{"id":10864,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/os-caminhos-por-andar\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"os-caminhos-por-andar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/os-caminhos-por-andar\/","title":{"rendered":"Os caminhos por andar"},"content":{"rendered":"<p>Pe. Joaquim Cardozo Duarte, antigo director do Secretariado Nacional das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais <!--more--> A edi\u00e7\u00e3o do n.\u00ba 1000 do Ag\u00eancia Ecclesia acontece na proximidade da festa da Anuncia\u00e7\u00e3o. A mem\u00f3ria do que podemos classificar de novo g\u00e9nesis da hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o \u2013 a celebra\u00e7\u00e3o \u00e9 este ano, por for\u00e7a da l\u00f3gica da liturgia, deslocada para um pouco mais tarde, j\u00e1 na P\u00e1scoa \u2013 \u00e9 um bom pretexto para reflectirmos, ousadamente se bem que rapidamente, sobre o estado da comunica\u00e7\u00e3o social da Igreja em Portugal. A recria\u00e7\u00e3o ou o renascimento \u00e9 que nos h\u00e1-de ir mostrando o que est\u00e1 j\u00e1 l\u00e1 escondido, no ventre da maternidade da solicitude pastoral, desde o an\u00fancio que precede o nascimento primeiro e deve depois inspirar todos os renascimentos. O Cardeal Carlo Martini, na altura \u00e0 frente da pastoral da comunica\u00e7\u00e3o para a Europa, disse, em F\u00e1tima e por ocasi\u00e3o do 1.\u00ba Encontro europeu de Comiss\u00f5es episcopais que ent\u00e3o organiz\u00e1mos em Portugal, que o mist\u00e9rio da anuncia\u00e7\u00e3o ou do an\u00fancio era, por si mesmo, uma boa refer\u00eancia ou um bom paradigma para, primeiro, compreender e, depois, gizar e concretizar, um Plano para este sector, porque implicava e sugeria uma antropologia, uma teologia e uma profecia. O momento e ocasi\u00e3o n\u00e3o d\u00e3o agora para aprofundar a sugest\u00e3o, a qual se deve compatibilizar com as outras linhas de orienta\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica dos Documentos sobre este tema, as quais apontam, ora para as \u201cmaravilhas\u201d de Deus, ora para Jesus como o perfeito comuni-cador, ora, depois, para a presen\u00e7a, em rede, da Igreja, na complexidade e co-implica\u00e7\u00f5es deste mundo da massifica\u00e7\u00e3o da comunica\u00e7\u00e3o, em busca da utopia da transpar\u00eancia, em r\u00e1pido desenvolvimento. Alguns dos que est\u00e3o de fora, dir\u00e3o que o que temos, sempre \u00e9 melhor do que nada, at\u00e9 para nos anestesiarem a reflex\u00e3o e nos deixarem entretidos com o nosso quintal \u00e0 beira das auto-estradas plantado\u2026 Alguns dos de dentro, viver\u00e3o ainda dos medos quase reverenciais, pr\u00f3prios dos come\u00e7os e da dist\u00e2ncia, cultivada, face \u00e0 transced\u00eancia deste fen\u00f3meno, deixando a outros, tidos por mais sabedores e quase omniscientes, a exclusividade de pensar a fundo este sinal maior dos tempos\u2026 Os pastores, ter\u00e3o a tenta\u00e7\u00e3o de desertar perante os t\u00e9cnicos e os especialistas, invertendo, neste caso e neste campo, aquela forma de rela\u00e7\u00e3o que sabiamente praticam noutras \u00e1reas do apostolado. Uma das (pequenas ou grandes) trag\u00e9dias da pastoral da Igreja, tem sido a de esquecer a especificidade e a originalidade que devem marcar a forma da sua presen\u00e7a em qualquer um dos campos em que reivindica o seu direito \u00e0 visibilidade: na educa\u00e7\u00e3o ou na assist\u00eancia, na sa\u00fade ou no turismo, na pol\u00edtica ou na comunica\u00e7\u00e3o, na arte ou na filosofia, at\u00e9 na forma de fazer teologia ou de defender a natureza, na fam\u00edlia e junto dos idosos, na sexualidade ou na afectividade. Uma reflex\u00e3o em profundidade est\u00e1 por fazer, neste campo da massifica\u00e7\u00e3o da comunica\u00e7\u00e3o, pelo menos a dois n\u00edveis: o da radicalidade dos fundamentos e da forma da sua viv\u00eancia cultural entre n\u00f3s e o da operacionaliza\u00e7\u00e3o de propostas e de estrat\u00e9gias, hoje e aqui. A radicalidade dos fundamentos n\u00e3o dispensa da inevitabilidade de ter de optar por estrat\u00e9gias, tal como a op\u00e7\u00e3o por certas estrat\u00e9gias n\u00e3o pode ferir a fidelidade aos fundamentos, nem estreitar o campo das ousadias. Mais do que a escassez de meios ou de pessoas, o que pode estar a faltar \u00e9 uma re-vis\u00e3o em profundidade e a capacidade de integrar e de convocar para a miss\u00e3o os que andam distra\u00eddos ou desatentos e de amavelmente questionar os que se habituaram \u00e0s habitua\u00e7\u00f5es dos seus h\u00e1bitos e a isso reduzem a novidade da Boa-Nova.  O desencanto anda muitas vezes paredes meias com as rotinas e com as auto-satisfa\u00e7\u00f5es, em circuito fechado ou em c\u00edrculos reduzidos, que tendem a se auto-reproduzirem e que infindavelmente se auto-alimentam. Os caminhos por andar s\u00e3o talvez muito simples e certamente muito belos, com a marca da ousadia e da novidade e feitos de conflu\u00eancias certamente n\u00e3o sincr\u00e9ticas. O Ag\u00eancia Eclessia n\u00e3o existe sozinho, nem apenas por si pr\u00f3prio ou para si pr\u00f3prio. A Igreja e o mundo s\u00e3o a rede em que se integra, reticular por natureza e por miss\u00e3o. Como algu\u00e9m dizia: a Igreja tem de voltar a co-responder, para n\u00e3o se sentir culpada perante Quem lhe d\u00e1 a for\u00e7a de se manifestar.  Pe. Joaquim Cardozo Duarte <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pe. 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