{"id":10873,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/cardeal-patriarca-adverte-nao-sera-prudente-um-referendo-ao-aborto\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"cardeal-patriarca-adverte-nao-sera-prudente-um-referendo-ao-aborto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/cardeal-patriarca-adverte-nao-sera-prudente-um-referendo-ao-aborto\/","title":{"rendered":"Cardeal Patriarca adverte: n\u00e3o ser\u00e1 prudente um referendo ao aborto"},"content":{"rendered":"<p>Em entrevista, D. Jos\u00e9 Policarpo fala sobre a Igreja nos media, o momento pol\u00edtico, o referendo ao aborto, este e o pr\u00f3ximo Papa e a Nova Evangeliza\u00e7\u00e3o <!--more--> <i>Ecclesia &#8211; O recente documento do Papa Jo\u00e3o Paulo II fala em convers\u00e3o pastoral e cultural aos media. Por onde passa essa convers\u00e3o? D. Jos\u00e9 Policarpo &#8211; <\/i>Passa antes de mais pela aprendizagem em usar as novas linguagens na comunica\u00e7\u00e3o da palavra. A Evangeliza\u00e7\u00e3o \u00e9, fundamentalmente, um fen\u00f3meno de comunica\u00e7\u00e3o, que abrange a amplitude dos meios e das circunst\u00e2ncias em que \u00e9 poss\u00edvel comunicar. O problema das linguagens n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico, mas \u00e9 um problema fundamental. Ao longo dos s\u00e9culos, a Igreja foi-se abrindo \u00e0s novas linguagens &#8211; estou a pensar a revolu\u00e7\u00e3o que foi a descoberta da imprensa. No momento que estamos a viver isso j\u00e1 est\u00e1 a acontecer. A pr\u00f3pria Ecclesia \u00e9 disso um testemunho: tem havido um abrir-se progressivo da Igreja \u00e0s novas linguagens.   <i>E &#8211; Em Portugal, a utiliza\u00e7\u00e3o dos meios de comunica\u00e7\u00e3o social obedece a uma estrat\u00e9gia, a um planeamento ou \u00e9 fruto das necessidades e dos recursos do momento? DJP &#8211;<\/i> Penso que, a pouco e pouco, a planifica\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a existir. Come\u00e7ou pela curiosidade, pela resposta imediata muito local, de pessoas e institui\u00e7\u00f5es. A partir de determinado momento, come\u00e7ou-se a planificar. \u00c9 preciso, no entanto, reconhecer que a grande utiliza\u00e7\u00e3o dos meios modernos na comunica\u00e7\u00e3o acontece por institui\u00e7\u00f5es neutras do ponto de vista religioso e at\u00e9 culturalmente. O entrar de uma comunica\u00e7\u00e3o tem\u00e1tica, como \u00e9 a da Igreja, neste mar imenso de comunica\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Mas \u00e9 poss\u00edvel. Hoje penso que se est\u00e1 numa linha mais t\u00e9cnica da utiliza\u00e7\u00e3o destes meios e minimamente planificada.  <i>E &#8211; O Seman\u00e1rio &#8220;Ag\u00eancia Ecclesia&#8221; sai esta semana com o n\u00famero mil. Fez um percurso at\u00e9 ser, hoje, uma Ag\u00eancia de not\u00edcias. Ela \u00e9 necess\u00e1ria, a Igreja precisa de fornecer informa\u00e7\u00e3o aos media de forma que a comunica\u00e7\u00e3o social e o p\u00fablico percebam? DJP &#8211;<\/i> Eu diria mesmo que esse foi o grande interesse do &#8220;boletim&#8221;: preparar o terreno para algo mais amplo e mais multim\u00e9dia, mais aberto \u00e0s diversas linguagens. E isso \u00e9 uma ag\u00eancia: um servi\u00e7o que facilite a informa\u00e7\u00e3o e ajude a chegar n\u00e3o apenas ao cidad\u00e3o isoladamente, mas aos pr\u00f3prios meios de comunica\u00e7\u00e3o aquilo em que a Igreja pode ser not\u00edcia. Hoje h\u00e1 duas formas da Igreja ser not\u00edcia para os grandes meios de comunica\u00e7\u00e3o: o impacto do acontecimento (se a Igreja n\u00e3o for acontecimento medi\u00e1tico dificilmente ela se transforma em not\u00edcia e muitas vezes os acontecimentos seleccionados pelos grandes meios at\u00e9 nem s\u00e3o por ventura os acontecimentos decisivos&#8230;); h\u00e1 depois uma dimens\u00e3o de presen\u00e7a nesses meios, que pode ser suscitada, em di\u00e1logo e com qualidade profissional. O suscitar significa sublinhar, significa propor. Foi assim que surgiu o \u201cboletim\u201d: de uma maneira muito modesta, para fornecer aos \u00f3rg\u00e3os internos da Igreja em Portugal, sobretudo de imprensa regional, esses elementos. Hoje penso que se alargou. A fun\u00e7\u00e3o de uma Ag\u00eancia, como a Ag\u00eancia Ecclesia, n\u00e3o \u00e9 tanto a preocupa\u00e7\u00e3o de estar em cima do grande acontecimento, porque esse \u00e9 espontaneamente coberto pelos grande media, mas \u00e9 de ajudar a que a vida de todos os dias possa ser trabalhada como acontecimento, como mensagem que passe, como not\u00edcia que leva conte\u00fado. A\u00ed, o di\u00e1logo profissional de pessoas que sabem trabalhar esse sector \u00e9 importante para que outros meios, que s\u00e3o neutros em mat\u00e9ria religiosa, mas que n\u00e3o s\u00e3o necessariamente contr\u00e1rios antes neutros em mat\u00e9ria religiosa e \u00e0s vezes tamb\u00e9m cultural, a\u00ed os diversos servi\u00e7os podem suscitar e sugerir a import\u00e2ncia de uma perspectiva, de uma afirma\u00e7\u00e3o, de uma linha de conjunto em que os acontecimentos se inserem, porque se se isola um acontecimento de um projecto em que ele surge, o acontecimento \u00e9 s\u00f3 lido parcialmente.  <i>E &#8211; Tamb\u00e9m para que o dia-a-dia da Igreja seja not\u00edcia, acha que se justificaria um t\u00edtulo nacional, seman\u00e1rio ou mensal? Poder\u00e1 evoluir este Seman\u00e1rio para uma revista? DJP <\/i>&#8211; A import\u00e2ncia da comunica\u00e7\u00e3o para a evangeliza\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o grande que eu atrever-me-ia a dizer que se justificam todos os meios que forem poss\u00edveis. O problema p\u00f5e-se na viabilidade t\u00e9cnica e na viabilidade econ\u00f3mica. Hoje, mesmo os grandes meios mostram-nos que cada sector s\u00f3 se torna vi\u00e1vel se inserido num conjunto multim\u00e9dia. A Igreja \u00e9 por natureza multim\u00e9dia. O problema \u00e9 saber em que medida, por exemplo a hip\u00f3tese que me p\u00f5e da expans\u00e3o deste \u201cboletim\u201d, \u00e9 vi\u00e1vel. Sob o ponto de vista t\u00e9cnico n\u00e3o tenho d\u00favida, que quer a experi\u00eancia quer do Secretariado Nacional quer da Ag\u00eancia Ecclesia garantir-nos-\u00edam isso. Mas at\u00e9 que ponto \u00e9 vi\u00e1vel financeiramente\u2026 Eu hoje, at\u00e9 pelo que se passa aqui na diocese, tenho a impress\u00e3o que essas coisas s\u00f3 s\u00e3o vi\u00e1veis se inseridas num conjunto muito vasto. De per si elas s\u00e3o deficit\u00e1rias do ponto de vista financeiro. Isso p\u00f5e-nos um problema: temos dinheiro para as manter? Elas s\u00e3o t\u00e3o importante para n\u00f3s que vale a pena p\u00f4r a\u00ed outros dinheiros que, por ventura, possamos fazer? E se isso for poss\u00edvel deparamo-nos com um discernimento de investimento, a que ainda estamos pouco abertos. Estamos poucos abertos em gastar dinheiros em investimentos que n\u00e3o s\u00e3o financeiramente rent\u00e1veis. Admito teoricamente, exactamente porque a comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 muito importante para n\u00f3s, sobretudo a imprensa escrita. Mas ou ela \u00e9 inserida num conjunto multim\u00e9dia que a garante, que a sustenta, ou ela \u00e9 subsidiada. N\u00e3o vejo outro caminho. N\u00e3o vejo que seja poss\u00edvel o alargamento do \u201cboletim\u201d Ecclesia escrito auto-financiar-se. Oxal\u00e1 a realidade desminta o meu pessimismo. Que ele \u00e9 importante \u00e9, porque a dimens\u00e3o multim\u00e9dia \u00e9 absolutamente decisiva. Agora, com franqueza, para mim \u00e9 muito mais importante a Ag\u00eancia no seu todo do que esta forma escrita. Eu penso at\u00e9 que o boletim para ter um lugar mais sugestivo &#8211; eu ia a dizer mais agressivo, mas evitei a palavra &#8211; precisar\u00e1 por ventura at\u00e9 de se transformar fisicamente.   <b>Da participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica ao aborto<\/b>  <i>Ecclesia &#8211; O Portugal que passou por elei\u00e7\u00f5es respondeu positivamente \u00e0 Nota do Conselho Permanente da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa de Dezembro \u00faltimo? D. Jos\u00e9 Policarpo &#8211;<\/i> \u00c9 uma resposta dif\u00edcil. A nossa proposta foi de participa\u00e7\u00e3o. Penso que poderia ser um pouco triunfalismo da nossa parte dizer que foi a nossa Nota que provocou mais participa\u00e7\u00e3o no voto. Acho que houve um conjunto de factores. A participa\u00e7\u00e3o no voto \u00e9 uma express\u00e3o importante, mas est\u00e1 longe de ser a mais importante express\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os na constru\u00e7\u00e3o da sociedade. Por via negativa, \u00e9 claro que uma pessoa que n\u00e3o vota, normalmente n\u00e3o participa em mais nada. As quest\u00f5es da sociedade n\u00e3o s\u00e3o preocupa\u00e7\u00e3o a ponto de tomar posi\u00e7\u00e3o. O que \u00e9 mais importante \u00e9 que o cidad\u00e3o, e no nosso caso concreto de crist\u00e3os, com a generosidade que a nossa f\u00e9 prop\u00f5e e com os discernimento que ela sugere, \u00e9 extraordinariamente importante que os crist\u00e3os tomem consci\u00eancia que a participa\u00e7\u00e3o \u00e9 todos os dias, no trabalho e na fam\u00edlia, na express\u00e3o religiosa, na express\u00e3o social, na express\u00e3o pol\u00edtica. Essa mobiliza\u00e7\u00e3o para que a sociedade seja um bem comum constru\u00eddo por todos sup\u00f5e que os grandes objectivos sejam tra\u00e7ados de acordo com o quadro cultural e aceites pela sociedade como um todo.  O que se passou foi um momento normal na vida democr\u00e1tica, com caracter\u00edsticas peculiares (cada um tem as suas&#8230;), a democracia funcionou, a participa\u00e7\u00e3o foi boa&#8230; Mas n\u00e3o pode acabar a\u00ed: tem que continuar num interesse renovado. A sociedade como um todo tem que suscitar esse interesse. Hoje, todos n\u00f3s sabemos que na grande parte dos problemas de uma sociedade como a nossa, os agentes de solu\u00e7\u00e3o s\u00e3o variados, n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 os governantes, n\u00e3o \u00e9 o Estado que resolve tudo. Quando muito o Estado \u00e9 o catalisador, o mobilizador, o harmonizador. Preocupa-me, entre n\u00f3s, uma certa mentalidade corrente de que \u00e9 o governo que tem que resolver tudo e se n\u00e3o resolve n\u00e3o serve. N\u00e3o! Quem tem que resolver tudo \u00e9 a sociedade como um todo. Compete ao Estado mobilizar para a causa comum as potencialidades e as energias, da mais diversa ordem, que est\u00e3o patentes na sociedade. E isso \u00e9 imposs\u00edvel sem este sentido de participa\u00e7\u00e3o.  <i>E &#8211; O previs\u00edvel referendo ao abordo ser\u00e1 um espa\u00e7o privilegiado para essa participa\u00e7\u00e3o? DJP &#8211; <\/i>O problema do aborto \u00e9 um problema decorrente, que de vez em quando volta. Come\u00e7a a ser um problema cl\u00e1ssico nas sociedades ocidentais. Ele p\u00f5e um problema mais de fundo, que \u00e9 um problema cultural: o sentido da vida e a maneira como se encara a vida. Todos n\u00f3s sabemos, por experi\u00eancia que a vida \u00e9 uma coisa muito bela, \u00e9 um mist\u00e9rio, mas \u00e9 dif\u00edcil. A vida no conjunto de uma comunidade ao longo do tempo enfrenta momentos de alegrias e tristezas, enfrenta dramas, enfrenta dificuldades que s\u00e3o da mais variada ordem. Se n\u00f3s temos diante da vida uma perspectiva de anular as dificuldades &#8211; diante de um drama, uma situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil, vamos anul\u00e1-la com uma solu\u00e7\u00e3o r\u00e1pida, facilitando isto, facilitando aquilo &#8211; \u00e9 uma atitude cultural que se tem, vulgarizada hoje numa sociedade facilitante nos grande objectivos e que n\u00e3o creio que seja um quadro cultural que dignifique a pessoa humana. Se eu tenho outra perspectiva &#8211; a do Evangelho, onde a cultura crist\u00e3 veicula um grande respeito pela vida, convidando todos a contemplar e a considerar a dignidade, a beleza e o mist\u00e9rio da vida, que n\u00f3s vivemos, que o meu irm\u00e3o vive, e para n\u00f3s que somos crentes tem a marca do Deus Criador &#8211; eu sou chamado a vencer, a ajudar os outros a vencer os dramas da exist\u00eancia. Sempre existiram, no princ\u00edpio, durante e no fim da exist\u00eancia: existe a doen\u00e7a, existe o desastre, a pobreza, a maternidade dif\u00edcil de suportar&#8230;  Se eu tenho diante da vida uma atitude cultural que \u00e9 de negar e n\u00e3o enfrentar as dificuldades, eu n\u00e3o vou s\u00f3 legalizar o aborto, vou legalizar outras coisas, vou legalizar a eutan\u00e1sia, vou minimizar o sofrimento, vou desconhecer muitas coisas, vou porventura diminuir o impacto do empenho e da solidariedade.  Se eu tenho uma atitude diferente eu n\u00e3o nego o drama. Sobre o princ\u00edpio da vida, como do fim, a Igreja n\u00e3o nega o drama, n\u00e3o nega o sofrimento, n\u00e3o nega situa\u00e7\u00f5es que podem ser muito dif\u00edceis sob o ponto de vista existencial. O que a Igreja diz \u00e9 que a vida \u00e9 que o princ\u00edpio inspirador da \u00e9tica. N\u00e3o h\u00e1 nada mais forte nas diversas culturas que seja inspirador daquele quadro de valores, das atitudes que inspiram comportamentos &#8211; e a isso chamamos \u00e9tica &#8211; n\u00e3o h\u00e1 nada mais forte do que a vida como baluarte inspirador da \u00e9tica. Se eu tenho esta atitude, eu vou tentar ajudar. Mas n\u00e3o vou ceder naquilo que \u00e9 inspira\u00e7\u00e3o \u00e9tica fundamental,. O caso concreto do aborto, \u00e9 antes demais uma quest\u00e3o muito dolorosa, que divide a sociedade, at\u00e9 porque tem sido muito hipertrofiada, nem sempre apresentada com a clareza do  drama. \u00c9 uma quest\u00e3o fracturante, que vai dividir a sociedade ao meio. Num referente, ganhe o sim ou o n\u00e3o, \u00e9 apenas uma p\u00e1gina mais do drama, porque a sociedade ficar\u00e1 mais dividida.  Num momento em que Portugal precisa convergir, n\u00e3o sei se \u00e9 prudente&#8230; Se o referendo existir, todos aqueles (e n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 os crist\u00e3os. \u00c9 um erro no qual eu n\u00e3o quero colaborar: o de apresentar o n\u00e3o ao aborto como uma quest\u00e3o religiosa. N\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o religiosa, \u00e9 uma quest\u00e3o de cultura, \u00e9 uma quest\u00e3o de \u00e9tica fundamental. E h\u00e1 muitos homens e mulheres portugueses que n\u00e3o se identificando habitualmente com as exig\u00eancias \u00e9ticas do cristianismo, s\u00e3o contra o aborto.) que ainda s\u00e3o sens\u00edveis a valores fundamentais da vida humana, que \u00e9 um mist\u00e9rio sagrado do princ\u00edpio at\u00e9 ao fim, s\u00e3o esses que tem que dizer sim ou n\u00e3o. Quem disser que sim tem uma responsabilidade tremenda, porque o primeiro dever que tem \u00e9 esclarecer-se, \u00e9 perceber que o que est\u00e1 em quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 resolver problemas (at\u00e9 porque n\u00e3o os resolve imediatamente). Os problemas interpelam-nos (interpela uma inunda\u00e7\u00e3o, interpela o tsunami). E devem-nos mobilizar para ajudar, sem ultrapassar aquela fronteira da dignidade fundamental da vida humana.   <b>Este e o pr\u00f3ximo Papa<\/b>  <i>Ecclesia &#8211; A atitude do Papa Jo\u00e3o Paulo II \u00e9 a afirma\u00e7\u00e3o por excel\u00eancia da dignidade da vida humana at\u00e9 ao fim? D. Jos\u00e9 Policarpo &#8211;<\/i> No santo Padre Jo\u00e3o Paulo II todos verificamos duas coisas: que a sa\u00fade se tem vindo a fragilizar progressivamente, fruto da idade, fruto da doen\u00e7a de Parkinson e das muitas perip\u00e9cias que ele sofreu durante a sua vida; tamb\u00e9m ressalta uma grande coragem e uma grande genica para enfrentar todas essas vicissitudes. H\u00e1 duas abordagens muito diferentes deste fen\u00f3meno: a dos grandes media internacionais, para quem o Papa \u00e9 um factor medi\u00e1tico e as quest\u00f5es que p\u00f5em \u00e9 se o Papa vai ou n\u00e3o poder governar a Igreja, se fala ou n\u00e3o, se \u00e9 poss\u00edvel ou n\u00e3o governar a Igreja por escrito, se vai resignar ou n\u00e3o; depois h\u00e1 o conjunto dos fi\u00e9is, gente que ama muito o Papa e que n\u00e3o p\u00f5e essas quest\u00f5es, antes est\u00e1 comovido e em grande uni\u00e3o espiritual ao Santo padre, que nos tem dado exemplo muito interpelante, de quem sabe que pode servir o Evangelho e Igreja, tanto nos tempos \u00e1ureos das suas viagens triunfais e da sua lucidez pastoral, como neste apagamento f\u00edsico. E este \u00e9 um testemunho muito grande de coer\u00eancia. As outras quest\u00f5es, postas na linha medi\u00e1tica, s\u00e3o importantes, mas n\u00e3o se me p\u00f5em neste momento. Eu estou pouqu\u00edssimo preocupado em saber quem vai ser o sucessor do Papa. Temos um Papa, \u00e9 este, temo-lo numa circunst\u00e2ncia peculiar. A igreja \u00e9 uma estrutura forte, mas muito plural e muito male\u00e1vel, muito adaptada a estas circunst\u00e2ncias todas. Neste momento, eu particularmente sou muito sens\u00edvel ao carinho que de todo o mundo tem vindo e \u00e0 coragem de um Papa sofredor, porque \u00e9 preciso muita coragem para aparecer na limita\u00e7\u00e3o que ele tem de n\u00e3o desistir. \u00c9 um grande exemplo de humanidade.  <i>E &#8211; A sa\u00fade do Papa faz bem \u00e0 sa\u00fade da Igreja? DJP &#8211;<\/i> O normal \u00e9 que a Igreja conte com um Sumo Pont\u00edfice em plenas fun\u00e7\u00f5es, mas a Igreja precisa mais da f\u00e9 e da caridade do Papa do que das sua energia f\u00edsica.  <i>E \u2013 S\u00e3o crit\u00e9rios humanos os que determinam a resigna\u00e7\u00e3o? DJP &#8211;<\/i> N\u00e3o! A grande qualidade que um Papa, hoje, precisa de ter &#8211; e pe\u00e7amos a Deus que d\u00ea a este e ao seu sucessor esse dom &#8211;  \u00e9: ser a primeira testemunha da f\u00e9, a primeira testemunha de uma maneira de viver, e de viver tamb\u00e9m a doen\u00e7a e a morte. Este Papa \u00e9 um grande crente, no lugar que ocupa, hoje, como elo de unidade. E repare, a unidade da Igreja, que tem no Papa o seu sacramento mais vis\u00edvel, j\u00e1 n\u00e3o se faz como dantes. Estamos num mundo muito plural, com variedade das culturas, das iniciativas, que d\u00e1 import\u00e2ncia ao indiv\u00edduo e \u00e0 liberdade individual, \u00e0 liberdade de consci\u00eancia, \u00e0 liberdade de opini\u00e3o&#8230; Hoje a unidade da Igreja tem que ser feita com outros meios complementares da unidade dogm\u00e1tica, que foi aquela que noutros s\u00e9culos se exprimiu mais. E esses novos elementos podem ser a for\u00e7a interpelante destes testemunhos vivos. O Papa, por exemplo, como peregrino do Evangelho, nas viagens que fez: \u00e9 certo que foram ocasi\u00f5es de magist\u00e9rios n\u00e3o tanto pelo que disse, antes pela sua figura, o seu testemunho. Ele foi um elo vis\u00edvel da unidade da Igreja. J\u00e1 o Papa Paulo VI, no fim da vida, disse que a Igreja o mundo contempor\u00e2neo precisavam mais de santos do que de doutores. Penso que ele queria dizer o mesmo que eu estou a dizer, que \u00e0 clareza dos doutores, \u00e0 afirma\u00e7\u00e3o clara do que \u00e9 a afirma\u00e7\u00e3o da Igreja, \u00e9 preciso este vigor do testemunho, muito ligado na tradi\u00e7\u00e3o b\u00edblica, \u00e0 figura do profeta.   <i>E &#8211; Est\u00e1 a tra\u00e7ar o perfil de um futuro Papa. Essa \u00e9 uma quest\u00e3o que se lhe coloca? DJP &#8211;<\/i> Se o Santo Padre n\u00e3o viver mais do que eu&#8230; Se eu ainda for vivo e ainda for eleitor na altura em que o Santo Padre falecer, nessa altura colocar-se-\u00e1 de uma maneira mais imediata, em di\u00e1logo com os meus irm\u00e3os cardeais. \u00c9 evidente que n\u00e3o me \u00e9 indiferente, a quest\u00e3o. Eu penso que este pontificado abriu tantas frentes &#8211;  cito-lhe a reforma interna da Igreja numa linha de autenticidade e de fidelidade, o di\u00e1logo ecum\u00e9nico, as quest\u00f5es sociais, a prioridade dada \u00e0 \u00c1sia sob o ponto de vista mission\u00e1rio &#8211; s\u00e3o tantas frentes que este Papa abriu que uma delas poder\u00e1 porventura sugerir a personagem\u2026 Mas \u00e9 um pouco complicado dizer que vamos privilegiar esta linha ou aquela, porque n\u00f3s temos o exemplo de uma personagem que as abriu todas.  E eu penso que, inevitavelmente, o Papa que vier ter\u00e1 que ser sens\u00edvel, porque estas s\u00e3o as p\u00e1ginas abertas do mundo contempor\u00e2neo. Uma coisa para mim \u00e9 clara: o caminho da Igreja \u00e9 o de refor\u00e7ar uma fidelidade interna, mas n\u00e3o pode ser de se fechar sobre si mesma. A Igreja est\u00e1 no mundo, tem que aceitar este confronto com um mundo que n\u00e3o se identifica com ela, mas que a olha com aten\u00e7\u00e3o, umas vezes em linguagem cr\u00edtica, outras vezes explicitamente vendo nela uma refer\u00eancia moral. Este aceitar esse confronto com o mundo contempor\u00e2neo passa inevitavelmente pelo reconhecimento das pontes de di\u00e1logo, de acentuar aquilo que de melhor a humanidade contempor\u00e2nea tem. Curiosamente, o Conc\u00edlio Vaticano II definiu a Igreja como sacramento de salva\u00e7\u00e3o, como um sinal da salva\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo para o mundo todo. Isso nunca tinha sido t\u00e3o posto em pr\u00e1tica como neste Pontificado, quando a Igreja se transformou em ponte de encontro, de di\u00e1logo e de defesa das grandes causas da humanidade contempor\u00e2nea e inevitavelmente tamb\u00e9m de den\u00fancia, porque isso faz parte da dimens\u00e3o prof\u00e9tica. Ela n\u00e3o est\u00e1 a trazer imediatamente o mundo todo para o rebanho do Senhor. Ela est\u00e1 a p\u00f4r a Igreja de Jesus Cristo numa centralidade humana que, para os que gostam e para os que n\u00e3o gostam, n\u00e3o a podem desconhecer com ponto de refer\u00eancia. E essa e uma quest\u00e3o absolutamente decisiva que tem que continuar a ser acentuada.   <B>Evangelizar \u00e9 uma quest\u00e3o cultural<\/B>  <i>Ecclesia &#8211; Falemos agora do Congresso da Nova Evangeliza\u00e7\u00e3o. Ser\u00e1 a terceira parte de um Congresso Internacional ou Lisboa trar\u00e1 muito de novo a esta realiza\u00e7\u00e3o? D. Jos\u00e9 Policarpo &#8211;<\/i> Pergunte-me isso depois, na terceira semana de Novembro&#8230;! H\u00e1 aqui, de certo modo, uma originalidade: o caminho da mobiliza\u00e7\u00e3o das comunidades e at\u00e9 cultural da sociedade, foi muito mais longo do que em Viena e em Paris. N\u00f3s estamos praticamente h\u00e1 tr\u00eas anos a &#8220;martelar&#8221; a sociedade lisboeta e a Igreja de Lisboa com esta perspectiva. Isto foi a nossa maneira de organizar o Congresso.  E eu cito isto porque eu acho que a possibilidade de frutos positivos do Congresso pode estar ligada a essa longa mobiliza\u00e7\u00e3o, dado que a evangeliza\u00e7\u00e3o hoje n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma ac\u00e7\u00e3o! Evangelizar hoje n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 fazer coisas. Evangelizar \u00e9 ir acentuando uma cultura, uma perspectiva da vida e da hist\u00f3ria. E isso faz-se ao longo dos tempos, faz-se com a consciencializa\u00e7\u00e3o das pessoas, com mobiliza\u00e7\u00e3o das pessoas, num di\u00e1logo com todos os outros. \u00c9 extraordinariamente importante o di\u00e1logo da Igreja com a sociedade, um di\u00e1logo respeitador, que n\u00e3o \u00e9 seguidismo, mas que \u00e9 respeitador. S\u00f3 assim a Igreja poder\u00e1 ser respeitada naquilo que \u00e9 o seu contributo espec\u00edfico para a sociedade.  <i>Ecclesia \u2013 Como se faz a reevangeliza\u00e7\u00e3o da Europa? DJP &#8211;<\/i> Passa pela frescura e pela ousadia das ac\u00e7\u00f5es evangelizadoras (e h\u00e1 alguns elementos mais carism\u00e1ticos que t\u00eam acentuado essa dimens\u00e3o como se a a evangeliza\u00e7\u00e3o da Europa passasse pela ousadia chocante das maneiras de propor Jesus Cristo. Tudo tem o seu lugar!). Mas, para mim, isso passa pelo di\u00e1logo cultural e por os crist\u00e3os estarem presentes na muta\u00e7\u00e3o cultural. A muta\u00e7\u00e3o cultural tem a ver como se aferem valores, se perdem ou se transformam ou se mant\u00eam, tem a ver com o sentido comunit\u00e1rio de uma vida comum, tem a ver com um sentido moral&#8230; No fundo tem a ver com uma velha quest\u00e3o da humanidade: saber o que \u00e9 o bem e o que \u00e9 o mal. Isso n\u00e3o se faz por decreto, \u00e9 a manifesta\u00e7\u00e3o de uma cultura. As culturas n\u00e3o s\u00e3o fixas. Est\u00e3o em muta\u00e7\u00e3o cont\u00ednua, e hoje em muta\u00e7\u00e3o acelerada, por v\u00e1rios factores, mas devido sobretudo \u00e0 globaliza\u00e7\u00e3o e \u00e0 mediatiza\u00e7\u00e3o da sociedade contempor\u00e2nea. Esta muta\u00e7\u00e3o cultural \u00e9 feita pelas institui\u00e7\u00f5es, mas \u00e9 feita pelas pessoas.  <i>Ecclesia \u2013 Que responsabilidade est\u00e1 reservada aos leigos? DJP &#8211;<\/i> Na nossa sociedade os crist\u00e3os s\u00e3o uma percentagem significativa dos cidad\u00e3os. Se cada crist\u00e3o tomasse consci\u00eancia, ao menos desconfiasse, que se for coerente com a sua inspira\u00e7\u00e3o da vida, com os valores que vive ele pr\u00f3prio no s\u00edtio onde est\u00e1 a incidir na sociedade, se n\u00e3o guardasse para um sector religioso, quase reserva do esp\u00edrito, a express\u00e3o da sua f\u00e9, mas aceitasse exprimi-la no dia a dia da vida, isso n\u00e3o era uma conquista, antes um factor enorme deste caldear cont\u00ednuo do sentir colectivo. E a isso chama-se cultura. H\u00e1 factores que interv\u00eam mais. Os media, a mediatiza\u00e7\u00e3o, tem uma influ\u00eancia enorme nesta muta\u00e7\u00e3o cultural. \u00c0s vezes quase me arrepia pensar que o mundo poderia ser diferente se a comunica\u00e7\u00e3o social fosse diferente. Hoje evangelizar \u00e9 ter a coragem de se situar no m\u00e9dio e longo de prazo e o campo de interven\u00e7\u00e3o \u00e9 cultural.  <i>E \u2013 Na realiza\u00e7\u00e3o de Lisboa do ICNE, haver\u00e1 espa\u00e7o para essa interven\u00e7\u00e3o cultural? DJP &#8211;<\/i> Todo o que for poss\u00edvel. As actividades culturais, com certeza. O Congresso \u00e9 um \u00e9pifen\u00f3meno, vale por si. Vale muito pelo dinamismo que o antecedeu e pela continuidade que tiver. Vale pela sua internacionalidade. Como grande ac\u00e7\u00e3o pastoral planeada, com preocupa\u00e7\u00e3o comum e com objectivos comuns, \u00e9 a primeira vez que se faz com esta dimens\u00e3o e com a garantia de continuar depois. A nossa \u00f3ptica \u00e9 que depois deste primeiro percurso, que envolve cinco dioceses da Europa, \u00e9 que depois se inicia uma segunda fase, e isso \u00e9 um dado novo.   <i>E &#8211; Noutras cidades? DJP &#8211;<\/i> H\u00e1 j\u00e1 grandes cidades no projecto, at\u00e9 fora da Europa, da Austr\u00e1lia, por exemplo. Depois h\u00e1 outras cidades da Europa. Londres est\u00e1 muito interessada&#8230; Portanto \u00e9 um dinamismo novo. E eu, sem vaidade, \u00e9 com muita alegria que vi Lisboa na primeira grande iniciativa desta frente comum de uma actividade pastoral em ordem ao que \u00e9 preocupa\u00e7\u00e3o de todos n\u00f3s, desde a Ucr\u00e2nia a Lisboa: a reevangeliza\u00e7\u00e3o da Europa.  (Parte desta entrevista ser\u00e1 emitida no programa 70X7 do Domingo de P\u00e1scoa, dia 27 de Mar\u00e7o. Na :2, \u00e0s 9:30 horas) <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em entrevista, D. Jos\u00e9 Policarpo fala sobre a Igreja nos media, o momento pol\u00edtico, o referendo ao aborto, este e o pr\u00f3ximo Papa e a Nova Evangeliza\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[93,144,147,161,168,203,206,237,268,275,314],"class_list":["post-10873","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","tag-aborto","tag-concilio-vaticano-ii","tag-conferencia-episcopal-portuguesa","tag-d-jose-policarpo","tag-diocese-da-guarda","tag-europa","tag-familia","tag-joao-paulo-ii","tag-nova-evangelizacao","tag-pascoa","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10873","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10873"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10873\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10873"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10873"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10873"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}