{"id":104755,"date":"2017-05-13T13:30:25","date_gmt":"2017-05-13T12:30:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=104755"},"modified":"2018-05-09T17:31:11","modified_gmt":"2018-05-09T16:31:11","slug":"homilia-da-missa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-da-missa\/","title":{"rendered":"Homilia da Missa"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><\/p>\n<p>\u00abApareceu no C\u00e9u (\u2026) uma mulher revestida de sol\u00bb: atesta o vidente de Patmos no Apocalipse (12, 1), anotando ainda que ela \u00abestava para ser m\u00e3e\u00bb. Depois ouvimos, no Evangelho, Jesus dizer ao disc\u00edpulo: \u00abEis a tua M\u00e3e\u00bb (Jo 19, 26-27). Temos M\u00e3e! Uma \u00abSenhora t\u00e3o bonita\u00bb: comentavam entre si os videntes de F\u00e1tima a caminho de casa, naquele aben\u00e7oado dia treze de maio de h\u00e1 cem anos atr\u00e1s. E, \u00e0 noite, a Jacinta n\u00e3o se conteve e desvendou o segredo \u00e0 m\u00e3e: \u00abHoje vi Nossa Senhora\u00bb. Tinham visto a M\u00e3e do C\u00e9u. Pela esteira que seguiam os seus olhos, se alongou o olhar de muitos, mas\u2026 estes n\u00e3o A viram. A Virgem M\u00e3e n\u00e3o veio aqui, para que A v\u00edssemos; para isso teremos a eternidade inteira, naturalmente se formos para o C\u00e9u.<\/p>\n<p>Mas Ela, antevendo e advertindo-nos para o risco do Inferno onde leva a vida \u2013 tantas vezes proposta e imposta \u2013 sem-Deus e profanando Deus nas suas criaturas, veio lembrar-nos a Luz de Deus que nos habita e cobre, pois, como ouv\u00edamos na Primeira Leitura, \u00abo filho foi levado para junto de Deus\u00bb (Ap 12, 5). E, no dizer de L\u00facia, os tr\u00eas privilegiados ficavam dentro da Luz de Deus que irradiava de Nossa Senhora. Envolvia-os no manto de Luz que Deus Lhe dera. No crer e sentir de muitos peregrinos, se n\u00e3o mesmo de todos, F\u00e1tima \u00e9 sobretudo este manto de Luz que nos cobre, aqui como em qualquer outro lugar da Terra quando nos refugiamos sob a prote\u00e7\u00e3o da Virgem M\u00e3e para Lhe pedir, como ensina a Salve Rainha, \u00abmostrai-nos Jesus\u00bb.<\/p>\n<p>Queridos peregrinos, temos M\u00e3e, temos M\u00e3e! Agarrados a Ela como filhos, vivamos da esperan\u00e7a que assenta em Jesus, pois, como ouv\u00edamos na Segunda Leitura, \u00abaqueles que recebem com abund\u00e2ncia a gra\u00e7a e o dom da justi\u00e7a reinar\u00e3o na vida por meio de um s\u00f3, Jesus Cristo\u00bb (Rm 5, 17). Quando Jesus subiu ao C\u00e9u, levou para junto do Pai celeste a humanidade \u2013 a nossa humanidade \u2013 que tinha assumido no seio da Virgem M\u00e3e, e nunca mais a largar\u00e1. Como uma \u00e2ncora, fundeemos a nossa esperan\u00e7a nessa humanidade colocada nos C\u00e9us \u00e0 direita do Pai (cf. Ef 2, 6). Seja esta esperan\u00e7a a alavanca da vida de todos n\u00f3s! Uma esperan\u00e7a que nos sustente sempre, at\u00e9 ao \u00faltimo respiro.<\/p>\n<p>Com esta esperan\u00e7a, nos congregamos aqui para agradecer as b\u00ean\u00e7\u00e3os sem conta que o C\u00e9u concedeu nestes cem anos, passados sob o referido manto de Luz que Nossa Senhora, a partir deste esperan\u00e7oso Portugal, estendeu sobre os quatro cantos da Terra. Como exemplo, temos diante dos olhos S\u00e3o Francisco Marto e Santa Jacinta, a quem a Virgem Maria introduziu no mar imenso da Luz de Deus e a\u00ed os levou a ador\u00e1-Lo. Daqui lhes vinha a for\u00e7a para superar contrariedades e sofrimentos. A presen\u00e7a divina tornou-se constante nas suas vidas, como se manifesta claramente na s\u00faplica instante pelos pecadores e no desejo permanente de estar junto a \u00abJesus Escondido\u00bb no Sacr\u00e1rio.<\/p>\n<p>Nas suas Mem\u00f3rias (III, n. 6), a Irm\u00e3 L\u00facia d\u00e1 a palavra \u00e0 Jacinta que beneficiara duma vis\u00e3o: \u00abN\u00e3o v\u00eas tanta estrada, tantos caminhos e campos cheios de gente, a chorar com fome, e n\u00e3o tem nada para comer? E o Santo Padre numa Igreja, diante do Imaculado Cora\u00e7\u00e3o de Maria, a rezar? E tanta gente a rezar com ele?\u00bb Irm\u00e3os e irm\u00e3s, obrigado por me acompanhardes! N\u00e3o podia deixar de vir aqui venerar a Virgem M\u00e3e e confiar-lhe os seus filhos e filhas. Sob o seu manto, n\u00e3o se perdem; dos seus bra\u00e7os, vir\u00e1 a esperan\u00e7a e a paz que necessitam e que suplico para todos os meus irm\u00e3os no Batismo e em humanidade, de modo especial para os doentes e pessoas com defici\u00eancia, os presos e desempregados, os pobres e abandonados. Queridos irm\u00e3os, rezamos a Deus com a esperan\u00e7a de que nos escutem os homens; e dirigimo-nos aos homens com a certeza de que nos vale Deus.<\/p>\n<p>Pois Ele criou-nos como uma esperan\u00e7a para os outros, uma esperan\u00e7a real e realiz\u00e1vel segundo o estado de vida de cada um. Ao \u00abpedir\u00bb e \u00abexigir\u00bb o cumprimento dos nossos deveres de estado (carta da Irm\u00e3 L\u00facia, 28\/II\/1943), o C\u00e9u desencadeia aqui uma verdadeira mobiliza\u00e7\u00e3o geral contra esta indiferen\u00e7a que nos gela o cora\u00e7\u00e3o e agrava a miopia do olhar. N\u00e3o queiramos ser uma esperan\u00e7a abortada! A vida s\u00f3 pode sobreviver gra\u00e7as \u00e0 generosidade de outra vida. \u00abSe o gr\u00e3o de trigo, lan\u00e7ado \u00e0 terra, n\u00e3o morrer, fica ele s\u00f3; mas, se morrer, d\u00e1 muito fruto\u00bb (Jo 12, 24): disse e fez o Senhor, que sempre nos precede. Quando passamos atrav\u00e9s dalguma cruz, Ele j\u00e1 passou antes. Assim, n\u00e3o subimos \u00e0 cruz para encontrar Jesus; mas foi Ele que Se humilhou e desceu at\u00e9 \u00e0 cruz para nos encontrar a n\u00f3s e, em n\u00f3s, vencer as trevas do mal e trazer-nos para a Luz.<\/p>\n<p>Sob a prote\u00e7\u00e3o de Maria, sejamos, no mundo, sentinelas da madrugada que sabem contemplar o verdadeiro rosto de Jesus Salvador, aquele que brilha na P\u00e1scoa, e descobrir novamente o rosto jovem e belo da Igreja, que brilha quando \u00e9 mission\u00e1ria, acolhedora, livre, fiel, pobre de meios e rica no amor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Papa Francisco, 13 de maio de 2017<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-104755","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/104755","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=104755"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/104755\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=104755"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=104755"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=104755"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}