{"id":1042,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/um-ministerio-para-a-eucaristia\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"um-ministerio-para-a-eucaristia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/um-ministerio-para-a-eucaristia\/","title":{"rendered":"Um Minist\u00e9rio para a Eucaristia"},"content":{"rendered":"<p>Homilia de D. Jos\u00e9 Policarpo na Solenidade do Corpo de Deus <!--more--> 1. A Liturgia convida hoje a Igreja a prostrar-se diante do mist\u00e9rio da Eucaristia. F\u00e1-lo depois de ter celebrado a P\u00e1scoa e o Pentecostes, pois a Eucaristia \u00e9, na Igreja, o testemunho de que Jesus Cristo ressuscitado continua vivo, no meio do seu Povo, pela for\u00e7a do Esp\u00edrito de Deus. O Evangelho de S\u00e3o Marcos lembra-nos que a Eucaristia \u00e9 o sacramento da P\u00e1scoa, isto \u00e9, da morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo, que o Esp\u00edrito Santo actualiza na Igreja, em mem\u00f3ria de Jesus. Sabemos que esta festa lit\u00fargica do Corpo e Sangue de Cristo \u00e9 tardia, pois data do s\u00e9culo XIII. Mas h\u00e1 complementaridade e n\u00e3o simples repeti\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 evoca\u00e7\u00e3o da Eucaristia, na mem\u00f3ria da Ceia do Senhor, com que abre a celebra\u00e7\u00e3o do tr\u00edduo pascal. Na Ceia evocamos os acontecimentos hist\u00f3ricos da morte de Jesus, celebrados em dois momentos: a sua celebra\u00e7\u00e3o incruenta, em ambiente de grande comunh\u00e3o de amor, na ceia pascal e a sua concretiza\u00e7\u00e3o cruenta, no sacrif\u00edcio do Calv\u00e1rio. A ceia pascal n\u00e3o \u00e9 a primeira celebra\u00e7\u00e3o do sacramento da Eucaristia; \u00e9 apenas o seu an\u00fancio como viv\u00eancia sacramental da paix\u00e3o: \u201cFazei isto em Minha mem\u00f3ria\u201d. Os sacramentos s\u00e3o express\u00f5es post-pascais, realizam a salva\u00e7\u00e3o, em mem\u00f3ria de Jesus, pela for\u00e7a do Esp\u00edrito. Nesta festa \u00e9 a Eucaristia, enquanto sacramento da Igreja, que est\u00e1 em relevo. A Igreja rejubila com este dom da presen\u00e7a de Cristo ressuscitado, oferecendo-Se sempre de novo e continuando vivo na Igreja, como seu Senhor. \u00c9 a festa do encontro amoroso, das n\u00fapcias de Deus com o seu Povo celebradas sempre de novo. Nela, a Igreja sente ao vivo que Cristo se lhe entrega, amando-a como uma esposa e a atrai, com o Seu amor, convidando-a a revestir-se de luz e de gra\u00e7a, na obedi\u00eancia da fidelidade, para ser a esposa pura e imaculada. A Carta aos Hebreus, que acab\u00e1mos de escutar, revela-nos que a Eucaristia, como festa da Igreja, \u00e9 participa\u00e7\u00e3o na liturgia celeste, j\u00fabilo eterno de uma humanidade renovada, que unida ao seu Bom Pastor, na humanidade glorificada de Jesus, participa na gl\u00f3ria eterna da Sant\u00edssima Trindade. Na Eucaristia, aprendemos e experimentamos que os verdadeiros motivos da nossa alegria est\u00e3o no C\u00e9u e n\u00e3o na terra; a nossa festa \u00e9 a festa das n\u00fapcias do Cordeiro, a celebra\u00e7\u00e3o da Sua gl\u00f3ria eterna.  2. Neste ano, em que a Igreja de Lisboa quis celebrar, comigo, 25 anos de minist\u00e9rio episcopal, sinto que a evoca\u00e7\u00e3o da minha vida e do meu minist\u00e9rio se faz, inevitavelmente, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Eucaristia. E digo da minha vida e do meu minist\u00e9rio, porque desde a ordena\u00e7\u00e3o sacerdotal sinto que n\u00e3o h\u00e1 separa\u00e7\u00e3o entre ambos. O minist\u00e9rio sacerdotal n\u00e3o \u00e9 apenas um aspecto da minha vida; ele exige-a, absorve-a, define-a, marca-lhe o ritmo. E porque a presid\u00eancia da Eucaristia \u00e9 a experi\u00eancia que define a ess\u00eancia do minist\u00e9rio sacerdotal, toda a vida se define a partir da Eucaristia. A Eucaristia me alimentou, me ensinou a amar e a servir, deu contornos de exig\u00eancia e de radicalidade \u00e0 minha uni\u00e3o a Jesus Cristo e \u00e0 Igreja; sinto, por isso, que a Eucaristia me julgar\u00e1. Olhando para tr\u00e1s, naquela retrospectiva que nos permite saborear os dons de Deus, toda a mem\u00f3ria me conduz \u00e0 Eucaristia: \u00e0 alegria da primeira comunh\u00e3o, mem\u00f3ria que n\u00e3o mais se apagou no meu cora\u00e7\u00e3o, encontro de amor de um cora\u00e7\u00e3o puro de crian\u00e7a, com a pureza absoluta do amor de Cristo. Talvez date desse dia a primeira not\u00edcia de uma escolha e de um chamamento. E o esfor\u00e7o feito para manter, mesmo durante as f\u00e9rias, a gra\u00e7a da comunh\u00e3o di\u00e1ria, percorrendo, para isso, alguns quil\u00f3metros a p\u00e9? N\u00e3o era, nessa altura, liturgicamente, muito perfeita, a minha devo\u00e7\u00e3o, pois o que me motivava nesse esfor\u00e7o era a comunh\u00e3o e n\u00e3o tanto a Eucaristia celebra\u00e7\u00e3o. Mas se eu tinha sido habituado a ver o P\u00e1roco distribuir, ao Domingo, a sagrada comunh\u00e3o meia hora antes da celebra\u00e7\u00e3o, para que a missa n\u00e3o demorasse tanto! Est\u00e1vamos antes da reforma lit\u00fargica e a mim, como a muitos jovens da minha gera\u00e7\u00e3o, o que nos motivava, na nossa fidelidade, era esse encontro di\u00e1rio com Jesus, na Eucaristia. Mas esse amor \u00e0 uni\u00e3o com Jesus Cristo, levou-nos facilmente \u00e0 descoberta da celebra\u00e7\u00e3o sacramental, onde Ele acontece e se nos d\u00e1, como Aquele que Se oferece continuamente, a n\u00f3s e por n\u00f3s. Considero que a minha voca\u00e7\u00e3o sacerdotal se esclareceu e aprofundou no mist\u00e9rio da Eucaristia. Hoje n\u00e3o tenho d\u00favidas; foi a\u00ed, nesse encontro vivo com Cristo, que Ele me atraiu e me chamou. Celebrar missa foi a primeira atrac\u00e7\u00e3o de uma voca\u00e7\u00e3o. E quando as d\u00favidas surgiram, atingindo simultaneamente a f\u00e9 e a voca\u00e7\u00e3o, foi diante de Jesus, presente na Eucaristia que a luz voltou a brilhar. Foram longas horas, densas e dram\u00e1ticas, em que pedi a Jesus, ali presente segundo a f\u00e9 da Igreja, porque a minha parecia em crise, que se manifestasse e me guiasse. Hoje estou convencido que a Eucaristia, celebrada e adorada, \u00e9 a fonte de todas as voca\u00e7\u00f5es, porque \u00e9 Jesus vivo que chama e atrai. E interrogo-me se a falta de voca\u00e7\u00f5es na Igreja n\u00e3o significa, afinal, a falta de amor eucar\u00edstico. Quem n\u00e3o encontra Cristo vivo, n\u00e3o pode am\u00e1-Lo a ponto de lhe entregar a sua vida. S\u00f3 o amor \u00e0 Eucaristia nos permite penetrar no mist\u00e9rio do sacerd\u00f3cio ministerial: ser a presen\u00e7a sacramental de Jesus Sacerdote, atrav\u00e9s da qual Ele congrega a sua Igreja para oferecer a Deus o sacrif\u00edcio que redime e p\u00f5e a Igreja em contacto com o C\u00e9u. Como Bispo, Sucessor dos Ap\u00f3stolos, com a plenitude dos poderes sacerdotais de Jesus Cristo, a minha principal miss\u00e3o \u00e9 congregar a Igreja para celebrar a Eucaristia. Para isso tenho de anunciar o Evangelho, aprofundar a f\u00e9, consolidar a caridade. Mas tudo isso s\u00e3o etapas pr\u00e9vias do caminho para a Eucaristia. \u00c0 volta do Bispo, que congrega para a Eucaristia, gera-se continuamente a Igreja particular de que Ele \u00e9 Pastor, como afirma o Conc\u00edlio Vaticano II: \u201cuma Diocese \u00e9 uma por\u00e7\u00e3o do Povo de Deus confiada a um Bispo para que, com a ajuda do Presbit\u00e9rio, seja o seu Pastor. Assim, a Diocese, unida ao seu Pastor e reunida pelo Esp\u00edrito Santo, gra\u00e7as ao Evangelho e \u00e0 Eucaristia, constitui uma Igreja particular, na qual est\u00e1 viva e actuante a Igreja de Cristo, Una, Santa, Cat\u00f3lica e Apost\u00f3lica\u201d (Christus Dominus, n. 11). Realmente a Eucaristia \u00e9 a raz\u00e3o de ser do nosso minist\u00e9rio. Anunciamos a f\u00e9, dinamizamos a miss\u00e3o, suscitamos o amor e a comunh\u00e3o, para podermos ter a alegria de presidir a uma comunidade que celebra e vive da Eucaristia.  3. Finalmente gostava de vos testemunhar como a Eucaristia \u00e9 a fonte de toda a exig\u00eancia moral e a motiva\u00e7\u00e3o da nossa busca da santidade. Quem ama a Eucaristia n\u00e3o precisa de outras motiva\u00e7\u00f5es morais, pois \u00e9 por causa dela, para sermos dignos dela, que se afirma a nossa delicadeza de consci\u00eancia; viver para ser digno da Eucaristia \u00e9 uma raz\u00e3o suficiente para construir um cora\u00e7\u00e3o puro. Se para habitar no seio de Maria, Deus lhe criou um cora\u00e7\u00e3o imaculado, como n\u00e3o h\u00e1-de desejar o mesmo para aqueles onde Ele vem habitar. S\u00f3 que em n\u00f3s a constru\u00e7\u00e3o de um cora\u00e7\u00e3o puro \u00e9 uma vit\u00f3ria sobre a fragilidade e sobre o pecado. Se a Eucaristia \u00e9 a nossa for\u00e7a, \u00e9 tamb\u00e9m ela que denuncia o pecado em n\u00f3s. Celebramo-la e recebemo-la sempre, pedindo perd\u00e3o e ajuda. Cada encontro com a Eucaristia \u00e9 a renova\u00e7\u00e3o do nosso desejo de convers\u00e3o, para sermos cada vez mais dignos de oferecer, com Cristo, o sacrif\u00edcio que s\u00f3 Ele pode oferecer, e sermos menos indignos da uni\u00e3o de amor que, misericordiosamente, realiza connosco. A Eucaristia \u00e9 sempre, para n\u00f3s, o momento da miseric\u00f3rdia. Agradecer a Deus 25 anos de Episcopado \u00e9 agradecer-lhe a Eucaristia que Ele me manda celebrar, para alimento do Povo a quem me enviou como Pastor; \u00e9 agradecer-Lhe a Eucaristia que me alimenta, onde Ele continua a revelar-me o Seu des\u00edgnio e o Seu amor; \u00e9 pedir-Lhe perd\u00e3o por n\u00e3o ter ainda aquela pureza de cora\u00e7\u00e3o que esse mist\u00e9rio exige, de n\u00e3o O ter adorado mais, de n\u00e3o Lhe ter dado a prioridade absoluta na ocupa\u00e7\u00e3o do meu tempo. \u00c9 manifestar-Lhe, mais uma vez, o meu desejo de fazer da Eucaristia o centro do meu minist\u00e9rio e de conduzir, cada vez mais, a Igreja a que presido, a viver da Eucaristia.  \u2020 JOS\u00c9, Cardeal-Patriarca <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia de D. Jos\u00e9 Policarpo na Solenidade do Corpo de Deus<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[144,154,161,211,246,275,294],"class_list":["post-1042","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-concilio-vaticano-ii","tag-crianca","tag-d-jose-policarpo","tag-ferias","tag-liturgia","tag-pascoa","tag-sacramentos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1042","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1042"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1042\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1042"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1042"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1042"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}