{"id":104063,"date":"2018-05-02T10:41:25","date_gmt":"2018-05-02T09:41:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=104063"},"modified":"2018-05-02T10:47:50","modified_gmt":"2018-05-02T09:47:50","slug":"104063-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/104063-2\/","title":{"rendered":"A cruz escondida"},"content":{"rendered":"<p><em>Um sacerdote entre os pigmeus no Congo-Brazaville<\/em><!--more--><\/p>\n<h3><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-104067 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/PadreFranckBongo-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/PadreFranckBongo-300x200.jpg 300w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/PadreFranckBongo-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/PadreFranckBongo-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/PadreFranckBongo-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/PadreFranckBongo.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Gigantes na f\u00e9<\/h3>\n<p>S\u00e3o talvez os homens mais pequenos do mundo, mas ali, no meio da selva, o que mais tem surpreendido o Padre Franck Bongo \u00e9 a forma aut\u00eantica como eles, que agora s\u00e3o os seus paroquianos, vivem os valores do Evangelho. E nisso, apesar da enorme pobreza em que todos se encontram, s\u00e3o uns verdadeiros gigantes\u2026<\/p>\n<p>No norte do pa\u00eds \u2013 Rep\u00fablica do Congo, tamb\u00e9m conhecido como Congo-Brazaville \u2013, no meio da selva, entre aqueles que s\u00e3o considerados como os homens mais pequenos do mundo, existe uma par\u00f3quia cat\u00f3lica verdadeiramente surpreendente. Quando o Padre Franck Bongo foi enviado para l\u00e1, em 2014, n\u00e3o sabia bem o que iria encontrar e os primeiros tempos nem foram f\u00e1ceis. Apresentou-se a todos apenas como um sacerdote que desejava evangelizar. N\u00e3o estava ali para dar ordens, para dirigir a aldeia ou sequer para prestar servi\u00e7o humanit\u00e1rio. Estava ali apenas para evangelizar. N\u00e3o foi f\u00e1cil. A vida das comunidades locais est\u00e1 amea\u00e7ada pela explora\u00e7\u00e3o da floresta. Ao todo, n\u00e3o haver\u00e1 mais de 200 mil pigmeus nesta regi\u00e3o que abarca um vasto territ\u00f3rio situado entre o Congo-Brazaville, os Camar\u00f5es e o Gab\u00e3o. Para o Padre Bongo, a sua par\u00f3quia \u00e9, por\u00e9m, uma \u00e1rea muito mais pequena. No entanto, foram precisos cerca de dois anos para que a rela\u00e7\u00e3o tensa dos primeiros tempos desaparecesse dos rostos e das conversas. Foram dois anos em que o Padre Bongo se transformou num deles. Era preciso passar por esse teste, quase como se fosse um ritual de inicia\u00e7\u00e3o. Era preciso quebrar desconfian\u00e7as. Durante dois anos, o Padre Bongo foi pescar e ca\u00e7ar com os pigmeus. Viveu como eles e passou a olhar a floresta como eles sempre a viram, descobrindo a natureza como uma pura manifesta\u00e7\u00e3o de Deus. Durante esses primeiros dois anos, os pigmeus tamb\u00e9m foram descobrindo, aos poucos, que o padre n\u00e3o era uma amea\u00e7a mas que estava ali gratuitamente para os ajudar.<\/p>\n<h3>Vida aut\u00eantica<\/h3>\n<p>Os pigmeus s\u00e3o uma comunidade n\u00f3mada profundamente amea\u00e7ada por uma sociedade que olha de forma predadora para a floresta. Por\u00e9m, na sua aparente insignific\u00e2ncia, t\u00eam muito a ensinar a todos n\u00f3s. \u201cOs pigmeus casam-se para a vida \u2013 explica o Padre Bongo. O conceito de div\u00f3rcio n\u00e3o existe, tal como n\u00e3o existe a poligamia. N\u00e3o s\u00e3o nada materialistas. N\u00e3o t\u00eam dinheiro para nada\u2026 Para eles, os bens residem na fam\u00edlia.\u201d O que mais tem surpreendido o Padre Franck Bongo desde que foi viver para a floresta, \u00e9 a forma aut\u00eantica como os povos n\u00f3madas vivem os valores do Evangelho. E nisso, apesar da enorme pobreza material em que se encontram, s\u00e3o um exemplo para o mundo inteiro. Aos poucos, a resist\u00eancia inicial foi-se diluindo e o Padre passou a ser visto quase como um igual entre os pigmeus. \u201cEm Junho de 2016 celebrei os primeiros dois casamentos e os respectivos baptismos. Um deles, entretanto, \u00e9 j\u00e1 catequista. Em Junho deste ano, 2018, haver\u00e1 mais casamentos\u2026\u201d Parece t\u00e3o pouco mas foi uma mudan\u00e7a tremenda. O Padre Bongo n\u00e3o sabe ao certo quantas pessoas pertencem \u00e0 sua par\u00f3quia. Na verdade, s\u00e3o todos n\u00f3madas. Na par\u00f3quia, que foi estabelecida na aldeia de P\u00e9k\u00e9, n\u00e3o ser\u00e3o mais de cem. Mas valem por muitos. S\u00e3o uma semente. Uma semente improv\u00e1vel de vida crist\u00e3 no meio da floresta. Os homens mais pequenos do mundo, que vivem ali no meio da selva, na par\u00f3quia de P\u00e9k\u00e9, s\u00e3o, de facto, uns gigantes na f\u00e9\u2026<\/p>\n<p><em>Paulo Aido | <a href=\"www.fundacao-ais.pt\">www.fundacao-ais.pt<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um sacerdote entre os pigmeus no Congo-Brazaville<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":95189,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-104063","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/104063","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=104063"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/104063\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/95189"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=104063"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=104063"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=104063"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}