{"id":107063,"date":"2018-06-01T16:30:46","date_gmt":"2018-06-01T15:30:46","guid":{"rendered":"http:\/\/www.agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=107063"},"modified":"2018-06-11T12:39:55","modified_gmt":"2018-06-11T11:39:55","slug":"a-cruz-escondida-17","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-cruz-escondida-17\/","title":{"rendered":"A cruz escondida"},"content":{"rendered":"<p><em>Egipto: Nadia recorda o dia em que mataram o seu filho. Foi h\u00e1 um ano<\/em><!--more--><\/p>\n<h3><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-107066 alignleft\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/fais_velas-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/fais_velas-300x200.jpg 300w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/fais_velas-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/fais_velas-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/fais_velas-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/fais_velas.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>\u201cN\u00e3o temos medo\u201d<\/h3>\n<p>Dois autocarros cheios de peregrinos, adultos e crian\u00e7as, dirigiam-se atrav\u00e9s do deserto para o Mosteiro de S\u00e3o Samuel, em Mynia, no Sul do Egipto. De s\u00fabito, surgem alguns ve\u00edculos e os autocarros s\u00e3o bloqueados. Muitos daqueles crist\u00e3os, daqueles peregrinos, estavam a viver os \u00faltimos instantes das suas vidas\u2026<\/p>\n<p>Dois autocarros repletos de peregrinos dirigiam-se atrav\u00e9s de uma estrada no meio do deserto para o Mosteiro de S\u00e3o Samuel, em Mynia. Os dois autocarros foram bloqueados por diversos ve\u00edculos de onde sa\u00edram homens armados. A princ\u00edpio, os peregrinos julgaram que se tratava de uma opera\u00e7\u00e3o de rotina do ex\u00e9rcito. A viagem estava a correr bem, sem sobressaltos. Dali a pouco, estariam todos no Mosteiro onde iriam celebrar a Festa da Ascens\u00e3o. Era o dia 26 de Maio de 2017. Fez agora precisamente um ano. No entanto, depressa perceberam que aqueles homens armados n\u00e3o eram soldados nem estavam ali para os defender mas sim para atacar. Aos gritos, entraram nos ve\u00edculos e obrigaram todos os passageiros a sair. Nadia, o seu filho, Hany, a filha, Zoraida, e o genro, Sameh. E todos os outros. Mais de 50 pessoas. Mais de 50 crist\u00e3os. Com eles ia tamb\u00e9m o neto de Nadia, de apenas 3 anos de idade. Foram momentos de caos absoluto. Debaixo da amea\u00e7a das armas, os terroristas obrigaram os homens a deitarem-se no ch\u00e3o. Depois, ordenaram-lhes que renunciassem ao cristianismo, que se convertessem ao Isl\u00e3o. O primeiro a quem apontaram a metralhadora \u00e0 cabe\u00e7a foi Sameh, o genro de Nadia. \u201cEle foi o primeiro a ser martirizado.\u201d Sameh levantou um bra\u00e7o, arrega\u00e7ou a manga e mostrou a Cruz tatuada no pulso. Nadia recorda todos estes pormenores como se estivesse a viver tudo de novo, como se estivesse a escutar de novo as palavras do seu genro: \u201cN\u00e3o, n\u00e3o o farei!\u201d Foram as suas \u00faltimas palavras. Mataram-no logo a tiro. Sameh foi apenas o primeiro. A todos os outros homens foi colocada a mesma quest\u00e3o. Um a um, todos foram interrogados. Um a um todos deram a mesma resposta. Tamb\u00e9m Hani, o filho de Nadia<\/p>\n<h3><\/h3>\n<h3>O estrondo dos tiros<\/h3>\n<p>Nadia estava um pouco afastada, mas viu os terroristas aproximarem-se do seu filho e viu-o tamb\u00e9m a erguer o pulso, a mostrar a Cruz tatuada e ouviu as suas \u00faltimas palavras: \u201cN\u00e3o! Sou crist\u00e3o!\u201d O estrondo dos tiros, o corpo do seu filho esfacelado pelas balas, o sangue a tingir a areia quente do deserto. Impotente, Nadia viu tudo, assistiu a tudo. Depois de terem morto todos os homens, os terroristas viraram-se para as mulheres, gritando insultos e exigindo as suas j\u00f3ias. Um deles aproximou-se de Nadia tamb\u00e9m para a matar. Disparou tr\u00eas vezes. \u201cQueria acertar-me no cora\u00e7\u00e3o, mas deu-me tr\u00eas tiros no bra\u00e7o.\u201d Nadia desmaiou. A hemorragia era imensa. O terrorista deixou-a, julgando-a morta. O que se passou a seguir foi-lhe j\u00e1 contado pela filha, Zoraida. O aparecimento de uma carrinha cheia de oper\u00e1rios que passava por aquela estrada no meio do deserto evitou que a matan\u00e7a prosseguisse. Os terroristas decidiram que ali j\u00e1 n\u00e3o tinham muito mais a fazer e foram atr\u00e1s deles. As autoridades demoraram uma eternidade a chegar ao local. Pelo ch\u00e3o estavam 28 mortos, incluindo duas crian\u00e7as e 25 feridos. Nadia s\u00f3 voltou a recuperar os sentidos j\u00e1 no hospital. Foi h\u00e1 um ano. O tempo parou para Nadia. Uma das paredes da sua casa \u00e9 um memorial. Est\u00e1 repleta de fotos. Uma delas, \u00e9 uma \u2018selfie\u2019. Ela e o filho est\u00e3o a sorrir. A foto foi tirada instantes antes de os terroristas terem aparecido. Apesar do luto carregado, apesar das l\u00e1grimas, apesar da tristeza de ter perdido o seu filho, Nadia sente orgulho na certeza que ele revelou quando ergueu o pulso, mostrou a Cruz tatuada e esperou que a primeira bala lhe acertasse no cora\u00e7\u00e3o. As balas mataram o filho, o genro e os amigos em pleno deserto. Foi h\u00e1 um ano. Hoje, Nadia diz que nenhuma daquelas mortes foi em v\u00e3o. Nenhuma. \u201cN\u00e3o temos medo\u201d, garante Nadia que se apresenta agora como sendo uma m\u00e3e de seis filhos. \u201cUm dos quais est\u00e1 no C\u00e9u\u2026\u201d<\/p>\n<p><em>Paulo Aido | www.fundacao-ais.pt<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Egipto: Nadia recorda o dia em que mataram o seu filho. 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