{"id":10433,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/e-facil-informar-sobre-a-igreja\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"e-facil-informar-sobre-a-igreja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/e-facil-informar-sobre-a-igreja\/","title":{"rendered":"\u00c9 f\u00e1cil informar sobre a Igreja?"},"content":{"rendered":"<p>Confrontado com esta quest\u00e3o e colocando-me no ponto de vista de quem tem a miss\u00e3o de informar, direi &#8211; deixando de lado qualquer poss\u00edvel compara\u00e7\u00e3o com outros \u00e2mbitos de vida ou institui\u00e7\u00f5es &#8211; que n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, \u00e0s vezes \u00e9 at\u00e9 bastante dif\u00edcil informar sobre a Igreja. Explicito sucintamente porqu\u00ea.   1. Informar (bem) sobre a Igreja exige algum conhecimento da realidade eclesial, e o comum das pessoas que trabalham na informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o disp\u00f5e, pelas mais variadas raz\u00f5es, de conhecimentos suficientemente fundados nesta mat\u00e9ria. 2. Informar (bem) sobre a Igreja pressup\u00f5e algum confronto com os crit\u00e9rios jornal\u00edsticos dominantes: interessa (ou determina-se que interesse) mais o folcl\u00f3rico, o sensacional, porventura at\u00e9 o escandaloso, ou simplesmente o que obedece a par\u00e2metros vigentes na sociedade, enquanto o mais importante na vida da Igreja n\u00e3o passa por a\u00ed e tem sobretudo a ver com aspectos da realidade quotidiana que n\u00e3o despertam a aten\u00e7\u00e3o e, por isso, n\u00e3o \u201cmerecem\u201d ser not\u00edcia (pense-se, por exemplo, no servi\u00e7o prestado diariamente a in\u00fameras pessoas).  3. De um modo geral, as pessoas que exercem cargos de maior responsabilidade na Igreja lidam mal com a comunica\u00e7\u00e3o social \u2013 desde as palavras que usam ao modo de relacionamento, desde a tend\u00eancia a p\u00f4r-se \u00e0 defesa \u00e0 atitude de suspeita \u2013 e isso dificulta muito o trabalho de quem queira informar sobre as realidades da Igreja.  4. O facto que muitos informadores, por ignor\u00e2ncia, por desvaloriza\u00e7\u00e3o do fen\u00f3meno religioso ou, eventualmente at\u00e9, por alguma m\u00e1 f\u00e9, n\u00e3o transmitem correctamente os acontecimentos eclesiais refor\u00e7a aquela mentalidade eclesi\u00e1stica que tende a ser pouco transparente, o que afecta a possibilidade de uma informa\u00e7\u00e3o atempada e adequada dos acontecimentos. 5. Embora se afirme, a n\u00edvel dos princ\u00edpios, a import\u00e2ncia de uma opini\u00e3o p\u00fablica dentro da Igreja, na pr\u00e1tica ela existe muito pouco (al\u00e9m de que a grande maioria dos crist\u00e3os n\u00e3o t\u00eam sido preparados, no estilo de vida eclesial dominante, para aceitar essa opini\u00e3o p\u00fablica e tomar parte activa nela).  No entanto, \u00e9 poss\u00edvel informar (bem) sobre a Igreja. Para isso h\u00e1, obviamente, que atender a alguns pressupostos.  1. Da parte do comunicador \u00e9 fundamental um m\u00ednimo de percep\u00e7\u00e3o da especificidade da realidade eclesial e alguma capacidade de leitura dos acontecimentos neste \u00e2mbito. 2. \u00c9 indispens\u00e1vel, evidentemente, capacidade e atitude profissionais (desde a busca do rigor na informa\u00e7\u00e3o \u00e0 tentativa de perceber o essencial ou \u00e0 escuta de diversos pontos de vista) o que, nalguns casos, exigir\u00e1 a ultrapassagem de preconceitos que impedem uma vis\u00e3o correcta da viv\u00eancia religiosa.  3. N\u00e3o menos importante \u00e9 a liberdade pr\u00f3pria de um comunicador respons\u00e1vel, que, na sua preocupa\u00e7\u00e3o de ser profissionalmente competente e s\u00e9rio, ter\u00e1 de conseguir manter tamb\u00e9m alguma dist\u00e2ncia cr\u00edtica relativamente ao quotidiano eclesi\u00e1stico (informar sobre a Igreja n\u00e3o \u00e9 transmitir comunicados, n\u00e3o \u00e9 simplesmente dizer ou escrever o que as pessoas querem que se diga\u2026). 4. Para uma (boa) informa\u00e7\u00e3o sobre a Igreja \u00e9, enfim, decisivo que a pr\u00f3pria Igreja se habitue a olhar com normalidade a comunica\u00e7\u00e3o social, sem ideias feitas generalizadas, sem receio de correr alguns riscos, sem medo de \u201cabrir as janelas\u201d quanto ao que pensa e procura fazer relativamente a tudo o que importa ao viver humano.  Claro que a condicionante b\u00e1sica (em diversos aspectos) de muito do que est\u00e1 subjacente ao informar sobre a Igreja tem a ver com a rela\u00e7\u00e3o que se tem com a pr\u00f3pria Igreja. De qualquer forma, creio que informar o melhor e o mais amplamente poss\u00edvel sobre a vida da Igreja, nas suas luzes mas tamb\u00e9m nas suas sombras, \u00e9 um dos melhores caminhos para ajudar os crist\u00e3os a crescer na maturidade da f\u00e9 e para sugerir a quem est\u00e1 (ou olha) de fora que talvez valha a pena prestar mais aten\u00e7\u00e3o \u00e0quilo que se passa na Igreja, ao que ela deve ser e ao que ela procura propor.  Jos\u00e9 Eduardo Borges de Pinho R\u00e1dio Renascen\u00e7a  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Confrontado com esta quest\u00e3o e colocando-me no ponto de vista de quem tem a miss\u00e3o de informar, direi &#8211; deixando de lado qualquer poss\u00edvel compara\u00e7\u00e3o com outros \u00e2mbitos de vida ou institui\u00e7\u00f5es &#8211; que n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, \u00e0s vezes \u00e9 at\u00e9 bastante dif\u00edcil informar sobre a Igreja. Explicito sucintamente porqu\u00ea. 1. 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