{"id":106842,"date":"2018-06-01T09:51:10","date_gmt":"2018-06-01T08:51:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www.agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=106842"},"modified":"2018-06-01T09:51:10","modified_gmt":"2018-06-01T08:51:10","slug":"homilia-de-d-antonio-carrilho-bispo-do-funchal-na-solenidade-do-santissimo-corpo-e-sangue-de-cristo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-de-d-antonio-carrilho-bispo-do-funchal-na-solenidade-do-santissimo-corpo-e-sangue-de-cristo\/","title":{"rendered":"Homilia de D. Ant\u00f3nio Carrilho, bispo do Funchal,\u00a0na Solenidade do Sant\u00edssimo Corpo e Sangue de Cristo"},"content":{"rendered":"<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>A Eucaristia, maior tesouro espiritual da Igreja<\/strong><!--more--><\/p>\n<p><em>\u201cEu sou o p\u00e3o vivo descido do C\u00e9u, diz o Senhor<\/em>\u201d (Jo 6,51). Na solenidade do Sant\u00edssimo Corpo e Sangue de Cristo, a Igreja exulta e canta de alegria pelo admir\u00e1vel mist\u00e9rio e dom da Eucaristia. Unidos pela caridade de Cristo, somos convidados a dar gra\u00e7as a Deus, a participar no Banquete da Nova e eterna Alian\u00e7a e a comungar o P\u00e3o da Vida, segundo a Palavra do Senhor Jesus<em>: \u00abTomai: isto \u00e9 o meu corpo\u00bb.<\/em><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Na quinta-feira santa, a Igreja faz mem\u00f3ria da \u00faltima Ceia, com imensa gratid\u00e3o e j\u00fabilo, num ambiente de profundo recolhimento, no in\u00edcio do Tr\u00edduo Pascal. Mais tarde, sob a inspira\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo, a Igreja sentiu a necessidade de uma celebra\u00e7\u00e3o que fosse, tamb\u00e9m, testemunho e ato p\u00fablico de f\u00e9.<\/p>\n<p>Foi assim que, no s\u00e9culo XIII, a festa do Sant\u00edssimo Corpo e Sangue de Cristo foi aprovada oficialmente pelo Papa Urbano IV, no dia 11 de Agosto de 1264, com a bula <em>\u201cTransiturus de hoc Mundo<\/em>\u201d. Embora, nessa \u00e9poca, n\u00e3o tivesse de imediato grande repercuss\u00e3o no interior da comunidade eclesial, a festa do Corpo de Deus \u00e9 celebrada, atualmente, com grande solenidade e esplendor, em todo o mundo cat\u00f3lico, depois da P\u00e1scoa, na quinta-feira seguinte \u00e0 solenidade da Sant\u00edssima Trindade.<\/p>\n<p><strong>A nova Alian\u00e7a no Sangue de Cristo<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Ao fazer resson\u00e2ncia da Palavra que escut\u00e1mos, somos tomados de assombro e de profunda gratid\u00e3o pelo inef\u00e1vel amor de Deus. E com o Salmo 115 podemos exclamar: <em>\u201cComo agradecerei ao Senhor, tudo quanto Ele me deu?\u201d<\/em>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No texto do Livro do \u00caxodo, na primeira leitura, assistimos a um momento forte de ora\u00e7\u00e3o do povo de Deus.\u00a0 Interpelado pela escuta da Palavra, o povo compromete-se a viver em fidelidade: <em>\u201c<\/em><em>Faremos tudo o que o Senhor ordenou\u201d<\/em> (Ex 24,3). \u00a0Em seguida, Mois\u00e9s selou a alian\u00e7a com o sangue das v\u00edtimas imoladas e aspergiu a assembleia. Nas civiliza\u00e7\u00f5es antigas, o sacrif\u00edcio era o selo de qualquer alian\u00e7a. Agora, o sangue derramado sobre o altar, foi assim tomado como sinal da maior comunh\u00e3o com o Senhor e da exig\u00eancia de fidelidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No tempo da Nova Alian\u00e7a, a oferta sacrificial do Sangue de Cristo substitui definitivamente todos os sacrif\u00edcios da Lei antiga, em ordem \u00e0 purifica\u00e7\u00e3o do pecado e liberta\u00e7\u00e3o do mal. Eterno sacerdote do Pai, pelo \u201c<em>Esp\u00edrito eterno ofereceu- Se a Deus como v\u00edtima sem mancha, para purificar a nossa consci\u00eancia das obras mortas, para servirmos ao Deus vivo\u201d<\/em> (Heb 9, 13). Com o mist\u00e9rio Pascal inaugura-se uma nova e eterna alian\u00e7a no Sangue de Cristo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Memorial da morte e ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor<\/strong><\/p>\n<p>Como sabemos, a Eucaristia \u00e9 memorial do mist\u00e9rio pascal de Jesus, paix\u00e3o, morte e ressurrei\u00e7\u00e3o. Na Ceia da despedida, Jesus entregou-Se totalmente a n\u00f3s por amor e antecipou a sua paix\u00e3o ao consagrar o p\u00e3o e o vinho, na ceia pascal, e dar-lhe um sentido novo:\u00a0 <em>\u00abTomai, isto \u00e9 o meu corpo <\/em><em>[\u2026]<\/em><em>\u00a0 Este \u00e9 o meu sangue, o sangue da nova alian\u00e7a, derramado pela multid\u00e3o dos homens\u201d<\/em>(Mc 14,24). O Papa Bento XVI recorda-nos que, \u201ccada celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica atualiza sacramentalmente a doa\u00e7\u00e3o que Jesus fez da Sua pr\u00f3pria vida na cruz por n\u00f3s e pelo mundo inteiro\u201d (<em>Sacramento da Caridade,<\/em>88).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O amor de Deus, que em Jesus se revela totalmente a n\u00f3s, \u00e9 a chave de leitura e compreens\u00e3o de toda a hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o e do mist\u00e9rio da Encarnac\u00e3o. No p\u00e3o e no vinho eucar\u00edsticos est\u00e1 a presen\u00e7a real e din\u00e2mica do amor de Jesus, que nos pede continuamente a oferta da nossa pr\u00f3pria vida em favor dos outros e nos aponta um caminho de esperan\u00e7a na eternidade.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>O Papa Francisco, nas suas catequeses sobre a Missa,\u00a0diz-nos de uma forma muito bela: \u201cCada celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia \u00e9 um raio daquele Sol sem ocaso que \u00e9 Jesus ressuscitado. Participar na Missa, em particular aos domingos, significa entrarmos na vit\u00f3ria do Ressuscitado, sermos iluminados pela sua luz, abrasados pelo seu calor. Atrav\u00e9s da celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica o Esp\u00edrito Santo torna-nos participantes da vida divina, que \u00e9 capaz de transfigurar todo o nosso ser mortal\u201d.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Espiritualidade eucar\u00edstica<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>O culto eucar\u00edstico n\u00e3o se confina apenas \u00e0 participa\u00e7\u00e3o na Eucaristia e na adora\u00e7\u00e3o, mas abra\u00e7a toda a vida do homem e da mulher e penetra todo o tecido social. \u201cA pr\u00f3pria Eucaristia projeta uma luz intensa sobre a hist\u00f3ria humana e sobre o universo\u201d (Bento XVI, <em>SC, <\/em>92). Acolher, comungar, celebrar e adorar s\u00e3o momentos essenciais no dinamismo da espiritualidade eucar\u00edstica. Comprometem toda a vida pessoal, familiar e social, em ordem \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da paz, da comunh\u00e3o fraterna, da defesa da cria\u00e7\u00e3o e da unidade com Cristo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A Eucaristia \u00e9 sacramento do amor! Ao comungar o P\u00e3o da Vida, recebemos luz e for\u00e7a para caminhar na esperan\u00e7a e na alegria at\u00e9 ao encontro definitivo com o Pai. N\u00e3o esque\u00e7amos os nossos doentes, carne de Cristo sofredor, nas suas casas ou nos hospitais, os pobres, os que precisam de uma presen\u00e7a amiga ou palavra de conforto, os presos, as fam\u00edlias com maiores problemas, os idosos, os jovens e as crian\u00e7as. Cristo a todos atrai e abra\u00e7a no Seu amor, especialmente os mais fr\u00e1geis.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Lembro a import\u00e2ncia da participa\u00e7\u00e3o na Eucaristia dominical. Nela entregamos com Cristo ao Pai as alegrias, os sofrimentos e as tribula\u00e7\u00f5es da humanidade, para que tudo seja integrado e redimido no Sacrif\u00edcio Redentor de Cristo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ilhas do Sant\u00edssimo Sacramento <\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Portugal acolheu a celebra\u00e7\u00e3o da solenidade do <em>Corpus Christi<\/em> no s\u00e9c. XIII, quando foi introduzida na B\u00e9lgica, no reinado de D. Afonso III. Ao longo dos s\u00e9culos, o povo portugu\u00eas conservou uma profunda devo\u00e7\u00e3o ao Sant\u00edssimo Sacramento do Altar, que se estendeu, durante a expans\u00e3o mar\u00edtima, no s\u00e9c. XV, \u00e0s novas terras descobertas.<\/p>\n<p>Ao fazermos mem\u00f3ria hist\u00f3rica dos 600 anos da descoberta do Porto Santo e da Madeira, comprovamos com alegria a devo\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica dos nossos antepassados. \u00a0Quando os navegadores portugueses aportaram, pela primeira vez, na ba\u00eda de Machico, dois sacerdotes franciscanos celebraram esse feliz acontecimento, com a celebra\u00e7\u00e3o da Missa. Foi esta a primeira homenagem ao Sant\u00edssimo Sacramento, em solo madeirense.<\/p>\n<p>Com o povoamento da Ilha, a espiritualidade eucar\u00edstica traduziu-se em manifestos sinais de amor e de louvor para honrar t\u00e3o admir\u00e1vel Sacramento. J\u00e1 no s\u00e9c. XVII, o historiador madeirense Henrique de Noronha afirmava: \u201cA mais solene prociss\u00e3o de todo o ano \u00e9 a do Sant\u00edssimo Sacramento\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os lindos e art\u00edsticos tapetes de flores, preparados com alegria e, por vezes, com muito sacrif\u00edcio, reservados ao presidente da celebra\u00e7\u00e3o, que transporta a sagrada cust\u00f3dia, debaixo do p\u00e1lio, exprimem muito bem o sentimento religioso e a f\u00e9 viva do nosso povo. Esta festa do Sant\u00edssimo Sacramento ou a Festa do Senhor, depois da grande celebra\u00e7\u00e3o diocesana, tamb\u00e9m se realiza, durante o ver\u00e3o, em quase todas as comunidades paroquiais madeirenses. As nossas ilhas da Madeira e Porto Santo s\u00e3o assim conhecidas como Ilhas do Sant\u00edssimo Sacramento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Cristo est\u00e1 vivo no meio de n\u00f3s<\/strong><\/p>\n<p>Irm\u00e3os, acompanhemos o Senhor, com amor e gratid\u00e3o. Na Eucaristia est\u00e1 a presen\u00e7a real de Jesus Cristo, Deus vivo e verdadeiro. Jesus volta \u00e0 nossa cidade, como outrora, nas ruas da Palestina. Ele nos contempla com amor, reza por n\u00f3s ao Pai, escuta-nos com ternura de amigo e faz <em>arder o cora\u00e7\u00e3o<\/em>, como aos disc\u00edpulos de Ema\u00fas. Pe\u00e7amos-lhe, pois, que aben\u00e7oe as nossas fam\u00edlias, cure os doentes, console os aflitos e atribulados e a todos inunde de alegria, de f\u00e9 e de paz.<\/p>\n<p>Senhora do Monte, nossa padroeira, M\u00e3e de Jesus Cristo, P\u00e3o vivo descido do C\u00e9u, rogai por n\u00f3s!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Funchal, 31 de Maio de 2018<\/p>\n<p><em>D. Ant\u00f3nio Carrilho, Bispo do Funchal<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0A Eucaristia, maior tesouro espiritual da Igreja<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":106847,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[186],"class_list":["post-106842","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-do-funchal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/106842","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=106842"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/106842\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/106847"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=106842"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=106842"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=106842"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}