{"id":10174,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/celebracoes-vivas-linguagem-atraente-estilo-de-celebracao-acolhedor\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"celebracoes-vivas-linguagem-atraente-estilo-de-celebracao-acolhedor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/celebracoes-vivas-linguagem-atraente-estilo-de-celebracao-acolhedor\/","title":{"rendered":"Celebra\u00e7\u00f5es vivas, linguagem atraente, estilo de celebra\u00e7\u00e3o acolhedor&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>\u00c0 conversa com&#8230; D. Carlos Azevedo <!--more--> VP \u2013 Como foi este tempo de espera? Como conseguiu gerir estes 6 meses de intensos rumores, para j\u00e1 n\u00e3o ir ao ano de 1992, altura em que esteve na C.E.P. e em que j\u00e1 se antevia este acontecimento? Carlos Azevedo (CA) \u2013 O que importa na vida dum padre \u00e9 a dedica\u00e7\u00e3o ao servi\u00e7o da Igreja e daqueles que se abrem ao Mist\u00e9rio de Deus. O resto s\u00e3o as oportunidades e as circunst\u00e2ncias que v\u00e3o ditando aqueles que melhor podem servir nos lugares, nos diferentes sectores. Portanto, fundamentalmente fui servindo sempre, fui-me dedicando \u00e0quilo que me era pedido. Mesmo agora, nestes \u00faltimos meses, fui tentando encontrar nas minhas tarefas e na ora\u00e7\u00e3o a melhor atitude para encarar essa situa\u00e7\u00e3o.  VP \u2013 De que forma pensa e sente a necessidade de ser Bispo na actualidade? Qual tem sido a principal preocupa\u00e7\u00e3o que lhe toca desde que foi nomeado para este novo minist\u00e9rio? CA \u2013 Para j\u00e1 \u00e9 mesmo uma pr\u00e9-ocupa\u00e7\u00e3o, porque uma coisa \u00e9 o conhecimento que n\u00f3s temos dos documentos \u2013 tenho estado a ler a exorta\u00e7\u00e3o p\u00f3s-sinodal sobre a miss\u00e3o do Bispo \u2013 e outra coisa \u00e9 a realidade concreta de cada Diocese. Portanto, estou com paix\u00e3o de servir e com disponibilidade para colaborar com a minha sensibilidade para encontrar em comunh\u00e3o, sobretudo com o Bispo de Lisboa, o Senhor Patriarca, e com os que est\u00e3o mais pr\u00f3ximos dele, os melhores caminhos para a evangeliza\u00e7\u00e3o nesta hora da Hist\u00f3ria. Penso que o fundamental neste momento e nestas circunst\u00e2ncias \u00e9 uma atitude orante para criar disponibilidade e retirar do cora\u00e7\u00e3o aqueles obst\u00e1culos que naturalmente v\u00eam ao de cima, desde o temor at\u00e9 as ideias preconcebidas ou qualquer outra coisa que possa perturbar a disponibilidade interior para a tarefa. O que vejo hoje que um Bispo tem que ser \u00e9, antes de mais: um homem de Deus profundamente amigo dos seus padres; incentivador do carisma de cada um e animador desses carismas; depois, exigente na estrutura\u00e7\u00e3o da vida da Igreja para que ela seja \u00e1gil e se renove para corresponder aos novos tempos; e, tamb\u00e9m, bem desperto para os sinais da presen\u00e7a de Deus na Hist\u00f3ria \u2013 seja na vida cultural, na vida econ\u00f3mica, na vida pol\u00edtica \u2013 em aten\u00e7\u00e3o permanente \u00e0quilo que Deus nos diz atrav\u00e9s do que acontece no mundo, com muita fidelidade \u00e0 Igreja e muita fidelidade \u00e0 Hist\u00f3ria.  VP \u2013 Poderemos dizer que tem o caminho mais facilitado e receptivo do Patriarcado de Lisboa por ter estado 4 anos na Reitoria da UCP? \u00c9 um ponto forte e a raz\u00e3o para ter sido nomeado para Bispo Auxiliar de Lisboa?  CA \u2013 Penso que n\u00e3o foi uma prepara\u00e7\u00e3o especial. O facto de ter estado em Lisboa, j\u00e1 me d\u00e1 mais algum conhecimento da diocese, mas a actividade que tinha do ponto de vista do contacto pastoral era muita limitada. Era mais com alguns alunos da Faculdade de Teologia e, portanto, com o Semin\u00e1rio; o contacto com uma ou outra Par\u00f3quia que pediu os meus servi\u00e7os; e com um grupo de forma\u00e7\u00e3o de animadores de jovens. Tive uma s\u00e9rie de encontros de fim-de-semana com eles e ainda est\u00e1 marcado um para Mar\u00e7o, e espero passar por l\u00e1. Houve um Retiro que fiz ao Clero de Lisboa, h\u00e1 cerca de 2-3 anos. Os padres v\u00e3o-me conhecendo um pouco pelos Retiros e pelos Simp\u00f3sios do Clero. Eles a mim, de certo modo, conhecem-me mas eu a eles n\u00e3o os conhe\u00e7o. Esta ser\u00e1 uma oportunidade para nos conhecermos e criarmos la\u00e7os de comunh\u00e3o. A realidade da vida da Igreja diocesana ser\u00e1 uma descoberta a fazer.  VP \u2013 O que \u00e9 que, grosso modo, vai mudar\/abdicar na sua vida pastoral e apost\u00f3lica de tudo aquilo em que estava inserido e que foi fazendo, como o ser Professor, as Confer\u00eancias v\u00e1rias, o Movimento O\u00e1sis?  CA \u2013 Evidentemente que a fun\u00e7\u00e3o episcopal cria outras aberturas de resposta \u00e0 Igreja e, portanto, quer as Confer\u00eancias \u2013 que exigem um pouco de reflex\u00e3o, tempo e prepara\u00e7\u00e3o \u2013 ficar\u00e3o ligeiramente limitadas; como tamb\u00e9m a parte da investiga\u00e7\u00e3o, a parte da Hist\u00f3ria religiosa e da Iconografia religiosa, que foram campos do meu trabalho, ficar\u00e3o agora na gaveta. Estes sectores da arte, da investiga\u00e7\u00e3o e da interven\u00e7\u00e3o na anima\u00e7\u00e3o espiritual do Movimento O\u00e1sis n\u00e3o quero dizer que ficam totalmente de lado. O meu contributo consistira em entusiasmar outros a fazerem aquilo que considero importante continuar.   VP \u2013 Pelo que sabemos, cada Bispo Auxiliar tem uma \u00e1rea pr\u00f3pria de ac\u00e7\u00e3o pastoral relacionada com os Movimentos, Grupos e Institui\u00e7\u00f5es Eclesiais. Se puder optar por uma \u00e1rea qual \u00e9 aquela que gostaria de lhe ver entregue? CA \u2013 Eu at\u00e9 hoje n\u00e3o tenho escolhido as \u00e1reas em que quero trabalhar. As pessoas v\u00e3o vendo em que posso ser \u00fatil e eu vou servindo na \u00e1rea em que me pedem. Muitas vezes coincide aquilo que me pedem com aquilo de que eu gosto. Mas acho que s\u00f3 depois de reunir com o Senhor Patriarca e os outros Bispos \u00e9 que distribuiremos essas tarefas. Em Lisboa h\u00e1 a distribui\u00e7\u00e3o por zonas pastorais, por isso h\u00e1 uma zona que \u00e9 entregue a um Bispo Auxiliar. Ser\u00e1 definido a partir de Abril, quando inserir a nova equipa, quer os sectores da pastoral quer a zona pastoral. Com certeza que, por uma quest\u00e3o de recursos humanos, \u00e9 bom sempre que sirvamos em campos para os quais revelamos maior aptid\u00e3o.   VP \u2013 Est\u00e1 agora a decorrer uma grande exposi\u00e7\u00e3o em Santa Maria da Feira, sobre S. Sebasti\u00e3o, que se deve pratica e essencialmente ao P. Carlos, ao seu trabalho de Comiss\u00e1rio Geral. Sentiu-se isolado de meios e apoios nesta execu\u00e7\u00e3o, de curta e acelerada prepara\u00e7\u00e3o? CA \u2013 Foi essencial o facto de nestes 3 meses, desde que vim de Lisboa, da Reitoria da UCP, e em que continuei a dar as aulas, poder dedicar o resto do tempo, sobretudo, a esta tarefa de preparar a exposi\u00e7\u00e3o. O resto das dificuldades s\u00e3o inerentes ao pa\u00eds em que vivemos, onde tudo o que \u00e9 invent\u00e1rio de arte est\u00e1 atrasad\u00edssimo, onde h\u00e1 uma dificuldade enorme de encontrar e seleccionar um conjunto de pe\u00e7as. E depois, tamb\u00e9m, cheguei aqui e n\u00e3o tive uma equipa com quem estava habituado a trabalhar. Essa equipa est\u00e1 agora dispersa.  VP \u2013 Com a espiritualidade que lhe \u00e9 devida, tanto \u00e0 de S. Sebasti\u00e3o como \u00e0 do P. Carlos, o que \u00e9 que lhe trouxe de novo a procura e a maior envolv\u00eancia no estudo deste Santo? O que regista com maior apre\u00e7o e quer dar a conhecer a quem pouco sabe sobre S. Sebasti\u00e3o? CA \u2013 Todas as exposi\u00e7\u00f5es que tenho feito fa\u00e7o-as sempre como Padre, disse isso nas minhas palavras de abertura desta Exposi\u00e7\u00e3o. N\u00e3o fiz nenhuma para simplesmente mostrar arte. As exposi\u00e7\u00f5es t\u00eam todas um intuito pastoral, catequ\u00e9tico, uma mensagem. N\u00e3o quero dizer com isto que as pe\u00e7as n\u00e3o s\u00e3o tratadas como devem ser, n\u00e3o s\u00e3o estudadas do ponto de vista hist\u00f3rico, mas para al\u00e9m de tudo isto que se deve fazer, h\u00e1 um outro acrescento, que \u00e9 a dimens\u00e3o dum percurso, duma mensagem que as faz interrogar, que as faz reflectir e que tamb\u00e9m as enriquece culturalmente. Alguns v\u00e3o l\u00e1 s\u00f3 pelo enriquecimento cultural, mas outros tamb\u00e9m trar\u00e3o algum proveito espiritual, alguma frui\u00e7\u00e3o de beleza, que tamb\u00e9m \u00e9 espiritual, e uma mensagem do que \u00e9 importante na vida e do que vale a pena na vida. Ora, certamente, que a imagem de um S. Sebasti\u00e3o conduzir\u00e1 a uma grande fortaleza e consola\u00e7\u00e3o para as pessoas. Em momentos de peste, a grande raz\u00e3o da divulga\u00e7\u00e3o do culto sebastianino, encontravam grande al\u00edvio. Isso foi fundamental para as suas vidas. Tamb\u00e9m podemos dizer que o facto das pessoas olharem para S. Sebasti\u00e3o e verem nele algu\u00e9m que deu a vida por Cristo, isso \u00e9 significativo para as adversidades do mundo contempor\u00e2neo, onde h\u00e1 muita realidade dif\u00edcil, que exige muita fortaleza. Essa mesma fortaleza precisa de hoje estar presente na sociedade, atrav\u00e9s do testemunho de algu\u00e9m que persistiu e lutou pela liberdade.  VP \u2013 Tem tamb\u00e9m outra grande responsabilidade em suas m\u00e3os: o ser Postulador do processo de Canoniza\u00e7\u00e3o da Irm\u00e3 Maria Rita de Jesus. Como est\u00e1 a decorrer e vai continuar este processo? CA \u2013 Felizmente que o processo coincide tamb\u00e9m com o encerramento destes dias. Portanto, o trabalho do Postulador \u201cterminou\u201d, na medida em que o processo vai para Roma e l\u00e1 vai ser analisado. Em Roma \u00e9 que vai haver um Postulador, ser\u00e1 um Padre Capuchinho que j\u00e1 estava previsto, porque o Postulador tem que estar e viver em Roma, \u00e9 das normas. E o Postulador, que preparou at\u00e9 aqui a causa, passa a Vice-Postulador. Em Portugal o Boletim que vai continuar a animar a mem\u00f3ria da Irm\u00e3 Rita poder\u00e1 continuar a contar comigo na escrita de um ou outro artigo, mas penso que as Irm\u00e3s encontrar\u00e3o uma Vice-Postuladora ou um Vice-Postulador para c\u00e1. Nesta miss\u00e3o n\u00e3o \u00e9 costume que os Bispos sejam Postuladores ou Vice-Postuladores. Terminei a minha miss\u00e3o, fiz o que era pretendido, e num tempo recorde, n\u00e3o s\u00f3 na aprova\u00e7\u00e3o em Roma no nihil obstat, mas tamb\u00e9m no trabalho excepcional de 8 meses do Tribunal Eclesi\u00e1stico, que pode ouvir 35 testemunhas e organizar o processo. Parab\u00e9ns por isso ao Tribunal, pelo seu trabalho t\u00e3o dedicado, para que tudo pudesse terminar a tempo.  VP \u2013 Al\u00e9m de ter sido, como Padre, Director Espiritual do Semin\u00e1rio, P\u00e1roco da Senhora  da Concei\u00e7\u00e3o, Assistente do Movimento O\u00e1sis, Professor e Vice-Reitor da UCP, o que gostaria de ter feito mais? Que ideais tinha para o futuro? CA \u2013 Gostaria de ter feito muita coisa melhor do que fiz. N\u00e3o fiz t\u00e3o bem como era vontade de Deus, certamente, mas procurei fazer o melhor poss\u00edvel. Agora estava a pensar que seria interessante uma experi\u00eancia rural, que ainda n\u00e3o tinha tido, de um desafio duma unidade pastoral numa zona onde estivesse com meia d\u00fazia ou mais Par\u00f3quias, onde se sonhasse um novo tipo de pastoral numa unidade pastoral. Era um sonho que acalentava. Outro era tamb\u00e9m uma casa de Ora\u00e7\u00e3o, um Eremit\u00e9rio. Estava agora tudo a encaminhar-se para avan\u00e7ar, em S. Pedro das \u00c1guias, junto ao T\u00e1vora. Estava j\u00e1 feita a escritura, tinha ido l\u00e1 com um grupo de jovens desbravar silvas, est\u00e1 um arquitecto a fazer o projecto, vamos ver como avan\u00e7a agora noutra direc\u00e7\u00e3o. Eram 2 projectos do ponto de vista pastoral.  VP \u2013 Mas n\u00e3o quer dizer que morra a concretiza\u00e7\u00e3o do seu 2\u00ba projecto, j\u00e1 que as coisas v\u00e3o a bom andamento para um bom fim&#8230; CA \u2013 Esse projecto vem da minha liga\u00e7\u00e3o ao Daniel Faria e da visita que faz\u00edamos todos os anos l\u00e1, na altura do Carnaval, ver as amendoeiras em flor e passar a manh\u00e3 em S. Pedro das \u00c1guias. Veio depois a ideia de arranjar uma casinha velha e fazer l\u00e1 um Eremit\u00e9rio. Depois da morte do Daniel, tomei mesmo o compromisso de fazer o que j\u00e1 tinha sido sonhado na presen\u00e7a da vida dele, de fazer l\u00e1 a \u201cCasa Daniel\u201d, uma Casa de Ora\u00e7\u00e3o. H\u00e1 um grupo que est\u00e1 ligado a isso e esse grupo ficar\u00e1 com maior responsabilidade. Teremos que formalizar o modo de dar seguimento a essa iniciativa.  VP \u2013 Que outros cargos ou pap\u00e9is desempenha actualmente? CA \u2013 Sou Presidente da Direc\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o dos Museus da Igreja Cat\u00f3lica, ainda com um ano de mandato. O Cabido do Porto que represento decidir\u00e1 sobre o futuro. Em breve teremos reuni\u00e3o da Direc\u00e7\u00e3o a que ainda presidirei. Por outro lado, tamb\u00e9m sou Presidente do Conselho Cient\u00edfico para a Documenta\u00e7\u00e3o Cr\u00edtica de F\u00e1tima, que est\u00e1 a ser publicada em bom ritmo. J\u00e1 estava reuni\u00e3o marcada para Fevereiro. O Centro de Estudos da Hist\u00f3ria Religiosa ver\u00e1 como continuar. Estava ainda em m\u00e3os uma Enciclop\u00e9dia sobre F\u00e1tima que ia dirigir, juntamente com o P. Dr. Cristino. Talvez possa continuar esse projecto. J\u00e1 est\u00e1 definida a lista de entradas e alguns artigos foram atribu\u00eddos. Vamos encontrar solu\u00e7\u00f5es para que os projectos possam avan\u00e7ar, comigo mais empenhado ou mais na retaguarda. Vamos ver.  VP \u2013 Ano da Eucaristia. Como v\u00ea surgir o seu novo minist\u00e9rio eclesial neste ano? Qual a sua mais valia? CA \u2013 Com certeza que a Eucaristia \u00e9 fonte da vida espiritual e de toda a vida da Igreja. Nessa medida, \u00e9 uma gra\u00e7a poder acontecer a ordena\u00e7\u00e3o episcopal num contexto em que a Igreja est\u00e1 mais desperta para o dom essencial da vida nova jorrante de Cristo, para a Adora\u00e7\u00e3o contemplativa, para aquilo que \u00e9 o desprendimento de si pr\u00f3pria para acolher a vontade de Deus. Isso \u00e9 fundamental quer na escuta da Palavra quer no alimentar-se de Cristo. E a melhor forma, a forma mais aut\u00eantica de vivermos o Ano da Eucaristia, \u00e9 atrav\u00e9s de celebra\u00e7\u00f5es dignas de Eucaristia. O estilo de vida de Jesus foi eucar\u00edstico, foi um estilo de dar gra\u00e7as ao Pai, de dar-se, de repartir-se no contacto com quem Ele encontrou e de quem se aproximou, nos caminhos da Palestina. Portanto, \u00e9 esse estilo eucar\u00edstico que penso que tamb\u00e9m pode ser um desafio para o minist\u00e9rio pastoral. Alimentados da Eucaristia tenhamos n\u00e3o s\u00f3 a ousadia da proposta da Palavra, como primeira parte da Celebra\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m assumamos atitudes eucar\u00edsticas, que consiste em viver a vida como Dom. Isto \u00e9 um desafio permanente e uma proposta prof\u00e9tica. Que a comunh\u00e3o com Cristo, nesses momentos eucar\u00edsticos, nos lance sempre para irmos mais longe na l\u00f3gica do Dom, que \u00e9 a l\u00f3gica de Deus.  VP \u2013 Essa proposta prof\u00e9tica urge e grita hoje por entrar nas pessoas e nos lares crist\u00e3os, visto notarem-se quebras significativas na pr\u00e1tica dominical ou uma faixa et\u00e1ria menos jovem. Para si, o que est\u00e1 na origem deste fen\u00f3meno de n\u00e3o cristianismo ou de \u201ccrist\u00e3o s\u00f3 de nome\u201d?  CA \u2013 As causas n\u00e3o s\u00e3o simples de identificar. H\u00e1 muitos factores e depende um pouco da hist\u00f3ria de cada um. Eu acho que importa valorizar o que depende de n\u00f3s. N\u00e3o adianta lamentarmo-nos da sociedade contempor\u00e2nea, de um certo secularismo e do descuido dos valores espirituais. S\u00e3o os ares em que vivemos. Devemos olhar para a realidade e ousar como Cristo propor valores vitais. \u00c9 preciso renovar. Fundamental para a vida da Igreja \u00e9 fazer um exame de consci\u00eancia profundo e, da nossa parte, propormos celebra\u00e7\u00f5es vivas, com uma linguagem que seja atraente, com um estilo de celebra\u00e7\u00e3o que possa ser acolhedor para as pessoas e que v\u00e1 de encontro \u00e0s suas pr\u00f3prias vidas. Depois de auscultar e analisar as raz\u00f5es das pessoas, teremos de atender a cada sector e segmento da sociedade e de encontrar solu\u00e7\u00f5es diversas. Os jovens precisar\u00e3o de fazer uma experi\u00eancia s\u00e9ria e forte de Deus e sem essa experi\u00eancia talvez a rotina de ir fique muito a merc\u00ea do \u201cagrada ou n\u00e3o me agrada\u201d. \u00c9 urgente que os casais e fam\u00edlias revejam a sua estrutura de fim-de-semana, porque a vida que fazem nesses dias impede a participa\u00e7\u00e3o na Eucaristia e a\u00ed \u00e9 fundamental que haja uma revis\u00e3o de organiza\u00e7\u00e3o do tempo e do fim-de-semana. O andar sempre para um lado e para o outro perturba muito a fidelidade \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o por parte dos filhos. Portanto, h\u00e1 um conjunto de valores que t\u00eam que ser analisados.  VP \u2013 Tem, e bem, uma preocupa\u00e7\u00e3o grande na terminologia dos conceitos e na exactid\u00e3o lingu\u00edstica de certos termos. Seria bom fazer aqui, publicamente, e explicar algumas dessas correc\u00e7\u00f5es, como por exemplo o t\u00edtulo episcopal&#8230; CA \u2013 Como \u00e9 sabido o \u201cdom\u201d est\u00e1 ligado \u00e0 nobreza. Foi sobretudo \u00e0 nobreza que se foi buscar candidatos ao Episcopado. Como \u201cdom\u201d quer dizer \u201csenhor\u201d, dizer \u201csenhor dom\u201d \u00e9 um pleonasmo. Estamos a dizer \u201csenhor\u201d em portugu\u00eas e dominus em latim. \u00c9 como dizer \u201cS\u00e9 Catedral\u201d, que estamos a dizer em latim e em grego a mesma coisa. Portanto, \u00e9 como se fosse uma tradu\u00e7\u00e3o: dizer a palavra e a tradu\u00e7\u00e3o a seguir. Apesar de ser um erro as pessoas continuam a dizer e a escrever. Penso que vai ser dif\u00edcil as pessoas deixarem de dizer \u201csenhor dom\u201d, mas da mesma forma que dizem \u201csenhor padre\u201d, podem dizer \u201csenhor bispo Manuel\u201d, por exemplo. Isso \u00e9 que seria o normal, mas em Portugal somos muito de salamaleques. H\u00e1 uma rotina que leva o seu tempo a alterar.  VP \u2013 Se virmos bem essa terminologia pr\u00f3pria est\u00e1 empregue nos formul\u00e1rios actuais do Missal Romano \u2013 notem-se as Ora\u00e7\u00f5es Eucar\u00edsticas \u2013 e do livro da Ora\u00e7\u00e3o Universal&#8230; CA \u2013 A\u00ed \u00e9 o car\u00e1cter universal que acaba por pesar e que as pessoas p\u00f5em como v\u00eaem no latim e fazem bem. O h\u00e1bito \u00e9 tal que, por vezes, as pessoas inserem o \u201cdom\u201d quando n\u00e3o est\u00e1 previsto nas ora\u00e7\u00f5es&#8230;  VP \u2013 J\u00e1 agora, h\u00e1 outras express\u00f5es, que sei que \u00e9 sens\u00edvel, como \u201cII Conc\u00edlio do Vaticano\u201d e homem\/ns, para dizer homem e mulher&#8230; CA \u2013 Queres dar a conhecer as minhas manias de mestre&#8230; De facto, n\u00e3o permito que os meus alunos digam \u201cConc\u00edlio Vaticano II\u201d por estar incorrecto em portugu\u00eas. Deve-se a uma tradu\u00e7\u00e3o apressada do latim. Deve dizer-se \u201cII Conc\u00edlio do Vaticano\u201d. Tamb\u00e9m dizemos II Conc\u00edlio de Latr\u00e3o ou o IV Conc\u00edlio de Latr\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 o Conc\u00edlio de Latr\u00e3o IV. \u00c9 uma quest\u00e3o de rigor, mas tenho consci\u00eancia de ser uma \u201cluta ingl\u00f3ria\u201d.  Outra express\u00e3o que procuro corrigir: evitar dizer \u201chomem\u201d para dizer homem e mulher. A liturgia e os documentos eclesiais referem sempre homem, homem, homem nas suas ora\u00e7\u00f5es e textos. Esse modo tem de ser revisto. Ali\u00e1s, \u00e9 contra uma norma europeia&#8230; A Igreja tem de estar atenta a esta sensibilidade contempor\u00e2nea. Acabou dizer homem para dizer homem e mulher. Tem de se dizer homem e mulher ou dizer humanidade, ou ser humano, ou pessoa humana ou um termo que abarque ambos. Mas estas s\u00e3o quest\u00f5es pequenas&#8230;  ASPECTOS DE ELEI\u00c7\u00c3O:  VP \u2013 Um momento da Hist\u00f3ria da Igreja&#8230; CA \u2013 Um momento fundamental foi a viragem constantiniana com as consequ\u00eancias da cristandade posterior: estruturas subservientes \u00e0 l\u00f3gica do poder, org\u00e2nicas de adapta\u00e7\u00e3o ao Imp\u00e9rio Romano e integra\u00e7\u00e3o da novidade evang\u00e9lica na cultura greco-romana. \u00c9 algo de que aos poucos nos temos de libertar para ser fi\u00e9is ao Evangelho e a Jesus Cristo. Outro momento certamente marcante seria o II Conc\u00edlio do Vaticano, como que o retomar das origens e o regresso \u00e0s fontes, desprendendo-nos da mentalidade reinante e valorizando quer a autonomia das realidades terrestres quer a atitude de fazer com que a viv\u00eancia do Cristianismo seja fermento activo na sociedade, que passa muito mais pelo testemunho de vida, do que pelo triunfalismo das posi\u00e7\u00f5es sociais. Essa \u00e9 uma atitude nova que o Esp\u00edrito inspirou \u00e0 Igreja e a que \u00e9 preciso dar cada vez mais corpo.  VP \u2013 Um autor da Patr\u00edstica&#8230;  CA \u2013 Certamente Santo Agostinho, que \u00e9 um grande marco, pela inquieta\u00e7\u00e3o inteligente pelo di\u00e1logo cultural e pela vis\u00e3o pastoral. Eu gosto muito de S. Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo, pela sua frontalidade e testemunho, n\u00e3o s\u00f3 pela vida pessoal que levava como Bispo de Constantinopla, mas tamb\u00e9m na forma como pregava, com uma grande ousadia prof\u00e9tica.  VP \u2013 Uma espiritualidade&#8230; CA \u2013 A espiritualidade do servi\u00e7o por amor, que \u00e9 aquela em que tento viver. Decorre da atitude de Cristo. \u00c9 uma espiritualidade cristoc\u00eantrica, que por isso \u00e9 tamb\u00e9m mariana, porque Maria est\u00e1 sempre unida a Cristo, na disponibilidade para o Mist\u00e9rio.  VP \u2013 Um \u00edcone \/ iconografia&#8230; CA \u2013 O \u00edcone da Trindade de Rubliev, por ser aquele que n\u00e3o nos cansamos de olhar, porque descobrimos l\u00e1 que Deus n\u00e3o se cansa de Se dar. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c0 conversa com&#8230; D. 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