{"id":101425,"date":"2018-04-02T15:34:03","date_gmt":"2018-04-02T14:34:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=101425"},"modified":"2018-04-02T15:34:03","modified_gmt":"2018-04-02T14:34:03","slug":"homilia-do-bispo-de-leiria-fatima-na-missa-crismal-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-de-leiria-fatima-na-missa-crismal-4\/","title":{"rendered":"Homilia do bispo de Leiria-F\u00e1tima na Missa Crismal"},"content":{"rendered":"<p>\u00abChamados \u00e0 convers\u00e3o permanente\u00bb &#8211; D. Ant\u00f3nio Marto<!--more--><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-101426 alignleft\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/Leiria-Fatima_Missa-Crismal_2018-2-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/Leiria-Fatima_Missa-Crismal_2018-2-300x200.jpg 300w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/Leiria-Fatima_Missa-Crismal_2018-2-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/Leiria-Fatima_Missa-Crismal_2018-2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/Leiria-Fatima_Missa-Crismal_2018-2-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/Leiria-Fatima_Missa-Crismal_2018-2.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>\u201cComo \u00e9 bom e agrad\u00e1vel que os irm\u00e3os vivam unidos\u201d (Sl 133, 1). Este vers\u00edculo do salmo traduz bem a alegria de nos encontrarmos nesta missa crismal como membros do \u00fanico povo de Deus, fi\u00e9is leigos, religiosos e pastores, e, particularmente, de sentirmos a fraternidade entre n\u00f3s, todos chamados ao servi\u00e7o do Evangelho a exemplo de Cristo. A todos e cada um dirijo a minha fraterna sauda\u00e7\u00e3o, com particular destaque aos sacerdotes jubil\u00e1rios cujo j\u00fabilo e a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as partilhamos. Tamb\u00e9m fazemos mem\u00f3ria de sufr\u00e1gio pelos irm\u00e3os que o Pai chamou a si desde o ano passado.<\/p>\n<p>As leituras de Isa\u00edas e do evangelho de Lucas evocam a a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito, que, no dia da nossa ordena\u00e7\u00e3o, nos ungiu em Cristo e nos envia a levar os dons de Deus ao seu povo. O sacerd\u00f3cio \u00e9 um dom e uma tarefa a cuidar, a reavivar.<\/p>\n<p>Por sua vez, o Ano Jubilar do Centen\u00e1rio da Restaura\u00e7\u00e3o da Diocese real\u00e7a ainda mais este aspeto. Como toda a Igreja, tamb\u00e9m n\u00f3s temos necessidade de nos renovarmos continuamente para corresponder \u00e0 miss\u00e3o em cada \u00e9poca, em cada situa\u00e7\u00e3o existencial e dar frutos. \u00c9 um caminho de convers\u00e3o permanente, que Deus nos chama a percorrer, de modo especial a n\u00f3s ministros do seu povo, para sermos pastores, evangelizadores, mission\u00e1rios ao jeito de Jesus. Por este motivo preparei uma medita\u00e7\u00e3o sobre a nossa convers\u00e3o permanente nos seus diversos aspetos, inspirado no cardeal Martini e no Papa Francisco. Cada aspeto adquire rosto concreto na figura de um santo.<\/p>\n<p><strong>Homem de Deus<\/strong><\/p>\n<p>O primeiro aspeto desta convers\u00e3o \u00e9 teologal.\u00a0O nosso povo caraterizava o padre, tradicionalmente, como homem de Deus, que cr\u00ea, reza, adora e d\u00e1 testemunho para conduzir os outros a Deus. Hoje, no mundo plural e secularizado, o rosto de Deus obscureceu-se para muitos.\u00a0Nesta situa\u00e7\u00e3o somos chamados a ser cada vez mais homens de Deus: a mostrar a todos a beleza do amor de Deus que se manifesta no rosto misericordioso de Cristo.\u00a0Ele \u00e9 o que de mais precioso podemos oferecer \u00e0 nossa gente.<\/p>\n<p>Para isso, o Senhor pede-nos que nos voltemos para Ele de todo o cora\u00e7\u00e3o, que abramos o nosso cora\u00e7\u00e3o ao seu amor, que ponhamos a nossa m\u00e3o na sua com toda a confian\u00e7a, que nos deixemos conduzir como filhos e pastores; que Ele tenha sempre a primazia, acima de tudo. Isto exige de n\u00f3s escutar Deus e meditar a sua palavra, ador\u00e1-lo, fazer ora\u00e7\u00e3o, falar-Lhe dos homens e mulheres que encontramos e a quem somos enviados.<\/p>\n<p>Desta convers\u00e3o \u00e9 exemplo\u00a0Santo Agostinho buscador inquieto e ardente de Deus: \u201cComo ardia, meu Deus, como ardia em desejos de voltar das coisas terrenas para ti, mesmo ignorando o que querias de mim\u201d at\u00e9 depois exclamar: \u201cTarde te encontrei, \u00f3 Beleza t\u00e3o antiga e t\u00e3o nova, tarde te encontrei&#8230; Eu procurava-te fora e tu estavas dentro de mim\u201d.<\/p>\n<p>Cada um pergunte-se: Onde est\u00e1 o meu cora\u00e7\u00e3o? Que rosto de Deus testemunho e anuncio com a minha vida, o meu minist\u00e9rio e a minha humanidade?<\/p>\n<p><strong>Chamado \u00e0 santidade no minist\u00e9rio<\/strong><\/p>\n<p>Reconhecendo o primado de Deus e o seu amor misericordioso comunicado a n\u00f3s em Jesus, compreendemos que deve mudar o nosso modo de pensar e de se comportar: \u00e9 aconvers\u00e3o moral. Somos fr\u00e1geis e necessitados de miseric\u00f3rdia. Trazemos o tesouro do sacerd\u00f3cio em vasos de barro. Cada um de n\u00f3s \u00e9 pastor convertido, ferido curado e curador ferido, ap\u00f3stolo penitente e pecador perdoado.<\/p>\n<p>Santo In\u00e1cio de Loyola\u00a0incarna este segundo rosto da convers\u00e3o. Tomou consci\u00eancia de que era dominado pelas vaidades do mundo e precisava p\u00f4r em ordem a pr\u00f3pria vida desordenada. Decidiu ent\u00e3o encetar o caminho da santidade de vida procurando realizar a vontade de Deus atrav\u00e9s do discernimento espiritual.<\/p>\n<p>Este caminho permanece atual para a nossa santifica\u00e7\u00e3o no e atrav\u00e9s do minist\u00e9rio da Palavra, dos sacramentos e do acompanhamento pastoral; no amor \u00e0 Igreja como Corpo de Cristo com a generosa disponibilidade a servi-la onde \u00e9 preciso e a sofrer por ela; e na resist\u00eancia \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o do mundanismo, isto \u00e9, da autorreferencialidade e autossufici\u00eancia, do narcisismo, do comodismo, do clericalismo, que corroem a alegria da comunh\u00e3o e o entusiasmo da miss\u00e3o.\u00a0 \u00c9 o amor e o esp\u00edrito de Cristo que nos impele e nos leva a amar em tudo o que fazemos e dizemos.<\/p>\n<p><strong>Contemplativo na a\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O nosso minist\u00e9rio interiormente vivido nas diversas atividades leva-nos \u00e0\u00a0convers\u00e3o m\u00edstica\u00a0que consiste na experi\u00eancia do gosto, do gozo e do sabor da presen\u00e7a de Deus, da intimidade do seu amor trinit\u00e1rio, do sentir como \u00e9 delicioso ser tocado por Deus, como diz Santo In\u00e1cio nos Exerc\u00edcios Espirituais: \u201cN\u00e3o \u00e9 o muito saber que enche e satisfaz a alma, mas o sentir e saborear as coisas de Deus interiormente\u201d, ou S. Francisco Marto: \u201cGosto tanto de Deus!&#8230;Oh, como \u00e9 Deus!\u201d, ou ainda como Santa Jacinta Marto: \u201cGosto tanto de Nosso Senhor. \u00c0s vezes sinto c\u00e1 dentro um lume que arde mas n\u00e3o queima!\u201d<\/p>\n<p>A convers\u00e3o m\u00edstica torna-nos contemplativos na a\u00e7\u00e3o, a\u00a0exemplo de santa Teresa de \u00c1vila. Depois de vinte anos de mediocridade no mosteiro, como ela diz, entrou por gra\u00e7a nesta experi\u00eancia na qual contempla o Senhor presente nela, em cada membro do seu Corpo m\u00edstico, em cada pessoa e em cada situa\u00e7\u00e3o, e tamb\u00e9m contempla toda a realidade n\u2019Ele.\u00c9 uma m\u00edstica de olhos abertos!\u00a0Deste modo,\u00a0n\u00f3s podemos e devemos ser contemplativos no minist\u00e9rio e possuir a arte da mistagogia para iniciar os fi\u00e9is nesta experi\u00eancia gozosa e saborosa da f\u00e9, hoje indispens\u00e1vel. Um cora\u00e7\u00e3o cheio de Deus \u00e9 um cora\u00e7\u00e3o feliz e contagia os que est\u00e3o \u00e0 sua volta!<\/p>\n<p><strong>Com intelig\u00eancia espiritual do mundo contempor\u00e2neo e da sua evangeliza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Nesta sequ\u00eancia insere-se\u00a0a chamada convers\u00e3o intelectual\u00a0que permite adquirir uma intelig\u00eancia espiritual da situa\u00e7\u00e3o do mundo e da Igreja. \u00c9 fruto da ilumina\u00e7\u00e3o da f\u00e9 na ora\u00e7\u00e3o e aten\u00e7\u00e3o ao Esp\u00edrito, mas tamb\u00e9m da fadiga mental sobre o conhecimento da realidade sociocultural. \u00c9 uma convers\u00e3o necess\u00e1ria para ler e avaliar os sinais dos tempos: discernir o positivo e o negativo, encontrar a orienta\u00e7\u00e3o reta num mundo dif\u00edcil e n\u00e3o ceder ao pessimismo est\u00e9ril ou ficar atemorizados.\u00a0Num mundo pluralista, num universo cultural fragmentado, confuso, desorientado, um pastor deve adquirir luz e convic\u00e7\u00f5es profundas para uma evangeliza\u00e7\u00e3o cred\u00edvel.\u00a0O Beato Cardeal Newman\u00a0\u00e9 um grande exemplo: distinguiu-se n\u00e3o s\u00f3 pela piedade e moralidade, mas tamb\u00e9m pela intelig\u00eancia espiritual da modernidade, sabendo julgar o que tinha de bom e de mau, dar raz\u00f5es da pr\u00f3pria f\u00e9 e estabelecer um di\u00e1logo cordial com a sociedade e a cultura.<\/p>\n<p><strong>\u00a0Convers\u00e3o pastoral e mission\u00e1ria<\/strong><\/p>\n<p>Todas as dimens\u00f5es da convers\u00e3o convergem na\u00a0convers\u00e3o pastoral e mission\u00e1ria, isto \u00e9, em \u201cdeixar que a face do Deus Bom Pastor nos ilumine, nos purifique, nos transforme e nos restitua plenamente renovados \u00e0 nossa miss\u00e3o\u201d, \u00e0 doce e reconfortante alegria de evangelizar. \u201cQue ningu\u00e9m se sinta ignorado ou maltratado, mas cada um possa experimentar a aten\u00e7\u00e3o carinhosa do Bom Pastor\u201d (Papa Francisco).<\/p>\n<p>Esta convers\u00e3o \u00e9 bem exemplificada por\u00a0S. Jo\u00e3o XXIII\u00a0ao proclamar na abertura do Conc\u00edlio que \u201ca Igreja prefere\u00a0usar a medicina da miseric\u00f3rdia\u00a0do que as armas da condena\u00e7\u00e3o\u201d; pelo\u00a0Beato Paulo VI\u00a0ao apresentar\u00a0a par\u00e1bola do samaritano como o paradigmada espiritualidade do Conc\u00edlio e da Igreja, de olhar o mundo e os homens n\u00e3o com desprezo, mas com imensa simpatia, algo que os seus sucessores continuaram. Hoje \u00e9 o Papa Francisco que convida toda a Igreja a ser \u201chospital de campanha\u201d, Igreja em sa\u00edda ao encontro dos feridos e afastados, com o b\u00e1lsamo da miseric\u00f3rdia divina.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o podemos ficar tranquilos, em espera passiva, nos nossos templos, sendo necess\u00e1rio passar de uma pastoral de mera conserva\u00e7\u00e3o para uma pastoral decididamente mission\u00e1ria\u201d (EG 15).\u00a0A proximidade, o encontro, a simplicidade, o di\u00e1logo, o acompanhamento, a escuta, a compaix\u00e3o, a miseric\u00f3rdia sejam o nosso m\u00e9todo mission\u00e1rio para fazer chegar a todos a Boa Not\u00edcia, a alegria do Evangelho que \u00e9 Cristo.<\/p>\n<p>Ao renovarmos as promessas sacerdotais, pe\u00e7amos \u00e0 Virgem Santa que, com a sua intercess\u00e3o, nos ajude a responder \u00e0 gra\u00e7a da convers\u00e3o que o Senhor nos oferece neste tempo dif\u00edcil, mas cheio de esperan\u00e7as.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">\u2020 Ant\u00f3nio Marto<br \/>\nCatedral de Leiria, 29 de mar\u00e7o de 2018<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00abChamados \u00e0 convers\u00e3o permanente\u00bb &#8211; D. 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