{"id":107960,"date":"2018-06-15T17:18:33","date_gmt":"2018-06-15T16:18:33","guid":{"rendered":"http:\/\/www.agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=107960"},"modified":"2018-06-16T16:54:11","modified_gmt":"2018-06-16T15:54:11","slug":"um-bispo-enfermeiro-para-uma-igreja-hospital-de-campanha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/um-bispo-enfermeiro-para-uma-igreja-hospital-de-campanha\/","title":{"rendered":"Um bispo enfermeiro para uma Igreja \u00abhospital de campanha\u00bb"},"content":{"rendered":"<p><em>A ordena\u00e7\u00e3o episcopal de D. Ant\u00f3nio Luciano decorre este domingo, na S\u00e9 da Guarda. Em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA, o novo bispo de Viseu percorre os momentos principais da sua biografia, desde a enfermagem \u00e0 pastoral paroquial, refere-se ao estado da sa\u00fade em Portugal, ao debate pol\u00edtico sobre a vida e aos novos desafios como l\u00edder de uma Igreja diocesana, que quer viver \u00abacolhendo todos\u00bb<\/em><!--more--><\/p>\n<p><em><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-107922 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/antonio_luciano_foto_francisco_barbeira7.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/antonio_luciano_foto_francisco_barbeira7.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/antonio_luciano_foto_francisco_barbeira7-300x200.jpg 300w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/antonio_luciano_foto_francisco_barbeira7-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/antonio_luciano_foto_francisco_barbeira7-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/antonio_luciano_foto_francisco_barbeira7-1080x720.jpg 1080w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/>(Entrevista conduzida por Paulo Rocha)<\/em><\/p>\n<p><em>Ag\u00eancia Ecclesia (AE) \u2013 O que fez um enfermeiro querer ser padre?<\/em><\/p>\n<p>D. Ant\u00f3nio Luciano \u2013 Fiz o meu percurso normal, como crian\u00e7a, com sonhos e ideais. Cresci numa fam\u00edlia crist\u00e3, num ambiente crist\u00e3o. Lembro-me que um dia foi um padre mission\u00e1rio \u00e0 minha escola prim\u00e1ria &#8211; e a minha professora prim\u00e1ria ainda h\u00e1 dias me dizia isso &#8211; os outros afastaram-se do padre, mas eu agarrei-me \u00e0 batina.<\/p>\n<p>O percurso fez-se, continuei os meus estudos.<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Mas a primeira op\u00e7\u00e3o foi enfermagem?<\/em><\/p>\n<p>DAL \u2013 Foi, talvez por influ\u00eancia de uma pessoa amiga da terra que era enfermeira. Fui para Coimbra onde fiz a forma\u00e7\u00e3o em enfermagem e onde trabalhei nos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC).<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Pelo meio fez o servi\u00e7o militar em Mo\u00e7ambique?<\/em><\/p>\n<p>DAL \u2013 Sim. Depois de ter estado nos HUC a trabalhar, fiz o curso de enfermagem militar. Estive em Leiria, nas Caldas da Rainha, estive em Lisboa, na Estrela, onde fiz o curso militar, e fui para o Hospital Militar de Coimbra. Depois fui mobilizado para Mo\u00e7ambique, j\u00e1 depois da revolu\u00e7\u00e3o, onde estive de agosto a abril do ano seguinte. Passei por Quelimane e pelo hospital de Nampula.<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Era o tempo de p\u00f3s revolu\u00e7\u00e3o. Acompanhou o processo de instala\u00e7\u00e3o da democracia e da desinstala\u00e7\u00e3o das for\u00e7as portuguesas?<\/em><\/p>\n<p>DAL \u2013 Quando estava nas Caldas da Rainha come\u00e7aram a surgir rumores de alguma mudan\u00e7a. Quando se deu o 25 de abril eu estava em Coimbra, no Hospital Militar, no almo\u00e7o, quando se deu a not\u00edcia da evolu\u00e7\u00e3o. Naquele dia correu tudo normal embora com uma expetativa do que viria a seguir.<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Nos tempos da enfermagem, era conhecido pelo enfermeiro Lucianito. Porqu\u00ea?<\/em><\/p>\n<p>DAL \u2013 Alguns chamavam-me assim porque eu era o mais novo do meu curso e do grupo. Trabalhei sempre no bloco operat\u00f3rio, com exce\u00e7\u00e3o de uns meses depois do servi\u00e7o militar ajudei a abrir um servi\u00e7o de neurotraumatologia. Era o mais novo, era um rapazinho elegante. Para eles era o Lucianito.<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Que aten\u00e7\u00e3o e proximidade colocava nos cuidados de sa\u00fade?<\/em><\/p>\n<p>DAL \u2013 Tive sempre muito contato com as pessoas simples, humildes, pobres, doentes. Gestos que j\u00e1 vinham da fam\u00edlia. Em casa dos meus pais e av\u00f3s, muita gente ia ajudar no servi\u00e7o. Eles tinham com\u00e9rcio e lavoura, iam pessoas gratuitamente que ajudavam e ali tomavam a refei\u00e7\u00e3o. Sempre me habituei a estar com os mais necessitados e pobres. Os meus pais deram-me essa li\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando fui para enfermagem, com o ideal crist\u00e3o, porque integrei-me como aluno na associa\u00e7\u00e3o dos enfermeiros cat\u00f3licos, aquele esp\u00edrito evang\u00e9lico e crist\u00e3o que levava procurei transp\u00f4-lo, sem falar e dar nas vistas, mas procurei transp\u00f4-lo: o que fizerdes ao mais pequenino dos meus irm\u00e3os, \u00e9 a mim que fazeis.<\/p>\n<p>E isso sempre me orientou. Lembro-me muito de uma frase no encerramento do curso de D. Alberto Cosme do Amaral, na altura era bispo auxiliar de Coimbra, dizia que \u00abquem trabalha no bloco operat\u00f3rio, \u00e9 como quem trabalha num sacr\u00e1rio\u00bb. Eu fui, depois, trabalhar para o bloco operat\u00f3rio. Nunca mais me esqueci destas palavras.<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Pelo servi\u00e7o e aten\u00e7\u00e3o \u00e0 pessoa em concreto?<\/em><\/p>\n<p>DAL \u2013 Pela aten\u00e7\u00e3o \u00e0 pessoa doente e aos m\u00e9dicos. Um bloco operat\u00f3rio \u00e9 um lugar de muita responsabilidade, onde a vida entra e pode n\u00e3o sair. \u00c9 preciso tudo estar bem preparado, tanto da parte m\u00e9dica como da enfermagem, t\u00e9cnica e do pessoal de apoio. Houve sempre uma coopera\u00e7\u00e3o muito grande, um espirito de fam\u00edlia, que eu devo a uma chefe enfermeira que tivemos, que comandava muitos profissionais e era um ambiente muito familiar.<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Sentia essa tens\u00e3o das vidas que entravam no bloco operat\u00f3rio e podiam n\u00e3o sair? Era motivo de preocupa\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>DAL \u2013 Principalmente quando eram grandes sinistrados, em urg\u00eancias, sent\u00edamos isso. Ou numa interven\u00e7\u00e3o que sab\u00edamos ser de risco. Os m\u00e9dicos sabiam. Havia ali uma aten\u00e7\u00e3o redobrada e, interiormente, penso eu, muitos pediriam a Deus que os ajudasse naquele trabalho t\u00e3o importante da cirurgia e da medicina.<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Foram cinco ou seis anos na cirurgia?<\/em><\/p>\n<p>DAL \u2013 Foram mais: com um ano que pedi para ter licen\u00e7a sem vencimento, foram quase 10 anos. Mas ainda durante o tempo de semin\u00e1rio, trabalhei em Lisboa, no Hospital de S\u00e3o Francisco, perto da Assembleia da Rep\u00fablica, tamb\u00e9m no Hospital da Nazar\u00e9, onde estavam as irm\u00e3s de S\u00e3o Jos\u00e9 de Cluny, \u00a0onde ia durante as f\u00e9rias de ver\u00e3o, fazer um pouco de praia e ajudava. Tamb\u00e9m na Cl\u00ednica de Santa Filomena, em Coimbra. E em outros lugares em \u00c1frica, como militar. Mas essencialmente nos HUC. O resto foi a trabalhar no campo da sa\u00fade mas na via do ensino.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><strong>O estado da sa\u00fade em Portugal<\/strong><\/h3>\n<p><em>AE \u2013 E j\u00e1 l\u00e1 vamos a esse momento da sua vida, at\u00e9 porque tem tamb\u00e9m o estudo da moral, da \u00e9tica e bio\u00e9tica. Gostava de lhe pedir um coment\u00e1rio ao momento atual que a \u00e1rea da sa\u00fade enfrenta, nomeadamente algumas tens\u00f5es entre a classe dos enfermeiros e o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade?<\/em><\/p>\n<p>DAL \u2013 Eu todos os dias estou no hospital. Apercebo-me dessa tens\u00e3o. \u00c9 um momento de reviravolta tamb\u00e9m hist\u00f3rica na rela\u00e7\u00e3o Minist\u00e9rio\/profissionais. Mas antes de mais tem de se olhar para a pessoa humana e para cuidados que se t\u00eam de dar com qualidade. Posso dizer, oxal\u00e1 que nunca aconte\u00e7a que n\u00f3s n\u00e3o demos ao doente o que devemos dar por falta de recursos econ\u00f3micos.<\/p>\n<p><em>AE \u2013 \u00c9 o que est\u00e1 na causa dos conflitos que existem?<\/em><\/p>\n<p>DAL \u2013 A reivindica\u00e7\u00e3o de alguns quererem um pouco mais do que \u00e9 o seu vencimento. Penso que a harmonia, e acredito no equil\u00edbrio do Minist\u00e9rio e dos grupos profissionais, h\u00e3o de encontrar o melhor para a sa\u00fade. A sa\u00fade \u00e9 um bem integral, dizia S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, temos de a promover mesmo quem n\u00e3o tenha f\u00e9. A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade quer que a sa\u00fade seja para todos e \u00e9 uma conquista que se fez com a nossa revolu\u00e7\u00e3o de abril.<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Como acompanha a discuss\u00e3o, ainda preliminar, da nova Lei de Bases da Sa\u00fade?<\/em><\/p>\n<p>DAL \u2013 N\u00e3o me tenho debru\u00e7ado sobre o tema. Estou envolvido noutros assuntos, em vias da ordena\u00e7\u00e3o episcopal. Mas procuro auscultar ouvir m\u00e9dicos, enfermeiros e administradores e ver o que se pode fazer. Penso que \u00e9 preciso muita aten\u00e7\u00e3o e prud\u00eancia. N\u00e3o podemos queimar etapas, mas saber respeitar para colher bons frutos.<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Um dos pontos de partida, da Lei de Bases da sa\u00fade, \u00e9 voltar ao Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade (SNS) das origens, ou seja, gratuito, prestado por entidades p\u00fablicas e assente na carreira dos m\u00e9dicos.<\/em><\/p>\n<p>DAL \u2013 Isso foi um bem, seria bom se realmente se fizesse isso. Mas eu, desde muito novo, aprendi uma coisa: todos os minist\u00e9rios podem dar preju\u00edzos mas o da sa\u00fade e da educa\u00e7\u00e3o s\u00e3o sempre minist\u00e9rios que d\u00e3o preju\u00edzo porque investem no que \u00e9 o maior bem das pessoas. Os recursos podem n\u00e3o ser os suficientes mas h\u00e1 que correr riscos! Se tivermos a sa\u00fade e as respostas gratuitas para todos, melhor. Mas compreendo que, em nome da justi\u00e7a, quem possa pagar dever\u00e1 ajudar os que s\u00e3o os mais necessitados.<\/p>\n<p>Eu pr\u00f3prio gosto de ir ao m\u00e9dico e pagar o que devo pagar. E fico contente. Digo noutras institui\u00e7\u00f5es que prefiro pagar toda a vida para esta ou para aquela institui\u00e7\u00e3o e nunca vir a precisar dela. Estou a contribuir para os outros. \u00c9 a justi\u00e7a social que \u00e9 importante para al\u00e9m da justi\u00e7a evang\u00e9lica que procuro viver.<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Acredita num SNS que conte com a iniciativa privada e social?<\/em><\/p>\n<p>DAL \u2013 Penso que \u00e9 saud\u00e1vel, ajuda-nos a equilibrar. Desafia-nos e, no confronto, vemos de onde v\u00eam as melhores respostas. Se no SNS vierem as melhores respostas, \u00f3timo. Mas se vierem do privado, temos de as saber aproveitar e valorizar. Quem tiver oportunidade econ\u00f3mica, que se sirva delas, porque o bem maior \u00e9 a sa\u00fade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><strong>\u201cDevemos mostrar que queremos vida para todos\u201d<\/strong><\/h3>\n<p><em>AE &#8211; Como acompanhou o debate em torno da poss\u00edvel legaliza\u00e7\u00e3o da eutan\u00e1sia?<\/em><\/p>\n<p>DAL \u2013 Com muita expetativa. Participei num dos col\u00f3quios, o inter-religioso, em que houve representa\u00e7\u00e3o de um m\u00e9dico judaico, um representante isl\u00e2mico, tamb\u00e9m da associa\u00e7\u00e3o das Igrejas evang\u00e9licas. Eu estive em nome da Igreja cat\u00f3lica. Foi muito positivo. Acompanhei outros debates, tive pena de n\u00e3o ir a todos, e estive na conclus\u00e3o, em Lisboa, presidida pelo Presidente da Rep\u00fablica, que gostei muito das confer\u00eancias, principalmente dos peritos internacionais nos chamaram a aten\u00e7\u00e3o para o facto de que antes de decidir \u00e9 preciso prud\u00eancia e cuidado.<\/p>\n<p>Lembro-me de Diego Graz, espanhol, que terminou essa confer\u00eancia e ele dizia ser necess\u00e1ria muita cautela, estudar, falar e levar o debate \u00e0s pessoas para que sintam a responsabilidade como sua e depois vir\u00e1 o resto.<\/p>\n<p><em>AE \u2013 N\u00e3o chegou a temer que algum dos projetos apresentados pudesse passar no Parlamento?<\/em><\/p>\n<p>DAL- Para lhe ser franco, tinha uma vaga ideia de que n\u00e3o. Mas houve um per\u00edodo de tempo que temi e as pessoas \u00e0 minha volta diziam: \u00abO Senhor est\u00e1 a temer, mas olhe que n\u00e3o\u00bb.<\/p>\n<p>De modo particular, eu via que muitas pessoas n\u00e3o estavam devidamente informadas sobre um tema crucial que \u00e9 o respeito pela vida humana, desde o momento conce\u00e7\u00e3o ou uni\u00e3o celular at\u00e9 \u00e0 morte natural.<\/p>\n<p>Da parte dos pol\u00edticos houve uma fa\u00e7\u00e3o que me surpreendeu ao afirmar ser promotor e defensor da vida.<\/p>\n<p><em>AE \u2013 O Partido Comunista?<\/em><\/p>\n<p>DAL \u2013 Sim. O cardeal D. Ant\u00f3nio Marto, numa das suas entrevistas, j\u00e1 veio referiu isso e eu fiquei muito satisfeito.<\/p>\n<p>No contacto que tenho com muitos enfermeiros que dizem ser comunistas, eu via-os muito nessa linha. Surpreendeu-me, o que se calhar, n\u00e3o acontecer\u00e1 com muitos que se dizem crist\u00e3os.<\/p>\n<p><em>AE \u2013 A tal defesa da vida do in\u00edcio ao fim&#8230;<\/em><\/p>\n<p>DAL \u2013 A sa\u00fade e as respostas do Governo deve seguir e linha de presta\u00e7\u00e3o de cuidados continuados e paliativos com qualidade. Eu sei que isto gasta dinheiro e envolve mais pessoal, mas isto \u00e9 dignificante do ser humano, do seu valor e da sua presen\u00e7a no mundo. Se estamos numa sociedade que est\u00e1 a perder natalidade e onde o envelhecimento \u00e9 global, devemos mostrar que queremos vida para todos. E se queremos, temos de lhe dar qualidade.<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Podemos \u00e9 esbarrar com o problema econ\u00f3mico.<\/em><\/p>\n<p>DAL \u2013 Tive um professor na Faculdade de Medicina, em Lisboa, o professor Jo\u00e3o Ribeiro Silva que dizia: em nome dos d\u00f3lares pode-se estragar muita coisa do que \u00e9 a vida das pessoas e alterar o que s\u00e3o os princ\u00edpios \u00e9ticos. E os princ\u00edpios \u00e9ticos aqui s\u00e3o fundamentais para uma boa harmonia e respeito pela pessoa, pela dignidade e pelo respeito das diferen\u00e7as na toler\u00e2ncia. Esse \u00e9 que \u00e9 o an\u00fancio do Evangelho de Jesus Cristo. N\u00f3s temos de saber levar \u00e0s pessoas de uma outra forma e de uma outra naturalidade.<\/p>\n<p>O Papa Francisco fala na proximidade e ainda h\u00e1 dias comentava que a primeira periferia sou eu, tem de come\u00e7ar por mim. Se n\u00e3o me entender como periferia n\u00e3o vou \u00e0s dos outros.<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Teme que estas quest\u00f5es de in\u00edcio e fim de vida sejam definidas mais por oportunismos pol\u00edticos do que por aquilo que est\u00e1 em causa, a defesa da vida? J\u00e1 se diz acerca da eutan\u00e1sia que voltar\u00e1 o debate\u2026 Porque \u00e9 que a classe pol\u00edtica lan\u00e7a estas quest\u00f5es para o debate p\u00fablico?<\/em><\/p>\n<p>DAL \u2013 S\u00e3o quest\u00f5es complexas. Mas \u00e9 ir ao terreno, onde est\u00e3o as pessoas e ver as suas necessidades e melhor\u00e1-las. O que exige mais esfor\u00e7o! Por vezes, em nome da ideologia, pegam-se em assuntos que s\u00e3o importantes para o debate, mas outros s\u00e3o mais relevantes para as pessoas viveram com dignidade: Ser\u00e1 que o saneamento p\u00fablico existe hoje em todos os lugares? Ou \u00e1gua pot\u00e1vel? Isso \u00e9 fundamental. O resto h\u00e1 de vir, mas preparando as pessoas e educando-as.<\/p>\n<p>Temos um deficit de educa\u00e7\u00e3o para a cidadania o que traz um deficit de educa\u00e7\u00e3o para a f\u00e9 e dificuldades quando temos de decidir. As decis\u00f5es s\u00e3o, neste caso, de consci\u00eancia, e hoje falta-nos uma forma\u00e7\u00e3o s\u00e9ria para a consci\u00eancia humana e, depois, para uma consci\u00eancia iluminada pelo Evangelho, pela Boa Nova de Jesus Cristo.<\/p>\n<p>Este sinal hoje de estarmos a trabalhar para destruir a vida \u00e9 muito negativo e terr\u00edvel na nossa sociedade quando temos outros sinais positivos que nos devem animar e entusiasmar.<\/p>\n<p><em>AE \u2013 O estudo da \u00e9tica e bio\u00e9tica foi um grande contributo para dar novos horizontes a esse debate?<\/em><\/p>\n<p>DAL \u2013 Desde novo, na enfermagem, ainda aluno, onde tive a sorte de me integrar num bom grupo. Na escola tive bons mestres e bons professoras e um bom diretor de escola que nos ensinava, antes de mais, a ser pessoas, homens e mulheres, mas tamb\u00e9m com postura. Ainda hoje n\u00e3o consigo, j\u00e1 usei a barba grande, mas n\u00e3o consigo\u2026 era a barba cortada e as unhas cortadas porque era o cuidado para estarmos juntos dos outros.<\/p>\n<p>Se tivesse de refazer o percurso, fazia o mesmo que fiz, passando pela enfermagem. Foi uma grande escola. Todos os dias rezo por eles que me ensinaram a ser pessoa e a olhar para a pessoa com a dignidade e respeito que ela merece e a entregar-me a ela neste projeto.<\/p>\n<p>Foi isso que fiz ao longo da vida. O estudo da \u00e9tica e bio\u00e9tica vieram iluminar-me mas foi desde a escola de enfermagem e em Roma, sem d\u00favida, e sendo professor destas mat\u00e9rias.<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Tanto na teologia como na sa\u00fade.<\/em><\/p>\n<p>DAL \u2013 Sim, fui professor da Escola de Enfermagem e Sa\u00fade, a partir de outubro de 1989 at\u00e9 2011, quando come\u00e7ou a crise (era contratado e ficaram os que l\u00e1 estavam). Mas continuei na Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa, em Viseu, em cursos de gest\u00e3o, de servi\u00e7o social, de arquitetura e medicina dent\u00e1ria e na Universidade da Beira Interior, como capel\u00e3o. Integrei o grupo de trabalho de \u00c9tica e Hist\u00f3ria das Ideias em Medicina, desde a funda\u00e7\u00e3o da Faculdade at\u00e9 ao ano passado.<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Sempre ligado ao ensino. Ser\u00e1 uma paix\u00e3o a educa\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>DAL \u2013 Sou um padre diocesano com sapatos franciscanos e com um cora\u00e7\u00e3o dominicano. Os meus colegas diziam que eu falava demais mas eu respondia que tinha voca\u00e7\u00e3o para pregador, n\u00e3o sei se por ser Ant\u00f3nio.<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Que espa\u00e7o \u00e9 dado \u00e0 \u00e9tica nos alunos que procuram o conhecimento t\u00e9cnico para o exerc\u00edcio de uma profiss\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>DAL \u2013 \u00c9 uma boa pergunta. Tenho recebido emails e mensagens, telefonemas, de alunos meus, quer de enfermagem ou da medicina, ou outros que acompanhei enquanto capel\u00e3o da Universidade da Beira Interior, onde contactei com muitos jovens. Aqui no Instituto Polit\u00e9cnico da Guarda, onde fui capel\u00e3o, fiquei impressionado com uma jovem que aqui tinha feito o curso, pertencia \u00e0 Associa\u00e7\u00e3o Acad\u00e9mica e enviou-me uma mensagem interessante onde dizia que tinha aprendido comigo, durante as horas que passamos juntos, quando preparavamos a b\u00ean\u00e7\u00e3o das pastas.<\/p>\n<p>H\u00e1 dias um jovem engenheiro que fez o curso na Covilh\u00e3, procurou-me em Viseu, pensando que eu j\u00e1 l\u00e1 estava. Queria falar comigo. Acolhi-o no semin\u00e1rio, era quase 23h, a ele e ao pai. No dia seguinte voltou a visitar-me dizendo que eu o tinha marcado desde o in\u00edcio da Universidade. Eu ia a jantares com eles. Dizia-me o antigo reitor: \u00ab\u00d3 padre Luciano, o senhor n\u00e3o \u00e9 muito de beber, mas meta-se no meio deles e, se de vez em quando lhe oferecerem um copo, beba \u00e0 vontade\u00bb. E eu l\u00e1 ia controlando.<\/p>\n<p>Portanto, encontrei sempre a preocupa\u00e7\u00e3o pela \u00e9tica. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 entre aqueles a quem tinha de se dar, m\u00e9dicos e enfermeiros. Alguns podiam at\u00e9 n\u00e3o ligar e eu dizia, \u00abagora pode ser menos importante mas um dia v\u00e3o lembrar-se o que disse o padre Luciano porque isto vai aparecer-te na vida e tens de saber responder de imediato\u00bb.<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Na proximidade com alunos e com a comunidade acad\u00e9mica, houve o trabalho institucional na cria\u00e7\u00e3o da capelania na Universidade da Beira Interior?<\/em><\/p>\n<p>DAL \u2013 A capelania j\u00e1 vinha a germinar desde dois sacerdotes, um era professor de Sociologia de Bragan\u00e7a, professor Videira Pires, muito amigo do reitor de ent\u00e3o, o professor Passos Morgado, e o c\u00f3nego Geraldes, do jornal Not\u00edcias da Covilh\u00e3. Eles fizeram este trabalho. Mas a nomea\u00e7\u00e3o oficial para integrar os estatutos da Universidade foi comigo. Foi muito trabalhada com o professor Passos Morgado, de quem sou muito amigo, mas foi depois com o professor Santos Silva, com quem eu estive e continuei.<\/p>\n<p>Como era capel\u00e3o, quando a Universidade da Beira Interior teve o m\u00e9rito de acolher a Faculdade de Ci\u00eancias da Sa\u00fade, como estava integrado, com o padre Jos\u00e9 Manuel Pereira de Almeida, o Dr. Silv\u00e9rio e Dr. Jorge, m\u00e9dicos no IPO de Lisboa, tinham um trabalho entre \u00c9tica e Filosofia, fui convidado para este trabalho e lecionei parte de \u00c9tica e Bio\u00e9tica e Hist\u00f3ria das Ideias em Medicina.<\/p>\n<p>Esta Universidade apostou numa metodologia diferente assente numa aprendizagem baseada no aluno.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<h3><strong><em>P\u00e1roco de oito par\u00f3quias at\u00e9 \u00e0 ordena\u00e7\u00e3o episcopal<\/em><\/strong><\/h3>\n<p><em>AE \u2013 Do seu trabalho como sacerdote na diocese da Guarda, est\u00e1 essa proximidade ao mundo acad\u00e9mico, a diferentes capelanias e a muitas par\u00f3quias. Atualmente ainda \u00e9 p\u00e1roco de oito.<\/em><\/p>\n<p>DAL \u2013 Eu dizia que era um saltimbanco.<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Como foi arranjando tempo para isso tudo?<\/em><\/p>\n<p>DAL \u2013 Acredito firmemente que foi a gra\u00e7a de Deus e tamb\u00e9m a minha disponibilidade. Quando fui ordenado di\u00e1cono, a 8 de dezembro de 1984, aqui na S\u00e9, escolhi para o lema, era do Papa Jo\u00e3o Paulo II e fui-lhe buscar um decalcamento do seu \u201cTotus Tuus\u201d, que foi de S\u00e3o Lu\u00eds Maria Monforte, que era entregar-me todo a Deus pelas m\u00e3os de Maria. E procurei viver isto e estou a viver isto.<\/p>\n<p>Quando fui padre escolhi esta frase, que um dia trabalhei, e fui trabalhando e rezando ao longo da vida, que diz: \u00abQuero ser padre como Deus o pensou \u00e0 maneira de Jesus Cristo e segundo as orienta\u00e7\u00f5es da Igreja\u00bb. Isto trouxe-me sempre muitas alegrias, mas tamb\u00e9m cruzes. N\u00e3o h\u00e1 vida sem cruz. Muitas vezes tive de morrer para os meus gostos para a Igreja ser Igreja.<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Teria feito alguma coisa de diferente? Mesmo alguma decis\u00e3o de fundo?<\/em><\/p>\n<p>DAL \u2013 As op\u00e7\u00f5es de fundo est\u00e3o dentro deste contexto, mas \u00e0s vezes poder\u00edamos ter feito mais desta ou daquela forma para ser mais favor\u00e1vel para as pessoas, mas nada de grave.<\/p>\n<p>Fui sempre muito colaborador senhor D. Ant\u00f3nio dos Santos. Vim para a Guarda quando ele fez um ano de entrada na diocese, no dia 2 de fevereiro. Ele dizia que foi a primeira prenda que recebeu. J\u00e1 o conhecia.<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Veio enquanto seminarista. Estava em Coimbra.<\/em><\/p>\n<p>DAL \u2013 Fiz em Coimbra, como externo, o primeiro semestre e vim para qui fazer o segundo semestre, onde terminei o curso de Teologia. Integrei a vida da diocese, era a minha diocese de origem, que eu amava muito, com muita facilidade.<\/p>\n<p>Fui ordenado padre, convidou-me para ser diretor espiritual do semin\u00e1rio dos mais novos. Havia um diretor espiritual para os mais novos e outro para os mais velhos. J\u00e1 pode imaginar o que havia de gente naquela altura. Hoje est\u00e1 vazia. Temos alguns em Braga, mas s\u00e3o poucos.<\/p>\n<p>Havia o reitor do semin\u00e1rio, o vig\u00e1rio geral, que tinha deixado a reitoria. Ele teve um acidente com a m\u00e3e, a caminho de Pinhel e morreu, ap\u00f3s a P\u00e1scoa. Passado uns dias o senhor D. Ant\u00f3nio chamou-me ao Pa\u00e7o para falar-me. Achei que era para me dar mais trabalho, porque me tinha dado as voca\u00e7\u00f5es e o pr\u00e9-semin\u00e1rio. E disse-me: \u00abFicas a rezar em sil\u00eancio, mas tu em setembro, outubro, vais para Roma estudar Teologia Moral\u00bb. Perguntei porqu\u00ea eu&#8230; As minhas notas eram boas, mas tinha a enfermagem. Acabei por concordar.<\/p>\n<p>Fui com outro colega, o padre Martins. Pediu-me para ir treinando o italiano com ele e fui para Roma.<\/p>\n<p>Cheguei a Roma e fui muito bem acolhido. Era reitor no Col\u00e9gio Portugu\u00eas, o atual bispo de Vila Real, o D. Am\u00e2ndio Tom\u00e1s. Fiz o bi\u00e9nio em Teologia Moral, na academia Afonsiana, com muita alegria. Aproveitei todos os cursos e confer\u00eancias que podia fazer porque em Roma havia muita coisa. Frequentei um curso de Mariologia, onde tirei uma das fotos pela qual tenho muita estima, com S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, porque ele foi l\u00e1 no ano mariano e recebeu cada um dos alunos marianos a quem deu uma palavra. A foto est\u00e1 guardada na minha sala de estar.<\/p>\n<p>Aproveitei em Roma tudo o que pude. Recordo do D. Ant\u00f3nio uma coisa: \u00abQuando chegares a Roma, vai junto do t\u00famulo dos ap\u00f3stolos Pedro e Paulo, para fazer a profiss\u00e3o de f\u00e9, e lembra-te de mim\u00bb. Quando vou a Roma fa\u00e7o isso. Estive l\u00e1 no ano sacerdotal e no retiro com o Papa e gostei muito. Fomos quatro padres da diocese.. E agora irei proximamente porque assim me \u00e9 pedido.<\/p>\n<p>Encontrei muitos amigos, n\u00e3o s\u00f3 os portugueses que tenho no cora\u00e7\u00e3o. Conheci grandes bispos atrav\u00e9s de colegas na Universidade. Foi para mim um gosto.<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Fez a tese com o t\u00edtulo \u00abSer livre em Cristo, Projeto respons\u00e1vel do homem\u00bb. A dimens\u00e3o da moral pode ser a mais esquecida no quotidiano da vida da Igreja?<\/em><\/p>\n<p>DAL \u2013 Neste per\u00edodo dos \u00faltimos 20 anos, n\u00e3o digo que se tenha esquecido, mas n\u00e3o se deu o valor que se devia. Ouvi muitas vezes dizer que a prega\u00e7\u00e3o n\u00e3o deve ser com moralismos e procuro n\u00e3o o fazer, n\u00e3o concordo.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 uma vida s\u00e9ria que seja crist\u00e3 se n\u00e3o tiver uma boa base moral. Digo isto em duas palavras, Paulo VI disse-o em F\u00e1tima, \u00abHomem sede Homens\u00bb.<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Mas tudo assenta na capacidade, nas compet\u00eancias dadas a cada pessoa, de decidir?<\/em><\/p>\n<p>DAL \u2013 Claro e a\u00ed temos um trabalho muito importante a fazer, na forma\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia. Este ser livre em Cristo\u2026 Sou livre na medida em que me sentir Homem livre. Mas criativo, respons\u00e1vel, coerente, transparente, mesmo dentro da Igreja. Dizia isto aos padres: \u00abo que disseres agora ao Sr Bispo, di-lo depois tamb\u00e9m. Isso facilita-te a vida\u00bb.<\/p>\n<p>Aprendi duas palavras no servi\u00e7o militar, na Estrela: \u00abo boateiro \u00e9 o teu pior inimigo\u00bb e \u00abmulher honrada n\u00e3o tem ouvidos\u00bb.<\/p>\n<p>A vida moral e a vida espiritual devem produzir o fruto da caridade para a vida do mundo.<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Colocando em dois pratos da balan\u00e7a a norma e a moral, como v\u00ea a relev\u00e2ncia que cada uma destas dimens\u00f5es tem?<\/em><\/p>\n<p>DAL \u2013 Respondo com uma palavra: amor. S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II dizia santidade igual a amor. \u00c9 isto que falta no mundo. Eu respeito o amor que \u00e9 s\u00f3 humano e o nosso papa em\u00e9rito Bento XVI fala muito nisso na carta enc\u00edclica \u00abDeus \u00e9 Amor\u00bb. Mas, para um crente, o amor \u00e9 isso. A parte moral n\u00e3o se v\u00ea mas est\u00e1 l\u00e1.<\/p>\n<p><em>AE \u2013 \u00c9 isso que permite a transpar\u00eancia, coer\u00eancia, como falou. E nesse caso n\u00e3o precisa de norma?<\/em><\/p>\n<p>DAL \u2013 A norma \u00e9 aceitar o projeto de Deus em n\u00f3s. \u00abProjeto respons\u00e1vel do homem\u00bb, o t\u00edtulo que coloquei na tese de licenciatura.<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Essa \u00e9 a revolu\u00e7\u00e3o de fundo que o Papa Francisco est\u00e1 a fazer?<\/em><\/p>\n<p>DAL \u2013 Penso que sim. Que est\u00e1 e quer fazer e n\u00f3s queremos colaborar para que ele fa\u00e7a. Quando digo queremos, a Igreja, que tem a primeira responsabilidade, mas o mundo, porque o nosso Papa \u00e9 humanista, fala para todas as pessoas, n\u00e3o faz ace\u00e7\u00e3o de pessoas. E n\u00f3s s\u00f3 teremos o tal mundo novo se vivermos isto. Por isso poder\u00edamos viver mais em paz com alegria, disponibilidade e satisfa\u00e7\u00e3o interior, sem problemas em chegar ao final do dia para fazer um exame de consci\u00eancia.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<h3><strong>Fam\u00edlia: amor e toler\u00e2ncia<\/strong><\/h3>\n<p><em>AE \u2013 Essa revolu\u00e7\u00e3o em curso, digamos assim, tem consequ\u00eancias pr\u00e1ticas. Por exemplo, no \u00e2mbito da fam\u00edlia. Na sua opini\u00e3o, este processo de rece\u00e7\u00e3o da exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica \u00abAmoris Laetitia\u00bb est\u00e1 a acontecer da melhor forma, nomeadamente em Portugal, com dioceses a terem de concretizar a sua aplica\u00e7\u00e3o e princ\u00edpios que o Papa apresenta de forma aut\u00f3noma?<\/em><\/p>\n<p><em>DAL \u2013 O Papa apresenta com autoridade e autonomia todos os princ\u00edpios que s\u00e3o fundamentais e gerais. Para serem melhor percebidos, mesmo por padres, eu acho bem.<\/em><\/p>\n<p>H\u00e1 dias lia o que o senhor bispo D. Antonino, sou muito amigo dele, escreveu. Ele que trabalhou na fam\u00edlia e no laicado, e esteve no S\u00ednodo. Estas coisas pr\u00e1ticas t\u00eam de se fazer. Os bispos da regi\u00e3o centro tamb\u00e9m o fizeram. Agora precisamos de descodificar, mas com muito respeito, com muito amor, com muita humildade e simplicidade, e muita toler\u00e2ncia. A fam\u00edlia \u00e9 a c\u00e9lula base da sociedade.<\/p>\n<p>Estamos numa cidade onde o monsenhor Joaquim Alves Braz tem um processo de beatifica\u00e7\u00e3o a decorrer. Fundou a obra de Santa Zita, fundou as Cooperadoras da Fam\u00edlia, tem um monumento na cidade, uma fonte, onde se diz que a fam\u00edlia \u00e9 a fonte essencial da sociedade.<\/p>\n<p>Temos de respeitar a diversidade, os tempos de p\u00f3s-modernidade, levam-nos a isso. Mas uma coisa \u00e9 o respeito e a toler\u00e2ncia, outra \u00e9 \u201ccomermos tudo\u201d&#8230;<\/p>\n<p>A grande aposta \u00e9 na fam\u00edlia. A diocese de Viseu trabalha este ano o tema da fam\u00edlia, decorrente do s\u00ednodo diocesano, e penso que \u00e9 muito importante.<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Ainda sobre este cap\u00edtulo da exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica, acredita que de todos os processos de discernimento, do acompanhamento necess\u00e1rio a fazer a cada caso, \u00e9 a integra\u00e7\u00e3o at\u00e9 aos sacramentos?<\/em><\/p>\n<p>DAL \u2013 Acho que isso \u00e9 um caminho. H\u00e1 sempre um objetivo, uma meta. E o Papa tem uma palavra a dizer e tamb\u00e9m os bispos, em comunh\u00e3o com o Papa. \u00c9 um caminho. Vejo como um caminho. N\u00e3o gostaria de dizer nada em concreto, porque \u00e9 um caminho.<\/p>\n<p>Dou-lhe um exemplo: h\u00e1 um rapaz que se casou em segundas n\u00fapcias h\u00e1 pouco tempo. Ele tinha casado muito jovem, n\u00e3o tiveram filhos. Oriundos de fam\u00edlias muito crist\u00e3s, estiveram pouco tempo juntos. Disse-lhes sempre: vede como poder\u00e3o introduzir o processo no tribunal eclesi\u00e1stico e ajudei-os.<\/p>\n<p>No domingo de P\u00e1scoa, encontr\u00e1mo-nos e ele disse-me que se ia casar e batizar o filho da segunda uni\u00e3o. Fiquei contente e muito feliz. Ele agradeceu a ajuda e a \u201cilumina\u00e7\u00e3o no caminho\u201d porque disse que, na altura, n\u00e3o pensava nisso.<\/p>\n<p>A rece\u00e7\u00e3o aos sacramentos faz-se. Hoje ouvimos casais que n\u00e3o podem ter acesso \u00e0 comunh\u00e3o sacramental mas gostam de ir falar com um sacerdote, at\u00e9 se confessam, t\u00eam a consci\u00eancia que n\u00e3o comungam, mas fazem-no espiritualmente.<\/p>\n<p>Para o sacramento da eucaristia, cada um faz o seu caminho.<\/p>\n<p>Vivemos hoje numa Igreja em que muitos podem comungar, n\u00e3o querem e n\u00e3o comungam. Outros querem comungar e h\u00e1 o impedimento por parte da Igreja. H\u00e1 que acolher, iluminar. A Igreja n\u00e3o est\u00e1 em crise, precisa de ser iluminada para ajudar a resolver as crises que entram no cora\u00e7\u00e3o humano.<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Esse acompanhamento decorre j\u00e1 na diocese da Guarda?<\/em><\/p>\n<p>DAL \u2013 Sim, decorre no tribunal e tivemos j\u00e1 forma\u00e7\u00e3o para isso.<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Em Viseu, onde ser\u00e1 bispo, prepara-se para apresentar um documento. <\/em><\/p>\n<p>DAL &#8211; Ser\u00e1 no dia 1 de julho.<\/p>\n<p><em>AE &#8211; J\u00e1 o conhece?<\/em><\/p>\n<p>DAL \u2013 Sim.<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Porque o vai aplicar.<\/em><\/p>\n<p>DAL \u2013 Mas ainda n\u00e3o estou em Viseu&#8230;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Mas a linha, pelo que tem dito D. Il\u00eddio Leandro, ser\u00e1 a do acolhimento.<\/em><\/p>\n<p>DAL \u2013 A linha \u00e9 do acolhimento e de ajudar as fam\u00edlias. Est\u00e1-se a pensar, l\u00e1 e aqui na diocese, at\u00e9 em cada arciprestado, haver uma equipa de casais com um sacerdote, para acompanhar esses casos e ajudar a iluminar.<\/p>\n<p>Penso que \u00e9 um grande desafio \u00e0 evangeliza\u00e7\u00e3o atual. S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II quando falava da nova evangeliza\u00e7\u00e3o, com novo ardor e novos m\u00e9todos, se calhar nunca ele imaginou que fosse trazer estas coisas que agora temos em m\u00e3os. Mas temos de as trabalhar e amar com naturalidade e fazer o evangelho incarnado para n\u00f3s.<\/p>\n<p><em>AE \u2013 A juventude \u00e9 outro setor em debate, num S\u00ednodo. O que espera do S\u00ednodo, que vai decorrer em outubro?<\/em><\/p>\n<p>DAL \u2013 Os jovens s\u00e3o uma grande preocupa\u00e7\u00e3o. Quando vou, nesta diversidade de trabalho, presidir a fun\u00e7\u00f5es lit\u00fargica, encontro muitos jovens, fico encantado! A celebra\u00e7\u00e3o \u00e9 logo outra. A palavra que se dirige aos jovens e aos pais. \u00c9 muito bonito.<\/p>\n<p>No dia em que fui nomeado bispo, telefona-me um afilhado, que se chama Luciano, e diz-me \u00abPadrinho, dou-te os meus parab\u00e9ns, mas dou-te outra not\u00edcia: vou ter mais um filho\u00bb. Foi uma grande alegria, juntamente com a alegria que eu senti, embora a pobreza e a minha limita\u00e7\u00e3o para ser escolhido para esta miss\u00e3o nesta fase da vida, esta alegria colmatou o que \u00e9 a alegria da Igreja, do mundo.<\/p>\n<p>Eu compreendo e eu digo muitas vezes: formamos os jovens &#8211; e eu fui um benfeitor da forma\u00e7\u00e3o dos jovens, sacrificando-me e nunca discuti isso &#8211; formamos bons t\u00e9cnicos, bons engenheiros, bons m\u00e9dicos e enfermeiros, bons professores e n\u00e3o lhes damos trabalho, t\u00eam de ir para o estrangeiro. E outros \u00e9 que v\u00e3o aproveitar. N\u00f3s temos de criar condi\u00e7\u00f5es para eles ficarem, formarem fam\u00edlia mais cedo, para termos um Portugal renovado.<\/p>\n<p>Fiquei triste quando noticiaram que daqui a alguns anos seremos menos quatro milh\u00f5es. Eu fiz logo uma prece. Isto tem de ser alterado!<\/p>\n<p><em>AE \u2013 \u00c9 um problema mais sentido nas dioceses do interior?<\/em><\/p>\n<p>DAL \u2013 Sim, n\u00f3s formamos os jovens que v\u00e3o depois para outras universidades. Temos tido uma coisa boa: muitos jovens que v\u00eam de outros pontos do pa\u00eds acabam por ficar aqui. E esses s\u00e3o as fam\u00edlias que hoje t\u00eam dois ou tr\u00eas filhos e d\u00e3o vida \u00e0s comunidades.<\/p>\n<p>Estou esperan\u00e7ado no novo S\u00ednodo dos jovens e das conclus\u00f5es que v\u00e3o sair.<\/p>\n<p>N\u00e3o temos de ter medo em estar junto da juventude. Tenho 66 anos mas sinto-me jovem de cora\u00e7\u00e3o porque os jovens com quem vivi ajudaram-me ensinaram-me a ser jovem. E continuam a ajudar-me. Apostar nos jovens \u00e9 algo muito bonito.<\/p>\n<p>H\u00e1 duas m\u00e1ximas de S\u00e3o Francisco de Sales, patrono dos jornalistas, que me dizem muito: \u00abNada pedir, nada recusar\u00bb. O Senhor deu, aceitamos. Se precisamos, agradecemos e partilhamos com os outros. A outra \u00e9 \u00abOnde te colocarem, deves florir\u00bb. Eu aplico isto \u00e0 juventude. Os jovens, hoje, muitas vezes, s\u00e3o colocados em ambientes dif\u00edceis para florir. O adiamento do casamento, ou a experi\u00eancia matrimonial e depois vem o casamento e o batizado do filho. S\u00e3o situa\u00e7\u00f5es que n\u00f3s, sociedade, cri\u00e1mos porque n\u00e3o soubemos estar atentos, discernir os tais sinais dos tempos que o Concilio nos alertava.<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Onde est\u00e3o as causas dessas m\u00e1s decis\u00f5es?<\/em><\/p>\n<p>DAL \u2013 Vou novamente \u00e0 frase: \u00abOnde te colocarem, deves florir\u00bb. E se \u00e9 no meio de um silveiredo? N\u00e3o tens luvas nem material, com as tuas m\u00e3os arranca as silvas e as pedras e transforma o silveiredo num jardim.<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Assim, a responsabilidade est\u00e1 sempre no pr\u00f3prio&#8230; <\/em><\/p>\n<p>DAL \u2013 E tamb\u00e9m de quem ajuda a crescer. Jos\u00e9 Ortega Y Gasset diz que \u00abO homem \u00e9 ele e as suas circunst\u00e2ncias\u00bb.<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Mas sobre a n\u00e3o fixa\u00e7\u00e3o de jovens no interior, h\u00e1 op\u00e7\u00f5es pol\u00edticas que t\u00eam de ser tomadas nesse sentido?<\/em><\/p>\n<p>DAL \u2013 Sim, tamb\u00e9m. Vemos as autoestradas e outras empresas que se deslocam para o litoral. Isso esvazia-nos. Se vierem outras e se houver um olhar para o interior, pode beneficiar-nos. Guarda \u00e9 um lugar estrat\u00e9gico. Temos um caminho-de-ferro que nos liga a Lisboa, pela linhada \u00a0Beira Alta, que \u00e9 tamb\u00e9m linha internacional, temos duas autoestradas. H\u00e1 que fixar lugares de trabalho.<\/p>\n<p>\u00c9 certo que o Inverno \u00e9 um pouco frio. Mas sente-se o calor humano.<\/p>\n<p>Mas deixe-me regressar \u00e0 imagem das silvas: s\u00e3o muitos os impedimentos que temos na sociedade, n\u00e3o s\u00f3 em Portugal, mas na Europa e na aldeia global. N\u00e3o d\u00e3o a todas as pessoas, desde a mais simples at\u00e9 \u00e0s mais qualificadas, as hip\u00f3teses que podiam ter na vida para as ajudar a construir um mundo diferente. T\u00eam as ferramentas, mas onde aplica-las \u00e9 que \u00e9 mais dif\u00edcil.<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Dizia h\u00e1 pouco que nunca est\u00e1 zangado com ningu\u00e9m, nem cria problemas com ningu\u00e9m. \u00c9 uma caracter\u00edstica pessoal? <\/em><\/p>\n<p>DAL \u2013 Tamb\u00e9m \u00e9, mas deve-se a um trabalho pessoal. Ainda h\u00e1 dias, em fam\u00edlia, estava a jantar com duas irm\u00e3s e o meu cunhado, no domingo \u00e0 noite. A minha irm\u00e3 dizia-me assim \u00abTu \u00e0s vezes engoles e n\u00e3o manifestas\u00bb. Se calhar. Mas com facilidade fa\u00e7o a gest\u00e3o desse acontecimento. N\u00e3o fico a pensar muito. Liberto-me. O trabalho liberta-me, o contacto com as pessoas.<\/p>\n<p>\u00c0s vezes disso assim \u00abTens uma preocupa\u00e7\u00e3o hoje, tens que tentar resolver\u00bb. Se posso, vou ao encontro dos doentes, da natureza e isso liberta-me. Depois j\u00e1 venho com uma solu\u00e7\u00e3o. O Espirito Santo j\u00e1 me diz \u00abTenta entrar por este caminho, v\u00ea se \u00e9 poss\u00edvel\u00bb.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h3><strong>Bispo para uma Igreja hospital de campanha<\/strong><\/h3>\n<p><em>AE \u2013 Falemos da nomea\u00e7\u00e3o episcopal para bispo de Viseu. \u00c9 um homem dos hospitais, da Igreja. Foi nomeado agora bispo para uma Igreja que o Papa quer de \u00abhospital de campanha\u00bb. \u00c9 o perfil ideal para cumprir esse des\u00edgnio do Papa Francisco?<\/em><\/p>\n<p>DAL \u2013 N\u00e3o sei. Nunca tinha pensado nisso. Eu sou um bispo para a Igreja. Sempre fui um homem eclesial. E um padre eclesial. O Conc\u00edlio Vaticano II sempre me iluminou muito e como enfermeiro recebi muitos dos seus ensinamentos.<\/p>\n<p>O padre Vitor Feytor Pinto, de quem sou muito amigo, trabalhava muito connosco. O senhor padre V\u00edtor Franco, natural de Peniche, capel\u00e3o nos Hospitais Civis de Lisboa, que eu visitei dias antes de morrer, estava internado no Hospital de S\u00e3o Jos\u00e9. Aprendi muito com esta gente: o que era o Conc\u00edlio e a sua din\u00e2mica na pastoral da sa\u00fade e dos doentes. Acompanhei depois o Conselho Pontif\u00edcio para a Pastoral da Sa\u00fade, contactei muita gente nestes meandros, gente com horizontes sobre isto de ser padre e bispo num hospital de campanha.<\/p>\n<p>Fui militar, estive para ir para uma zona de guerra, mas como se tinha dado a revolu\u00e7\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o fui. Mas recebi, tanto em Quelimane como em Nampula, muitos traumatizados de guerra e muitos mutilados.<\/p>\n<p>Ser em Igreja um hospital de campanha \u00e9 estar sempre dispon\u00edvel, pr\u00f3ximo e preparado para acolher as pessoas e para responder \u00e0s suas necessidades.<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Isso implica n\u00e3o ter como primeira prioridade o ambiente episcopal e os pa\u00e7os episcopais?<\/em><\/p>\n<p>DAL \u2013 Pois, esses s\u00e3o para dormirmos, para estudar, para trabalhar e rezar. Para recebermos os padres e as pessoas que necessitam do nosso conselho e de nos ouvir. Mas depois, \u00e9 o contacto com as pessoas.<\/p>\n<p><em>AE \u2013 \u00c9 assim que vai ser bispo em Viseu?<\/em><\/p>\n<p>DAL \u2013 Mesmo no contacto com as pessoas, temos de aprender, no sil\u00eancio, na ora\u00e7\u00e3o e, tamb\u00e9m, no recato do Pa\u00e7o. Depois, \u00e9 que se vem para o mundo, porque pode ser fict\u00edcio, n\u00e3o verdadeiro.<\/p>\n<p>O hospital de campanha \u00e9 de improviso. \u00c9 a resposta imediata: algu\u00e9m se feriu, temos de ajudar; algu\u00e9m n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es para ir para a escola, temos de o ajudar.<\/p>\n<p>Fiz parte da comiss\u00e3o que fundou o Banco Alimentar Contra a Fome da Beira Interior, que cri\u00e1mos na Covilh\u00e3, juntamente com uma equipa de padres, jesu\u00edtas, e eu fui membro da comiss\u00e3o fundacional e da assembleia geral. O hospital de campanha nasce da aten\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas, aos ambientes e \u00e0s necessidades e depois, a resposta que temos de dar de imediato. Na altura, havia muitos cidad\u00e3os provenientes do PALOP, muitos timorenses, que procur\u00e1mos ajudar. Pagamentos de propinas, distribui\u00e7\u00e3o todas as semanas ou quinzenalmente, de um saco de alimentos para que n\u00e3o faltasse o essencial.<\/p>\n<p>Este hospital de campanha que o Papa Francisco quer que a Igreja seja \u00e9 estar atento a todos, em todos os lugares, e n\u00e3o deixar ningu\u00e9m de fora. E termino com uma palavra dos Atos dos Ap\u00f3stolos: \u00abDeus n\u00e3o faz ace\u00e7\u00e3o de pessoas\u00bb. \u00c9 para isso que o Papa Francisco quer este hospital: para que a Igreja seja sinal no mundo do evangelho de Jesus Cristo que veio para servir e dar a vida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><strong>Bispo em Viseu<\/strong><\/h3>\n<p><em>AE \u2013 E \u00e9 assim que quer ser bispo em Viseu?<\/em><\/p>\n<p>DAL \u2013 \u00c9 assim que quero ser bispo em Viseu, fazendo a vontade de Deus. Eu escolhi para lema \u00abSeja feita \u00e0 vossa vontade\u00bb, decalcado de S\u00e3o Mateus e da ora\u00e7\u00e3o do Pai-nosso, que \u00e9 a ora\u00e7\u00e3o que rezamos todos os dias e \u00e0s vezes banalizamo-la, podemos rez\u00e1-la mal. Eu quero rez\u00e1-la bem e ensinar os outros a rez\u00e1-la.<\/p>\n<p><em>AE \u2013 E tem conhecimento da diocese, pelo tempo em que foi l\u00e1 professor, dos sacerdotes, do que vai encontrar?<\/em><\/p>\n<p>DAL \u2013 Encontrarei surpresas, claro, como encontramos todos os dias. Espero que possa ser uma resposta para os problemas que surjam. Mas, neste momento, rezo por eles, sem os conhecer, e os que conhe\u00e7o rezo ainda mais. Espero ir liberto, em paz.<\/p>\n<p>Termino com uma frase de Santo In\u00e1cio de Loyola, que me d\u00e1 muito prazer repeti-la: \u00abTudo para maior honra e gl\u00f3ria de Deus\u00bb e para bem das pessoas, que \u00e9, na perspetiva crist\u00e3, a salva\u00e7\u00e3o. Mas a salva\u00e7\u00e3o come\u00e7a com o maior bem humano. E a\u00ed \u00e9 que se constr\u00f3i o hospital de campanha, as tendas, com pessoas solid\u00e1rias, volunt\u00e1rias, livres, acolhendo todos e, depois, falando-lhes de Jesus Cristo, e levando-lhes ao cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Uma diocese que fez um S\u00ednodo, muito recentemente, tem, por certo, desafios e propostas que quer levar ao terreno. Ser\u00e1 nesse caminho que se vai integrar?<\/em><\/p>\n<p>DAL \u2013 O caminho em que me vou integrar \u00e9 o das conclus\u00f5es do S\u00ednodo. Com todos os padres, os di\u00e1conos, os leigos, respons\u00e1veis e com todos os que vivem na Diocese de Viseu, levarmos estes pontos a algo concreto.<\/p>\n<p>Haver\u00e1 sempre uma marca pessoal que o Evangelho, todos os dias, nos convida a inovar. A\u00ed est\u00e1 a beleza de Deus que \u00e9 levada \u00e0s pessoas, em especial aos mais fr\u00e1geis, aos doentes, aos que vivem abandonados. \u00c9 a\u00ed que o hospital de campanha se constr\u00f3i. Tamb\u00e9m dentro das catedrais, mas fora delas, no Pa\u00e7o episcopal. E tamb\u00e9m em momentos como este!<\/p>\n<p><em>PR\/LS<\/em><\/p>\n<div class=\"epyt-video-wrapper\"><iframe  id=\"_ytid_63911\"  width=\"480\" height=\"270\"  data-origwidth=\"480\" data-origheight=\"270\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Bup2vZQuYcg?enablejsapi=1&#038;autoplay=0&#038;cc_load_policy=0&#038;cc_lang_pref=pt&#038;iv_load_policy=1&#038;loop=0&#038;rel=0&#038;fs=1&#038;playsinline=1&#038;autohide=2&#038;theme=dark&#038;color=red&#038;controls=1&#038;disablekb=0&#038;\" class=\"__youtube_prefs__  epyt-is-override  no-lazyload\" title=\"YouTube player\"  allow=\"fullscreen; accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen data-no-lazy=\"1\" data-skipgform_ajax_framebjll=\"\"><\/iframe><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A ordena\u00e7\u00e3o episcopal de D. Ant\u00f3nio Luciano decorre este domingo, na S\u00e9 da Guarda. Em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA, o novo bispo de Viseu percorre os momentos principais da sua biografia, desde a enfermagem \u00e0 pastoral paroquial, refere-se ao estado da sa\u00fade em Portugal, ao debate pol\u00edtico sobre a vida e aos novos desafios como [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":107919,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-107960","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/107960","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=107960"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/107960\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/107919"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=107960"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=107960"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=107960"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}