{"id":10397,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/converter-se-e-recomecar-tudo-de-novo\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"converter-se-e-recomecar-tudo-de-novo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/converter-se-e-recomecar-tudo-de-novo\/","title":{"rendered":"Converter-se \u00e9 recome\u00e7ar tudo de novo"},"content":{"rendered":"<p>Reflex\u00f5es de D. Teodoro de Faria no Ano da Eucaristia <!--more--> Um dos meios que a Igreja, por mandato de Jesus, nos concede para sermos reconciliados com Deus, com n\u00f3s pr\u00f3prios e com os outros, \u00e9 a confiss\u00e3o ou o sacramento da Reconcilia\u00e7\u00e3o. Neste sacramento encontramos Jesus Cristo que perdoa os pecados, liberta dos sentimentos de culpa e infunde a sua gra\u00e7a para nos tornar fortes perante as tenta\u00e7\u00f5es.    1. \u00abO tempo cumpriu-se, o Reino de Deus est\u00e1 pr\u00f3ximo. Convertei-vos e acreditai no Evangelho\u00bb (Mc. 1, 15).  Desde quarta-feira de cinzas, in\u00edcio da Quaresma, os crist\u00e3os s\u00e3o chamados \u00e0 convers\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o, o que n\u00e3o significa somente receber o sacramento da Reconcilia\u00e7\u00e3o, mas que a convers\u00e3o faz parte integrante da vida crist\u00e3.  Porque Deus nos enviou Jesus Cristo, que veio ao nosso encontro, temos de nos voltar para Ele, e n\u00e3o colocar a nossa vida a girar continuamente \u00e0 volta de n\u00f3s pr\u00f3prios.  Quando Jesus Cristo nos convida \u00e0 convers\u00e3o, Ele interroga-nos: A tua maneira de existir conduz \u00e0 vida ou \u00e0 morte, ao vazio de ti mesmo ou a um servi\u00e7o agrad\u00e1vel a Deus e ao teu pr\u00f3ximo?  Converter-se, palavra t\u00e3o frequente j\u00e1 no Antigo Testamento como nos recordam as leituras das missas da Quaresma, significa voltar-se para Deus e, na medida em que me volto e avan\u00e7o com Jesus Cristo, conhe\u00e7o-me a mim mesmo e fico mais livre do medo de tantas vozes e insinua\u00e7\u00f5es que nos prometem a vida e n\u00e3o nos libertam interiormente.  Quando Jesus nos chama \u00e0 convers\u00e3o, convida-nos \u00e0 vida. Se algu\u00e9m, mesmo que seja um pregador ao falar de convers\u00e3o, mais do que uma boa nova de alegria e felicidade transmitir medo e amea\u00e7ar com o fogo do inferno, esse afasta-se da mensagem de Jesus que nos fala dum Deus de miseric\u00f3rdia e perd\u00e3o que vem ao nosso encontro.  Converter-se significa descobrir Deus e a sua bondade que se revela em todas as coisas dentro de n\u00f3s, e nos faz conhecer a n\u00f3s mesmos, nos outros e em toda a obra da cria\u00e7\u00e3o.  S\u00f3 com o olhar semelhante ao de Jesus Cristo conseguiremos descobrir aquele Deus que vem ao nosso encontro atrav\u00e9s das outras pessoas, principalmente nos pobres e marginados, dos nossos pensamentos, das nossas palavras e ac\u00e7\u00f5es, dos nossos pecados e desejo de arrependimento e mudan\u00e7a de vida.  O Deus que nos ama, sabendo que n\u00f3s somos pecadores, n\u00e3o nos quer destruir, nem condenar-nos, mas estender a sua m\u00e3o para nos levantar. Converter-se \u00e9 recome\u00e7ar tudo de novo, na alegria de um Deus que ama e nos livra dos medos interiores que nos humilham e envergonham.  Temos de interrogar-nos sempre: qual \u00e9 a vontade de Deus, neste momento concreto da minha vida? Sozinhos, ser\u00e1 dif\u00edcil, \u00e1rduo e muito raro, encontrar o nosso pr\u00f3prio caminho para a felicidade.   <i>A medicina da Palavra divina<\/i> 2 &#8211; Um dos meios que a Igreja, por mandato de Jesus, nos concede para sermos reconciliados com Deus, com n\u00f3s pr\u00f3prios e com os outros, \u00e9 a confiss\u00e3o ou o sacramento da Reconcilia\u00e7\u00e3o. Neste sacramento encontramos Jesus Cristo que perdoa os pecados, liberta dos sentimentos de culpa e infunde a sua gra\u00e7a para nos tornar fortes perante as tenta\u00e7\u00f5es.  Ap\u00f3s a confiss\u00e3o, \u00e9 certo, o crist\u00e3o continua a viver com os seus problemas quotidianos e at\u00e9 com as suas faltas, mas no sacramento recebeu uma for\u00e7a espiritual para recome\u00e7ar de novo e estar mais atento aos seus defeitos dominantes. Precisamos de renascer cada dia, como o sol que, ap\u00f3s a noite, ilumina a natureza e alegra os nossos olhos com a beleza da sua luz.  Algumas pessoas n\u00e3o gostam de confessar-se, \u00e9 normal que isso aconte\u00e7a, depende da sua forma\u00e7\u00e3o, car\u00e1cter, reserva interior, sentimento de culpa etc., o que deve pensar, por\u00e9m, \u00e9 que o sacramento \u00e9 bem para si, pois \u00e9 uma proposta de cura e de salva\u00e7\u00e3o oferecida por Deus. Sob o aspecto teol\u00f3gico, s\u00f3 os pecados mortais devem ser confessados, ou seja aquelas faltas em que plenamente livres tomamos uma decis\u00e3o grave contra Deus. Habitualmente os pecados s\u00e3o fruto da fragilidade humana, da viol\u00eancia das paix\u00f5es e emo\u00e7\u00f5es, e podem n\u00e3o atingir a gravidade de uma decis\u00e3o contra Deus. A confiss\u00e3o, nestes casos, ajuda a curar a raiz do mal. Quando a pessoa cometeu uma falta e sente-se exclu\u00edda da comunidade, ela precisa de ouvir uma voz, em nome de Deus, que lhe diga que foi reconciliada consigo e com os irm\u00e3os.  Os psiquiatras e psic\u00f3logos, por mais peritos que sejam, n\u00e3o t\u00eam um rito atrav\u00e9s do qual penetrem no mais profundo da alma humana e concedam o perd\u00e3o das culpas do seu cliente.  A confiss\u00e3o, com a declara\u00e7\u00e3o dos pecados, aparece em quase todas as religi\u00f5es, porque se a rela\u00e7\u00e3o com Deus foi interrompida, s\u00f3 atrav\u00e9s do reconhecimento das faltas se restabelece a paz com Deus. Contudo, s\u00f3 no cristianismo h\u00e1 um sacramento, institu\u00eddo por Jesus Cristo, para o perd\u00e3o dos pecados. \u00c9 uma riqueza para os homens e mulheres de todos os tempos, contanto que a reconcilia\u00e7\u00e3o seja apresentada e celebrada como ac\u00e7\u00e3o libertadora e salv\u00edfica de Deus, que n\u00e3o deixa no crist\u00e3o medo nem traumas. Diziam os Padres da Igreja: quem conhece os pr\u00f3prios pecados, \u00e9 maior de quem faz milagres e ressuscita mortos.   <i>O dom da indulg\u00eancia<\/i> 3 &#8211; No Ano da Eucaristia, o Papa Jo\u00e3o Paulo II, a fim de promover o culto ao Sant\u00edssimo Sacramento, concede a Indulg\u00eancia Plen\u00e1ria aos fi\u00e9is que confessados, tendo recebido a Eucaristia e orado segundo as inten\u00e7\u00f5es do Papa, sem apego a qualquer pecado, participem numa fun\u00e7\u00e3o sagrada ou num exerc\u00edcio piedoso em honra do Sant\u00edssimo Sacramento.  Aos cl\u00e9rigos e leigos que recitarem o Of\u00edcio Divino, ou as V\u00e9speras e Completas diante do tabern\u00e1culo, \u00e9 concedida a mesma Indulg\u00eancia Plen\u00e1ria e nas mesmas condi\u00e7\u00f5es.  Os que est\u00e3o impedidos por doen\u00e7a ou velhice de visitar o Sant\u00edssimo Sacramento podem obter a Indulg\u00eancia na pr\u00f3pria casa, recitando o Pai Nosso e o Credo, acrescentando uma jaculat\u00f3ria a Jesus Sacramentado, com inten\u00e7\u00e3o de cumprir, logo que poss\u00edvel, as tr\u00eas condi\u00e7\u00f5es enunciadas acima.  Aqueles doentes que nem sequer isto puderem fazer, obter\u00e3o a mesma Indulg\u00eancia se se unirem interiormente a todos os que praticam as obras prescritas para a Indulg\u00eancia e oferecerem a Deus as suas enfermidades e sofrimentos, com o prop\u00f3sito de cumprir, quando puderem as tr\u00eas condi\u00e7\u00f5es \u2013 confiss\u00e3o, missa e ora\u00e7\u00e3o pelo Santo Padre.  Este dom da Indulg\u00eancia estende-se a todo o Ano Eucar\u00edstico que termina no pr\u00f3ximo m\u00eas de Outubro.  A Igreja que canta o Magnificat \u00e9 a mesma que reza o Miserere.   Funchal, 27 de Fevereiro de 2005,  <i>\u2020 Teodoro de Faria, Bispo do Funchal<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reflex\u00f5es de D. 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