{"id":10899,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/homilia-do-patriarca-de-lisboa-na-vigilia-pascal\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"homilia-do-patriarca-de-lisboa-na-vigilia-pascal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-patriarca-de-lisboa-na-vigilia-pascal\/","title":{"rendered":"Homilia do Patriarca de Lisboa na Vig\u00edlia Pascal"},"content":{"rendered":"<p>A Eucaristia na longa vig\u00edlia da vida <!--more--> 1. Esta \u00e9 a mais solene Vig\u00edlia da Liturgia da Igreja. Nela, guiados pela Palavra de Deus, somos chamados a fazer mem\u00f3ria da longa Vig\u00edlia da salva\u00e7\u00e3o da humanidade, desde a cria\u00e7\u00e3o do homem at\u00e9 \u00e0 plenitude do Homem, atingida na ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo. S\u00f3 \u00e9 verdadeiramente capaz de mergulhar no esp\u00edrito desta Vig\u00edlia, que antecede a P\u00e1scoa, quem j\u00e1 assimilou que a vida \u00e9 uma longa caminhada, at\u00e9 \u00e0 plenitude da vida, em Cristo ressuscitado, e que o caminho de cada um de n\u00f3s s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel porque somos membros de um Povo que o Senhor escolheu, acompanha, fortalece e alimenta, um Povo que, depois da P\u00e1scoa, se identifica com o pr\u00f3prio Senhor ressuscitado, que caminha com ele, lhe garante a sua presen\u00e7a, at\u00e9 ao fim, (cf. Mt. 28,20), o pr\u00f3prio Filho de Deus que, encarnado, se fez nosso companheiro de viagem . \u00c9 a longa Vig\u00edlia da nossa vida de f\u00e9, atra\u00eddos pela plenitude da vida, aquele ponto \u00d3mega em que o tempo atingiu o seu termo. \tNesta longa Vig\u00edlia de miseric\u00f3rdia, de fidelidade e de gra\u00e7a, a Eucaristia marca o ritmo da caminhada, sendo o \u201cp\u00e3o do c\u00e9u\u201d, alimento dos peregrinos, como o man\u00e1 o tinha sido para os israelitas, no deserto, o an\u00fancio do termo que nos atrai, a fonte da for\u00e7a que nos sustenta, a alegria saborosa da comunh\u00e3o com o Senhor, que caminha connosco. Alimento de peregrinos, a Eucaristia, qual realiza\u00e7\u00e3o plena da \u201ctenda da reuni\u00e3o\u201d e da \u201cnuvem\u201d que escondia a gl\u00f3ria de Deus, pertence \u00e0 nossa situa\u00e7\u00e3o de caminheiros no deserto. Mas porque ela \u00e9 o sacramento da plenitude de Cristo, torna viva e ao nosso alcance, a terra prometida da nossa esperan\u00e7a. \u00c9 por isso que ela est\u00e1 no centro desta Vig\u00edlia: sendo alimento para quem caminha e espera, ela permite-nos saborear, desde j\u00e1, os frutos da terra prometida, estando, assim, presente em todas as etapas dessa longa caminhada do Povo que o Senhor escolheu e consagrou.  \t2. Esta longa Vig\u00edlia come\u00e7a na cria\u00e7\u00e3o, o que nos mostra que s\u00f3 Deus pode abra\u00e7ar, no Seu des\u00edgnio de amor, toda a dura\u00e7\u00e3o desta caminhada, no tempo. \u201cNo princ\u00edpio criou Deus o C\u00e9u e a Terra\u201d. N\u00f3s j\u00e1 conhecemos, hoje, a sequ\u00eancia desta narra\u00e7\u00e3o: na ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo Deus criou os novos c\u00e9us e a nova terra, porque n\u2019Ele, Deus faz de novo todas as coisas. O Evangelho da ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 a sequ\u00eancia da primeira p\u00e1gina do G\u00e9nesis, e a Eucaristia \u00e9 o an\u00fancio vivo dessa plenitude da cria\u00e7\u00e3o, ou seja, do destino do nosso peregrinar. E entre estas duas p\u00e1ginas, todos os elementos da Cria\u00e7\u00e3o descobrem, em Cristo, o seu sentido pleno: a \u00e1gua ser\u00e1 sinal purificador de reden\u00e7\u00e3o, a luz vencer\u00e1, n\u00e3o apenas as trevas f\u00edsicas da noite, mas iluminar\u00e1 o cora\u00e7\u00e3o do homem, que descobrir\u00e1 em Cristo a luz que n\u00e3o tem ocaso; a vida descobre-se como semente de uma plenitude que ainda s\u00f3 aconteceu, plenamente, em Cristo ressuscitado e o homem, criado \u00e0 imagem de Deus, j\u00e1 sabe que essa imagem \u00e9 Cristo glorioso, o \u00fanico que desvela o mist\u00e9rio do homem e que s\u00f3 unindo-se a Cristo ressuscitado ele ser\u00e1, definitivamente, a imagem de Deus. \tEsta primeira p\u00e1gina desta longa peregrina\u00e7\u00e3o da humanidade, conclui assim: \u201cDeus concluiu, no s\u00e9timo dia, a obra que fizera e, no s\u00e9timo dia, descansou do trabalho que tinha realizado\u201d.  \tN\u00f3s hoje sabemos, \u00e0 luz da P\u00e1scoa, que s\u00f3 em Cristo ressuscitado, plenitude da cria\u00e7\u00e3o, Deus encontrar\u00e1 o seu repouso e que a Eucaristia \u00e9 o o\u00e1sis, onde os que ainda est\u00e3o a atravessar o deserto, podem saborear o repouso de Deus. Para toda a cria\u00e7\u00e3o, o verdadeiro dia do repouso de Deus \u00e9 o dia da ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo e para a Igreja, povo que ainda peregrina, o dia em que pode retemperar as for\u00e7as participando do repouso de Deus, \u00e9 o Domingo, dia da Eucaristia. Ou\u00e7amos o Santo Padre, ao proclamar este Ano da Eucaristia: \u201cDesejo em particular que, neste ano, se ponha um empenho especial em descobrir e viver plenamente o Domingo como dia do Senhor e dia da Igreja. (\u2026) De facto, \u00ab\u00e9 precisamente na Missa dominical que os crist\u00e3os revivem, com particular intensidade, a experi\u00eancia feita pelos Ap\u00f3stolos na tarde de P\u00e1scoa, quando, estando eles reunidos, o Ressuscitado lhes apareceu (cf. Jo. 20,19). Naquele pequeno n\u00facleo de disc\u00edpulos, prim\u00edcias da Igreja, estava de algum modo presente o povo de Deus de todos os tempos\u00bb\u201d .  \t3. Porque Deus acompanha o Povo, nesta caminhada da vida, ela \u00e9 caminho a percorrer na confian\u00e7a e na obedi\u00eancia da f\u00e9: \u00e9 preciso sempre descobrir os caminhos que Deus escolheu. A obedi\u00eancia de Abra\u00e3o, que fez dele o prot\u00f3tipo do crente obediente \u00e0 Palavra do Senhor, \u00e9 apenas a imagem da obedi\u00eancia de Jesus Cristo. Deus diz a Abra\u00e3o que s\u00f3 Ele pode indicar o verdadeiro cordeiro para o sacrif\u00edcio. Esta plena obedi\u00eancia de Jesus Cristo \u00e9 ensinada \u00e0 Igreja, na Eucaristia, onde a obedi\u00eancia da f\u00e9 se torna h\u00f3stia de louvor e de onde brota a luz que nos far\u00e1 descobrir os caminhos do Esp\u00edrito, caminhos de vida e de amor. \tNa sua caminhada para a terra prometida, o Povo de Deus encontra obst\u00e1culos que s\u00f3 pode ultrapassar com a interven\u00e7\u00e3o de Deus. N\u00e3o perceber isso \u00e9 desistir do sentido da pr\u00f3pria caminhada. Aquelas \u00e1guas do Mar Vermelho, que Deus estanca como muralhas, para que o Seu Povo possa avan\u00e7ar em seguran\u00e7a, s\u00e3o apenas um sinal do poder com que Deus liberta Jesus Cristo da morte e nos liberta, a todos n\u00f3s, do pecado e da morte. Aquele caminho miraculosamente aberto, entre as \u00e1guas, pelo poder de Deus, anuncia o maravilhoso caminho da gra\u00e7a, no qual, atrav\u00e9s do Esp\u00edrito Santo, Deus abre ao Seu Povo todos os caminhos que o levar\u00e3o \u00e0 santidade. A Eucaristia n\u00e3o \u00e9, apenas, o caminho novo, \u00e9 tamb\u00e9m o an\u00fancio de todos os caminhos que Deus est\u00e1 disposto a abrir, para n\u00f3s, com o poder do ressuscitado.  \t4. Isa\u00edas percebeu que esta presen\u00e7a cont\u00ednua de Deus na caminhada do Povo, n\u00e3o se limita a ser \u00fatil e eficaz, \u00faltimo recurso para as incapacidades do Povo. Trata-se de uma presen\u00e7a terna e amorosa. \u201cO teu Criador ser\u00e1 o teu esposo\u201d, o que significa que o Povo peregrino n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 convidado a avan\u00e7ar no caminho, mas a mergulhar cada vez mais na intimidade do amor de Deus. Deus quer que o Seu Povo avance, sentindo-se amado, lobrigando a terra prometida como a festa das n\u00fapcias. S\u00f3 na ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo esta festa das n\u00fapcias se torna plenamente poss\u00edvel, porque o Senhor ressuscitado ama a sua Igreja como uma esposa, e nunca, como na Eucaristia, a Igreja se sente a esposa amada, plenamente introduzida na intimidade do seu Esposo. Tudo na Eucaristia, a Palavra e o Sinal, nos anuncia e nos comunica o amor esponsal de Deus, em Jesus Cristo. \tA Eucaristia torna-se, assim, para a Igreja, a plena realiza\u00e7\u00e3o da profecia de Isa\u00edas, a fonte onde se sacia toda a sede e o banquete que mata todas as fomes. Nunca a Palavra de Deus foi t\u00e3o eficaz como na Eucaristia e t\u00e3o perfeita a obra de Deus na nossa hist\u00f3ria de peregrinos. A\u00ed podemos encontrar o Senhor, porque Ele est\u00e1, n\u00e3o apenas perto, mas completamente presente e comprometido connosco.  \tNunca, como na Eucaristia, penetramos nos tesouros de Deus, anunciados pelo Profeta Baruc. Nela o Povo de Deus j\u00e1 n\u00e3o se sente em pa\u00eds estrangeiro, porque a Eucaristia, no mais profundo da humanidade, \u00e9 fermento de um mundo novo.  \t5. Esta longa Vig\u00edlia \u00e9 o tempo da transforma\u00e7\u00e3o da massa por esse fermento de um mundo novo, que foi depositado na nossa natureza humana no dia do nosso baptismo. Mas como diz Paulo aos Romanos, esse fermento de vida nova que recebemos no baptismo \u00e9 o pr\u00f3prio Jesus Cristo, morto e ressuscitado, e o fruto da sua for\u00e7a transformadora s\u00f3 pode ser a nossa transforma\u00e7\u00e3o no pr\u00f3prio Cristo. Os catec\u00famenos que hoje v\u00e3o ser baptizados sentir\u00e3o ao vivo, que ao receberem este fermento da P\u00e1scoa, a sua peregrina\u00e7\u00e3o ganha um ritmo novo. At\u00e9 aqui prepararam-se para acolher esse fermento; a partir de agora a sua caminhada continua, em Igreja, para que esse fermento d\u00ea todo o seu fruto, at\u00e9 \u00e0 plena identifica\u00e7\u00e3o com Cristo ressuscitado, numa comunh\u00e3o de amor, que \u00e9 an\u00fancio da plenitude da vida. \tJ\u00e1 quase no termo desta longa Vig\u00edlia, surgir\u00e1 o an\u00fancio da ressurrei\u00e7\u00e3o. \u00c9 o an\u00fancio do que j\u00e1 sabemos e experimentamos; \u00e9 o convite a viv\u00ea-lo e interioriz\u00e1-lo na celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia, \u00fanico modo de vivermos, na nova etapa da nossa caminhada, a for\u00e7a de Cristo ressuscitado, que continua a atrair-nos para a plenitude da vida.  S\u00e9 Patriarcal, 26 de Mar\u00e7o de 2005  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Eucaristia na longa vig\u00edlia da vida<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[108,246,275],"class_list":["post-10899","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-ano-da-eucaristia","tag-liturgia","tag-pascoa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10899","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10899"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10899\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10899"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10899"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10899"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}