{"id":10170,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/quarenta-anos-depois-onde-estamos\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"quarenta-anos-depois-onde-estamos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/quarenta-anos-depois-onde-estamos\/","title":{"rendered":"Quarenta anos depois&#8230; onde estamos?"},"content":{"rendered":"<p>Uma reflex\u00e3o sobre o Ecumenismo <!--more--> Com a promulga\u00e7\u00e3o do Decreto Unitatis Redintegratio \u2013 Decreto sobre o Ecumenismo, do Conc\u00edlio do Vaticano II, h\u00e1 40 anos, a Igreja Cat\u00f3lica Romana iniciou a sua abertura \u00e0s outras Igrejas. Desde essa altura at\u00e9 hoje muito foi alcan\u00e7ado no contexto ecum\u00e9nico portugu\u00eas, embora muito ainda esteja por conseguir-se. Eis um testemunho e um balan\u00e7o poss\u00edvel, na perspectiva de uma Igreja hist\u00f3rica minorit\u00e1ria, preocupada com a sua afirma\u00e7\u00e3o e com uma profunda voca\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria, que tem vivido a caminhada ecum\u00e9nica com intensidade, alegria e muita esperan\u00e7a.  Toda a minha viv\u00eancia como cl\u00e9rigo, desde h\u00e1 mais de 30 anos, se banhou no esp\u00edrito da unidade, qual rio que une as margens com  \u00e1gua corrente que tonifica e mostra o caminho da foz, o mar imenso da Igreja Una Santa Cat\u00f3lica e Apost\u00f3lica, que o Credo de Niceia afirma. Retenho, por isso, na mem\u00f3ria  o que foi o balbuciar do movimento ecum\u00e9nico nesta Diocese do Porto, sob o olhar emblem\u00e1tico, distante mas atento, de D. Ant\u00f3nio Ferreira Gomes. Lembro os diversos encontros formais com te\u00f3logos e historiadores, em amplos audit\u00f3rios, as primeiras celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas na Igreja da Lapa, e os encontros informais, de pequenos grupos, em casas particulares, onde se lia e reflectia a Palavra de Deus, procurando a luz para iluminar o caminho comum na f\u00e9.   As celebra\u00e7\u00f5es ecum\u00e9nicas  Nos princ\u00edpios dos anos 70, mesmo perante a incompreens\u00e3o de alguns, as celebra\u00e7\u00f5es ecum\u00e9nicas por altura da Semana de Ora\u00e7\u00e3o pela Unidade dos Crist\u00e3os, organizadas pela Comiss\u00e3o Ecum\u00e9nica do Porto, eram j\u00e1 uma realidade vivida com alegria e forte impacto por fi\u00e9is de diversas Par\u00f3quias Cat\u00f3licas e Igrejas de outras confiss\u00f5es. Assim se foi caminhando, ao longo dos anos, como peregrina\u00e7\u00e3o com ponto de encontro na Semana de 18 a 25 de Janeiro de cada ano, o que por vezes foi objecto de lamento e cr\u00edtica \u2013 porque as coisas n\u00e3o andavam&#8230;, porque o ecumenismo s\u00f3 se realizava na Semana de Ora\u00e7\u00e3o para a Unidade dos Crist\u00e3os, porque&#8230; E alguns chegaram a desistir&#8230; porque isto n\u00e3o levava a nada. Hoje percebemos quanto aqueles tempos de aproxima\u00e7\u00e3o prudente, de estudo cuidadoso, de rela\u00e7\u00e3o cerimoniosa, foram importantes para chegarmos \u00e0quilo que actualmente o Esp\u00edrito nos permite viver, a  aceita\u00e7\u00e3o m\u00fatua na caridade de filhos de Deus e a rela\u00e7\u00e3o fraterna em respeito e abertura centrados na pessoa de Jesus.   A n\u00edvel nacional n\u00e3o se pode esquecer aquele dia 20 de Fevereiro de 1992, em Viseu, em que se  realizou o I Encontro Ecum\u00e9nico entre a Comiss\u00e3o Episcopal da Doutrina da F\u00e9 e o Conselho Portugu\u00eas de Igrejas Crist\u00e3s, sob a Presid\u00eancia de D. Ant\u00f3nio Monteiro, ent\u00e3o Bispo de Viseu e Presidente daquela Comiss\u00e3o Episcopal. Assim a caminhada ecum\u00e9nica chegou ao patamar mais alto da hierarquia Cat\u00f3lica Romana e passou ser entendida como assunto de import\u00e2ncia priorit\u00e1ria na sua miss\u00e3o. Doze anos passados nesta rela\u00e7\u00e3o de caminheiros \u2013 vamos j\u00e1 no XXV Encontro \u2013 os  Encontros Ecum\u00e9nicos t\u00eam sido instrumentos de partilha de conhecimento e aprofundamento das perspectivas de cada Igreja participante, levando-as a descobrir-se umas \u00e0s outras em ambi\u00eancia de humildade, de respeito e aceita\u00e7\u00e3o m\u00fatuas, de reflex\u00e3o e ora\u00e7\u00e3o fundadas na Palavra de Deus e na pessoa de Jesus Cristo.   A Carta Ecum\u00e9nica para a Europa  Esta ambi\u00eancia permitiu que em Novembro de 2001 se traduzisse e publicasse a Charta Oecumenica para a Europa, firmada em Strasbourg, em Abril desse ano, entre os Presidentes da Confer\u00eancia das Igrejas Europeias (Igrejas n\u00e3o Romanas) e do Conselho das Confer\u00eancias Episcopais Europeias (Cat\u00f3lica Romana). Nessa Charta, as Igrejas Europeias assumiram a responsabilidade de procurar anunciar juntas o Evangelho, ir ao encontro do outro na promo\u00e7\u00e3o da abertura ecum\u00e9nica e na colabora\u00e7\u00e3o no campo da educa\u00e7\u00e3o crist\u00e3 e na forma\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica inicial e permanente, orar juntos e prosseguir o di\u00e1logo com vista a chegar-se a um consenso de f\u00e9. Tais compromissos s\u00e3o caminhos de vida, cuja exig\u00eancia s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel enfrentar tendo Cristo como fundamento. Neste sentido, est\u00e1 a preparar-se uma declara\u00e7\u00e3o p\u00fablica de aceita\u00e7\u00e3o m\u00fatua do Baptismo das Igrejas participantes daqueles Encontros Ecum\u00e9nicos, que se espera venha a verificar-se este ano de 2005.   Ainda, em Outubro de 1994, aos participantes dos Encontros Ecum\u00e9nicos juntou-se a Alian\u00e7a Evang\u00e9lica Portuguesa, noutro modelo de Encontro a que se deu o nome de Interconfessional. Deste \u00faltimo h\u00e1 que real\u00e7ar duas importantes Jornadas levadas a cabo, a primeira em Coimbra, 2001 \u2013 \u201cA singularidade de Cristo\u201d \u2013 e a segunda no Porto, 2004 \u2013 \u201cJesus Cristo, a Palavra Viva\u201d. Foram eventos de reflex\u00e3o sobre a pessoa de Jesus \u00e0 luz da diversidade das leituras da Palavra de Deus das Igrejas envolvidas, espa\u00e7os de encontro para os seus fi\u00e9is, viv\u00eancia conjunta da mesma preocupa\u00e7\u00e3o do an\u00fancio hoje de Jesus como Senhor e Salvador.   Da separa\u00e7\u00e3o aos caminhos de encontro Desta forma se tem vindo a avan\u00e7ar numa involv\u00eancia de entusiasmo nem sempre efusivo, mas sempre aut\u00eantico, porque alimentado pela convic\u00e7\u00e3o de que a caminhada ecum\u00e9nica \u00e9 uma ac\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito, de que a Unidade dos Crist\u00e3os deve tamb\u00e9m ser vista na perspectiva escatol\u00f3gica. Como Jacob (G\u00e9n. 28,10-17), no seu sonho, podemos abrir os olhos do nosso entendimento e descobrir que Deus tem estado \u201cneste lugar\u201d. A imagem da escada que liga o c\u00e9u \u00e0 terra, por onde os anjos subiam e desciam, com Deus no cimo, pode identificar-se com o Movimento Ecum\u00e9nico nos seus avan\u00e7os e recuos. O santu\u00e1rio do Esp\u00edrito onde a unidade se vive, n\u00e3o se alcan\u00e7a somente pelo que os homens e as mulheres das Igrejas possam fazer, mas, e principalmente, pelo modo como se deixarem transformar por esse mesmo Esp\u00edrito. Ao inv\u00e9s do que muitos pensam, o movimento ecum\u00e9nico n\u00e3o decorre dum simples processo de aceita\u00e7\u00e3o ou rejei\u00e7\u00e3o de algumas posi\u00e7\u00f5es eclesiais ou mesmo da simples mudan\u00e7a de usos e tradi\u00e7\u00f5es. O seu desenvolvimento est\u00e1 fundamentalmente na transforma\u00e7\u00e3o dos cora\u00e7\u00f5es, na mudan\u00e7a estrutural das mentes relativamente \u00e0 aceita\u00e7\u00e3o do outro e da diferen\u00e7a. S\u00e9culos de desentendimento e de separa\u00e7\u00e3o, por vezes violenta, n\u00e3o se apagam da mente humana em meras quatro dezenas de anos; poder e autoridade eclesiais n\u00e3o se desligam facilmente das estruturas dominantes do Estado (seja cat\u00f3lico ou protestante), o uso da tradi\u00e7\u00e3o e das tradi\u00e7\u00f5es em favor da manuten\u00e7\u00e3o do \u201cstatus quo\u201d n\u00e3o se desvanece por magia.  N\u00e3o se conseguiu o reconhecimento dos minist\u00e9rios, n\u00e3o chegamos \u00e0 mesa comum? No entanto, ap\u00f3s quarenta anos de viv\u00eancia ecum\u00e9nica, podemos olhar-nos uns aos outros na alegria, na perten\u00e7a ao mesmo Deus e a uma mesma f\u00e9 em Jesus Cristo, como Senhor e Salvador. Aceitamo-nos na fraternidade da Igreja de Cristo que cada uma das nossas confiss\u00f5es vai vivenciando no contexto da hist\u00f3ria e da sensibilidade espiritual que as moldou. E a\u00ed percebemos a grandeza e a profundidade da gra\u00e7a de Deus, tendo-nos trazido de tempos azedos, de antagonismos e apologias, transformado as nossas concupisc\u00eancias eclesiais em atitudes de aceita\u00e7\u00e3o, de acolhimento e de viv\u00eancia fraterna.  Escola de paci\u00eancia e esperan\u00e7a Aceitar o des\u00edgnio divino da Unidade dos Crist\u00e3os \u00e9 tomarmos consci\u00eancia de que participamos num projecto que n\u00e3o depende de n\u00f3s, mas do qual somos instrumentos. Assim, a caminhada ecum\u00e9nica \u00e9 escola de paci\u00eancia e de esperan\u00e7a, passando as suas frustra\u00e7\u00f5es a ser entendidas como uma participa\u00e7\u00e3o na Cruz de Cristo. O Ecumenismo tem de aceitar-se como uma peregrina\u00e7\u00e3o em que as dificuldades do caminho n\u00e3o inibem ou desencorajam o peregrino, pois, o fim desejado por Jesus em momento t\u00e3o crucial da Sua vida &#8211; a unidade dos seus seguidores \u2013 \u00e9 parte da miss\u00e3o da Igreja e justifica todas as agruras da viagem. Ora, esta convic\u00e7\u00e3o, esta paci\u00eancia fundada numa esperan\u00e7a e numa f\u00e9 inabal\u00e1veis, esta capacidade de aceitar e conviver com as dificuldades s\u00e3o contributos indispens\u00e1veis e essenciais para a melhor compreens\u00e3o entre os homens atrav\u00e9s da consci\u00eancia do outro, na busca de uma \u00e9tica de relacionamento na diferen\u00e7a, e na realiza\u00e7\u00e3o de ac\u00e7\u00f5es comuns. Assim o mundo v\u00ea e come\u00e7a a acreditar que as Igrejas envolvidas no Ecumenismo est\u00e3o ao lado da humanidade nas suas grandes preocupa\u00e7\u00f5es pela constru\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a e da paz. Ent\u00e3o, s\u00f3 temos de continuar, continuar a disponibilizarmo-nos para esta caminhada, porque, sendo Jesus o \u00fanico fundamento da Igreja (I Cor. 3,1-23), h\u00e1-de ser o Seu Esp\u00edrito vivendo em n\u00f3s que nos far\u00e1 perceber todo o sentido da unidade que pediu ao Pai.   * Bispo da Igreja Lusitana Cat\u00f3lica Apost\u00f3lica Evang\u00e9lica (Comunh\u00e3o Anglicana) <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma reflex\u00e3o sobre o Ecumenismo<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[174,184,187,192,193,203],"class_list":["post-10170","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-diocese-de-coimbra","tag-diocese-de-viseu","tag-diocese-do-porto","tag-ecumenismo","tag-educacao","tag-europa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10170","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10170"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10170\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10170"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10170"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10170"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}