{"id":10190,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/eleicoes-em-tempo-quaresmal\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"eleicoes-em-tempo-quaresmal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/eleicoes-em-tempo-quaresmal\/","title":{"rendered":"Elei\u00e7\u00f5es em tempo quaresmal"},"content":{"rendered":"<p>O director da \u00abVoz Portucalense\u00bb alerta: &#8220;O grande d\u00e9ficit dos pol\u00edticos n\u00e3o \u00e9 o das palavras mas o da convers\u00e3o. Ou mesmo o d\u00e9ficit do sil\u00eancio.&#8221; <!--more--> N\u00e3o faltou quem tivesse aproveitado a rela\u00e7\u00e3o temporal das elei\u00e7\u00f5es deste ano com o carnaval. Por mim, preferi relacion\u00e1-las com a Quaresma, at\u00e9 porque, mais que em tempo de carnaval, a campanha eleitoral coincide com os primeiros dias da Quaresma, os que correm at\u00e9 ao dia 19 de Fevereiro. Quaresma \u00e9 tempo penitencial dos crist\u00e3os e particularmente dos cat\u00f3licos. Todas as religi\u00f5es definem tempos especiais de penit\u00eancia, porque a religi\u00e3o (liga\u00e7\u00e3o a Deus) tem que partir sempre da convers\u00e3o. Quem n\u00e3o se converte n\u00e3o encontra o caminho da salva\u00e7\u00e3o nem o da f\u00e9, e muito menos pode aspirar a salvar os outros (o pa\u00eds, a economia, a cultura, a sa\u00fade, a educa\u00e7\u00e3o). O grande d\u00e9ficit dos pol\u00edticos n\u00e3o \u00e9 o das palavras mas o da convers\u00e3o. Ou mesmo o d\u00e9ficit do sil\u00eancio. As nossas televis\u00f5es e a comunica\u00e7\u00e3o social em geral n\u00e3o costumam falar muito da Quaresma, porque o mundo de hoje \u00e9 avesso \u00e1 convers\u00e3o, e por isso \u00e9 que anda t\u00e3o tresmalhado. Quando chegam os dias do Ramad\u00e3o mu\u00e7ulmano, as televis\u00f5es desdobram-se em  transmiss\u00f5es de dados e reportagens. Sobre a Quaresma, n\u00e3o. Conceito excessivamente cat\u00f3lico, que \u00e9 coisa que n\u00e3o existe em Portugal. Este ano  falar\u00e3o certamente ainda menos, porque se levanta altaneira a campanha eleitoral, que tamb\u00e9m n\u00e3o deixa de ser para muitos uma forma de penit\u00eancia, mesmo que por ela poucos se convertam.  Embora o tempo de Quaresma v\u00e1 para al\u00e9m das elei\u00e7\u00f5es, importaria que ele ajudasse os partidos pol\u00edticos a definir par\u00e2metros de actua\u00e7\u00e3o que favorecessem mais a conviv\u00eancia cidad\u00e3 do que a luta pol\u00edtica. Ou que dessem \u00e1 pol\u00edtica um essencial sentido de cidadania.  Seria bonito que candidatos e dirigentes transmitissem ao povo coisas t\u00e3o simples como  a seriedade das propostas eleitorais, o respeito intransigente pelo advers\u00e1rio pol\u00edtico, o equil\u00edbrio reflectido e sensato das mensagens, o respeito pelas maiorias e tamb\u00e9m pelas minorias, o sentido de que a pol\u00edtica deve tornar-se uma pedagogia da conviv\u00eancia e n\u00e3o uma qualquer forma de luta fratricida. Em todas as interven\u00e7\u00f5es seria desej\u00e1vel o equil\u00edbrio das palavras e das propostas, para n\u00e3o se criarem ilus\u00f5es falazes aos cidad\u00e3os (uma boa forma de jejum: o jejum das palavras e das promessas). Que os dirigentes partid\u00e1rios assumissem o sentido de Estado, sobretudo aqueles que aspiram a exercer cargos governativos. Que as propostas se perfilem em ordem \u00e0 resolu\u00e7\u00e3o dos problemas econ\u00f3micos (os omnipresentes, como deuses universais), e sobretudo dos sociais de que o pa\u00eds padece: que uns n\u00e3o fa\u00e7am esquecer os outros. Que o sentido de uma certa austeridade come\u00e7asse pelas campanhas, formas vis\u00edveis de exibicionismo e de gastos sup\u00e9rfluos, nesse aspecto deseducativas para a mentalidade colectiva. O esbanjamento dos meios condiz com o esbanjamento das palavras. \u00c9 de esperar, e devia ser de afirmar e proclamar, que fossem definidas propostas de rigor e de contrac\u00e7\u00e3o equilibrada dos servi\u00e7os do Estado, n\u00e3o \u00e0 custa dos trabalhadores, mas dos evidentes gastos sup\u00e9rfluos e exibicionistas dos detentores dos cargos pol\u00edticos. Por n\u00f3s, propor\u00edamos, como forma de agiliza\u00e7\u00e3o e efic\u00e1cia das decis\u00f5es necess\u00e1rias (como j\u00e1 dizia Ant\u00f3nio Vieira, um dos maiores males da administra\u00e7\u00e3o \u00e9 a perda do tempo e a prolifera\u00e7\u00e3o da in\u00fatil e perniciosa da burocracia), uma imediata diminui\u00e7\u00e3o de Minist\u00e9rios, com a supress\u00e3o dos in\u00fateis (como Igualdade, ou Solidariedade, ou outros entes de raz\u00e3o, que n\u00e3o s\u00e3o actividades objectivas mas apenas entidades abstractas), num governo que simplifique a vida p\u00fablica e promova a iniciativas dos cidad\u00e3os. Quanto mais minist\u00e9rios, mais burocracia e mais sobreposi\u00e7\u00e3o de compet\u00eancia que depois de degladiam mutuamente.  N\u00e3o se tem ouvido neste dom\u00ednio mais do que alguma t\u00edmida sugest\u00e3o, logo abafada pela voragem dos lugares influentes.  Importaria que a ac\u00e7\u00e3o pol\u00edtica fosse considerada e fosse de facto um servi\u00e7o p\u00fablico, e n\u00e3o uma ambi\u00e7\u00e3o de poder.  Ent\u00e3o ter\u00edamos uma campanha eleitoral quaresmal: que convertesse mentalidades e modelasse outras formas de proceder.  Pe. MANUEL CORREIA FERNANDES*\t<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O director da \u00abVoz Portucalense\u00bb alerta: &#8220;O grande d\u00e9ficit dos pol\u00edticos n\u00e3o \u00e9 o das palavras mas o da convers\u00e3o. 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