{"id":10151,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/canonizacao-popular-da-irma-lucia\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"canonizacao-popular-da-irma-lucia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/canonizacao-popular-da-irma-lucia\/","title":{"rendered":"Canoniza\u00e7\u00e3o popular da Irm\u00e3 L\u00facia"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" border=\"1\" src=\"\/pub\/1\/img\/ir_lucia.jpg\" align=\"left\">Milhares de cat\u00f3licos portugueses e de outros pa\u00edses continuam a chegar a Coimbra para a \u00faltima homenagem \u00e0 irm\u00e3 L\u00facia. O sentimento, vis\u00edvel na missa de sufr\u00e1gio celebrada ao meio-dia, \u00e9 de que n\u00e3o se reza pela Vidente de F\u00e1tima, mas a ela, pedindo a sua intercess\u00e3o, numa verdadeira &#8220;peregrina\u00e7\u00e3o&#8221;. Esta verdadeira \u201ccanoniza\u00e7\u00e3o popular\u201d tem f\u00e1cil explica\u00e7\u00e3o: a Irm\u00e3 L\u00facia viveu a experi\u00eancia das apari\u00e7\u00f5es de F\u00e1tima com Jacinta e Francisco, que j\u00e1 foram beatificados por Jo\u00e3o Paulo II, e morre com fama de santidade. D. Albino Cleto, Bispo de Coimbra, v\u00ea as express\u00f5es de homenagem \u00e0 Irm\u00e3 L\u00facia como \u201cuma manifesta\u00e7\u00e3o de f\u00e9 simples e popular, misturada com um sentimento caracter\u00edstico de todos n\u00f3s, portugueses\u201d. \u201cRespeitando a diferen\u00e7a entre dois pastorinhos que foram beatificados e outra que teve uma vida edificante, penso que o Santu\u00e1rio de F\u00e1tima e os crist\u00e3os em geral v\u00e3o rezar a Deus pedindo a interven\u00e7\u00e3o da Irm\u00e3 L\u00facia e v\u00e3o continuar a conhecer a sua vida, recolhendo o seu exemplo\u201d, acrescentou. Muitos respons\u00e1veis cat\u00f3licos t\u00eam explicado que o processo da canoniza\u00e7\u00e3o da \u00faltima Vidente de F\u00e1tima ser\u00e1 iniciado oportunamente por quem de direito, seguindo os tr\u00e2mites normais, pelo que dever\u00e1 iniciar-se um m\u00ednimo de cinco anos ap\u00f3s a morte. O prelado disse em declara\u00e7\u00f5es recolhidas pela ECCLESIA que este processo n\u00e3o dever\u00e1 ser comparado ao de Madre Teresa de Calcut\u00e1 &#8211; que decorreu mais rapidamente do que o estabelecido- , explicando que \u201co cuidado da Igreja vai levar a que se estudem todos os seus escritos, ao longo de uma vida de quase 98 anos, havendo muita coisa para recolher e examinar\u201d. Al\u00e9m das suas seis mem\u00f3rias, a Irm\u00e3 L\u00facia escreveu milhares de cartas e mensagens. A publica\u00e7\u00e3o do epistolado da Vidente de F\u00e1tima n\u00e3o dever\u00e1 trazer, de acordo com D. Albino, nenhuma novidade relativamente aos acontecimentos da Cova da Iria. \u201cA Irm\u00e3 L\u00facia era muito discreta, nunca lhe fiz especiais perguntas sobre F\u00e1tima nem ela se adiantava a contar novidades. Fal\u00e1vamos mais sobre a Igreja, a ora\u00e7\u00e3o e a actualidade do mundo\u201d, referiu. A tramita\u00e7\u00e3o do processo de santidade de um cat\u00f3lico morto com fama de santidade passa por etapas bem distintas. Cinco anos ap\u00f3s a sua morte, qualquer cat\u00f3lico ou grupo de fi\u00e9is pode iniciar o processo, atrav\u00e9s de um postulador, constitu\u00eddo mediante mandato de procura\u00e7\u00e3o e aprovado pelo bispo local. D. Albino Cleto adiantou que a Diocese de Coimbra n\u00e3o se ir\u00e1 \u201cintrometer\u201d neste processo, pelo que ser\u00e1 o Santu\u00e1rio de F\u00e1tima e a Ordem do Carmelo quem primeiramente tomar\u00e1 dilig\u00eancias neste sentido. A fama de santidade dever\u00e1, assim ser averiguada com testemunhos e uma investiga\u00e7\u00e3o s\u00e9ria e aprofundada. O procedimento que se tem de seguir est\u00e1 na Constitui\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica \u201cDivinus Perfectionis Magister\u201d, de 25 Janeiro 1983, e nas \u201cNormae da Congrega\u00e7\u00e3o para as Causas dos Santos\u201d, de 7 Fevereiro 1983. A legisla\u00e7\u00e3o compreende tr\u00eas fases importantes, sobre as quais se apoia a investiga\u00e7\u00e3o da verdade sobre o objecto de uma causa de canoniza\u00e7\u00e3o. No processo diocesano, o primeiro, recolhem-se todas as provas sobre a vida, o culto antigo (se for o caso), e tamb\u00e9m as provas de eventuais milagres. Quando o processo chega a Roma, \u00e0 Congrega\u00e7\u00e3o para as Causas dos Santos, toda a documenta\u00e7\u00e3o \u00e9 submetida a um estudo cr\u00edtico e prepara-se a declara\u00e7\u00e3o sobre a vida, virtudes e milagres, a cargo de pessoas especializadas (Relatores). Cada Relator tem a seu cargo um certo n\u00famero de causas, possivelmente de uma determinada l\u00edngua ou \u00e1rea cultural, deve ser uma pessoa id\u00f3nea a n\u00edvel hist\u00f3rico-teol\u00f3gico. Somente ap\u00f3s a promulga\u00e7\u00e3o do decreto sobre a heroicidade das virtudes do servo de Deus \u00e9 que se pode examinar os presum\u00edveis milagres. A \u00faltima etapa, da an\u00e1lise teol\u00f3gica, compete aos consultores, sob a direc\u00e7\u00e3o do Promotor da F\u00e9, e depois os Bispos e Cardeais, membros da Congrega\u00e7\u00e3o, interv\u00eam nesta etapa bastante importante e delicada. Analisam todos os aspectos teol\u00f3gicos concernentes \u00e0 vida dos servos de Deus e dos Beatos, em ordem \u00e0 etapa seguinte. Compete ao Papa a decis\u00e3o \u00faltima.  Para a beatifica\u00e7\u00e3o e canoniza\u00e7\u00e3o exige-se um milagre para cada uma dessas etapas. A Igreja sempre reconheceu os Santos, mas nem sempre o modo de proceder nas causas de Canoniza\u00e7\u00e3o foi igual. Num r\u00e1pido olhar sobre a hist\u00f3ria, percebe-se que nos primeiros s\u00e9culos, o reconhecimento da santidade acontecia em \u00e2mbito local, a partir da fama popular do santo e com a aprova\u00e7\u00e3o dos bispos. Ao longo do tempo e sobretudo no Ocidente, come\u00e7ou a ser solicitada a interven\u00e7\u00e3o do Papa a fim de conferir um maior grau de autoridade \u00e0s canoniza\u00e7\u00f5es dos santos. A primeira interven\u00e7\u00e3o papal deste tipo foi de Jo\u00e3o XV em 993, que declarou santo o bispo Udalrico de Augusta, que tinha morrido vinte anos antes. As canoniza\u00e7\u00f5es tornaram-se exclusividade do Romano Pont\u00edfice por decis\u00e3o de Greg\u00f3rio IX em 1234. No decorrer do s\u00e9culo XVI come\u00e7ou-se a distinguir entre \u201cbeatifica\u00e7\u00e3o\u201d, isto \u00e9, o reconhecimento da santidade de uma pessoa com culto em \u00e2mbito local e \u201ccanoniza\u00e7\u00e3o\u201d, o reconhecimento da santidade com a pr\u00e1tica do culto universal, para toda a Igreja. Tamb\u00e9m a beatifica\u00e7\u00e3o se tornou uma prerrogativa da Santa S\u00e9, e o primeiro acto deste tipo refere-se ao Papa Alexandre VII em 1662 na beatifica\u00e7\u00e3o de Francisco de Sales. Neste momento est\u00e3o no Vaticano 32 causas portuguesas, das quais se destaca o processo de Canoniza\u00e7\u00e3o dos outros Pastorinhos de F\u00e1tima, Jacinta e Francisco. A 24 de Abril deste ano ser\u00e1 beatificada a religiosa portuguesa Ir. Rita Amada de Jesus (1848-1913), natural da Diocese de Viseu, fundadora do Instituto Religiosa das Irm\u00e3s Jesus Maria Jos\u00e9.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Milhares de cat\u00f3licos portugueses e de outros pa\u00edses continuam a chegar a Coimbra para a \u00faltima homenagem \u00e0 irm\u00e3 L\u00facia. O sentimento, vis\u00edvel na missa de sufr\u00e1gio celebrada ao meio-dia, \u00e9 de que n\u00e3o se reza pela Vidente de F\u00e1tima, mas a ela, pedindo a sua intercess\u00e3o, numa verdadeira &#8220;peregrina\u00e7\u00e3o&#8221;. 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