{"id":102959,"date":"2018-04-17T10:22:35","date_gmt":"2018-04-17T09:22:35","guid":{"rendered":"http:\/\/www.agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=102959"},"modified":"2018-04-17T10:22:35","modified_gmt":"2018-04-17T09:22:35","slug":"a-cruz-escondida-13","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-cruz-escondida-13\/","title":{"rendered":"A cruz escondida"},"content":{"rendered":"<p><em>Trabalho incans\u00e1vel da Igreja junto dos refugiados na Eti\u00f3pia<\/em><!--more--><\/p>\n<h3><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-102960 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/fais_etiopia-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/fais_etiopia-300x200.jpg 300w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/fais_etiopia-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/fais_etiopia-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/fais_etiopia-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/fais_etiopia.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Vidas em suspenso<\/h3>\n<p>No acampamento de Hitsatge, na Eti\u00f3pia, 25 mil pessoas esperam pelo dia de partida. S\u00e3o refugiados. V\u00eam da Eritreia, Som\u00e1lia ou do Sud\u00e3o. Fugiram da viol\u00eancia, da persegui\u00e7\u00e3o e da mis\u00e9ria. Sonham com uma vida melhor. Na verdade, ningu\u00e9m quer estar ali, embora muitos saibam que Hitsatge poder\u00e1 ser mais um ponto final nas suas vidas do que um ponto de passagem\u2026<\/p>\n<p>A Eti\u00f3pia \u00e9 um pa\u00eds de contrastes. Na sua imensa pobreza, ainda t\u00eam espa\u00e7o para acolher outros, milhares de outros, que estar\u00e3o ainda pior. S\u00f3 no campo de Hitsatge cerca de 25 mil pessoas, na sua esmagadora maioria provenientes da Eritreia, Sud\u00e3o e Som\u00e1lia, esperam pelo dia de partida rumo a um pa\u00eds de sonho. Rumo \u00e0 liberdade, a uma vida sem medo e sem fome. N\u00e3o pedem muito. Apenas isso. Na regi\u00e3o do Tigre, no norte da Eti\u00f3pia, h\u00e1 v\u00e1rios campos de refugiados. Todos os que se acotovelam por ali t\u00eam hist\u00f3rias semelhantes e est\u00e3o de m\u00e3os vazias sem argumentos para escreverem o futuro das suas vidas. O padre Hadgu Hagos, um sacerdote cat\u00f3lico de rito et\u00edope faz da visita a estes campos, a estas pessoas em desespero, o ponto central da sua miss\u00e3o. Todas as semanas ele visita os campos de Shimelba, Mai-Aini e Hitsatse. Todas as semanas ele tenta consolar pessoas que est\u00e3o como que num beco sem sa\u00edda. Todas as semanas ele fica alarmado com o que v\u00ea. Os refugiados que v\u00e3o chegando aos campos da Eti\u00f3pia s\u00e3o cada vez mais jovens e, em muitos casos, s\u00e3o apenas crian\u00e7as. E muitas vezes v\u00eam desacompanhadas. O padre Hadgu Hagos j\u00e1 sabe que vai encontrar sempre pessoas em l\u00e1grimas, \u00e0s vezes mesmo desesperadas. Mas ele leva sempre um sorriso de esperan\u00e7a. Uma esperan\u00e7a que agora ocupa tamb\u00e9m um lugar muito especial em Hitsatse. \u00c9 que, gra\u00e7as \u00e0 generosidade dos benfeitores da Funda\u00e7\u00e3o AIS, foi poss\u00edvel construir uma pequena capela no meio do campo. Foi uma alegria imensa para todos aqueles refugiados. \u00c9 que antes de haver a capela a Missa era celebrada debaixo das copas das \u00e1rvores\u2026<\/p>\n<h3>Consolar, cuidar, proteger<\/h3>\n<p>Que faz um sacerdote quando chega a um campo de refugiados com 25 mil pessoas? Come\u00e7a por onde? Faz o qu\u00ea? O padre Hadgu visita doentes, fam\u00edlias, brinca com crian\u00e7as, prepara baptismos na capela que veio substituir a sombra das \u00e1rvores\u2026 N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil falar de Deus a quem v\u00ea os seus dias a esva\u00edrem-se em processos que n\u00e3o avan\u00e7am, em burocracias, em pap\u00e9is com carimbos que nunca chegam. Todos os que est\u00e3o no campo de Hitsatse t\u00eam hist\u00f3rias para contar. Muitos, uns milhares, s\u00e3o eritreus \u2013 um pa\u00eds que j\u00e1 foi classificado como a Coreia do Norte de \u00c1frica, onde os crist\u00e3os s\u00e3o perseguidos por um regime que aprisiona gera\u00e7\u00f5es de rapazes a um servi\u00e7o militar sem fim\u2026 Fogem dessa pris\u00e3o e est\u00e3o ali presos a uma oportunidade que nunca mais chega. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil falar de Deus a quem j\u00e1 tanto sofreu. Fugir da Eritreia, por exemplo, \u00e9 arriscado e custa muito dinheiro. \u00c0s vezes tudo o que se tem. Dali, dos campos de refugiados, todas os caminhos para a Europa ou os Estados Unidos passam por atalhos controlados por contrabandistas. \u00c9 preciso arriscar. Os que partem s\u00e3o normalmente os mais jovens, os mais impacientes. \u201cMuitos est\u00e3o desesperados e arriscam tudo. \u00c0s vezes, algu\u00e9m desaparece no mar. S\u00e3o os meninos com quem jog\u00e1vamos futebol, que serviam no altar, que se afogaram no Mar Mediterr\u00e2neo. Um dia \u2013 lembra o padre Hagos \u2013 perdemos 16 rapazes\u2026 Chorei por eles.\u201d Um desses rapazes chamava-se Tadese. Era brilhante, gostava de fazer perguntas, procurava levar os outros rapazes at\u00e9 \u00e0 Igreja, apresentava-os ao padre Hagos. \u201cAfogou-se no Mediterr\u00e2neo no ano passado. Ainda estou a ver o seu rosto\u2026\u201d<\/p>\n<p><em>Paulo Aido | www.fundacao-ais.pt\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Trabalho incans\u00e1vel da Igreja junto dos refugiados na Eti\u00f3pia<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":95189,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-102959","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/102959","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=102959"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/102959\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/95189"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=102959"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=102959"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=102959"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}