{"id":105539,"date":"2018-05-17T10:05:48","date_gmt":"2018-05-17T09:05:48","guid":{"rendered":"http:\/\/www.agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=105539"},"modified":"2018-05-17T10:05:48","modified_gmt":"2018-05-17T09:05:48","slug":"eutanasia-declaracao-do-grupo-de-trabalho-inter-religioso-religioes-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/eutanasia-declaracao-do-grupo-de-trabalho-inter-religioso-religioes-saude\/","title":{"rendered":"Eutan\u00e1sia: Declara\u00e7\u00e3o do Grupo de Trabalho Inter-religioso Religi\u00f5es-Sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>CUIDAR AT\u00c9 AO FIM COM COMPAIX\u00c3O<\/strong><!--more--><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><img decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-105540\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/unnamed.png\" alt=\"\" width=\"169\" height=\"149\" \/>O debate em curso na sociedade portuguesa sobre a realidade a que se tem chamado \u201cmorte assistida\u201d convoca todos a realizarem uma reflex\u00e3o e a oferecerem o seu contributo para enriquecer um processo de di\u00e1logo que necessita da interven\u00e7\u00e3o da pluralidade dos atores sociais. As Tradi\u00e7\u00f5es religiosas s\u00e3o portadoras de uma mensagem sobre a vida e a morte do homem, bem como sobre o modelo de sociedade que constitu\u00edmos, e \u00e9 leg\u00edtimo e necess\u00e1rio que a apresentem, com humildade e liberdade.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Agora que a Assembleia da Rep\u00fablica vai discutir e colocar em vota\u00e7\u00e3o propostas de uma eventual lei sobre a eutan\u00e1sia, n\u00f3s, as comunidades religiosas presentes em Portugal signat\u00e1rias, conscientes de que vivemos um momento de grande import\u00e2ncia para o nosso presente e o nosso futuro coletivo, declaramos:<\/p>\n<ol>\n<li style=\"font-weight: 400;\">A dignidade daquele que sofre<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Acreditamos que cada ser humano \u00e9 \u00fanico e, como tal, insubstitu\u00edvel e necess\u00e1rio \u00e0 sociedade de que faz parte, sujeito de uma dignidade intr\u00ednseca anterior a todo e qualquer crit\u00e9rio de qualidade de vida e de utilidade, at\u00e9 \u00e0 morte natural. A vida n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o perde dignidade quando se aproxima do seu termo, como a particular vulnerabilidade de que se reveste nesta etapa \u00e9, antes, um t\u00edtulo de especial dignidade que pede proximidade e cuidado. Assumimos que todo o sofrimento evit\u00e1vel deve ser evitado e, por isso, estamos gratos porque o desenvolvimento das ci\u00eancias m\u00e9dicas e farmacol\u00f3gicas alcan\u00e7ou um tal patamar de desenvolvimento que permite o eficaz al\u00edvio da dor e a promo\u00e7\u00e3o do bem-estar. Contudo, n\u00e3o ignoramos o car\u00e1cter dram\u00e1tico do sofrimento e a dificuldade de que se reveste a elabora\u00e7\u00e3o de um sentido para o viver. Sabemos que a religi\u00e3o oferece uma possibilidade de sentido a quem acredita, mas sabemos tamb\u00e9m, pela experi\u00eancia do acompanhamento de tantos que n\u00e3o s\u00e3o religiosos, que n\u00e3o depende de o ser a possibilidade de encontrar sentido para o pr\u00f3prio sofrimento. Com esses aprendemos, ali\u00e1s, que nesta tarefa reside uma das maiores realiza\u00e7\u00f5es da dignidade pessoal. A dignidade da pessoa n\u00e3o depende sen\u00e3o do facto da sua exist\u00eancia como sujeito humano e a autonomia pessoal n\u00e3o pode ser esvaziada do seu significado social.<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li style=\"font-weight: 400;\">Por uma sociedade misericordiosa e compassiva<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O sofrimento do fim de vida \u00e9, para cada pessoa, um desafio espiritual e, para a sociedade, um desafio \u00e9tico. Comuns \u00e0s diferentes Tradi\u00e7\u00f5es religiosas, princ\u00edpios como a miseric\u00f3rdia e a compaix\u00e3o configuraram, ao longo da hist\u00f3ria da civiliza\u00e7\u00e3o, modelos sociais capazes de criar, em cada momento, modos precisos de acompanhar e cuidar os membros mais fr\u00e1geis da sociedade. Hoje, o morrer humano \u00e9 um dos \u00e2mbitos em que este desafio nos interpela. O que nos \u00e9 pedido n\u00e3o \u00e9 que desistamos daqueles que vivem o per\u00edodo terminal da vida, oferecendo-lhes a possibilidade legal da op\u00e7\u00e3o pela morte, \u00e0 qual pode conduzir a experi\u00eancia do sofrimento sem cuidados adequados. Esse \u00e9 o verdadeiro sofrimento intoler\u00e1vel, que cria condi\u00e7\u00f5es para o desejo de morrer. Nasce de uma sociedade que abandona, que se desumaniza, que se torna indiferente. Confirma-nos nesta convic\u00e7\u00e3o a experi\u00eancia de que quem se sente acompanhado n\u00e3o desespera perante a morte e n\u00e3o pede para morrer. O que nos \u00e9 pedido \u00e9, pois, que nos comprometamos mais profundamente com os que vivem esta etapa, assumindo a exig\u00eancia de lhes oferecer a possibilidade de uma morte humanamente acompanhada.<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li style=\"font-weight: 400;\">Os Cuidados Paliativos, uma exig\u00eancia inadi\u00e1vel<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Acreditamos que os cuidados paliativos s\u00e3o a concretiza\u00e7\u00e3o mais completa desta resposta que o Estado n\u00e3o pode deixar de dar, porque aliam a maior compet\u00eancia cient\u00edfica e t\u00e9cnica com a compet\u00eancia na compaix\u00e3o, ambas imprescind\u00edveis para cuidar de quem atravessa a fase final da vida. A verdadeira compaix\u00e3o n\u00e3o \u00e9 insistir em tratamentos f\u00fateis, na tentativa de prolongar a vida, mas ajudar a pessoa a viver o mais humanamente poss\u00edvel a pr\u00f3pria morte, respeitando a naturalidade desta. Os cuidados paliativos fazem-no, valorizando a pessoa at\u00e9 ao seu fim natural, aliviando o seu sofrimento e combatendo a solid\u00e3o pela presen\u00e7a da fam\u00edlia e de outros que lhe sejam significativos. Interpelamos a sociedade portuguesa para corresponder \u00e0 exig\u00eancia n\u00e3o mais adi\u00e1vel de estender a todos o acesso aos cuidados paliativos e assumimos a disponibilidade e a vontade de fazermos tudo o que esteja ao nosso alcance para participar neste verdadeiro des\u00edgnio nacional. E n\u00e3o podemos deixar de interrogar se a presente discuss\u00e3o, antes de realizado este investimento, n\u00e3o enfermar\u00e1 de falta de prop\u00f3sito.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">As Tradi\u00e7\u00f5es religiosas professam que a vida \u00e9 um dom precioso e, para as religi\u00f5es abra\u00e2micas, um dom de Deus e, como tal, se reveste de car\u00e1cter sagrado; mas este apenas confirma a sua dignidade natural, da qual derivam a sua inviolabilidade e indisponibilidade intr\u00ednsecas, que, portanto, n\u00e3o dependem da fundamenta\u00e7\u00e3o religiosa. Mas a religi\u00e3o confere \u00e0 vida um sentido, uma esperan\u00e7a, uma outra possibilidade de transcend\u00eancia. As sociedades precisam desta vis\u00e3o do humano ao lado de todas as outras.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">N\u00f3s, comunidades religiosas presentes em Portugal, acreditamos que a vida humana \u00e9 inviol\u00e1vel at\u00e9 \u00e0 morte natural e perfilhamos um modelo compassivo de sociedade e, por estas raz\u00f5es, em nome da humanidade e do futuro da comunidade humana, causa da religi\u00e3o, nos sentimos chamados a intervir no presente debate sobre a morte assistida, manifestando a nossa oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 sua legaliza\u00e7\u00e3o em qualquer das suas formas, seja o suic\u00eddio assistido, seja a eutan\u00e1sia.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Por isso assinamos em conjunto a presente Declara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Lisboa, 16 de maio de 2018<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CUIDAR AT\u00c9 AO FIM COM COMPAIX\u00c3O<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":105494,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center 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