{"id":10712,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/migracoes-em-debate-no-pais-de-origem\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"migracoes-em-debate-no-pais-de-origem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/migracoes-em-debate-no-pais-de-origem\/","title":{"rendered":"Migra\u00e7\u00f5es em debate no pa\u00eds de origem"},"content":{"rendered":"<p>1. A Igreja em It\u00e1lia f\u00ea-lo de 22 a 24 de Fevereiro, em Roma, para os mission\u00e1rios italianos da emigra\u00e7\u00e3o; a Igreja em Portugal vai realiz\u00e1-lo nos dias 29, 30 e 31 do corrente m\u00eas, na Casa Diocesana de Vilar, no Porto. Refiro-me ao 1\u00ba Encontro Mundial das Comunidades Portuguesas, convocado pela Comiss\u00e3o Episcopal de Migra\u00e7\u00f5es e Turismo e organizado pela OCPM e SDPM do Porto. Duas Igrejas latinas que, no contexto europeu, possuem as duas maiores di\u00e1sporas europeias, e que de pa\u00edses de imigra\u00e7\u00e3o que se tornaram nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas, mant\u00eam-se tamb\u00e9m como pa\u00edses tradicionais de emigra\u00e7\u00e3o, no contexto hodierno das novas mobilidades humanas. Dois povos, duas \u201cmem\u00f3rias\u201d que caminham irmanadas pela mesma \u201ccondi\u00e7\u00e3o de alma\u201d&#8230; O Encontro Mundial integra-se no Projecto trienal pastoral 2002-2005 que tem animado a ac\u00e7\u00e3o da OCPM, designado por \u201cEmigra\u00e7\u00e3o: assumir o presente, preparar o futuro\u201d, e encerra um ciclo de Encontros Regionais e Visitas Pastorais \u00e0s Comunidades. Pretende-se, atrav\u00e9s da reflex\u00e3o sobre a Emigra\u00e7\u00e3o, a partir das estruturas de participa\u00e7\u00e3o, solidariedade e integra\u00e7\u00e3o, atingir os seguintes objectivos: identificar as mudan\u00e7as psico-sociais nas Comunidades Portuguesas, assumir sem complexos, a \u201cmem\u00f3ria sofrida\u201d das Comunidades,  decidir sobre novas formas de acompanhamento que levem a uma gradual integra\u00e7\u00e3o social e eclesial, e, por fim, responsabilizar &#8211; de forma renovada e urgente &#8211; as estruturas da Igreja, em Portugal.  2. Numa Europa e Mundo, por um lado, em acelerada seculariza\u00e7\u00e3o e indiferen\u00e7a religiosa, e por outro, que tenta balbuciar novas formas de di\u00e1logo ecum\u00e9nico e inter-religioso, os emigrantes, com os seus mission\u00e1rios, t\u00eam sido admir\u00e1veis percursores activos e silenciosos profetas de novas fraternidades e da aproxima\u00e7\u00e3o entre povos marcados pela diversidade. Os portugueses s\u00e3o hoje estimados por muitas igrejas locais pois com a sua religiosidade popular, esp\u00edrito comunit\u00e1rio e teimosia cultural e solid\u00e1ria, t\u00eam dinamizado e reavivado muitas das comunidades cat\u00f3licas onde fixaram resid\u00eancia. Eles s\u00e3o aut\u00eanticos evange-lizadores e mission\u00e1rios leigos do an\u00fancio do Reino da paz. E n\u00e3o me refiro apenas \u00e0s c\u00e9lebres festas em honra de N\u00aa. Sra. de F\u00e1tima, de Santo Ant\u00f3nio de Lisboa ou dos Santos populares.  3. Do \u201cInqu\u00e9rito Pr\u00e9vio\u201d enviado aos delegados e Conselhos Pastorais Portugueses desejamos ressaltar algumas quest\u00f5es para as quais os emigrantes e seus mission\u00e1rios lan\u00e7am um urgente apelo. Destacamos apenas tr\u00eas, entre outras: a primeira prende-se com a imagem redutora que a Igreja, em Portugal, alimenta desde a d\u00e9cada de oitenta sobre a Emigra\u00e7\u00e3o, que leva a entender os crist\u00e3os portugueses, em geral, como encontrando-se em fase adiantada de integra\u00e7\u00e3o, e portanto, n\u00e3o mais carentes do envio de sacerdotes, religiosas e leigos devidamente preparados e motivados para a miss\u00e3o. Esta atitude tem como causa o desconhecimento das mudan\u00e7as em curso e como consequ\u00eancia o crescente desinvestimento de pessoal junto das Comunidades;  a segunda quest\u00e3o, tem a ver com a insatisfa\u00e7\u00e3o crescente e o desnorteamento por parte de mission\u00e1rios e leigos crist\u00e3os, diante dos recentes processos internos de reestrutura\u00e7\u00e3o pastoral, por parte de Igrejas e de dioceses, sobretudo no centro da Europa, que prev\u00eaem o encerramento coercivo de Miss\u00f5es Cat\u00f3licas e a diminui\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica do n\u00famero de mission\u00e1rios &#8211; sacerdotes, religiosas e leigos &#8211; ao servi\u00e7o dos migrantes.  No inqu\u00e9rito pede-se pondera\u00e7\u00e3o nas decis\u00f5es, maior envolvimento bilateral da Igreja em Portugal, respeito pelas estruturas nacionais de coordena\u00e7\u00e3o e garantia da gradualidade e humanismo da integra\u00e7\u00e3o; na terceira, apelam a que os bispos e sacerdotes das regi\u00f5es de origem dos emigrantes, assim como os l\u00edderes de movimentos eclesiais e respons\u00e1veis de servi\u00e7os de forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3 e anima\u00e7\u00e3o b\u00edblica, visitem com maior assiduidade e, de maneira mais demorada, os seus \u201cdiocesanos\u201d a residir e a celebrar a f\u00e9 no estrangeiro. Pedem ainda ser inclu\u00eddos como realidade humana, forma-tiva e mission\u00e1ria nos Planos Pastorais das par\u00f3quias e da diocese de onde tiveram que partir, que visitam anualmente e colaboram a n\u00edvel de solidariedade ajudando com suas ofertas quando s\u00e3o procurados pelas estruturas da Igreja ou Munic\u00edpio.  4. A Igreja tem sabido manter, desde h\u00e1 mais de 50 anos, uma presen\u00e7a din\u00e2mica junto das Comunidades Portuguesas, mas carece ao in\u00edcio deste novo mil\u00e9nio, de uma actualiza\u00e7\u00e3o do seu olhar e ac\u00e7\u00e3o pastoral, sobretudo, para \u201cir al\u00e9m das apar\u00eancias\u201d e procurar ver a magnifica oportunidade \u201cprovidencial\u201d que s\u00e3o os emigrantes e imigrantes para a miss\u00e3o, para a nova evangeliza\u00e7\u00e3o e revitaliza\u00e7\u00e3o de muitas par\u00f3quias e movimentos pelo mundo e tamb\u00e9m em Portugal.     Para os 4.862.093 portugueses que o Estado, atrav\u00e9s das estimativas mais recentes do Minist\u00e9rio dos Neg\u00f3cios Estrangeiros, regista como dispersos em 121 pa\u00edses, a Igreja em Portugal, atrav\u00e9s de la\u00e7os de colabora\u00e7\u00e3o e ac\u00e7\u00e3o directa da OCPM, mant\u00e9m estruturas pr\u00f3prias em 22 na\u00e7\u00f5es dos 4 continentes. Sem contar os mission\u00e1rios e mission\u00e1rias de outras nacionalidades, muitos lus\u00f3fonos, a servir as Comunidades Cat\u00f3licas Portuguesas, a OCPM regista em 2005 os seguintes totais: 122 sacerdotes portugueses e luso-descendentes, 30 mission\u00e1rias portuguesas, 22 di\u00e1conos permanentes portugueses e luso-descendentes e 68 assistentes pastorais leigos, dos quais 28 a tempo inteiro. S\u00e3o 242 os evange-lizadores que, mediante o servi\u00e7o generoso e dedicado \u00e0s Comunidades Portuguesas, trabalham para uma Igreja toda ela acolhedora na sua diaconia, toda ela cat\u00f3lica e ecum\u00e9nica na sua linguagem, e intercultural na sua caridade, comunh\u00e3o e liturgia.    Por fim, o Encontro acontecer\u00e1 sob a dimens\u00e3o da f\u00e9 e da gratid\u00e3o. No dia 29, vamos fazer \u201cmem\u00f3ria solid\u00e1ria\u201d com os mission\u00e1rios \u2013 religiosos e leigos \u2013 falecidos que serviram heroicamente as migra\u00e7\u00f5es onde a Miss\u00e3o os enviou; dia 30, vamos enaltecer o centen\u00e1rio da morte do beato Jo\u00e3o B. Scalabrini, ap\u00f3stolo e padroeiro dos migrantes, aut\u00eantico percursor de uma pastoral para a mobilidade humana; por fim, vamos homenagear Aristides Sousa Mendes, ilustre diplomata portugu\u00eas e crist\u00e3o, que conciliou humanismo com desobedi\u00eancia civil, ao galgar a vis\u00e3o administrativa que, tantas vezes, nas migra\u00e7\u00f5es impede a dignidade e a paz. Rui Pedro, CS Dir. OCPM<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. A Igreja em It\u00e1lia f\u00ea-lo de 22 a 24 de Fevereiro, em Roma, para os mission\u00e1rios italianos da emigra\u00e7\u00e3o; a Igreja em Portugal vai realiz\u00e1-lo nos dias 29, 30 e 31 do corrente m\u00eas, na Casa Diocesana de Vilar, no Porto. 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