{"id":10650,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/o-politicamente-correcto\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"o-politicamente-correcto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-politicamente-correcto\/","title":{"rendered":"O politicamente correcto"},"content":{"rendered":"<p>Quem experimenta os meios da comunica\u00e7\u00e3o social e por eles vai contactando com o grande mundo, n\u00e3o lhe escapa a atribui\u00e7\u00e3o de culpas a esses mesmos sectores pela simplic\u00edssima raz\u00e3o de entrevistarem o cidad\u00e3o X em detrimento dos demais, valorizando o dito de algumas pessoas, e silenciando, ao mesmo tempo, o corpo alargado de que aquelas s\u00e3o membros. \u00c9 como algu\u00e9m que todos os dias est\u00e1 atento aos telejornais, exclamasse: \u201cAos canais televisivos s\u00f3 l\u00e1 v\u00e3o os da localidade X. Ora o pa\u00eds n\u00e3o se reduz a essa geografia. O mais aconselh\u00e1vel \u00e9 deixar de os ouvir, e se, os ouvir, n\u00e3o confiar mais na informa\u00e7\u00e3o. Eles escolhem, de prop\u00f3sito, s\u00f3 cidad\u00e3os de uma parte do pa\u00eds\u201d. Bem sei que as estruturas da comunica\u00e7\u00e3o s\u00e3o selectivas: desde os programas do mais puro entretenimento at\u00e9 aos da mais exigente aten\u00e7\u00e3o cultural \u00e9 inquestion\u00e1vel que, quem l\u00e1 vai, \u00e9 convidado ou escolhido por um determinado perfil ou por qualidades (ou n\u00e3o\u2026) apropriadas. \u00c9 normal que assim suceda. Sem qualquer discrimina\u00e7\u00e3o, h\u00e1 uma orienta\u00e7\u00e3o editorial que est\u00e1 muito mais interessada num tipo concreto de interventor ou participante. Mas os demais, que n\u00e3o foram ai inclu\u00eddos, n\u00e3o foram objecto da m\u00ednima exclus\u00e3o. Numa emiss\u00e3o de discos pedidos, quem solicita uma concreta execu\u00e7\u00e3o musical, exibe uma leg\u00edtima prefer\u00eancia, sem preju\u00edzo de todas as outras produ\u00e7\u00f5es. \u00c9 totalmente diferente o caso de se praticar a censura, por inten\u00e7\u00e3o expressa: algu\u00e9m n\u00e3o \u00e9 convidado nem nunca o ser\u00e1, unicamente porque pensa duma certa forma, longe do mesmo comprimento de onda. O crit\u00e9rio, aqui, n\u00e3o \u00e9 o do gosto. \u00c9 o do desgosto\u2026  Devo, entretanto, referir , por tantos casos conhecidos, que muitos foram contactados. S\u00f3 que n\u00e3o quiseram ir. Ainda h\u00e1 tempos, a jornalista F\u00e1tima de Campos Ferreira o anotava, sublinhando que, de determinadas institui\u00e7\u00f5es, quase ningu\u00e9m aceita uma solicita\u00e7\u00e3o deste g\u00e9nero. No dom\u00ednio destas quest\u00f5es continua socialmente a denunciar-se este ou aquele, como sendo emissores de pareceres \u201cpoliticamente correctos\u201d, ao contr\u00e1rio de quem lhe cola tal r\u00f3tulo, que n\u00e3o \u00e9 \u201ccomo os outros\u201d, incorrectos e pecadores\u2026 O \u201cpoliticamente correcto\u201d \u00e9 o resultado de uma press\u00e3o social pois constitui um discurso proferido em nome do agrado e da conveni\u00eancia. O seu autor \u00e9 uma personalidade doentia ou um invertebrado mental. N\u00e3o tem ideias;  exibe as de outros: N\u00e3o traduz convic\u00e7\u00f5es; utiliza oportunismos. N\u00e3o respeita o pluralismo; enverga o mesmo uniforme. \u00c9, \u00e0 porta destes, que batem jornalistas, de antem\u00e3o sabedores da resposta mais apropriada. Mas, quem utiliza esta nomenclatura como condecora\u00e7\u00e3o de quem n\u00e3o pensa como o outorgante, n\u00e3o ser\u00e1 ele &#8211; ele, sim &#8211; o perfeito exemplar daquele adere\u00e7o? N\u00e3o ser\u00e1 ele o ser passivo de uma doutrina ou o resultado de um clube? A agremia\u00e7\u00e3o, a que pertence, n\u00e3o lhe administra directrizes e princ\u00edpios, os quais, sempre longe de qualquer reflex\u00e3o, s\u00e3o praticados como quem enverga o uniforme de um jardim de inf\u00e2ncia ou de um col\u00e9gio? N\u00e3o ser\u00e1 o caso de algu\u00e9m se submeter a uma cartilha, que nem sequer leu?  N\u00e3o ser\u00e1 este o drama do \u201ccorrecto\u201d, ou seja, do bom tom, do que est\u00e1 na moda, ou do que se diz, com rigor de maneiras, na mesma rua ou na mesma associa\u00e7\u00e3o? Hoje h\u00e1, nos meios de comunica\u00e7\u00e3o social, espa\u00e7os onde qualquer pessoa pode intervir. Por que o n\u00e3o faz?     Lisboa, 11 de Mar\u00e7o de 2005 <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem experimenta os meios da comunica\u00e7\u00e3o social e por eles vai contactando com o grande mundo, n\u00e3o lhe escapa a atribui\u00e7\u00e3o de culpas a esses mesmos sectores pela simplic\u00edssima raz\u00e3o de entrevistarem o cidad\u00e3o X em detrimento dos demais, valorizando o dito de algumas pessoas, e silenciando, ao mesmo tempo, o corpo alargado de que [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[207],"class_list":["post-10650","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-fatima"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10650","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10650"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10650\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10650"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10650"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10650"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}