{"id":10569,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/ano-da-eucaristia-reflexao-e-sugestoes\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"ano-da-eucaristia-reflexao-e-sugestoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/ano-da-eucaristia-reflexao-e-sugestoes\/","title":{"rendered":"Ano da Eucaristia: reflex\u00e3o e sugest\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>1. Valorizar o domingo  como \u00abdia do Senhor\u00bb O Ano da Eucaristia passa, antes de mais, pela viv\u00eancia do domingo como \u00abdia do Senhor\u00bb e, portanto, pela participa\u00e7\u00e3o activa e consciente na eucaristia dominical. Nem podia ser de outro modo, pois \u00e9 nesta celebra\u00e7\u00e3o que se realiza e torna presente o mist\u00e9rio da f\u00e9: o p\u00e3o e o vinho, pelo poder do Esp\u00edrito Santo, tornam-se, \u00e0 palavra de Cristo pronunciada pelo sacerdote, o corpo e o sangue do Senhor Jesus (\u00abt\u00e3o real e perfeitamente como est\u00e1 no alto dos C\u00e9us\u00bb, dizia-se no tempo em que ainda n\u00e3o se tinha medo das palavras&#8230;). A Igreja sempre celebrou deste modo \u00abo primeiro dia da semana\u00bb, assinalando a ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor Jesus. E foi preciso esperar pelo s\u00e9c. XX para que, devido a considera\u00e7\u00f5es pastorais mal amanhadas ou a reflex\u00f5es teol\u00f3gicas talvez muito lidas mas pouco abebe-radas, o mist\u00e9rio da f\u00e9 celebrado ao domingo deixasse de ter o lugar central na vida de muitos crist\u00e3os. Diz-se, \u00e0s vezes, de muitos cat\u00f3licos que s\u00e3o mais \u00abparticipantes\u00bb do que \u00abpraticantes\u00bb \u2013 ou seja, que \u00abir \u00e0 missa\u00bb n\u00e3o lhes adianta nada. Cuidado! N\u00e3o tenhamos a pretens\u00e3o de julgar a obra de Deus no \u00edntimo de cada um dos seus filhos! Seja como for, participar na Eucaristia, em comunidade, \u00e9 sinal e testemunho do ser crist\u00e3o, o sinal mais expl\u00edcito e vis\u00edvel \u2013 e n\u00e3o h\u00e1-de ficar sem consequ\u00eancias, se acreditamos no poder do Esp\u00edrito de Deus. Al\u00e9m disso, quando nos sobra em dispers\u00e3o e anonimato o que nos falta em comunh\u00e3o e identidade, participar na Eucaristia, sobretudo na Eucaristia dominical, n\u00e3o \u00e9 algo de somenos, que podemos deixar por qualquer motivo \u2013 deve antes ser, como escreve o Santo Padre: \u00abo cora\u00e7\u00e3o do domingo: um compromisso irrenunci\u00e1vel, abra\u00e7ado n\u00e3o s\u00f3 para obedecer a um preceito mas como necessidade para uma vida crist\u00e3 verdadeiramente consciente e coerente\u00bb (Jo\u00e3o Paulo II, Carta apost\u00f3lica Novo millennio ineunte, n\u00ba 36).  2. A Eucaristia no centro da vida crist\u00e3 Neste Ano da Eucaristia, o mais eficaz, pastoralmente, n\u00e3o ser\u00e1 \u00abinventar\u00bb duas ou tr\u00eas actividades \u00abeucar\u00edsticas\u00bb desligadas da vida quotidiana das comunidades. Pelo contr\u00e1rio, importa trabalhar pastoralmente \u00abo de sempre\u00bb, de tal modo que se torne evidente a afirma\u00e7\u00e3o do Conc\u00edlio Vaticano II sobre a Eucaristia: \u00e9 \u00abcume e fonte de toda a vida crist\u00e3\u00bb (Presbyterorum ordinis, 5).  A prioridade pastoral neste Ano da Eucaristia passa, portanto, por revitalizar aquelas manifesta\u00e7\u00f5es de paix\u00e3o por Jesus no sacramento eucar\u00edstico que fizeram a hist\u00f3ria das comunidades crist\u00e3s num passado ainda n\u00e3o muito long\u00ednquo.  A prop\u00f3sito, a Congrega\u00e7\u00e3o para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos publicou uma pequena instru\u00e7\u00e3o, com sugest\u00f5es para a vida das comunidades. No que diz respeito \u00e0s par\u00f3quias, por exemplo, lembra (n. 35): onde for necess\u00e1rio, reordenar de modo est\u00e1vel os lugares da celebra\u00e7\u00e3o e dar dignidade ao sacr\u00e1rio; dotar-se dos livros lit\u00fargicos e cuidar da autenticidade e beleza dos sinais (vestes, vasos sagrados, utens\u00edlios); assumir a exist\u00eancia de uma equipa lit\u00fargica; atender \u00e0 forma\u00e7\u00e3o dos diversos inter-venientes na celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00eds-tica; programar encontros formativos sobre a Eucaristia; educar sobre o modo como estar na igreja; ajudar a redescobrir a pr\u00f3pria igreja paroquial, na diversidade de elementos que a comp\u00f5em; promover o culto eucar\u00edstico e a ora\u00e7\u00e3o pessoal diante do Sant\u00edssimo (visita pessoal, adora\u00e7\u00e3o e b\u00ean\u00e7\u00e3o do Sant\u00edssimo, devo\u00e7\u00e3o das quarenta horas, prociss\u00f5es eucar\u00eds-ticas, lausperenes); valorizar a adora\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica depois da Missa da Ceia do Senhor em Quinta-Feira Santa; propor, em ocasi\u00f5es especiais, a pr\u00e1tica da adora\u00e7\u00e3o nocturna&#8230;  3. Um encontro pessoal com Cristo Dir-se-\u00e1 que tudo isto s\u00e3o sugest\u00f5es com sabor a passado, quando se trata de anunciar o Evangelho numa Igreja que se quer \u00abjovem\u00bb, \u00abdivertida\u00bb e, por vezes, \u00ablight\u00bb. E haver\u00e1 tamb\u00e9m quem diga que estas propostas manifestam uma \u00abreligi\u00e3o intimista\u00bb, esquecida dos mais desfavo-recidos e dos que andam afastados da Igreja. Uma objec\u00e7\u00e3o assim v\u00ea pouco e fica perto. A espiritualidade eucar\u00edstica \u00e9 eminentemente pessoal. \u00c9 uma rela\u00e7\u00e3o do crente (Manuel, Francisca, Ana&#8230;), com Aquele em quem se acredita (Jesus). Portanto, rela\u00e7\u00e3o entre pessoas concretas. Ora, uma rela\u00e7\u00e3o assim, em particular quando um dos implicados \u00e9 Jesus Cristo, n\u00e3o pode ficar prisioneira do ego\u00edsmo, pois Cristo \u00e9 dom pleno, total, e quem se relaciona com Ele n\u00e3o pode deixar de entrar nesse dinamismo, sob pena de ser infiel \u00e0 rela\u00e7\u00e3o \u2013 situa\u00e7\u00e3o que em linguagem comum se diz \u00abpecado\u00bb.  A f\u00e9 eucar\u00edstica \u00e9 eminentemente mission\u00e1ria, ou seja, \u00e9 f\u00e9 de enviados. A quem? A quem haveria de ser sen\u00e3o aos irm\u00e3os, sobretudo \u00e0queles que, pelas mais diversas raz\u00f5es, vivem afastados de Deus ou oprimidos pelos homens? N\u00e3o foi essa a miss\u00e3o que Jesus Se atribuiu, a Si e aos seus (cfr. Lc 4, 16-21)? Como pode aquele que se encontra com Cristo na Eucaristia deixar de assumir esta miss\u00e3o? E como pode algu\u00e9m que se diz disc\u00edpulo mas recusa encontrar-se com o Mestre e alimentar-se d\u2019Ele dizer, com verdade: \u00abFui enviado a proclamar um ano da gra\u00e7a do Senhor\u00bb?  4. Pequenos nadas Apenas um exemplo. Na minha par\u00f3quia, em cada m\u00eas, na primeira quinta-feira, h\u00e1 um tempo de adora\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica, seguido da celebra\u00e7\u00e3o da Missa. H\u00e1 participa\u00e7\u00e3o e, acima de tudo, h\u00e1 alegria nessa participa\u00e7\u00e3o. Umas vezes mais, outras menos&#8230; mas h\u00e1. Em cada m\u00eas, todas as primeiras segundas-feiras, h\u00e1 um grupo que se re\u00fane para rezar, meditar a palavra de Deus e um documento do Papa sobre a Eucaristia. Umas vezes v\u00eam mais, outras menos, mas ainda n\u00e3o deixou de se realizar, pois apenas por dois ou tr\u00eas j\u00e1 valeria a pena. V\u00eam, rezam, partilham, meditam, trocam impress\u00f5es sobre a vida comunit\u00e1ria&#8230; Pequenos nadas, capazes de mudar a vida de alguns ou de muitos, quem sabe? Perguntam-me pelos frutos? \u00c9 assunto que n\u00e3o nos diz respeito. A n\u00f3s cabe-nos semear. H\u00e1-de haver sempre terra boa, onde a semente produza cem por um. Para mim, o essencial do Ano da Eucaristia est\u00e1 aqui. O resto vir\u00e1 por acr\u00e9scimo.  Elias Couto <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. Valorizar o domingo como \u00abdia do Senhor\u00bb O Ano da Eucaristia passa, antes de mais, pela viv\u00eancia do domingo como \u00abdia do Senhor\u00bb e, portanto, pela participa\u00e7\u00e3o activa e consciente na eucaristia dominical. 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