{"id":10288,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/pais-educacao-e-democracia\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"pais-educacao-e-democracia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/pais-educacao-e-democracia\/","title":{"rendered":"Pais, educa\u00e7\u00e3o e democracia"},"content":{"rendered":"<p>Os portugueses foram votar e essa \u00e9 uma boa forma de ser cidad\u00e3o. A sa\u00fade de uma democracia rev\u00ea-se tamb\u00e9m nesta participa\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s do voto. Mas a vitalidade democr\u00e1tica requer, igualmente, a participa\u00e7\u00e3o esclarecida dos cidad\u00e3os, atrav\u00e9s da ac\u00e7\u00e3o e express\u00e3o nas institui\u00e7\u00f5es onde o pa\u00eds se constr\u00f3i quotidianamente.  E aqui come\u00e7a uma cadeia de interde-pend\u00eancias: cidad\u00e3os com elevado grau de civismo e responsabilidade esclarecida dependem da educa\u00e7\u00e3o; esta autenticidade democr\u00e1tica deriva, em grande medida, de como se educa para a liberdade, para a responsabilidade e para a solidariedade; esta educa\u00e7\u00e3o em valores e para valores \u00e9 tarefa de toda a sociedade, mas depende, em linha directa, dos pais, primeiros respons\u00e1veis pela educa\u00e7\u00e3o dos seus filhos; em segunda linha, depende dos restantes ambientes educativos, nomeadamente, da escola, e da articula\u00e7\u00e3o que os pais mant\u00eam com as escolas dos seus filhos.  Em que ponto se encontra a vitalidade democr\u00e1tica das escolas? Qual \u00e9 a articula\u00e7\u00e3o entre as fam\u00edlias e as escolas, no nosso caso portugu\u00eas? Como vai o pluralis-mo educativo no nosso pa\u00eds? Como est\u00e1 a autonomia das escolas? De que modo \u00e9 que os pais, como cidad\u00e3os, se exprimem e se rev\u00eaem nas escolas e no sistema educativo? Como se garante e se promove a qualidade da educa\u00e7\u00e3o?  Em Portugal, os pais n\u00e3o podem exercer os seus direitos e deveres de cidadania, como primeiros e principais respons\u00e1veis pela educa\u00e7\u00e3o dos seus filhos. Este d\u00e9ficit de cidadania come\u00e7a ao n\u00e3o lhes ser permitido escolher as escolas para os seus filhos. Em primeiro lugar, a sua op\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel porque a pluralidade de projectos educativos \u00e9 d\u00e9bil e, na maioria das regi\u00f5es do pa\u00eds, inexistente; o que predomina \u00e9 um largo conjunto monol\u00edtico de escolas clonadas, meras delega\u00e7\u00f5es locais de um sistema centralizador. Em segundo lugar, n\u00e3o lhes \u00e9 permitida uma op\u00e7\u00e3o que iria subverter toda a l\u00f3gica de um sistema educativo que est\u00e1 ao servi\u00e7o dos empregos dos funcion\u00e1rios do ensino e n\u00e3o ao servi\u00e7o da educa\u00e7\u00e3o das gera\u00e7\u00f5es mais jovens.  As escolas deveriam ser um servi\u00e7o aos alunos, \u00e0s fam\u00edlias e \u00e0s comunidades. Mas, na realidade, s\u00e3o os alunos e as fam\u00edlias que s\u00e3o for\u00e7ados a servir as escolas e os interesses corporativos. A coloca\u00e7\u00e3o de professores, tal como \u00e9 feita, obedece \u00e0 mesma l\u00f3gica invertida: os professores s\u00e3o colocados, de acordo com as suas prefer\u00eancias e o ranking das gradua\u00e7\u00f5es, mas com total indiferen\u00e7a pelos projectos educativos das escolas e comunidades. A autonomia das escolas est\u00e1 muito longe de concretizar-se. Faltam condi\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas para a constru\u00e7\u00e3o de projectos educativos: falta a lideran\u00e7a, a estabilidade profissional e a responsabiliza\u00e7\u00e3o que da\u00ed decorre. Existe ainda outro obst\u00e1culo substancial: a tradi\u00e7\u00e3o do estatismo da educa\u00e7\u00e3o, em Portugal, e os interesses corporativos que lhe est\u00e3o associados n\u00e3o parecem ser compat\u00edveis com a vontade de autonomia.  Destaca-se, deste panorama cinzento, uma not\u00e1vel excep\u00e7\u00e3o: a Escola da Ponte, recentemente reconhecida como escola com autonomia. \u00c0 revelia de um sistema gigantesco, esta \u00e9 uma escola com projecto. Um projecto que tem estado ao servi\u00e7o dos alunos e da comunidade. Os pais est\u00e3o presentes, o recrutamento dos professores subordina-se \u00e0 l\u00f3gica do projecto, os alunos t\u00eam sido educados para a cidadania, para a liberdade e a responsabilidade, para a coopera\u00e7\u00e3o e para a solidariedade. Muito vai depender do desenvolvimento deste pequeno, mas significativo, sinal de mudan\u00e7a: ter\u00e1 a capacidade de fazer valer a cidadania e abrir brechas neste sistema?; ou, pelo contr\u00e1rio, ao ser sentido como uma amea\u00e7a, pode correr o risco de ser engolido pelo pr\u00f3prio sistema que, muito a custo, lhe permitiu emergir? Em qualquer pa\u00eds, o futuro da democracia depende muito da capacidade dos Estados para reconhecer, respeitar e promover a cidadania das comunidades locais no seu direito de educar, com coer\u00eancia, as gera\u00e7\u00f5es mais jovens, na liberdade e na responsabilidade, em perfeita igualdade de oportunidades. Mas depende, igualmente, da consciencializa\u00e7\u00e3o plena dos pais quanto aos seus direitos e deveres como educadores e como cidad\u00e3os. Verdadeiramente, a batalha da democracia ganha-se ou perde-se no labor da educa\u00e7\u00e3o.  Teresa Gon\u00e7alves<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os portugueses foram votar e essa \u00e9 uma boa forma de ser cidad\u00e3o. A sa\u00fade de uma democracia rev\u00ea-se tamb\u00e9m nesta participa\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s do voto. Mas a vitalidade democr\u00e1tica requer, igualmente, a participa\u00e7\u00e3o esclarecida dos cidad\u00e3os, atrav\u00e9s da ac\u00e7\u00e3o e express\u00e3o nas institui\u00e7\u00f5es onde o pa\u00eds se constr\u00f3i quotidianamente. 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