{"id":10289,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/o-regresso-da-politica\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"o-regresso-da-politica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-regresso-da-politica\/","title":{"rendered":"O regresso da pol\u00edtica"},"content":{"rendered":"<p>Nas elei\u00e7\u00f5es legislativas de domingo passado a absten\u00e7\u00e3o (35 %) ficou abaixo dos 38 % das elei\u00e7\u00f5es de 2001, taxa por sua vez inferior \u00e0 registada em 1999 (39 %). Eis uma evolu\u00e7\u00e3o positiva, que de alguma forma corresponde ao apelo lan\u00e7ado em 14 de Dezembro passado pela Comiss\u00e3o Permanente da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa. A descren\u00e7a na pol\u00edtica e na democracia n\u00e3o \u00e9, afinal, t\u00e3o acentuada como alguns temiam. 5,7 milh\u00f5es de portugueses foram votar no dia 20. E votaram para mudar, dando ao Partido Socialista a primeira maioria absoluta da sua hist\u00f3ria. Como se sabe, o nosso sistema eleitoral n\u00e3o facilita maiorias de um s\u00f3 partido \u2013 at\u00e9 agora, s\u00f3 o PSD de Cavaco Silva as tinha conseguido. Discorde-se ou n\u00e3o daquilo que os socialistas preconizam para o Pa\u00eds, \u00e9 bom que um partido possa governar sem ter de fazer acordos mais ou menos pontuais com outras for\u00e7as pol\u00edticas, pois s\u00f3 assim poder\u00e1 ser plenamente responsabilizado. E se o PS se quedasse por uma maioria apenas relativa, n\u00e3o s\u00f3 teria uma desculpa para n\u00e3o fazer reformas, como ficaria dependente de forma\u00e7\u00f5es de esquerda mais extremista, caso do Bloco de Esquerda e\/ou do Partido Comunista. Os eventuais apoios que o governo socialista necessitasse de obter desses partidos n\u00e3o viriam certamente sem contrapartidas.  A maioria absoluta imp\u00f5e ao pr\u00f3ximo governo socialista uma enorme responsabilidade. Ter\u00e3o de governar mesmo, com tudo o que isso implica de inc\u00f3modo, luta, afrontamento de interesses particulares e corporativos, etc. N\u00e3o poder\u00e3o \u201cdeixar andar como se nada fosse\u201d, para usar palavras do Presidente da Rep\u00fablica na v\u00e9spera das elei\u00e7\u00f5es.  O eleitorado virou \u00e0 esquerda? De facto, os partidos de esquerda somaram quase 60 % dos votos. Mas conv\u00e9m reparar em que o PS fez uma campanha dirigida ao centro pol\u00edtico. Ali\u00e1s, S\u00f3crates havia ganho a competi\u00e7\u00e3o pela lideran\u00e7a socialista com uma bandeira centrista, derrotando os concorrentes \u00e0 esquerda. Seria preocu-pante, isso sim, se os partidos de esquerda conseguissem dois ter\u00e7os dos lugares na Assembleia da Rep\u00fablica, o que lhes permitiria alterar a Constitui\u00e7\u00e3o e algumas leis fundamentais sem o consenso de partidos mais \u00e0 direita. Mas ficaram longe dessa fasquia. Tal n\u00e3o significa, por\u00e9m, que o centro-direita e a direita n\u00e3o tenham sa\u00eddo feridas desta vota\u00e7\u00e3o. O PSD e o CDS j\u00e1 convocaram congressos extraordin\u00e1rios para lidarem com a crise. Estaremos no fim de um ciclo em que o populismo tentou esta \u00e1rea pol\u00edtica? Seria bom que assim acontecesse. Mas tudo, ou quase tudo, parece em aberto \u00e0 direita: lideran\u00e7as e at\u00e9 a configura\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria. Uma divis\u00e3o no PSD n\u00e3o \u00e9 impens\u00e1vel. E o CDS \u2013 que j\u00e1 foi PP e voltou \u00e0 sigla original \u2013 n\u00e3o encontrou ainda um lugar claro no espectro pol\u00edtico: partido de oposi\u00e7\u00e3o e protesto ou partido de governo? Uma coisa \u00e9 certa: a pol\u00edtica voltou em for\u00e7a.  Francisco Sarsfield Cabral (Director de Informa\u00e7\u00e3o da R\u00e1dio Renascen\u00e7a) <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nas elei\u00e7\u00f5es legislativas de domingo passado a absten\u00e7\u00e3o (35 %) ficou abaixo dos 38 % das elei\u00e7\u00f5es de 2001, taxa por sua vez inferior \u00e0 registada em 1999 (39 %). Eis uma evolu\u00e7\u00e3o positiva, que de alguma forma corresponde ao apelo lan\u00e7ado em 14 de Dezembro passado pela Comiss\u00e3o Permanente da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa. 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