{"id":10900,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/homilia-do-bispo-do-porto-na-eucaristia-do-dia-de-pscoa\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"homilia-do-bispo-do-porto-na-eucaristia-do-dia-de-pscoa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-do-porto-na-eucaristia-do-dia-de-pscoa\/","title":{"rendered":"Homilia do Bispo do Porto na Eucaristia do Dia de P&#225;scoa"},"content":{"rendered":"<p>Celebr&#225;mos ao longo da semana os mist&#233;rios pascais da paix&#227;o e morte de Jesus Cristo. Evoc&#225;mos na vig&#237;lia da noite passada os principais acontecimentos da Hist&#243;ria da Salva&#231;&#227;o que culminaram com a Ressurrei&#231;&#227;o. Celebramos agora, em sequ&#234;ncia l&#243;gica, a Solenidade da P&#225;scoa crist&#227;.  A ressurrei&#231;&#227;o de Cristo &#233; a verdade fundamental e essencial da nossa f&#233; crist&#227;. S. Paulo escreveu: \u201cSe Cristo n&#227;o ressuscitou, a nossa prega&#231;&#227;o &#233; vazia e tamb&#233;m &#233; vazia a f&#233; que tendes&#8230; Se Cristo n&#227;o ressuscitou, a f&#233; que tendes &#233; ilus&#243;ria&#8230; Se a nossa esperan&#231;a em Cristo &#233; somente para esta vida, n&#243;s somos os mais infelizes de todos os homens\u201d (1Cor 15, 14.17.19).  Este racioc&#237;nio do Ap&#243;stolo &#233; sublinhado pelo testemunho de Pedro, chefe dos Ap&#243;stolos, em casa de um militar e na presen&#231;a de um grupo de pag&#227;os. Resume os dados biogr&#225;ficos de Cristo, mais significativos para tal assembleia: Cristo &#233; algu&#233;m que \u201cpassou fazendo o bem e curando a todos os que eram oprimidos\u201d. Os conterr&#226;neos mataram-no porque se dizia Deus, mas \u201cDeus ressuscitou-O\u201d e \u201cpermitiu-lhe manifestar-se &#224;s testemunhas de antem&#227;o designadas,&#8230; a n&#243;s que comemos e bebemos com Ele, depois de ter ressuscitado dos mortos\u201d (cf. Act. 10, 34 ss).  Pedro d&#225; testemunho daquilo que aconteceu no primeiro dia da semana, o Domingo, fixado em nomenclatura na tradi&#231;&#227;o crist&#227;: \u201cNo primeiro dia da semana, Maria Madalena foi de manh&#227;zinha, ainda escuro, ao sepulcro e viu a pedra retirada do sepulcro. Correu ent&#227;o e foi ter com Sim&#227;o Pedro e com o outro disc&#237;pulo que Jesus amava e disse-lhes: \u2018Levaram o Senhor do sepulcro e n&#227;o sabemos onde O puseram\u2019. Pedro partiu com o outro disc&#237;pulo e foram ambos ao sepulcro. Viram as ligaduras no ch&#227;o e o sud&#225;rio. Foi o que viram. Ainda n&#227;o tinham entendido a Escritura a prop&#243;sito da ressurrei&#231;&#227;o de Cristo. Mas, e por isso, partiram a dar testemunho.  Ser crist&#227;o &#233; pois acreditar neste testemunho, e ser capaz de dar o mesmo testemunho, nas palavras que dizemos e nas obras que confirmam a verdade das palavras. Na Carta aos Colossenses, S. Paulo continua o seu racioc&#237;nio: \u201cse ressuscitastes com Cristo, aspirai &#224;s coisas do alto&#8230; Porque v&#243;s morrestes e a vossa vida est&#225; escondida com Cristo em Deus\u201d (Col.3, 1-4).  Segundo a f&#233; crist&#227; e a doutrina b&#237;blica t&#227;o presente nas celebra&#231;&#245;es pascais, o Baptismo em Cristo &#233; um nascimento e o in&#237;cio de uma vida nova por Cristo em Deus. E s&#227;o as obras dos que foram baptizados em Cristo que h&#227;o-de manifestar esta novidade, que &#233; em si mesma um testemunho a favor da Vida do Ressuscitado e ao mesmo tempo um sinal de que o seu autor peregrina no caminho ascensional da plenitude em Cristo  Acreditamos que Jesus Cristo, o Filho de Deus, assumiu a humanidade que lhe demos por Maria, ofereceu esta vida pela humanidade toda, ressuscitou para que todos tivessem a Sua vida, novidade para n&#243;s. Ressuscitou para todos, mas constatamos que muitos n&#227;o acreditam no mist&#233;rio da Sua vida, morte e ressurrei&#231;&#227;o, n&#227;o aceitam o testemunho da ressurrei&#231;&#227;o e por isso n&#227;o d&#227;o, n&#227;o transmitem este testemunho. Vivem porventura como se Cristo n&#227;o tivesse existido, n&#227;o tivesse dado a vida por amor, e sobretudo como se Ele n&#227;o tivesse ressuscitado. E tamb&#233;m se sabe, ou se percebe, ou se adivinha, que h&#225; \u201ccrist&#227;os\u201d que n&#227;o acreditam na Ressurrei&#231;&#227;o, nem na ressurrei&#231;&#227;o de Cristo, nem na pr&#243;pria ressurrei&#231;&#227;o.  De facto, muitos reduzem o Cristianismo a um conjunto de prescri&#231;&#245;es, de imposi&#231;&#245;es, de proibi&#231;&#245;es, de atentados &#224;s alegrias e prazeres da vida, &#224;s liberdades e leg&#237;timas ambi&#231;&#245;es, &#224; sede incontorn&#225;vel de liberdade e de urg&#234;ncia de viver uma vida que tem limites neste tempo e neste mundo. Sem transcend&#234;ncia ou de pseudo-transcend&#234;ncia fabricada ou inventada, ou at&#233; dispensada, tal a confian&#231;a trazida por um neo-pelagianismo que vigora na mente de quantos \u2013 e s&#227;o tantos&#8230; que n&#227;o querem outra salva&#231;&#227;o sen&#227;o a que eles idealizam e entendem conseguir por si mesmos. Se Deus deixou de ser problema (o mais f&#225;cil &#233; ser agn&#243;stico&#8230;), tamb&#233;m n&#227;o aceitam que o problema seja Cristo como a Igreja dele d&#225; testemunho, anunciando-O e procurando educar e alimentar a f&#233; na Sua Pessoa, no Evangelho ou na Boa Nova que &#233; Ele mesmo, nos valores que constituem, em diversidade de valores, a Verdade que n\u2019Ele se manifestou e continua a revelar-se.              Depois dos acontecimentos pascais que agitaram um povo e abalaram a pr&#243;pria natureza, ficou a impress&#227;o, de que a face do mundo voltara &#224; situa&#231;&#227;o de um passado a esquecer. Ficou esta impress&#227;o no seio do povo em cujo seio Jesus Cristo viveu, e resta-nos a mesma impress&#227;o quando procuramos na Hist&#243;ria situar estes acontecimentos. Mas de facto a realidade foi outra: na manh&#227; do primeiro dia da semana, ao terceiro dia depois da morte do Senhor, uma mulher vai de manh&#227;zinha ao sepulcro e n&#227;o encontra o corpo de Jesus. Vai diz&#234;-lo a Pedro e outro disc&#237;pulo. Estes v&#227;o tamb&#233;m a correr ao sepulcro. V&#234;em&#8230; e acabam por acreditar. E v&#227;o dar testemunho. E o testemunho multiplica-se, e Jesus vai aparecendo a fomentar estes testemunhos. E aconteceu o Pentecostes. E difunde-se a Igreja para manter e continuar este testemunho da Ressurrei&#231;&#227;o. A vida que parecia morta explodiu de vigor novamente, e com toda a for&#231;a.  H&#225; sem d&#250;vida no mundo, e no nosso mundo, situa&#231;&#245;es de morte, de sil&#234;ncio sepulcral, de injusti&#231;as, de discrimina&#231;&#227;o, de ast&#250;cias covardes, de acomoda&#231;&#245;es interesseiras, de mentiras, de apar&#234;ncias enganadoras, de promessas sem convic&#231;&#227;o, de expectativas v&#227;s, de experi&#234;ncias frustrantes, de abandono, de isolamento, de pobreza e de fome, de des&#226;nimo e de falta de esperan&#231;a.  Mas Cristo est&#225; vivo, continua vivo sobretudo na Igreja (na Igreja de todos n&#243;s), a Igreja que celebra a P&#225;scoa e a vida, a Igreja de Cristo que &#233; a nossa esperan&#231;a, a Igreja de Cristo sem a qual n&#227;o pode haver esperan&#231;a de Salva&#231;&#227;o.  Com o Papa no seu exemplo de defensor da Vida e anunciador da Esperan&#231;a, neste terceiro mil&#233;nio da era crist&#227;, procuremos renovar em palavras e em obras o nosso testemunho de f&#233; no Senhor Ressuscitado. Santa P&#225;scoa. Aleluia.  Porto e S&#233; Catedral, 27 de Mar&#231;o de 2005  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Celebr&#225;mos ao longo da semana os mist&#233;rios pascais da paix&#227;o e morte de Jesus Cristo. Evoc&#225;mos na vig&#237;lia da noite passada os principais acontecimentos da Hist&#243;ria da Salva&#231;&#227;o que culminaram com a Ressurrei&#231;&#227;o. Celebramos agora, em sequ&#234;ncia l&#243;gica, a Solenidade da P&#225;scoa crist&#227;. 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