{"id":102241,"date":"2018-04-18T14:00:18","date_gmt":"2018-04-18T13:00:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www.agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=102241"},"modified":"2018-04-18T12:36:35","modified_gmt":"2018-04-18T11:36:35","slug":"a-dignidade-do-feminino-em-luiza-andaluz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-dignidade-do-feminino-em-luiza-andaluz\/","title":{"rendered":"A Dignidade do Feminino em Luiza Andaluz"},"content":{"rendered":"<p><em>Carlos Liz, consultor em estudos de opini\u00e3o e de mercado.<\/em><!--more--><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-102252 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/luiza_andaluz_mulheres-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/luiza_andaluz_mulheres-300x200.jpg 300w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/luiza_andaluz_mulheres-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/luiza_andaluz_mulheres-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/luiza_andaluz_mulheres-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/luiza_andaluz_mulheres.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>A plena valoriza\u00e7\u00e3o da Mulher \u2013 corrigindo tempos anteriores e anunciando tempos futuros &#8211; atravessa toda a obra de Luiza Andaluz. Na base deste processo transformador est\u00e1 a F\u00e9 num Deus de grandes coisas, de vistas largas, a par de uma integra\u00e7\u00e3o inteligente na Igreja, que constantemente ter\u00e1 de se recriar se quer estar \u00e0 altura da sua raz\u00e3o de ser. O tema Mulher, pelo simples facto de ser explicitado, tem um profundo significado seja no plano religioso, seja no plano social.<\/p>\n<p>N\u00e3o ser\u00e1 por acaso, ali\u00e1s, que Luiza identifica como modelo de vida Teresa de Jesus, a quem muito sugestivamente chama de \u201cmulher desembara\u00e7ada\u201d. Tal como Teresa, umas das duas primeiras Doutoras da Igreja, Luiza n\u00e3o se poupou em infinitas iniciativas, que mexeram na ordem instalada dos seus respetivos tempos, compaginando profundidade espiritual e efic\u00e1cia material. E sempre com o referente \u2013 pouco \u00f3bvio nessas alturas \u2013 de que a mulher era sujeito, por m\u00e9rito pr\u00f3prio, da Hist\u00f3ria de Deus e da Humanidade, lado a lado com os seus colegas (e amigos) homens.<\/p>\n<p>No momento pr\u00f3prio, Luiza faz quest\u00e3o de dar o nome de Servas \u00e0 congrega\u00e7\u00e3o que fundou \u2013 uns s\u00e9culos antes, Teresa, acabada de ser eleita prioresa, p\u00f5e as chaves do convento nas m\u00e3os da imagem de Nossa Senhora do Carmo, d\u00e1-lhe a cadeira de l\u00edder e fica, simplesmente aos seus p\u00e9s. Esta superior intui\u00e7\u00e3o de distribui\u00e7\u00e3o de poderes \u00e9 constitutiva da espiritualidade de Luiza: ser Serva \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o exigente e n\u00e3o uma aceita\u00e7\u00e3o posicional nivelada por baixo, por tradi\u00e7\u00e3o, por imposi\u00e7\u00e3o de sociedades ultrapassadas e injustas.<\/p>\n<p>A Luiza da alta sociedade de passagem do s\u00e9culo XIX para o XX, mais dada \u00e0 conversa privada do que \u00e0 dan\u00e7a de sal\u00e3o, mas capaz de vencer provas de remo, cedo ter\u00e1 tomado consci\u00eancia da import\u00e2ncia de n\u00e3o deixar tudo nas m\u00e3os dos homens, assumindo um papel sempre ativo, opinativo e bem fundamentado acerca daquilo que sentia como sendo essencial fazer. Em 1922 encontramo-la nas reuni\u00f5es de dire\u00e7\u00e3o do Asilo do Lumiar, onde s\u00f3 estavam homens que compreenderam que era boa ideia que Luiza e outra companheira estivessem presentes \u2013 com tudo devidamente exarado em ata\u2026 E tudo num ambiente assumidamente n\u00e3o confessional, afirmando Luiza que se tratava de encontrar o Bem, de forma alargada a outros membros da sociedade.<\/p>\n<p>A auto considera\u00e7\u00e3o do valor do feminino atravessa ainda a ret\u00f3rica da Madre, como neste discurso \u00e0s Alunas do Col\u00e9gio e da Creche: \u201ctereis de fazer a vossa vig\u00edlia de armas tereis que praticar feitos heroicos e depois, de lan\u00e7a em riste como os antigos cavaleiros, v\u00f3s espalhareis \u00e0 roda de v\u00f3s n\u00e3o a morte ou a tristeza mas sim a vida e a alegria\u201d. De forma menos \u201cb\u00e9lica\u201d mas igualmente expressiva e fora do ambiente dom\u00e9stico, podemos surpreender a adolescente Luiza a criar um cat\u00e1logo de produtos artesanais e proceder \u00e0 sua venda de porta em porta e junto de locais onde os p\u00fablicos-alvo poderiam estar e comprar\u2026 e muito dinheiro foi assim arranjado para os pobres.<\/p>\n<p>Luiza ficar\u00e1 conhecida como uma en\u00e9rgica e inspirada empreendedora social \u2013 a forma mais vis\u00edvel de express\u00e3o da sua profunda F\u00e9, o modo de tangibilizar a miss\u00e3o para a qual se sentia chamada por Deus. Mas, o mais importante \u00e9 que se trata de um empreendedorismo baseado no imperativo estrat\u00e9gico da Educa\u00e7\u00e3o para as raparigas e para as mais pobres. Luiza critica duramente a sociedade que n\u00e3o compreendia o papel decisivo das mulheres e que lhes negava o acesso \u00e0 forma\u00e7\u00e3o e conhecimento e junta \u00e0 cr\u00edtica a a\u00e7\u00e3o criadora de escolas e ao renovar das suas pr\u00e1ticas pedag\u00f3gicas. S\u00f3 a sustentabilidade intelectual e emocional trazida pela educa\u00e7\u00e3o permitiria cumprir o voto expresso numa das muitas alocu\u00e7\u00f5es dirigidas \u00e0s suas alunas: \u201csede sim raparigas do vosso tempo, alegres, desembara\u00e7adas, ativas, empreendedoras, mais independentes\u201d. Luiza, como boa educadora, deu o exemplo da sua pr\u00f3pria vida como forma de efetiva persuas\u00e3o pedag\u00f3gica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carlos Liz, consultor em estudos de opini\u00e3o e de mercado.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":102252,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-102241","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/102241","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=102241"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/102241\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/102252"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=102241"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=102241"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=102241"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}