{"id":10893,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/homilia-do-bispo-do-porto-na-missa-crismal\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"homilia-do-bispo-do-porto-na-missa-crismal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-do-porto-na-missa-crismal\/","title":{"rendered":"Homilia do Bispo do Porto na Missa Crismal"},"content":{"rendered":"<p>Jesus Cristo, a \u201cTestemunha fiel\u201d (Apoc. 1, 5), foi um dia a Nazar\u00e9 e, entrando na sinagoga no s\u00e1bado, foi convidado a proclamar a escritura para os conterr\u00e2neos. Era o profeta Isa\u00edas que escrevera: \u201co esp\u00edrito do Senhor est\u00e1 sobre  mim, porque o Senhor me ungiu. Enviou-me a anunciar a Boa Nova aos infelizes&#8230; Enviou-me a consolar os que andam amargurados&#8230;\u201d (Is. 61, 1-3). Depois de fechado o livro e, criada natural curiosidade e expectativa, disse: \u201cCumpriu-se hoje mesmo este passo da Escritura que acabais de ouvir\u201d (Lc. 4, 21). Un\u00e7\u00e3o e miss\u00e3o constituem duas dimens\u00f5es caracter\u00edsticas e essenciais do Sacerd\u00f3cio e da Eucaristia. Neste Ano da Eucaristia, a Missa crismal que celebramos \u00e9 de modo muito especial um indicativo do dia da Eucaristia e do dia do nosso Sacerd\u00f3cio, como recordava o Santo Padre na mensagem para esta Quinta-Feira Santa, assinada na Policl\u00ednica Gemelli em Roma, no passado dia 13 de Mar\u00e7o. De facto, o Ano da Eucaristia veio coroar a f\u00e9 irradiante e o calor pastoral do Papa, manifestado em sucessivos documentos de conte\u00fado doutrinal e de orienta\u00e7\u00e3o pastoral. Na Carta Enc\u00edclica \u201cEcclesia de Eucharistia\u201d (2003) l\u00ea-se logo no inicio: \u201cA Igreja vive da Eucaristia. Esta verdade n\u00e3o exprime apenas uma experi\u00eancia di\u00e1ria de f\u00e9, mas cont\u00e9m em s\u00edntese o pr\u00f3prio n\u00facleo do mist\u00e9rio da Igreja\u201d (n.\u00ba 1). E, porque a Igreja nasce do mist\u00e9rio pascal, a Eucaristia, que \u00e9 sacramento por excel\u00eancia do mist\u00e9rio pascal, est\u00e1 colocada no centro da vida eclesial (cf. n.\u00ba 2). A constitui\u00e7\u00e3o \u201cLumen Gentium\u201d j\u00e1 dizia que o sacrif\u00edcio eucar\u00edstico \u00e9 \u201cfonte e centro de toda a vida crist\u00e3\u201d (n.\u00ba 11). Uma das notas e exig\u00eancias mais fortes da Eucaristia \u00e9 a comunh\u00e3o, doutrinal, disciplinar, pastoral e mesmo afectiva. A doutrina insistentemente repetida por parte do magist\u00e9rio a respeito da Eucaristia, da sua celebra\u00e7\u00e3o e do seu sentido, \u00e9 precisamente a comunh\u00e3o: \u201cCada celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica \u00e9 feita em uni\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 com o pr\u00f3prio Bispo mas tamb\u00e9m com o Papa, com a Ordem Episcopal, com todo o clero e com todo o povo. Toda a celebra\u00e7\u00e3o v\u00e1lida da Eucaristia exprime esta comunh\u00e3o universal com Pedro e com toda a Igreja ou, como no caso das igrejas crist\u00e3s separadas de Roma, assim a reclama objectivamente\u201d ( Da Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9, cit. em Eccl. de Eucharistia, n\u00ba 39). Sendo express\u00e3o da Comunh\u00e3o, a Eucaristia \u201ccria comunh\u00e3o e educa para a comunh\u00e3o\u201d (Eccl. de Euch., n.\u00ba 40). Se criasse rupturas e provocasse divis\u00f5es, a Eucaristia seria atingida na sua pr\u00f3pria ess\u00eancia e contradit\u00f3ria nos efeitos ou consequ\u00eancias. Na Carta Apost\u00f3lica \u201cMane nobiscum Domine\u201d o Papa diz: \u201c Fonte da unidade eclesial, a Eucaristia \u00e9 tamb\u00e9m a sua m\u00e1xima manifesta\u00e7\u00e3o. A Eucaristia \u00e9 epifania de comunh\u00e3o\u201d (n.\u00ba 21). Esta epifania ou manifesta\u00e7\u00e3o ser\u00e1 sem d\u00favida uma meta a n\u00e3o perder de vista em todos os momentos de celebra\u00e7\u00e3o ou de testemunho de eclesialidade. E por isso esta Missa crismal deve tender  para a realiza\u00e7\u00e3o cada vez mais significativa de \u201cMissa estacional\u201d, \u201cquando o Bispo celebra na catedral com os seus presb\u00edteros e di\u00e1conos e com a participa\u00e7\u00e3o do povo de Deus em todas as suas componentes\u201d (MND, n.\u00ba 22). Cumpre-me mais uma vez congratular-me com os fi\u00e9is da Diocese, ministros ordenados e fi\u00e9is leigos, pela compreens\u00e3o cada vez mais perfeita e consequente de que esta Eucaristia \u00e9 uma oportunidade para exercermos o nosso sacerd\u00f3cio respectivo, como Povo sacerdotal em unidade e comunh\u00e3o. Na Sinagoga de Nazar\u00e9, Cristo explicou-nos, a partir do profeta Isa\u00edas, que a un\u00e7\u00e3o se destina \u00e0 miss\u00e3o. Ele, o Ungido, o Messias, realizou a miss\u00e3o que o Pai Lhe confiou. N\u00f3s, ungidos no Baptismo, confirmados no Sacramento do Crisma ou ungidos pelo sacramento da Ordem, temos uma miss\u00e3o ou tarefa comum, resultante, com as diferen\u00e7as respectivas, do \u00fanico Sacerd\u00f3cio de Cristo, pelas gra\u00e7as ou dons que o Esp\u00edrito nos concede. Tudo assenta, por\u00e9m, na unidade e comunh\u00e3o sem a qual n\u00e3o pode haver efic\u00e1cia e verdade de miss\u00e3o, nem autenticidade de voca\u00e7\u00e3o. Quando o profeta Isa\u00edas antecipa e descreve o \u00e2mbito da miss\u00e3o de Cristo desafia-nos a descobrir e organizar o projecto que a Eucaristia nos oferece, os valores que exprime, as atitudes que inspira, os prop\u00f3sitos de vida que suscita (cf. MND, n\u00ba25). Neste sentido, \u201ca Eucaristia n\u00e3o \u00e9 express\u00e3o de comunh\u00e3o apenas na vida da Igreja; \u00e9 tamb\u00e9m projecto de solidariedade em prol da humanidade inteira\u201d (n\u00ba27). Fonte de solidariedade universal e escola de paz, a Eucaristia e o Sacerd\u00f3cio s\u00e3o na Igreja as grandes coordenadas da espiritualidade sacerdotal, que deve por isso assumir uma \u201cforma eucar\u00edstica\u201d (Mensagem do Papa, n\u00ba1) A solidariedade que resulta da Eucaristia e do Sacerd\u00f3cio como dom oferecido em benef\u00edcio da sociedade em geral \u00e9 felizmente uma caracter\u00edstica e um privil\u00e9gio experimentado no interior da Igreja, no interior e no espa\u00e7o da nossa Igreja, no interior e no espa\u00e7o da nossa igreja diocesana. N\u00e3o fere nem contraria a humildade, a refer\u00eancia que fazemos ou  ouvimos a prop\u00f3sito desta solidariedade, t\u00e3o necess\u00e1ria e t\u00e3o verdadeira entre os sacerdotes de idades muito diferentes, nas \u00e1reas de maior rarefac\u00e7\u00e3o de sacerdotes ou nas condi\u00e7\u00f5es de car\u00eancias para as quais n\u00e3o foi poss\u00edvel encontrar as solu\u00e7\u00f5es ou respostas que entretanto continuam a ser buscadas com alguma fantasia e ideal e muita ansiedade. Esta mesma solidariedade tem sido assumida como tarefa pastoral comum no programa e conjunto das prioridades que fixamos no in\u00edcio deste Terceiro Mil\u00e9nio da era crist\u00e3, quer no interesse e compromisso do conselho Pastoral Diocesano quer nas preocupa\u00e7\u00f5es das vigararias episcopais, zonas vicariais e par\u00f3quias da Diocese. Neste Ano da Eucaristia anotamos o esp\u00edrito de unidade e d disponibilidade pastoral da generalidade da Diocese, no sentido de se renovar eucaristicamente mesmo antes de sugerirmos o programa que nos pareceu mais adequado e determinarmos o que pareceu conveniente, sobretudo como recupera\u00e7\u00e3o da imagem e hist\u00f3ria da secular devo\u00e7\u00e3o ao Sant\u00edssimo Sacramento. Iniciativas tomadas e actividades j\u00e1 concretizadas s\u00e3o ra\u00edzes da nossa esperan\u00e7a colectiva. Neste sentido e esp\u00edrito de congratula\u00e7\u00e3o, no dia do Sacerd\u00f3cio e da Eucaristia, apraz-me felicitar-me, felicitar-vos e felicitar os sacerdotes que neste ano de 2005 celebram os seus respectivos jubileus de ordena\u00e7\u00e3o sacerdotal e que se mant\u00eam ao servi\u00e7o desta diocese:  Bodas de Ouro Sacerdotais em 2005 Pe. Ant\u00f3nio da Fonseca Soares (C.M.) (20\/Mar\/1955) Pe. Domingos Taveira (C.F.M.) (01\/Mai\/1955) Pe. Ac\u00e1cio Ribeiro de Freitas (31\/Jul\/1955) Mons. Dr. Gabriel da Costa Maia (31\/Jul\/1955) Pe. Jos\u00e9 Alves Pereira do Couto (31\/Jul\/1955) Pe. Dr. Manuel Valente da Silva (31\/Jul\/1955) C\u00f3n. Orlando Mota e Costa (31\/Jul\/1955) Pe. Albino Ribeiro da Costa (C.S.Sp.) (29\/Set\/1955)  Bodas de Prata Sacerdotais em 2005 C\u00f3n. Dr. Jo\u00e3o da Silva Peixoto (29\/Jun\/1980) Pe. M\u00e1rio Fernando Mendes Costa Pinto (27\/Jul\/1980) Pe. Dr. Albertino Gon\u00e7alves (CM) (27\/Jul\/1980)   Esta \u00e9 tamb\u00e9m a oportunidade para manifestarmos a nossa alegria em ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as e formularmos os melhores votos de fecundo Apostolado ao Senhor D. Carlos Alberto de Pinho Moreira Azevedo, membro do Presbit\u00e9rio do Porto que o Santo Padre nomeou auxiliar do Patriarcado de Lisboa.  Ainda no esp\u00edrito de solidariedade institucional, a Diocese do Porto, atrav\u00e9s do seu Bispo, assinou um acordo com a Sociedade Mission\u00e1ria da Boa Nova, mediante o seu Superior Geral, Pe. Doutor Ant\u00f3nio Jos\u00e9 da Rocha Couto. \u201cConsiderando que a Igreja \u00e9, por sua natureza, mission\u00e1ria, e a igreja particular \u00e9 chamada a explicitar cada vez mais a sua dimens\u00e3o mission\u00e1ria (AG, 2; RM, 62)\u201d; e considerando que \u201cA Sociedade Mission\u00e1ria da Boa Nova \u00e9 um meio de realiza\u00e7\u00e3o da voca\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria dos sacerdotes diocesanos que Deus chama para realizar a miss\u00e3o universal, que incumbe aos presb\u00edteros, como cooperadores dos Bispos\u201d, a Diocese do Porto aceitou e apoia que o Pe. Dr. Joaquim Domingos da Cunha Areais se entregue ao apostolado mission\u00e1rio por um per\u00edodo de cinco anos. Este acordo comum foi assinado em 30 de Setembro de 2004.  Senhores Bispos, meus caros sacerdotes e fieis leigos: neste momento que \u00e9 de transforma\u00e7\u00f5es, prova\u00e7\u00e3o, e de esperan\u00e7a como \u00e9 pr\u00f3prio da Igreja de Cristo e do Esp\u00edrito, procuremos viver a P\u00e1scoa de 2005 em ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as, em Eucaristia, preparados para na fidelidade e em comunh\u00e3o sermos arautos firmes do Evangelho, por esta Igreja que constitu\u00edmos e que est\u00e1 no mundo para anunciar a Salva\u00e7\u00e3o e ser meio de Salva\u00e7\u00e3o para todos, de harmonia com a vontade de Deus. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jesus Cristo, a \u201cTestemunha fiel\u201d (Apoc. 1, 5), foi um dia a Nazar\u00e9 e, entrando na sinagoga no s\u00e1bado, foi convidado a proclamar a escritura para os conterr\u00e2neos. Era o profeta Isa\u00edas que escrevera: \u201co esp\u00edrito do Senhor est\u00e1 sobre mim, porque o Senhor me ungiu. 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