{"id":10891,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/esta-semana-e-santa-e-e-maior\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"esta-semana-e-santa-e-e-maior","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/esta-semana-e-santa-e-e-maior\/","title":{"rendered":"Esta Semana \u00e9 Santa e \u00e9 Maior"},"content":{"rendered":"<p>O ano lit\u00fargico como hoje o conhecemos pretende levar os cat\u00f3licos a celebrar sacramentalmente a pessoa de Jesus Cristo como &#8220;mem\u00f3ria&#8221;, &#8220;presen\u00e7a&#8221;, &#8220;profecia&#8221;. Na Igreja primitiva, o mist\u00e9rio, a celebra\u00e7\u00e3o, a prega\u00e7\u00e3o, a vida crist\u00e3 tiveram um \u00fanico centro: a P\u00e1scoa &#8211; o culto da Igreja primitiva nasceu da P\u00e1scoa e para celebrar a P\u00e1scoa. No in\u00edcio da vida crist\u00e3 encontra-se o Domingo como \u00fanica festa, com a \u00fanica denomina\u00e7\u00e3o de &#8220;Dia do Senhor&#8221;. Por influ\u00eancia das comunidades crist\u00e3s provenientes do juda\u00edsmo, surgiu depois um &#8220;grande Domingo&#8221;, como celebra\u00e7\u00e3o anual da P\u00e1scoa. A partir do s\u00e9c. IV, com os decretos que garantiam a liberdade de culto aos crist\u00e3os, come\u00e7aram-se a celebrar na Terra Santa os acontecimentos da Paix\u00e3o e morte de Jesus Cristo, nos locais e \u00e0s horas em que eram relatados nos Evangelhos. Nasceu assim a Semana Santa e os peregrinos estenderam este uso a todas as igrejas. A celebra\u00e7\u00e3o do baptismo na noite de P\u00e1scoa, j\u00e1 em uso no s\u00e9culo III, e a disciplina penitencial com a reconcilia\u00e7\u00e3o dos penitentes na manh\u00e3 de Quinta-feira Santa, j\u00e1 no s\u00e9culo V, fizeram nascer tamb\u00e9m o per\u00edodo preparat\u00f3rio da P\u00e1scoa, ou seja, a Quaresma, inspirada nos &#8220;quarenta dias b\u00edblicos&#8221;. A Semana Santa apresenta-se, neste contexto, como a Semana Maior do ano lit\u00fargico. Gra\u00e7as \u00e0 peregrina Eg\u00e9ria, que viveu no final do s\u00e9culo IV, conhecemos os rituais que envolviam estas celebra\u00e7\u00f5es no princ\u00edpio do Cristianismo.  Ela descreve em seu livro &#8220;Itinerarium&#8221; a liturgia que se desenvolveu em Jerusal\u00e9m, teatro das \u00faltimas horas de vida de Jesus, e compreende o intervalo de tempo que vai do Domingo de Ramos \u00e0 P\u00e1scoa.  Na Idade M\u00e9dia, esta semana era chamada a &#8220;semana dolorosa&#8221;, porque a Paix\u00e3o de Cristo era dramatizada pelo povo,  pondo em destaque os aspectos do sofrimento e da compaix\u00e3o. Actualmente, muitas igrejas locais d\u00e3o ainda vida a essa tradi\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica, que se desenrola em prociss\u00f5es e representa\u00e7\u00f5es da Paix\u00e3o de Jesus. A celebra\u00e7\u00e3o dos mist\u00e9rios da Reden\u00e7\u00e3o, realizados por Jesus nos \u00faltimos dias da sua vida, come\u00e7a pela sua entrada messi\u00e2nica em Jerusal\u00e9m. O Domingo de Ramos abre solenemente a Semana Santa, com a lembran\u00e7a das Palmas e da Paix\u00e3o do Senhor. Duas celebra\u00e7\u00f5es marcam a Quinta-feira santa: a Missa Crismal e a Missa da Ceia do Senhor.  Antigamente, na manh\u00e3 deste dia celebrava-se o rito da reconcilia\u00e7\u00e3o dos penitentes, a quem tinha sido imposto o cil\u00edcio em quarta-feira de cinzas. Hoje, a manh\u00e3 \u00e9 preenchida pela Missa Crismal, que re\u00fane em torno do Bispo o clero da Diocese e s\u00e3o aben\u00e7oados os \u00f3leos dos catec\u00famenos e dos enfermos e consagrado o Santo \u00d3leo do Crisma. A origem da b\u00ean\u00e7\u00e3o dos \u00f3leos santos e do sagrado crisma \u00e9 romana, embora o rito tenha marcas galicanas. Em conformidade com a tradi\u00e7\u00e3o latina, a b\u00ean\u00e7\u00e3o do \u00f3leo dos doentes faz-se antes da conclus\u00e3o da ora\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica; a b\u00ean\u00e7\u00e3o do \u00f3leo dos catec\u00famenos e do crisma \u00e9 dada depois da comunh\u00e3o. Permite-se, todavia, por raz\u00f5es pastorais, cumprir todo o rito de b\u00ean\u00e7\u00e3o depois da liturgia da Palavra, conservando, por\u00e9m, a ordem indicada no pr\u00f3prio rito. Com a Missa vespertina da Ceia do Senhor tem in\u00edcio o Tr\u00edduo Pascal da Paix\u00e3o, Morte e Ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor. \u00c9 comemorada a institui\u00e7\u00e3o dos Sacramentos da Eucaristia e da Ordem e o mandamento do Amor (o gesto do lava-p\u00e9s).  A simbologia do sacrif\u00edcio \u00e9 expressa pela separa\u00e7\u00e3o dos dois elementos &#8220;o p\u00e3o&#8221; e &#8220;o vinho&#8221;. Esse evento do mist\u00e9rio de Jesus tamb\u00e9m se tornou manifesto no gesto do lava-p\u00e9s. Depois do longo sil\u00eancio quaresmal, a liturgia canta o Gl\u00f3ria. No final da Missa, o Sant\u00edssimo Sacramento \u00e9 trasladado para um outro local, desnudando-se ent\u00e3o os altares. Na Sexta-feira Santa n\u00e3o se celebra a missa, tendo lugar a celebra\u00e7\u00e3o da morte do Senhor, com a adora\u00e7\u00e3o da cruz. O sil\u00eancio, o jejum e a ora\u00e7\u00e3o marcam este dia. A celebra\u00e7\u00e3o da tarde \u00e9 uma esp\u00e9cie de drama em tr\u00eas actos: proclama\u00e7\u00e3o da Palavra de Deus, apresenta\u00e7\u00e3o e adora\u00e7\u00e3o da cruz, comunh\u00e3o. O S\u00e1bado Santo \u00e9 dia alit\u00fargico: a Igreja debru\u00e7a-se, no sil\u00eancio e na medita\u00e7\u00e3o, sobre o sepulcro do Senhor. A \u00fanica celebra\u00e7\u00e3o primitiva parece ter sido o jejum. A Vig\u00edlia Pascal \u00e9 a \u201cm\u00e3e de todas as celebra\u00e7\u00f5es\u201d da Igreja. Celebra-se a Ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo, a Luz que ilumina o mundo, e para transmitir esse simbolismo deve ser celebrada n\u00e3o antes do anoitecer e terminada antes da aurora. Cinco elementos comp\u00f5em a liturgia da Vig\u00edlia Pascal: a ben\u00e7\u00e3o do fogo novo e do c\u00edrio pascal; a proclama\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa, que \u00e9 um canto de j\u00fabilo anunciando a Ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor; a s\u00e9rie de leituras sobre a Hist\u00f3ria da Salva\u00e7\u00e3o; a renova\u00e7\u00e3o das promessas do Baptismo e, por fim, a liturgia Eucar\u00edstica. Ainda hoje continua a ser a noite por excel\u00eancia do Baptismo. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ano lit\u00fargico como hoje o conhecemos pretende levar os cat\u00f3licos a celebrar sacramentalmente a pessoa de Jesus Cristo como &#8220;mem\u00f3ria&#8221;, &#8220;presen\u00e7a&#8221;, &#8220;profecia&#8221;. Na Igreja primitiva, o mist\u00e9rio, a celebra\u00e7\u00e3o, a prega\u00e7\u00e3o, a vida crist\u00e3 tiveram um \u00fanico centro: a P\u00e1scoa &#8211; o culto da Igreja primitiva nasceu da P\u00e1scoa e para celebrar a P\u00e1scoa. 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