{"id":10901,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/homilia-do-patriarca-de-lisboa-na-eucaristia-do-dia-de-pscoa\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"homilia-do-patriarca-de-lisboa-na-eucaristia-do-dia-de-pscoa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-patriarca-de-lisboa-na-eucaristia-do-dia-de-pscoa\/","title":{"rendered":"Homilia do Patriarca de Lisboa na Eucaristia do Dia de P&#225;scoa"},"content":{"rendered":"<p>Falando da &#8220;ressurrei&#231;&#227;o&#8221;, D. Jos&#233; Policarpo reprova o &#8220;direito de p&#244;r fim &#224; vida quando ela &#233; exigente e dif&#237;cil, quer no seu in&#237;cio, quer no seu termo&#8221; <!--more--> \u201cRessurrei&#231;&#227;o de Cristo, o Kerigma crist&#227;o\u201d  \t1. A P&#225;scoa deste ano &#233; a P&#225;scoa do Congresso Internacional da Nova Evangeliza&#231;&#227;o, que se realizar&#225; em Lisboa de 6 a 13 de Novembro. Desde sempre opt&#225;mos por ser fi&#233;is &#224; dimens&#227;o querigm&#225;tica do Congresso e da Miss&#227;o na Cidade a realizar no seu contexto. E essa op&#231;&#227;o significa que a mensagem que queremos transmitir &#224; nossa cidade &#233; o \u201cquerigma\u201d crist&#227;o, t&#227;o claramente proclamado pelo Ap&#243;stolo Pedro: \u201cDeus ressuscitou-O ao terceiro dia e permitiu-Lhe manifestar-se, n&#227;o a todo o povo, mas &#224;s testemunhas de antem&#227;o designadas por Deus, a n&#243;s que comemos e bebemos com Ele depois de ter ressuscitado dos mortos\u201d (Actos 10, 40-41). \tA ressurrei&#231;&#227;o de Cristo &#233; o centro da nossa f&#233;, e o n&#250;cleo principal do an&#250;ncio crist&#227;o. S&#227;o Paulo dir&#225; aos Cor&#237;ntios, entre os quais parecia haver alguns que tinham dificuldade em acreditar na ressurrei&#231;&#227;o, que se Cristo n&#227;o ressuscitou dos mortos, a nossa f&#233; &#233; v&#227;. O tema central do Congresso ser&#225; exactamente esse: Cristo est&#225; Vivo, e n\u2019Ele podemos alcan&#231;ar a plenitude da vida. O pr&#243;prio Jesus declarou: \u201cEu vim para que tenham vida e a tenham em abund&#226;ncia\u201d. Este &#233; um an&#250;ncio exigente no quadro cultural em que estamos a viver. H&#225; hoje muitos crist&#227;os, entre os quais alguns jovens, que t&#234;m dificuldade em acreditar na ressurrei&#231;&#227;o de Cristo. Jesus Cristo voltou a estar na moda, na literatura, na arte, nos \u201cmedia\u201d, que procuram apresent&#225;-l\u2019O apenas como um homem, extraordin&#225;rio porventura, mas sujeito aos limites da ra&#231;a humana, n&#227;o se hesitando, por vezes, em falsear a verdade hist&#243;rica dos Evangelhos, chegando a acusar-se a Igreja de ter inventado a f&#233; na Ressurrei&#231;&#227;o e escondido a verdade hist&#243;rica acerca de Jesus. Esquecem que a abordagem hist&#243;rica de Jesus s&#243; &#233; poss&#237;vel respeitando a historicidade dos Evangelhos. Mas &#233; preciso reconhecer que essas abordagens livres e romanceadas da figura de Jesus exercem grande fasc&#237;nio em muita gente, num ambiente geral de relativiza&#231;&#227;o da objectividade da verdade. Aos crist&#227;os eu digo, como S&#227;o Paulo aos Cor&#237;ntios: relativizar a divindade de Jesus Cristo, reduzindo-O a um fen&#243;meno simplesmente humano e n&#227;o acreditar na sua ressurrei&#231;&#227;o, &#233; destruir a nossa f&#233;. E &#233; neste contexto que queremos anunciar, com a sinceridade de um testemunho, que Cristo est&#225; vivo, porque ressuscitou dos mortos. Esta dificuldade em aceitar a ressurrei&#231;&#227;o de Cristo insere-se num contexto cultural que dificilmente aceita a dimens&#227;o transcendente da vida, reduzida &#224; sua dimens&#227;o biol&#243;gica e psicol&#243;gica. &#201; que acreditar na ressurrei&#231;&#227;o de Cristo n&#227;o &#233;, apenas, aceitar uma verdade religiosa isolada, &#233; abrir-se ao mist&#233;rio da vida, &#224; sua dimens&#227;o transcendente e sagrada que &#233; preciso respeitar, como um dom a desenvolver e a aprofundar, como um caminho a percorrer em ordem a uma plenitude, tamb&#233;m ela transcendente, porque s&#243; pode ser obra de Deus, que nos far&#225; participar na vida plena do ressuscitado. A nossa cultura contempor&#226;nea favorece uma rela&#231;&#227;o complexa, por vezes traum&#225;tica, com a vida. Ao mesmo tempo que se apregoa e cultiva a dignidade da pessoa humana e se desenvolvem projectos de desenvolvimento e modelos de civiliza&#231;&#227;o que procuram garantir a harmonia e a felicidade do homem, mata-se com facilidade por motivos econ&#243;micos e pol&#237;ticos, defende-se o direito de p&#244;r fim &#224; vida quando ela &#233; exigente e dif&#237;cil, quer no seu in&#237;cio, quer no seu termo. Os modelos de civiliza&#231;&#227;o que estamos a construir est&#227;o hoje longe de respeitar o valor sagrado da vida, cultivando a coragem e a generosidade que ela exige. Esta dimens&#227;o transcendente e sagrada da vida &#233;, certamente, nos nossos dias, o principal ponto de clivagem entre a Igreja e a sociedade, entre uma vis&#227;o crist&#227; do mist&#233;rio e da dignidade da vida e uma vis&#227;o imanente e naturalista da vida.  2. A ressurrei&#231;&#227;o de Cristo p&#245;e em evid&#234;ncia que a vida, toda a vida, continua a ser um dom de Deus. Recebemo-la gratuitamente e somos apenas seus administradores, descobrindo-a em cada dia mais profundamente, aproximando-a da qualidade que tem na sua fonte o Deus vivo. Esse Deus vivo, fonte de toda a vida, pode d&#225;-la, mesmo vencendo a morte; ressuscitou o seu Filho, Jesus Cristo, que se tornou no rosto humano dessa fonte divina da Vida. A compreens&#227;o crist&#227; da vida encontra a&#237; o seu eixo central: ser crist&#227;o &#233; viver a vida unido a Jesus Cristo e descobrir n\u2019Ele e receber d\u2019Ele a plenitude da vida. Desde que se acredite na ressurrei&#231;&#227;o de Cristo, viver a nossa vida &#233;, necessariamente, viver com Cristo, acreditando que s&#243; Ele nos conduzir&#225; &#224; plenitude da vida. &#201; j&#225; esse o ensinamento de Paulo aos Colossenses: \u201cA nossa vida est&#225; escondida, com Cristo, em Deus. Quando Cristo, que &#233; a nossa vida, Se manifestar, ent&#227;o tamb&#233;m v&#243;s vos haveis de manifestar com Ele na gl&#243;ria\u201d (cf. Col 1, 26-27). O tema do Congresso ser&#225;, assim, a vida em todas as suas dimens&#245;es, amea&#231;as e problemas, mas tamb&#233;m em todas as suas express&#245;es e testemunhos de quem acredita e luta pela vida. Esse &#233;, ali&#225;s, um testemunho cada vez mais necess&#225;rio nos nossos dias: o testemunho daqueles que respeitam a vida, que lutam por ela, a querem descobrir e construir de m&#227;os dadas, afirmando a vit&#243;ria da vida sobre a morte, da generosidade e do amor sobre todas as formas de ego&#237;smo. A vida n&#227;o &#233; uma teoria, &#233;, por vezes, um compromisso que d&#243;i, uma batalha a travar com a nobreza de um ideal.  3. A f&#233; na ressurrei&#231;&#227;o de Cristo n&#227;o &#233; o resultado de uma conclus&#227;o l&#243;gica. Ela imp&#245;e-se pela for&#231;a das testemunhas. Os ap&#243;stolos consideram que O ressuscitado lhes apareceu porque tinham sido escolhidos como testemunhas e sentem-se enviados a proclamar esse testemunho, a pregar ao povo e testemunhar que Ele foi constitu&#237;do por Deus Juiz dos vivos e dos mortos. E ainda hoje um novo an&#250;ncio de que Cristo est&#225; vivo s&#243; pode ser feito por testemunhas, por aqueles a quem a profundidade da sua f&#233;, na ora&#231;&#227;o e na Eucaristia que celebram, tornou s&#243;lida a certeza de que Jesus Cristo, seu Senhor, est&#225; vivo, porque ressuscitou dos mortos. Situar a evangeliza&#231;&#227;o no campo do testemunho &#233; dar prioridade ao di&#225;logo entre as pessoas, em todas as circunst&#226;ncias. O an&#250;ncio crist&#227;o situa-se no &#226;mbito do di&#225;logo, convincente e respeitador. S&#243; no di&#225;logo as pessoas s&#227;o sens&#237;veis ao testemunho sincero de outras pessoas. E esse testemunho tem de ser credenciado tamb&#233;m pela coer&#234;ncia na defesa e na promo&#231;&#227;o da vida, o que pode revestir a forma da interven&#231;&#227;o cultural, social e mesmo pol&#237;tica. Dificilmente daremos testemunho da vida, se n&#227;o formos promotores da vida, sem nunca esquecer que a fonte da vida &#233; Cristo ressuscitado, cuja P&#225;scoa comemoramos sempre que celebramos a Eucaristia. N&#227;o esque&#231;amos que o ano do Congresso &#233;, tamb&#233;m, o Ano da Eucaristia.  S&#233; Patriarcal, 27 de Mar&#231;o de 2005  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Falando da &#8220;ressurrei&#231;&#227;o&#8221;, D. 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