{"id":106733,"date":"2018-06-01T08:30:17","date_gmt":"2018-06-01T07:30:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=106733"},"modified":"2018-06-04T11:15:32","modified_gmt":"2018-06-04T10:15:32","slug":"a-representacao-como-servico-aos-semelhantes-de-ruy-de-carvalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-representacao-como-servico-aos-semelhantes-de-ruy-de-carvalho\/","title":{"rendered":"A representa\u00e7\u00e3o como \u00abservi\u00e7o aos semelhantes\u00bb de Ruy de Carvalho"},"content":{"rendered":"<p><em>Ator vai receber pr\u00e9mio \u00c1rvore da Vida\/Padre Manuel Antunes 2018, da Igreja Cat\u00f3lica<\/em><!--more--><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-102267\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/RuyCarvalho-300x200.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/RuyCarvalho-300x200.png 300w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/RuyCarvalho.png 450w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>A Igreja Cat\u00f3lica decidiu atribuir ao ator Ruy de Carvalho o pr\u00e9mio \u00c1rvore da Vida\/Padre Manuel Antunes 2018 num reconhecimento da sua vida e obra. Em parceria com a R\u00e1dio Renascen\u00e7a e o Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, a ECCLESIA conversa com o ator portugu\u00eas no Teatro da trindade, palco onde se estreou.<\/p>\n<p>Aos 91 anos diz que gostaria de vir ainda a subir ao palco para fazer de palha\u00e7o, \u00abum palha\u00e7o simp\u00e1tico, para dizer coisas que podem melhorar os homens\u00bb. Pessoa de f\u00e9, deve \u00e0 sua esposa, com quem partilhou a vida durante 62 anos, o valor da fam\u00edlia e ao p\u00fablico o carinho com que sempre o tratou. Diz que gosta mesmo \u00e9 de representar e que esta \u00e9 a sua forma de servir.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por L\u00edgia Silveira e Maria Jo\u00e3o Costa<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ag\u00eancia Ecclesia (AE) \u2013 Em 75 anos de carreira, que import\u00e2ncia tem este reconhecimento da Igreja cat\u00f3lica?<\/em><\/p>\n<p><em>Ruy de Carvalho (RC) \u2013<\/em> \u00c9 muito importante. N\u00e3o esperava. Foi uma surpresa muito grande e honra-me muito. Olharam para a minha vida e acharam que eu era, realmente, uma \u00e1rvore de vida.<\/p>\n<p>Tive frutos muito bons, fiz ramagens muito bonitas, tive primaveras maravilhosas na minha vida. Tive momentos com mais tempestade, menos tempestade que acontece \u00e0s pessoas. Mas sempre com muita f\u00e9. Eu sou um homem de f\u00e9, n\u00e3o sei se sou um cat\u00f3lico perfeito, mas sou um crist\u00e3o perfeito, porque me preocupo muito com o que preocupou Cristo, que foram os seus semelhantes. \u00c9 preciso dar amor. Se dermos amor uns aos outros vivemos em Cristo. Portanto, se \u00e9 por a\u00ed que pegam na \u00c1rvore da Vida e a Igreja achou que eu merecia este pr\u00e9mio, eu estou muito honrado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 O j\u00fari destacou o sentido exemplar da seriedade profissional do Ruy. Essa seriedade \u00e9 uma marca da sua vida e tamb\u00e9m da sua vida profissional.<\/em><\/p>\n<p><em>RC \u2013<\/em> Eu acho que sim. Fa\u00e7o o poss\u00edvel por viver igual a todos os meus semelhantes. N\u00e3o sou diferente de ningu\u00e9m, tenho \u00e9 jeito para representar. \u00c9 a minha qualidade, \u00e9 o meu servi\u00e7o aos meus semelhantes. Representar o melhor que sei e posso, com algumas dificuldades. Nem sempre \u00e9 f\u00e1cil, nem sempre \u00e9 f\u00e1cil encontrar aquilo que nos querem vestir, mas \u00e9 uma profiss\u00e3o muito bonita e d\u00e1 gozo.<\/p>\n<p>E h\u00e1 coisas engra\u00e7adas que nos acontecem. N\u00f3s n\u00e3o espirramos em cena, n\u00e3o temos dores em cena, esquecemos as coisas. Talvez porque entramos noutra pessoa, figura ou corpo. H\u00e1 coisas que n\u00e3o nos acontecem.<\/p>\n<p>Neste Teatro onde estamos a fazer a entrevista aconteceu-me muita coisa. Teatro da Trindade \u00e9 muito bonito, chama-se Trindade.<\/p>\n<p>\u00c9 um momento muito simp\u00e1tico da minha vida, chamemos-lhe assim, e estou muito grato.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 O facto de a Igreja ir acompanhando o que o mundo da cultura faz, \u00e9 importante nesta altura?<\/em><\/p>\n<p><em>RC \u2013 <\/em>\u00c9 muito importante. Eu sou franciscano, fiz a vida de S\u00e3o Francisco de Assis. E estou muito feliz porque tenho um Papa que se chama Francisco. Ele escolheu o nome que eu escolheria se fosse Papa. J\u00e1 fui, como ator, e j\u00e1 fui cardeal.<\/p>\n<p>Hoje estou muito contente porque tenho um Papa que se chama Francisco que ainda n\u00e3o mudou as botas. J\u00e1 repararam? A maior parte das pessoas ainda n\u00e3o olhou para os p\u00e9s do Papa. Ele ainda n\u00e3o cal\u00e7ou as sand\u00e1lias, continua na Terra e \u00e9 o p\u00e1roco do mundo. Ele hoje \u00e9 padre de todos n\u00f3s.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Criar momentos de di\u00e1logo entre a Igreja e a cultura, \u00e9 importante, no seu entender?<\/em><\/p>\n<p><em>RC \u2013<\/em> \u00c9 claro que sim e as pessoas gostam de dialogar. Se tiverem um interlocutor que facilita o di\u00e1logo \u00e9 bom.<\/p>\n<p>As pessoas falam \u00e0 vontade com ele, com prazer. Eu n\u00e3o vi ningu\u00e9m se n\u00e3o a querer beij\u00e1-lo, a querer abra\u00e7\u00e1-lo, a ter um aconchego dele. Aquilo que os p\u00e1rocos devem fazer aos seus paroquianos, aconcheg\u00e1-los. Ajud\u00e1-los a viver melhor e ele faz isso ao mundo. E est\u00e1 muita gente a fazer as pazes com a Igreja.<\/p>\n<p>Devemos dizer a verdade, houve momentos maus da Igreja, mas que foram redimidos e ele j\u00e1 pediu perd\u00e3o por eles. Coisas que foram acontecendo e acontecem aos homens e em qualquer sociedade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Em 91 anos de vida o Ruy de Carvalho acompanhou muitas fases da Igreja, alguns Papas, algumas formas diferentes de estar na Igreja.<\/em><\/p>\n<p><em>RC \u2013<\/em> O Papa Jo\u00e3o XXIII mudou um pouco a Igreja. O Jo\u00e3o Paulo II abriu caminho tamb\u00e9m pela forma como agiu. Gostava muito do Jo\u00e3o Paulo II, foi uma figura muito importante da Igreja. Foi um grande representante de Cristo na Terra. E agora t\u00eam outro, grande seguidor de Cristo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 O Ruy diz que \u00e9 profundamente crist\u00e3o, mas ao mesmo tempo que n\u00e3o \u00e9 um crente absoluto? Que crente \u00e9 Ruy de Carvalho?<\/em><\/p>\n<p><em>RC \u2013 <\/em>Eu acho que sou um bom crist\u00e3o, talvez n\u00e3o seja um cat\u00f3lico muito cumpridor. Um dia um padre disse-me algo muito bonito. Fui a um local chamado calv\u00e1rio, uma obra do padre Am\u00e9rico, em Penafiel, e entrei na capela e perguntei ao sacerdote onde \u00e9 que se dava a missa. E ele disse: \u00abMissa fazemos n\u00f3s l\u00e1 dentro nas chagas de Cristo.\u00bb Eram os doentes que l\u00e1 estavam, esses s\u00e3o que n\u00f3s temos de tratar. A missa passa-se ali.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Ser crist\u00e3o, para si, passa por uma pr\u00e1tica junto do seu semelhante?<\/em><\/p>\n<p><em>RC \u2013<\/em> Exatamente, isso \u00e9 que \u00e9 ser crist\u00e3o. Era o que fazia Cristo. Estar junto dos seus semelhantes e tentar melhor\u00e1-los, mesmo aos que n\u00e3o estavam bem. A miss\u00e3o do verdadeiro crist\u00e3o \u00e9 converter os que n\u00e3o est\u00e3o bem mas com o cora\u00e7\u00e3o, com amor. O amor converte e consegue modificar as pessoas. Nos animais sentimos isso. Quando damos amor a um animal que foi abandonado ele tem uma gratid\u00e3o extraordin\u00e1ria e muda a sua maneira de estar: deixa de rosnar, morder ou ladrar constantemente e come\u00e7a a querer festas e a encostar-se a n\u00f3s.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Estreou-se no Teatro da Trindade h\u00e1 76 anos. O nervoso e o respeito pelo p\u00fablico hoje s\u00e3o os mesmos?<\/em><\/p>\n<p><em>RC \u2013<\/em> Hoje tenho mais respeito pelo p\u00fablico, pelos meus colegas e por mim. Humildade \u00e9 uma palavra muito bonita que come\u00e7a connosco, na nossa forma de estar, nos nossos colegas, a quem nos v\u00ea, a quem servimos que \u00e9 o p\u00fablico. Todos somos pessoas, a nossa obriga\u00e7\u00e3o \u00e9 n\u00e3o querer ser mais, servir sem nunca ser superior, maior ou mostrar mais conhecimento.<\/p>\n<p>O amor igualiza as pessoas e at\u00e9 os animais sentem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Quando fala em representa\u00e7\u00e3o fala em servi\u00e7o. Qual \u00e9 hoje, para si, o poder do teatro, da representa\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p><em>RC \u2013<\/em> Em Portugal \u00e9 pouco. H\u00e1 pouco teatro em Portugal. A cultura est\u00e1 um pouco abandonada. N\u00e3o conta. Andamos a pedir 1% do or\u00e7amento de Estado, \u00e9 muito pouco. Quando h\u00e1 outras coisas que levam muito dinheiro e n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o \u00fateis. A sa\u00fade \u00e9 \u00fatil, a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 \u00fatil, mas h\u00e1 outras coisas que levam dinheiro. Os bancos deveriam ter tido mais ju\u00edzo no dinheiro que emprestavam. Houve muita corrup\u00e7\u00e3o em Portugal e temos de combater. Temos de encontrar o bem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 N\u00e3o se valoriza a cultura o suficiente?<\/em><\/p>\n<p><em>RC \u2013<\/em> N\u00e3o. A cultura \u00e9 a arca do tesouro de um povo. Quem tiver uma grande arquitetura, escultura, pintura, um bom teatro, uma boa m\u00fasica, grandes artistas e interpretes, tudo isso \u00e9 uma grande riqueza que um povo tem, e essa riqueza \u00e9 fundamental, tal como a ci\u00eancia e o desporto.<\/p>\n<p>Estamos muito virados para coisas que n\u00e3o deixam um homem raciocinar e por em pr\u00e1tica o que aprende na escola. Temos de ter um sentido cr\u00edtico e construtivo, saber viver com os nossos semelhantes e, sobretudo, viver em liberdade que \u00e9 muito dif\u00edcil. Exige respeito por tudo o que \u00e9 nosso, n\u00e3o s\u00f3 as coisas imateriais como a materiais. \u00c9 preciso respeitar os locais onde estamos, n\u00e3o destruir o que pertence a todos e fazer cada vez mais belo tudo o que habitamos.<\/p>\n<p>Viver em liberdade est\u00e1 a acontecer lentamente em Portugal, mas ainda h\u00e1 muita libertinagem. Temos factos evidentes e coisas que aconteceram h\u00e1 pouco tempo que mostram que h\u00e1 libertinagem e n\u00e3o liberdade. A liberdade \u00e9 algo muito bonito que se resolve com di\u00e1logo. Quem dialogar e conversar talvez consiga resolver as coisas mesmo que a discuss\u00e3o seja acalorada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 O Ruy diz que quando pisa um palco \u00e9 ator mas quando desce \u00e9 um cidad\u00e3o. Que import\u00e2ncia tem essa interven\u00e7\u00e3o c\u00edvica?<\/em><\/p>\n<p><em>RC \u2013<\/em> \u00c9 a minha forma de ser. N\u00e3o preparei isso. Ensinaram-se, os meus pais eram assim, os meus filhos s\u00e3o assim. Fui transmitindo esse espirito de servi\u00e7o.<\/p>\n<p>N\u00f3s vivemos coletivamente, n\u00e3o somos sozinhos, vivemos com os outros tanto no teatro como na vida. N\u00f3s fazemos parte de uma fam\u00edlia, que \u00e9 uma coisa muito bonita. Integramos uma fam\u00edlia muito grande, os portugueses, os franceses, os espanh\u00f3is s\u00e3o fam\u00edlias. Mas depois h\u00e1 a fam\u00edlia universal e os homens s\u00e3o todos iguais, tenham a cor que tiverem, tenham a pol\u00edtica que tiverem. Desde que n\u00e3o tenham pol\u00edticas destrutivas e n\u00e3o fa\u00e7am mal aos seus semelhantes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Encontra espa\u00e7o na sociedade para colocar essa interven\u00e7\u00e3o c\u00edvica, para passar os seus valores que s\u00e3o, no fundo, de coes\u00e3o social?<\/em><\/p>\n<p><em>RC \u2013<\/em> Julgo que me conduzo na minha vida mostrando isso precisamente. O conv\u00edvio, a humildade com que lidamos com os nossos semelhantes, a forma de estar, o espirito com que fazemos o nosso trabalho, \u00e9 muito importante e os outros sentem. As pessoas sentem o respeito que temos por elas. Sentem e gostam de ser respeitadas.<\/p>\n<p>Consola-me muito o ser estimado, sou beijado. Dizem-me coisas muito bonitas na rua. \u00c0s vezes fico admirado porque desconhecia ter essas qualidades todas. Eu sou igual.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Mesmo que lhe mostrem esse afeto diariamente, j\u00e1 o ouvi dizer que \u00e9 como beber \u00e1gua, precisa desse carinho do p\u00fablico todos os dias.<\/em><\/p>\n<p><em>RC \u2013<\/em> Exatamente e sinto-me muito bem. Antigamente tinha medo de entrar no palco, na vida nunca tive medo. N\u00e3o me ensinaram a ter medo da vida. Os meus pais ensinaram-me a enfrentar a vida com as suas facilidades e dificuldades. E fiz isso a vida toda. Vivi em v\u00e1rios locais, convivi com v\u00e1rios tipos de sociedade. Vivi em \u00c1frica, vivi na Beira, vivi em Lisboa. Corri parte do mundo. Gosto muito de \u00c1frica, tenho grande paix\u00e3o por \u00c1frica, pelo seu cheiro e pela sua gente. J\u00e1 fui minoria numa terra onde s\u00f3 havia pretos. Eu era a minoria e era estimado, brinquei com rapazes que hoje t\u00eam 90 anos como eu, se ainda viverem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Essa experi\u00eancia deu-lhe abertura e toler\u00e2ncia ao mundo?<\/em><\/p>\n<p><em>RC \u2013<\/em> S\u00e3o coisas que educam se estivermos atentos. Se estivermos atentos aos nossos semelhantes e \u00e0s suas a\u00e7\u00f5es, tentamos melhorar aqueles que fazem mal, se pudermos e deixarem, porque \u00e0s vezes n\u00e3o deixam. H\u00e1 pessoas que nascem doentes. Muito da maldade que existe no mundo \u00e9 doen\u00e7a, s\u00e3o pessoas que n\u00e3o nascem bem. H\u00e1 pessoas que s\u00e3o amorais, n\u00e3o sabem o que \u00e9 educa\u00e7\u00e3o e respeito. Se tentarmos que eles mudem pelo nosso exemplo, melhor \u00e9.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Houve alguma personagem que representou e que se arrependa de a ter representado?<\/em><\/p>\n<p><em>RC \u2013<\/em> N\u00e3o. Tenho uma coisa que me magoou muito, quando era novinho com vinte e poucos anos. Foi uma pe\u00e7a infantil que foi feita em cima do joelho. Nesse dia chorei em cena porque n\u00e3o gostei do trabalho que fiz, nem do meu nem dos meus colegas. Foi uma coisa mal fabricada e para crian\u00e7as deve-se dar o melhor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Houve alguma personagem que transmitisse valores com os quais o Ruy de Carvalho n\u00e3o se identificasse?<\/em><\/p>\n<p><em>RC \u2013<\/em> \u00c9 claro que sim. H\u00e1 personagens que magoam. J\u00e1 fiz v\u00e1rios. Um b\u00eabado, por exemplo. J\u00e1 fiz b\u00eabados de v\u00e1rios tipos: frustra\u00e7\u00e3o, alco\u00f3licos, s\u00e3o todos diferentes. Como ator acho interessante fazer uma pessoa com a qual n\u00e3o concordo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Com 76 anos de profiss\u00e3o, chega a casa despedido da personagem?<\/em><\/p>\n<p><em>RC \u2013<\/em> Completamente. Acaba quando acaba o espet\u00e1culo. Levo o corpo e a voz, mas isso n\u00e3o posso tirar. Mas n\u00e3o vou para a rua pintado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Esses valores que lhe s\u00e3o estranhos que tem de vestir por causa da personagem, n\u00e3o se misturam com a sua personalidade, n\u00e3o h\u00e1 linhas t\u00e9nues?<\/em><\/p>\n<p><em>RC \u2013<\/em> H\u00e1 coisas que se mant\u00eam: o cuidado na forma de sentar e falar. Aprendemos a mexer-nos com o fato que vestimos e com a situa\u00e7\u00e3o que vivemos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Vai transmitindo esses ensinamentos \u00e0s novas gera\u00e7\u00f5es que trabalham consigo?<\/em><\/p>\n<p><em>RC \u2013<\/em> Acho que sim, mas n\u00e3o imponho nada. Ajudo se eles quiserem. Eles come\u00e7am a perceber que eu sou capaz de ajudar e perguntam coisas. Tenho o maior prazer nisso. Tenho um filho e um neto ator. Tive dois irm\u00e3os atores. H\u00e1 um contacto muito grande com a arte de representar.<\/p>\n<p>E, sobretudo, o sangue novo. Os novos que v\u00eam trazem a reciclagem. \u00c9 muito mau viver na experi\u00eancia. A experi\u00eancia \u00e9 evolutiva, temos de caminhar com as novidades que os mais novos v\u00e3o trazendo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Tamb\u00e9m alimentam a sua energia.<\/em><\/p>\n<p><em>RC \u2013<\/em> Normalmente chamo de caos. Eles trazem ideias novas, \u00e9 tudo mais f\u00e1cil. \u00c9 claro que depois assenta como as borras do caf\u00e9 que v\u00e3o ao fundo. O que n\u00e3o \u00e9 bom vai-se embora e o que \u00e9 bom fica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Numa sociedade instant\u00e2nea, at\u00e9 do ef\u00e9mero em alguns aspetos, as novas gera\u00e7\u00f5es encontram, no seu entender, o verdadeiro significado da representa\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p><em>RC \u2013<\/em> Estou neste momento a trabalhar com jovens com muito talento e muita qualidade. Isso d\u00e1-me uma grande alegria. Quando eu partir, vou partir um dia destes, n\u00e3o \u00e9? Ningu\u00e9m c\u00e1 fica para compota. H\u00e1 quem continue o teatro em Portugal e espero que os que mandam continuem a apoiar a cultura, o teatro, a m\u00fasica, o bailado, a escrita, a escultura, a arquitetura que \u00e9 o que vai ficando e que marca a evolu\u00e7\u00e3o das \u00e9pocas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 O Ruy est\u00e1 a ensaiar uma nova pe\u00e7a, mantem o espet\u00e1culo \u00abTrovas e Can\u00e7\u00f5es\u00bb com o seu filho, faz tamb\u00e9m televis\u00e3o. Fez cinema, teatro. Onde \u00e9 que o seu cora\u00e7\u00e3o est\u00e1?<\/em><\/p>\n<p><em>RC \u2013<\/em> Aqui, no teatro. Mas eu gosto \u00e9 de representar. No fundo, representar para a televis\u00e3o tem uma t\u00e9cnica, o teatro tem outras especificidades, s\u00e3o t\u00e9cnicas diferentes. O cinema e a televis\u00e3o s\u00e3o semelhantes, embora o cinema seja mais lento, plano a plano. Eu gosto no fundo de representar para todos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Mas o que \u00e9 que o fascina no teatro?<\/em><\/p>\n<p><em>RC \u2013<\/em> Aqui h\u00e1 calor. Aqui sentimos tudo o que vem dali (aponta para a plateia). A aten\u00e7\u00e3o, o estar a gostar ou n\u00e3o, o interesse ou desinteresse. Sentimos tudo: o que fazem, as carteiras que fecham, os rebu\u00e7ados que se desembrulham, os amendoins que se comem, os telem\u00f3veis que tocam. Tudo isto sentimos no placo. N\u00e3o devemos olhar, mas h\u00e1 uma forma de teatro em que se pode olhar que \u00e9 a revista. O p\u00fablico de revista conversa com os atores. \u00c9 muito dif\u00edcil fazer revista e um ator de revista tem de ter muita empatia. Est\u00e1 abandonado este g\u00e9nero.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 A revista \u00e9 um g\u00e9nero de cr\u00edtica social.<\/em><\/p>\n<p><em>RC \u2013<\/em> Hoje devia haver formas de fazer cr\u00edtica como havia com \u00abOs Rid\u00edculos\u00bb (jornal de 1895) e o \u00abSempre fixe\u00bb (seman\u00e1rio humor\u00edstico publicado em Lisboa, em 1926), jornais que a censura cortou e que faziam cr\u00edtica humor\u00edstica a situa\u00e7\u00f5es nacionais.<\/p>\n<p>Hoje, com a televis\u00e3o, pod\u00edamos ter uma boa cr\u00edtica pol\u00edtica, porque os pol\u00edticos precisam ser criticados. Bastante. E os homens tamb\u00e9m. Eu acho que havia gente que podia faz\u00ea-lo com muita gra\u00e7a, como os alentejanos. H\u00e1 casos pol\u00edticos e sociais que podiam ser criticados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Estamos neste palco do Teatro da Trindade. Ainda se lembra do 1\u00ba dia?<\/em><\/p>\n<p><em>RC \u2013<\/em> Estava no local que designamos por direita baixa, que corresponde \u00e0 nossa esquerda. Estava metido no s\u00edtio do Satan\u00e1s e vinha \u00e0 frente fazer as minhas maldades. Lembro-me perfeitamente (na pe\u00e7a \u00abO Jogo para o Natal de Cristo\u00bb, 1942).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Com o Ribeirinho a dirigir?<\/em><\/p>\n<p><em>RC \u2013<\/em> Precisamente. Comecei a fazer teatro muito novo com um grande profissional que foi um mestre para a minha gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Tem uma mem\u00f3ria muito viva do tudo o que conta. Lembra-se com precis\u00e3o. <\/em><\/p>\n<p><em>RC \u2013<\/em> E se continu\u00e1ssemos a conversar, ia-me lembrar de mais coisas. Sim, tenho uma mem\u00f3ria ainda boa. Talvez precise mais tempo para decorar mas ainda decoro bem e \u00e0s vezes at\u00e9 me admiro como decoro t\u00e3o bem. Depende da escrita: h\u00e1 quem escreva com mais facilidade. H\u00e1 escritores complicados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Um ator vive do exerc\u00edcio da mem\u00f3ria.<\/em><\/p>\n<p><em>RC \u2013<\/em> E sobretudo do respeito daquilo que vai dizer como ator. N\u00e3o foi dito nem inventado por ele. Foi escrito por uma pessoa a quem temos de respeitar porque foi quem escreveu o texto.<\/p>\n<p>N\u00e3o posso improvisar E\u00e7a de Queiroz ou o Camilo Castelo Branco. S\u00e3o pessoas que t\u00eam o seu estilo como o Alexandre Herculano, o Almeida Garrett, o Jos\u00e9 Saramago, o Manuel da Fonseca, o Jos\u00e9 Cardoso Pires, com quem fiz uma pe\u00e7a \u00abO Render dos Her\u00f3is\u00bb, em que fazia de cego que personificava o povo portugu\u00eas.<\/p>\n<p>\u00c9 uma figura que me marcou muito, um escritor que merecia o Nobel da Literatura, mas dentro de mim est\u00e1 o Nobel para o Jos\u00e9 Cardoso Pires.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Que valor tem a fam\u00edlia na constru\u00e7\u00e3o da sua vida e at\u00e9 da sua carreira profissional?<\/em><\/p>\n<p><em>RC \u2013 <\/em>Foi fundamental. Eu tive uma mulher extraordin\u00e1ria. Foi bailarina e licenciada em Hist\u00f3ria e Filosofia, com uma cultura muito interessante. E artista. Com uma grande capacidade de compreens\u00e3o. Eu \u00e9 que era a sombra e ela a pessoa.<\/p>\n<p>Abdicou de muita coisa para criar os filhos. Podia ser professora mas achou que a sua vida seria melhor em casa e deu-me a responsabilidade de aguentar materialmente. O que na minha profiss\u00e3o fiz com algumas dificuldades, com alguns momentos terr\u00edveis, que n\u00e3o foram f\u00e1ceis, mas que fui sempre ocultando dos meus filhos que estavam a crescer e dela, sobretudo. Ela nunca sentiu os momentos maus da minha vida. Eu estava ativo. \u00c0s vezes a parte econ\u00f3mica n\u00e3o estava bem mas eu arranjava maneira de no final do m\u00eas ela ter sempre o dinheirinho para a casa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Era importante mostrar que estava tudo bem, apesar das dificuldades?<\/em><\/p>\n<p><em>RC \u2013<\/em> Eles n\u00e3o tinham de sofrer o que eu estava a passar. As pessoas n\u00e3o t\u00eam que sofrer o que os outros sofrem, mas devemos aliviar a vida e faz\u00ea-los mais felizes. Embora a nossa felicidade n\u00e3o seja muito grande, a nossa responsabilidade \u00e9 grande.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 A Rute foi para si um testemunho de f\u00e9? <\/em><\/p>\n<p><em>RC \u2013<\/em> A minha mulher sim. Foi diretora de uma catequese durante 28 anos e esteve mais tempo como catequista. Fez um bom trabalho, julgo, na igreja de Nossa Senhora do Amparo, em Benfica. Era muito estimada. Tinha uma f\u00e9 sem limites.<\/p>\n<p>Aconteceu uma coisa engra\u00e7ada connosco: durante 15 anos vivemos privados da b\u00ean\u00e7\u00e3o da Igreja porque cas\u00e1mos s\u00f3 pelo civil. Eu acho que o casamento pela Igreja \u00e9 uma b\u00ean\u00e7\u00e3o e s\u00f3 se deve aben\u00e7oar o que \u00e9 bom. Aben\u00e7oar uma coisa que falha no segundo ou no terceiro ano n\u00e3o vale a pena.<\/p>\n<p>As pessoas t\u00eam que saber amar e conseguir viver 15 anos amando-se, ou 20 ou 53 como eu vivi, com mais nove de namoro. \u00c9 preciso saber viver a vida em conjunto com muito respeito e, sobretudo, muito amor. E transmitir isso aos que v\u00e3o sendo produto do nosso amor: os filhos, os netos. Tenho bisnetos. Sou um homem rico, nesse aspeto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 E a f\u00e9 vai sendo transmitida \u00e0s gera\u00e7\u00f5es mais novas\u2026<\/em><\/p>\n<p><em>RC \u2013<\/em> Todos eles praticam o cristianismo. S\u00e3o todos crist\u00e3os.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Para si \u00e9 importante?<\/em><\/p>\n<p><em>RC \u2013<\/em> \u00c9 muito importante. Tenho muita f\u00e9, sou um homem de f\u00e9. Gosto muito de Nossa Senhora de F\u00e1tima. \u00c9 a m\u00e3e de Deus, n\u00e3o \u00e9?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Estamos no Teatro da Trindade, onde se estreou. O que lhe falta fazer em palco?<\/em><\/p>\n<p><em>RC \u2013<\/em> Eu agora fa\u00e7o o que querem que eu fa\u00e7a. Nunca escolhi o meu trabalho. Normalmente dizem que serei capaz de fazer isto ou aquilo e eu fa\u00e7o. E d\u00e1-me um prazer excecional. Adorei fazer o Rei Lear, o R\u00f3mulo Grande.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Com o cora\u00e7\u00e3o a pender para o teatro, h\u00e1 algum texto que gostasse de levar \u00e0 cena?<\/em><\/p>\n<p><em>RC \u2013<\/em> Eu gostava de fazer um palha\u00e7o. Gosto muito de palha\u00e7os, no fundo, tamb\u00e9m sou um palha\u00e7o. Ainda n\u00e3o fiz nenhum, verdadeiramente.<\/p>\n<p>Um palha\u00e7o com as suas qualidades e defeitos. Com o nariz encarnado, tem de ser simp\u00e1tico e de saber dizer as coisas que podem melhorar os homens. Mostrar aos homens os seus defeitos. E o palha\u00e7o pode fazer isso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Num pequeno jogo de palavras, pergunto-lhe o que diz de si a palavra humildade?<\/em><\/p>\n<p><em>RC \u2013<\/em> A palavra humildade \u00e9 muito bela na l\u00edngua portuguesa. H\u00e1 uma grande confus\u00e3o porque h\u00e1 quem ache que subservi\u00eancia \u00e9 um ato de humildade. N\u00e3o \u00e9. A humildade \u00e9 um ato digno, a subservi\u00eancia \u00e9 indigna. Ser subserviente \u00e9 muito feio porque normalmente abre espa\u00e7o a denunciantes, vaidosos, gente muito incapaz. Temos de tentar melhorar essa forma de exist\u00eancia. N\u00e3o deve haver subservi\u00eancia entre os homens, mas humildade. Espirito de servi\u00e7o, coletivismo.<\/p>\n<p>A Igreja tem uma palavra muito bonita que \u00e9 partilha. Devemos partilhar os conhecimentos, a forma de estar, a nossa comodidade, tudo o que temos e os outros n\u00e3o t\u00eam, devemos partilhar sem ofender. N\u00e3o devemos magoar quem tem menos que n\u00f3s, nem mostrar que somos melhores ou que temos mais. Devemos tentar fazer isso, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil ser assim. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil ser humilde no sentido correto da palavra, mas \u00e9 bom ser.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 O que diz a palavra f\u00e9 do Ruy de Carvalho?<\/em><\/p>\n<p><em>RC \u2013<\/em> Sem ela n\u00e3o existia. Eu tenho muita f\u00e9 e sou um ator que n\u00e3o se benze antes de entrar em cena. H\u00e1 muitos colegas que se benzem, \u00e9 a sua maneira de sentir.<\/p>\n<p>Eu ofere\u00e7o o meu trabalho, \u00e9 uma forma de me benzer. Ofere\u00e7o a Deus o meu trabalho, aos meus concidad\u00e3os, ofere\u00e7o, n\u00e3o pe\u00e7o nada. Tenho de ter as qualidades de fazer ou n\u00e3o fazer bem as coisas que me s\u00e3o atribu\u00eddas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Outra palavra: palco.<\/em><\/p>\n<p><em>RC \u2013<\/em> \u00c9 uma maravilha. Chama-se bicho. Para n\u00f3s \u00e9 um bicho, entra em n\u00f3s e nunca mais nos larga at\u00e9 ao fim da vida. Quando nos larga \u00e9 porque nos mandaram embora para casa, mas sempre com vontade de viver nele.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 A palavra liberdade.<\/em><\/p>\n<p><em>RC \u2013<\/em> A liberdade tem a ver com respeito, com humildade. Quem n\u00e3o \u00e9 humilde n\u00e3o sabe viver em liberdade e n\u00e3o respeita os seus semelhantes. A liberdade \u00e9 o m\u00e1ximo da democracia, outra palavra muito bonita. Tem de ser feita com muito respeito e com saber usar a liberdade e hoje, em Portugal, ainda h\u00e1 muita libertinagem que tem de acabar. Temos provas evidentes disso h\u00e1 pouco tem, h\u00e1 libertinagem e n\u00e3o liberdade.<\/p>\n<p>A liberdade permite que haja di\u00e1logo e troca de impress\u00f5es, mesmo que sejam exaltadas e quentes. Nada se deve fazer sem calor humano. A liberdade \u00e9 uma palavra muito bonita e saber us\u00e1-la \u00e9 ainda mais bonito.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Uma \u00faltima palavra: palmas.<\/em><\/p>\n<p><em>RC \u2013<\/em> \u00c9 a nossa recompensa. As palmas s\u00e3o o nosso grande pr\u00e9mio, o que o p\u00fablico nos d\u00e1. Na televis\u00e3o e no cinema n\u00e3o temos, mas tamb\u00e9m d\u00e3o. De outra forma.<\/p>\n<p>Na rua d\u00e3o-nos um beijo, \u00abgostamos de o ver\u00bb, \u00abvi-o naquela telenovela\u00bb. Muitos ainda n\u00e3o me viram no teatro que \u00e9 mais elitista. A lota\u00e7\u00e3o \u00e9 mais pequena que a televis\u00e3o com milh\u00f5es a poderem assistir. Chegamos mais depressa \u00e0s pessoas.<\/p>\n<p>Tenho momentos muito bonitos na minha vida, o calor humano \u00e0 minha volta.<\/p>\n<p>Fui h\u00e1 pouco tempo a Bustos, perto de Oliveira do Bairro, e tive muito carinho, fui tratado maravilhosamente. E eu senti-me bem. Um cidad\u00e3o feliz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 \u00c9 dessa forma que gostaria de ser recordado? Um cidad\u00e3o feliz?<\/em><\/p>\n<p><em>RC \u2013<\/em> Se acharem que eu fui \u00fatil na minha passagem pela vida, \u00e9 assim que eu gostava de ser recordado. Foi \u00fatil, serviu os seus semelhantes com amor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Obrigada Ruy de Carvalho e parab\u00e9ns pelo Pr\u00e9mio \u00c1rvore da Vida.<\/em><\/p>\n<p><em>RC \u2013<\/em> Obrigado eu. Sinto-me bem em ser uma \u00e1rvore da vida.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ator vai receber pr\u00e9mio \u00c1rvore da Vida\/Padre Manuel Antunes 2018, da Igreja Cat\u00f3lica<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":102267,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[77,6],"tags":[225],"class_list":["post-106733","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-manchete23-coluna","category-entrevistas","tag-igreja-cultura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/106733","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=106733"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/106733\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/102267"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=106733"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=106733"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=106733"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}