma \u201crevolu\u00e7\u00e3o \u00e0 escala global para 100% de energias renov\u00e1veis\u201d.<\/p>\n<p>O professor universit\u00e1rio Filipe Duarte Santos real\u00e7ou que o aumento da esperan\u00e7a m\u00e9dia de vida, \u201cnunca se viveu tanto como agora\u201d, \u201cn\u00e3o s\u00f3 nos pa\u00edses desenvolvidos\u201d, mas tamb\u00e9m em desenvolvimento, onde a educa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m tem aumentado, assim como a \u201cpobreza extrema\u201d.<\/p>\n<p>\u201cPorque necessitamos de garantir processos de desenvolvimento coerentes, transformadores e mobilizadores?\u201d, foi a <a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/igreja-ambiente-seminario-promove-reflexao-e-acao-para-o-desenvolvimento-global-em-lisboa\/\">pergunta<\/a>que abriu o <a href=\"http:\/\/www.fecongd.org\/coerencia\/seminario\/?utm_term=Convite+-+Seminario+Reflexao+e+Acao+para+o+Desenvolvimento+Global&amp;utm_campaign=FEC+-+eNCONTROS&amp;utm_source=e-goi&amp;utm_medium=email\">semin\u00e1rio<\/a>com o diretor da Coopera\u00e7\u00e3o para o Desenvolvimento \u2013 OCDE, Jorge Moreira da Silva, a reflex\u00e3o de Susana R\u00e9fega, diretora Executiva da Funda\u00e7\u00e3o F\u00e9 e Coopera\u00e7\u00e3o, e Gon\u00e7alo Teles Gomes do Instituto Cam\u00f5es.<\/p>\n<p>O encontro terminou com a reflex\u00e3o sobre a \u201cimport\u00e2ncia do Desenvolvimento Global na constru\u00e7\u00e3o de um mundo mais justo, mais inclusivo, mais digno e mais sustent\u00e1vel\u201d.<\/p>\n<p><em>CB<\/em><\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"Eo8qr6iPAb\"><p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/igreja-ambiente-seminario-promove-reflexao-e-acao-para-o-desenvolvimento-global-em-lisboa\/\">Sociedade: Semin\u00e1rio dedicado \u00e0 coer\u00eancia e desenvolvimento global apela a mobiliza\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;Sociedade: Semin\u00e1rio dedicado 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