{"id":10726,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/agravamento-da-pobreza\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"agravamento-da-pobreza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/agravamento-da-pobreza\/","title":{"rendered":"Agravamento da pobreza"},"content":{"rendered":"<p>\u00abS\u00e3o cerca de 20 a 24% os que vivem no limiar da pobreza em Portugal\u00bb &#8211; concluem os participantes do IV Congresso da CAIS <!--more--> O IV Congresso CAIS op\u00f4s a vis\u00e3o economicista, monet\u00e1ria e laboral da pobreza ao sublinhar a sua multidimensionalidade, e distinguiu a exclus\u00e3o da pobreza, ao associar a primeira \u00e0 vida no geral, definindo assim a exclus\u00e3o como exclus\u00e3o da vida. S\u00e3o cerca de 20 a 24% os que vivem no limiar da pobreza em Portugal. O Congresso assinalou um agravamento da pobreza nos \u00faltimos anos, e os seus rostos mais vis\u00edveis s\u00e3o os idosos, os desempregados de longa dura\u00e7\u00e3o, os desempregados recorrentes, as fam\u00edlias monoparentais, as minorias \u00e9tnicas e os que vivem da pequena agricultura, nos s\u00edtios mais isolados e abandonados do pa\u00eds.  Por seu lado, os rostos das pessoas exclu\u00eddas da vida continuam a ser, entre outros, os sem-abrigo, os ex-reclusos, os toxicodependentes e os seropositivos. A descontinuidade das pol\u00edticas foi apontada, com muita frequ\u00eancia, como sendo um dos principais factores que nos tem vindo a tornar incapazes de erradicar a pobreza e exclus\u00e3o, em Portugal. Neste sentido, o Congresso denunciou a manipula\u00e7\u00e3o das duas problem\u00e1ticas para fins eleitoralistas e o branqueamento de comportamentos, mascarados de boas pr\u00e1ticas, conduzidos quer pelo Estado quer pela sociedade civil no geral. O Congresso refor\u00e7ou o direito \u00e0 diferen\u00e7a, no sentido de que todo o ser humano tem o direito de se inventar a si mesmo. A auto-exclus\u00e3o, entendida como forma de vida \u00e9 tamb\u00e9m um direito de cada um, pelo que a inclus\u00e3o n\u00e3o deve ser nunca uma pr\u00e1tica coagida, e quando exercida, ela deve fazer espa\u00e7o \u00e0 auto-cria\u00e7\u00e3o e experimenta\u00e7\u00e3o das pessoas.  O Congresso denunciou a produtividade e a competitividade partida e segmentada do actual modelo econ\u00f3mico e ao falar da escola, como espa\u00e7o de experimenta\u00e7\u00e3o, falou da solidariedade como valor, n\u00e3o apenas \u00e9tico, mas cient\u00edfico, fundado na interdepend\u00eancia do existir, e prop\u00f4s, pelo tra\u00e7o das ci\u00eancias p\u00f3s-modernas, aquilo a que chamou de educa\u00e7\u00e3o para a competitividade e produtividade solid\u00e1ria. A chegada da produtividade a Portugal tem vindo a matar os afectos, n\u00e3o deixando qualquer tipo de espa\u00e7o para a gratuidade dos encontros entre pessoas, dentro e fora do ambiente familiar. Assim, torna-se urgente vestir a produtividade das sensa\u00e7\u00f5es, emo\u00e7\u00f5es e afectos, caracter\u00edsticos da rela\u00e7\u00e3o entre seres humanos. O congresso sublinhou ainda a import\u00e2ncia dos Media na defesa e divulga\u00e7\u00e3o dos direitos de cada um, e de como estes tamb\u00e9m devem ser utilizados pelas organiza\u00e7\u00f5es c\u00edvicas. O congresso falou da import\u00e2ncia do empreendorismo e do associativismo para que todos disponham dos meios mais adequados capazes de garantir e salvaguardar os direitos de cada um. Os t\u00e9cnicos foram encorajados a manter uma constante forma\u00e7\u00e3o interdisciplinar, evitando que cada um se torne prisioneiro de m\u00e9todos e modelos, tornando-se, assim, promotores de uma rela\u00e7\u00e3o o mais pr\u00f3xima poss\u00edvel da realidade, atrav\u00e9s de uma an\u00e1lise constante e cr\u00edtica dela mesma e da forma executiva como lidam com ela. \u00c0s empresas o Congresso deixou o desafio de se tornarem, dentro das comunidades onde exercem o seu trabalho, empresas cidad\u00e3s, abertas \u00e0 diferen\u00e7a e ao potencial de cada um. O Congresso sublinhou que a economia faz parte do governo da rela\u00e7\u00e3o entre pessoas e que esta deve ter por finalidade, na oferta de bens e servi\u00e7os, o bem-estar dos cidad\u00e3os. O Congresso op\u00f4s, uma vez mais o modelo de integra\u00e7\u00e3o assistencialista, e prop\u00f4s o empowerment dos p\u00fablicos alvo, ou seja, processos de acompanhamento onde cada individuo \u00e9 actor e protagonista principal na reconstru\u00e7\u00e3o da sua autonomia e independ\u00eancia relacional. O Congresso falou do estado relacional das coisas e da import\u00e2ncia de crit\u00e9rios de representatividade, tais como a transpar\u00eancia, expertise e accountability das organiza\u00e7\u00f5es c\u00edvicas, com vista o estabelecimento de parcerias. Nestes termos, o Estado n\u00e3o deve ser um entrave, mas facilitador, proporcionando ambientes favor\u00e1veis \u00e0 cria\u00e7\u00e3o, gest\u00e3o e desenvolvimento sustent\u00e1vel de organiza\u00e7\u00f5es c\u00edvicas. O combate \u00e0 pobreza e exclus\u00e3o deve acontecer a n\u00edvel interministerial, deve convocar todos, num pacto social coeso e deve dar tempo ao tempo, sem medidas a curto prazo e longe dos dividendos eleitoralistas.  Em s\u00edntese, a luta contra a pobreza e exclus\u00e3o deve ser um imperativo nacional das democracias, deve contar com a participa\u00e7\u00e3o coesa de todos, porque nesta, como noutras tarefas, n\u00e3o h\u00e1 portugueses dispens\u00e1veis \u2013 tal como o referiu o Presidente da Rep\u00fablica no discurso de abertura.     <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00abS\u00e3o cerca de 20 a 24% os que vivem no limiar da pobreza em Portugal\u00bb &#8211; concluem os participantes do IV Congresso da CAIS<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[168,191,193,206,314],"class_list":["post-10726","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-diocese-da-guarda","tag-economia","tag-educacao","tag-familia","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10726","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10726"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10726\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10726"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10726"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10726"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}