{"id":10885,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/o-misterio-pascal\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"o-misterio-pascal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-misterio-pascal\/","title":{"rendered":"O mist\u00e9rio pascal"},"content":{"rendered":"<p>Reflex\u00e3o do Pe. Jorge Teixeira da Cunha <!--more--> Nestes dias da P\u00e1scoa, talvez haja ainda quem se pergunte pela verdadeira causa da morte de Jesus. Para l\u00e1 da resposta jur\u00eddica, sobre qual a transgress\u00e3o da lei que lhe mereceu a pena capital, ou da raz\u00e3o teol\u00f3gica, que responde que morreu por causa dos nossos pecados, ocorre olhar, antes dessas reflex\u00f5es elaboradas, numa direc\u00e7\u00e3o mais pr\u00f3xima da vida.  As narrativas evang\u00e9licas apresentam-nos um Jesus a bra\u00e7os com o seu destino de viver em pleno a sua humanidade, diante de Deus e em circunst\u00e2ncias irrepet\u00edveis, como as de todo o ser humano. A morte de Jesus foi, antes de mais a sua morte pessoal, e n\u00e3o o processo impessoal de um destino alheio. Os textos mostram-no-lo como um ser humano muito senhor das circunst\u00e2ncias, jogando com a ambiguidade de ser simultaneamente julgado e julgador. Por um lado, objecto de um ju\u00edzo in\u00edquo e, por outro lado, juiz diante de quem todas as iniquidades s\u00e3o desmascaradas. Pela sua palavra e sobretudo pelo seu sil\u00eancio diante dos julgadores, ele \u00e9 um personagem absolutamente \u00fanico de um drama \u00fanico. Por isso, antes de vermos a morte de Jesus no contexto da reden\u00e7\u00e3o do mundo, temos de a ver como a morte pessoal de algu\u00e9m que viveu de uma maneira \u00fanica. Antes de ser qualquer outra coisa, a morte \u00e9 para Jesus a consuma\u00e7\u00e3o do seu viver, a coroa de um destino pessoal. Jesus sabia certamente isso e \u00e9 essa consci\u00eancia que explica o seu sil\u00eancio diante de Pilatos, quando uma palavra o podia salvar, ou as suas afirma\u00e7\u00f5es sobre a sua identidade de \u201cFilho de Deus\u201d ou a sua identifica\u00e7\u00e3o com a figura do \u201cfilho do homem\u201d, quando o sil\u00eancio o podia ilibar. O processo \u00e9 a coroa\u00e7\u00e3o de uma exist\u00eancia que, em todos os seus momentos, foi a transpar\u00eancia, na visibilidade deste mundo, da palavra da Vida que a si mesma se revela.  E ent\u00e3o a morte de Jesus n\u00e3o tem a ver com a reden\u00e7\u00e3o da humanidade pecadora? Tem, mas numa interpreta\u00e7\u00e3o diferente da do \u201cresgate\u201d dos pecados da humanidade, por uma morte em vez dos culpados. Jesus realmente morre pelos nossos pecados, mas num sentido diferente. Morre num processo in\u00edquo, porque as estruturas de pecado se voltam contra algu\u00e9m que, no seu viver, mostrou a plena bondade e a justi\u00e7a perfeita. Jesus supera o pecado porque, na sua humanidade, viveu o amor aos outros e a Deus de uma forma sublime. Onde a liberdade de todos os outros fracassou, a liberdade de Jesus afirmou-se de maneira irrepreens\u00edvel. Como \u00e9 que a reden\u00e7\u00e3o se realiza em nosso favor? N\u00e3o de maneira autom\u00e1tica e impessoal, como uma reparti\u00e7\u00e3o dos m\u00e9ritos de Cristo, por ocasi\u00e3o dos sacramentos. A reden\u00e7\u00e3o torna-se nossa quando aceitamos a gra\u00e7a de fazer existencialmente o caminho de Jesus, quer dizer, o caminho da liberdade que se eleva acima da hist\u00f3ria do pecado, que \u00e9 a impot\u00eancia do desejo humano e o fracasso do ser humano como sujeito do seu pr\u00f3prio viver, como voca\u00e7\u00e3o ao amor aos outros e a Deus. Mesmo assim, nunca acabaremos de contemplar a raz\u00e3o pela qual o destino pessoal de Jesus se consumou num sofrimento indescrit\u00edvel, na lonjura de Deus e no abandono humano mais extremo. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reflex\u00e3o do Pe. Jorge Teixeira da Cunha<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[275,294],"class_list":["post-10885","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-pascoa","tag-sacramentos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10885","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10885"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10885\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10885"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10885"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10885"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}