{"id":10793,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/liberdade-e-vida-inseparaveis-e-nunca-concorrentes\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"liberdade-e-vida-inseparaveis-e-nunca-concorrentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/liberdade-e-vida-inseparaveis-e-nunca-concorrentes\/","title":{"rendered":"Liberdade e vida, insepar\u00e1veis e nunca concorrentes"},"content":{"rendered":"<p>Reflex\u00e3o do bispo de Aveiro <!--more--> Fiquei perplexo quando ouvi, de novo na televis\u00e3o, desta vez um senhor doutor dizer que a liberdade estava acima da vida e, por isso, se devia respeitar a op\u00e7\u00e3o de quem decide terminar a pr\u00f3pria vida, tida como peso ou valor secund\u00e1rio e insuport\u00e1vel.  C\u00e1 est\u00e1, mais uma vez, o desvirtuar de uma grande aquisi\u00e7\u00e3o que \u00e9 a liberdade e o seu uso, indispens\u00e1vel para a constru\u00e7\u00e3o equilibrada de cada um e para o contributo a dar \u00e0 ordem p\u00fablica e \u00e0 conviv\u00eancia di\u00e1ria, a fim de que todos se sintam iguais, e ningu\u00e9m, a pretexto de liberdade, esmague o outro por ser mais fraco. A liberdade ter\u00e1 sempre de ser usada ao servi\u00e7o da vida e dos valores e exig\u00eancias que esta comporta. Tem, por isso, para seu bem, condicionamentos inevit\u00e1veis. A liberdade absoluta, se por isso se entende fazer cada qual o que lhe apetece e quer e, quando n\u00e3o se consegue, sentir-se infeliz e injustamente coarctado, n\u00e3o existe, nem pode existir. Ao defender-se assim a liberdade, acaba, de vez, a possibilidade da conviv\u00eancia pac\u00edfica, libertadora e construtora de uma felicidade de ordem e de bem-estar. A utopia \u00e9 um est\u00edmulo ao aperfei\u00e7oamento, n\u00e3o um sonho condenado ao pesadelo.  A educa\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental para o correcto uso da liberdade, e n\u00e3o h\u00e1 educa\u00e7\u00e3o sem os constrangimentos necess\u00e1rios que se assumem, livremente, como condi\u00e7\u00e3o para adquirir o dom\u00ednio pr\u00f3prio, ter uma hierarquia de valores, aceitar os outros, ser respons\u00e1vel pelos actos praticados, dar o seu contributo ao bem de todos, edificar a comunidade na sua dimens\u00e3o humana e solid\u00e1ria. Damos de caras, todos os dias, com situa\u00e7\u00f5es dolorosas e irrepar\u00e1veis, fruto do uso da liberdade, por parte de pessoas sem peso moral e sem h\u00e1bitos de bem, referenciados a valores fundamentais e indiscut\u00edveis. Os educadores que o querem ser, n\u00e3o \u00e0 maneira antiga, mas tamb\u00e9m sem iludir os par\u00e2metros de uma verdadeira educa\u00e7\u00e3o para a vida, esbarram com disseminadas correntes de opini\u00e3o que endeusam a liberdade, e \u00e0s quais n\u00e3o faltam corifeus que parecem jogar, \u00e0s claras, no \u201cquanto pior, melhor\u201d. N\u00e3o se pode impor nada, n\u00e3o se pode corrigir ningu\u00e9m, n\u00e3o se pode contrariar porque \u00e9 ofensivo e traumatizante, h\u00e1 que calar e limpar os velhos educadores, a fam\u00edlia \u00e9 coisa do passado, a escola, um mal menor s\u00f3 \u00fatil aos que dela vivem. N\u00e3o falta comunica\u00e7\u00e3o social a apoiar a nova cartilha, embora os que a ensinam seja minoria, sempre aplaudida. Ser\u00e1 isto o respeito democr\u00e1tico pelas minorias? Para a gente nova, para os que n\u00e3o foram ajudados ou n\u00e3o se deixaram ajudar a construir por dentro, para os empurrados para a aventura da sua desagrega\u00e7\u00e3o, \u00e9 sempre simp\u00e1tico quem advoga a liberdade do \u201cFaz o que te apetece. N\u00e3o tens que dar contas a ningu\u00e9m\u201d. E assim, o respeito pela liberdade, que todos advogamos e desejamos, permite que alguns, livre e impunemente, intoxiquem o ar que respiramos e poluam o ambiente moral em que vivemos.   N\u00e3o faltam educadores que, de verdade o s\u00e3o e o desejam ser, que jogam numa educa\u00e7\u00e3o libertadora e humanizada, a sua vida di\u00e1ria, familiar, profissional e social. \u00c9 preciso dar-lhes condi\u00e7\u00f5es para agir e estimular a sua her\u00f3ica resist\u00eancia \u00e0 onda, permissiva e destruidora, que cada dia t\u00eam de enfrentar.   Liberdade \u00e9, antes de mais, perante op\u00e7\u00f5es diversas, fazer o que se deve e gostar do que se faz. S\u00f3 assim ela ser\u00e1 um servi\u00e7o \u00e0 vida. Nos momentos mais dolorosos e dif\u00edceis, ser\u00e3o ainda, pessoas livres e volunt\u00e1rias, as que estar\u00e3o sempre presentes, como suporte sereno do amor que exorciza a solid\u00e3o e o des\u00e2nimo e alivia a dor. Quem apregoa uma liberdade sem limites, n\u00e3o tem tempo para sujar as m\u00e3os, quando \u00e9 preciso ajudar os feridos da vida, que dispensam discursos, mas n\u00e3o um amor solid\u00e1rio. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reflex\u00e3o do bispo de Aveiro<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[170,193,206],"class_list":["post-10793","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-diocese-de-aveiro","tag-educacao","tag-familia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10793","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10793"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10793\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10793"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10793"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10793"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}