{"id":10582,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/educacao-e-a-melhor-arma-para-combater-pobreza-infantil\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"educacao-e-a-melhor-arma-para-combater-pobreza-infantil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/educacao-e-a-melhor-arma-para-combater-pobreza-infantil\/","title":{"rendered":"Educa\u00e7\u00e3o \u00e9 a melhor arma para combater pobreza infantil"},"content":{"rendered":"<p>A educa\u00e7\u00e3o \u00e9 a melhor arma para combater a pobreza infantil, um problema que afecta uma em cada seis crian\u00e7as portuguesas.  Educa\u00e7\u00e3o na fam\u00edlia, na escola e na sociedade, diz Teresa Costa, respons\u00e1vel pela Confedera\u00e7\u00e3o Nacional de Ac\u00e7\u00e3o Sobre o Trabalho Infantil (CNASTI), mostrando-se surpreendida com os dados revelados recentemente por um estudo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (Unicef). Aquela respons\u00e1vel sabia que o futuro de muitas crian\u00e7as estava amea\u00e7ado pelas condi\u00e7\u00f5es sociais em que vivem, mas n\u00e3o conhecia a real dimens\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o. Teresa Costa refere que o desemprego veio aumentar consideravelmente a fragilidade de muitas fam\u00edlias. Nestes casos, as crian\u00e7as e os idosos s\u00e3o os primeiros a sofrer as consequ\u00eancias da falta de sal\u00e1rios. No entanto, a quest\u00e3o n\u00e3o se restringe a factores econ\u00f3micos, assenta fundamentalmente numa mudan\u00e7a de atitudes e valores. Portugal aderiu de um modo extraordin\u00e1rio \u00e0 sociedade de consumo, mas n\u00e3o investiu na qualifica\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os. E os resultados est\u00e3o \u00e0 vista. A escola \u00e9 a primeira a ser negligente quando surgem dificuldades, repara a presidente da CNASTI, observando que \u00abquando n\u00e3o h\u00e1 dinheiro a primeira decis\u00e3o \u00e9 retirar o menino do infant\u00e1rio ou do ATL\u00bb, mas n\u00e3o h\u00e1 cortes no uso do telem\u00f3vel ou roupas de marca.  Muitas vezes, o insucesso dos filhos resulta da falta de orienta\u00e7\u00e3o dos pais, nota Teresa Costa, frisando que h\u00e1 muitos encarregados de educa\u00e7\u00e3o que est\u00e3o ap\u00e1ticos, depressivos e sem grandes perspectivas de vida. Um sentimento que os mais novos apreendem e tendem a reproduzir.  Teresa Costa lamenta que haja adultos indiferentes ao facto de os menores n\u00e3o serem bem sucedidos nos estudos e at\u00e9 mesmo abandonarem a escola. Regra geral, estes adolescentes saem do ensino, quase sempre, para irem trabalhar. Ou melhor, para conseguirem meios que lhes permitam adquirir os bens [sup\u00e9rfluos] que os pais deixaram de poder dar. Aquela respons\u00e1vel n\u00e3o tem d\u00favidas de que a desmotiva\u00e7\u00e3o dos pais se traduz na tristeza dos filhos. A agressividade e o desinteresse demonstrado por muitos petizes vem de casa, onde a retaguarda parental falha. Contudo, a presidente da CNASTI est\u00e1 convicta de que o actual quadro de pobreza infantil n\u00e3o \u00e9 diferente do de h\u00e1 20 anos. Ganhou foi outros contornos e, felizmente, mais visibilidade.  Em seu entender, a realiza\u00e7\u00e3o de estudos cient\u00edficos contribui para alertar as pessoas e as entidades para esta causa e, eventualmente, despoletar medidas de preven\u00e7\u00e3o.  E no que toca a pol\u00edticas de interven\u00e7\u00e3o, Teresa Costa \u00e9 perempt\u00f3ria: \u00abdar dinheiro \u00e9 o mais f\u00e1cil, mas n\u00e3o resolve o problema\u00bb.  \u00c9 imprescind\u00edvel avan\u00e7ar com uma ac\u00e7\u00e3o integrada e articulada, n\u00e3o s\u00f3 junto dos mais novos, como das respectivas fam\u00edlias. Para isso, recomenda, \u00e9 necess\u00e1rio p\u00f4r t\u00e9cnicos a trabalhar no terreno, que fa\u00e7am o devido acompanhamento e avalia\u00e7\u00e3o dos apoios concedidos. Mais importante que a atribui\u00e7\u00e3o de subs\u00eddios \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de projectos de vida, a altera\u00e7\u00e3o da forma de estar e agir dos encarregados de educa\u00e7\u00e3o. Portugal continuar\u00e1 a ter uma taxa de pobreza infantil excepcionalmente alta enquanto n\u00e3o tiver como prioridade as crian\u00e7as e a sua forma\u00e7\u00e3o, comenta Teresa Costa, acrescentando que cada um de n\u00f3s pode contribuir para a constru\u00e7\u00e3o de gera\u00e7\u00f5es mais felizes e mais capazes.  Em sua opini\u00e3o, este caminho implica incutir nas camadas jovens sentido de responsabilidade e p\u00f4r de lado o facilitismo, que tomou conta da popula\u00e7\u00e3o em geral. Hoje, repara Teresa Costa, as crian\u00e7as t\u00eam a percep\u00e7\u00e3o que n\u00e3o custa obter aquilo que a publicidade vende. Os conflitos emergem quando os mais velhos n\u00e3o t\u00eam possibilidade de lhes comprar. A\u00ed, pouco habituados ao \u201cn\u00e3o\u201d, v\u00e3o \u00e0 luta, usando os mais variados m\u00e9todos, alguns de \u00edndole criminosa.   N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil encontrar crian\u00e7as a passar droga, at\u00e9 nos meios rurais.  Governo precisa de investir no desenvolvimento humano A presidente da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional de Ac\u00e7\u00e3o Sobre o Trabalho Infantil (CNASTI) diz que o Governo precisa de investir mais no desenvolvimento humano.  At\u00e9 agora, as prioridades t\u00eam sido o desenvolvimento econ\u00f3mico, com avultados investimentos em infra-estruturas. Teresa Costa considera que as pol\u00edticas sociais e educativas devem ser revistas. N\u00e3o se admite que n\u00e3o haja psic\u00f3logos nas escolas, nem professores para o ensino especial. Em sua opini\u00e3o, \u00e9 preciso apostar na preven\u00e7\u00e3o, de modo a potenciar a diminui\u00e7\u00e3o de riscos e danos. De outra forma, n\u00e3o poder\u00e1 haver progresso humano e social. A pobreza continuar\u00e1 a avan\u00e7ar sobretudo entre as camadas mais vulner\u00e1veis. Teresa Costa recorda que a CNASTI j\u00e1 provou que com alguns meios \u00e9 poss\u00edvel conseguir bons resultados. A luta contra o trabalho infantil foi muito prof\u00edcua. Embora a sua erradica\u00e7\u00e3o seja uma miragem, esta \u201cpraga\u201d deixou de comprometer o salutar desenvolvimento de muitas crian\u00e7as no pa\u00eds. As dificuldades econ\u00f3micas t\u00eam sido o pretexto usado pelo Estado para n\u00e3o destacar os t\u00e9cnicos que a Confedera\u00e7\u00e3o anualmente tem pedido. Teresa Costa refere que h\u00e1 cinco anos que solicita ao Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o o destacamento de professores, mas o pedido n\u00e3o tem sido deferido. O mesmo se passa com outras associa\u00e7\u00f5es, que, segundo aquela respons\u00e1vel, t\u00eam vontade de trabalhar, mas n\u00e3o disp\u00f5em de recursos para levar avante as ac\u00e7\u00f5es programadas. Resta a esperan\u00e7a que os novos governantes sejam mais sens\u00edveis a estas causas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A educa\u00e7\u00e3o \u00e9 a melhor arma para combater a pobreza infantil, um problema que afecta uma em cada seis crian\u00e7as portuguesas. 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