{"id":10561,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/mutacoes-religiosas-na-contemporaneidade\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"mutacoes-religiosas-na-contemporaneidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/mutacoes-religiosas-na-contemporaneidade\/","title":{"rendered":"Muta\u00e7\u00f5es religiosas na contemporaneidade"},"content":{"rendered":"<p>A revista Lusitania Sacra apresenta-nos no tomo XVI da sua 2\u00aa s\u00e9rie o panorama das figuras e do pensamento ligados \u00e0s \u201cmuta\u00e7\u00f5es religiosas na \u00e9poca contempor\u00e2nea\u201d. Como \u00e9 referido na apresenta\u00e7\u00e3o do volume, s\u00e3o aqui publicados trabalhos de investiga\u00e7\u00e3o e interven\u00e7\u00f5es realizadas no \u00e2mbito do semin\u00e1rio de Hist\u00f3ria Religiosa Contempor\u00e2nea, promovido pelo Centro de Estudos de Hist\u00f3ria Religiosa (CEHR). Este n\u00famero da revista apresenta contribui\u00e7\u00f5es para uma melhor compreens\u00e3o das altera\u00e7\u00f5es do campo religioso, nas vertentes culturais e mentais, sem descurar aspectos institucionais. A aproxima\u00e7\u00e3o a esta realidade \u00e9 feita, sobretudo, atrav\u00e9s de figuras e formas de pensamento que definem um arco cronol\u00f3gico e tem\u00e1tico, desde a implanta\u00e7\u00e3o do liberalismo ao processo de democratiza\u00e7\u00e3o da sociedade portuguesa. O tomo integra, nesse sentido, colabora\u00e7\u00f5es que destacam duas conjunturas com impacto acentuado na organiza\u00e7\u00e3o de comportamentos dos cat\u00f3licos: por um lado, a extin\u00e7\u00e3o das Ordens Religiosas masculinas, em 1834, apresentando din\u00e2micas socio-culturais da\u00ed resultantes; por outro lado, o processo de dissens\u00e3o pol\u00edtica gerada por sectores cat\u00f3licos no seu relacionamento com o Estado Novo, no per\u00edodo do marcelismo (1968-74) \u2013 o caso do Rato, apresentado desde fontes dos arquivos policiais, ajuda a compreender a ac\u00e7\u00e3o de contesta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. No artigo de Jo\u00e3o Miguel Almeida \u201cA oposi\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica ao marcelismo\u201d s\u00e3o analisadas as rela\u00e7\u00f5es entre a Santa S\u00e9, o episcopado portugu\u00eas, o governo do Estado Novo e a oposi\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica durante este per\u00edodo hist\u00f3rico. \u00c9 discutida a operacionalidade de conceitos como \u201coposi\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica\u201d e \u201ccat\u00f3licos progressistas\u201d, pensados \u00e0 luz dos condicionalismos da guerra colonial e das correntes ideol\u00f3gicas e teol\u00f3gicas dos anos 60 e 70. Entre estes dois p\u00f3los cronol\u00f3gicos, \u00e9 apresentado um longo percurso de transforma\u00e7\u00e3o e problematiza\u00e7\u00e3o religiosa no pa\u00eds. Aqui encontramos a conceptualiza\u00e7\u00e3o liberal da religi\u00e3o, a partir do jornal \u201cAstro da Lusit\u00e2nia\u201d; o impacto da reformula\u00e7\u00e3o doutrinal nos casos do padre Jos\u00e9 Sousa Amado; as repercuss\u00f5es do pensamento do Dominicano franc\u00eas Lacordaire; a divulga\u00e7\u00e3o do pensamento de Le\u00e3o XIII em Portugal e a divulga\u00e7\u00e3o da enc\u00edclica Rerum Novarum. Eduardo Cordeiro Gon\u00e7alves apresenta uma das figuras destas \u201cmuta\u00e7\u00f5es religiosas na \u00e9poca contempor\u00e2nea\u201d. No artigo \u201cO Conde de Samod\u00e3es e o discurso conciliador entre catolicismo e liberalismo pol\u00edtico\u201d somos colocados perante a tentativa de relan\u00e7ar o movimento cat\u00f3lico em Portugal, em 1870, com uma ac\u00e7\u00e3o e influ\u00eancia que se prolongam at\u00e9 \u00e0 rep\u00fablica. O Conde de Samod\u00e3es era l\u00edder de um grupo de cat\u00f3licos que procuraram, com \u00eaxito, separar os objectivos pol\u00edticos dos objectivos religiosos, abrindo um espa\u00e7o pr\u00f3prio na quest\u00e3o pol\u00edtico-religiosa e afirmando-se como um dos mais significativos defensores do discurso conciliador entre catolicismo e liberalismo pol\u00edtico. Uma outra conjuntura apreciada neste volume da Lusitania Sacra diz respeito ao final da Monarquia Consititucional e \u00e0 Primeira Rep\u00fablica, que correspondeu a um per\u00edodo de grande agita\u00e7\u00e3o e de v\u00e1rias expectativas quanto \u00e0 rela\u00e7\u00e3o da Igreja com a sociedade. A problem\u00e1tica, com uma componente pol\u00edtica muito forte, fica atestada nos estudos sobre Jacinto C\u00e2ndido e o Partido Nacionalista e sobre o pensamento do padre Martins Capela. A Igreja Cat\u00f3lica descobriu e potenciou novas sociabilidades nesta rela\u00e7\u00e3o com o mundo contempor\u00e2neo. A revista destaca, neste \u00e2mbito, as iniciativas em torno da juventude: a introdu\u00e7\u00e3o do Escutismo em Portugal e o impacto da din\u00e2mica religiosa de Taiz\u00e9 apresentam duas experi\u00eancias cruciais que permitem tra\u00e7ar caracter\u00edsticas relevantes de como o universo juvenil se expressou no terreno do religioso. O tomo aborda dois t\u00f3picos \u2013 a missiona\u00e7\u00e3o e o anticlericalismo \u2013 a partir das figuras de D. Ant\u00f3nio Barroso e da Companhia de Jesus, apontando para persist\u00eancias, a n\u00edvel da rela\u00e7\u00e3o entre religi\u00e3o e tecido social, quer na sua realiza\u00e7\u00e3o, quer nas tens\u00f5es que a determinam. A emerg\u00eancia de um certo grau de pluralidade confessional merece destaque neste volume, com a apresenta\u00e7\u00e3o de perspectivas de investiga\u00e7\u00e3o sobre o Protestantismo e sobre novas componentes de \u201csociabilidades de sentido\u201d \u2013 dando como exemplo o universo das Artes Marciais. Em quest\u00e3o, temos novas formas de significa\u00e7\u00e3o existencial que disputam o terreno da religiosidade tradicional, num cen\u00e1rio de concorr\u00eancia, autonomia, liberdades e novos protagonismos. A Lusitania Sacra surgiu em 1956 como \u00f3rg\u00e3o do Centro de Estudos de Hist\u00f3ria Eclesi\u00e1stica, tendo sido publicados 10 volumes at\u00e9 1978. Com a integra\u00e7\u00e3o do Centro, agora CEHR, na Faculdade de Teologia, em 1984, iniciou-se nova s\u00e9rie da revista, em 1989.  Actualmente procura-se que Lusitania Sacra tenha uma unidade tem\u00e1tica ou cronol\u00f3gica no conte\u00fado de cada volume. A revista preenche um campo \u00fanico na Historiografia portuguesa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A revista Lusitania Sacra apresenta-nos no tomo XVI da sua 2\u00aa s\u00e9rie o panorama das figuras e do pensamento ligados \u00e0s \u201cmuta\u00e7\u00f5es religiosas na \u00e9poca contempor\u00e2nea\u201d. 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