{"id":10466,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/ideologia-protesto-e-senso-comum\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"ideologia-protesto-e-senso-comum","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/ideologia-protesto-e-senso-comum\/","title":{"rendered":"Ideologia, protesto e senso comum"},"content":{"rendered":"<p>D. Ant\u00f3nio Marcelino analisa os resultados eleitorais <!--more--> O resultado das \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es, inequ\u00edvoco na sua express\u00e3o democr\u00e1tica, permite, a quem quiser, uma leitura livre e uma aprecia\u00e7\u00e3o motivada, que pode ser n\u00e3o coincidente com outras, mormente as do aparelho partid\u00e1rio ou as de muitos jornalistas de opini\u00e3o. N\u00e3o me co\u00edbo de o fazer tamb\u00e9m, que \u00e9 sempre uma maneira de estar presente activamente aos acontecimentos, com um contributo que n\u00e3o compromete sen\u00e3o a mim pr\u00f3prio. Como s\u00e3o partidos pol\u00edticos rotulados os que concorrem ao acto eleitoral e n\u00e3o \u00e9 permitido ao eleitor exprimir a sua op\u00e7\u00e3o sen\u00e3o dentro dessa linha limitada, a leitura dos resultados, se tem um \u00f3bvio sentido de vit\u00f3ria, n\u00e3o pode, por\u00e9m, favorecer uma aprecia\u00e7\u00e3o unilateral, que decide sobre a cor pol\u00edtica do povo no seu conjunto. Bastam outras elei\u00e7\u00f5es daqui a uns meses, para se concluir que a grande maioria das pessoas n\u00e3o vota com base em raz\u00f5es ideol\u00f3gicas, mas com motiva\u00e7\u00f5es ocasionais, determinadas por circunst\u00e2ncias, acontecimentos ou simpatias pessoais. A cultura pol\u00edtica \u00e9 pobre e pouco generalizada. N\u00e3o vai muito al\u00e9m de grupos fechados que n\u00e3o dialogam sen\u00e3o entre si e, mesmo assim, mais com emo\u00e7\u00f5es do que com raz\u00f5es. Uma situa\u00e7\u00e3o a reflectir e a inflectir. \u00c9 evidente que \u00e0s fac\u00e7\u00f5es pol\u00edticas partid\u00e1rias interessa fazer contas de resultados na \u00f3ptica da sua cor e dos seus interesses, n\u00e3o se coibindo de falar uma linguagem em que, por vezes, nem elas acreditam. A noite de domingo e o rescaldo dos dias seguintes mostrou isso mesmo \u00e0 saciedade, decretando que Portugal agora \u00e9 de esquerda e insinuando que, quem n\u00e3o o \u00e9 ou n\u00e3o o aceita, fica sem palco e raz\u00e3o para que possa querer continuar a ter opini\u00e3o em contr\u00e1rio.  A democracia termina quando, n\u00e3o lendo a realidade, se imp\u00f5e um sentido \u00fanico e os vencedores decidem calar e subverter as opini\u00f5es de quem desfruta, aconte\u00e7a o que aconte\u00e7a, o direito pleno de cidadania, e n\u00e3o se aniquila perante uma qualquer derrota. Onde n\u00e3o h\u00e1 lugar, no dia a dia, para uma vis\u00e3o plural, impera o despotismo que divide, privilegia-se o clientelismo, empobrece-se a comunidade, desvirtua-se o poder. Os vencedores, quaisquer que eles sejam, n\u00e3o s\u00e3o donos do pa\u00eds, nem os derrotados se t\u00eam de resignar a ser cidad\u00e3os, que apenas se suportam.  Um sentido positivo da democracia \u00e9 reconhecer e sublinhar os direitos, deveres, valores e contributo de todos, de modo a que cada acto estimule sempre mais a participa\u00e7\u00e3o no acto seguinte. Saber ler um acto eleitoral, como o que vivemos h\u00e1 pouco, n\u00e3o o reduzindo a uma simples op\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica, \u00e9 prova de intelig\u00eancia e de sensatez. \u00c9 um facto que a maioria das op\u00e7\u00f5es expressas s\u00e3o de protesto, de senso comum, de esperan\u00e7a, de cansa\u00e7o e desilus\u00e3o. Isto em nada invalida o resultado final. Quem governar, por\u00e9m, n\u00e3o o deve nem o pode esquecer. (in Correio do Vouga)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. 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